Capítulo 32 – Horríveis devastações feitas por Simão na Iduméia. Os zelotes apoderam-se de sua mulher. Ele vai com o exército até às portas de Jerusalém, onde pratica inúmeros atos de crueldade e faz tantas ameaças, que são obrigados a lhe devolver a mulher.
Simão atravessou em seguida toda a Iduméia e não se contentava de destruir as cidades e as aldeias; detestava também os campos, porque além dos soldados que tinha, quarenta mil outras pessoas seguiam-no e não havia víveres suficientes para tanta gente. Mas sua crueldade natural, que era ainda aumentada pela ira que tinha contra os idumeus, não contribuía menos que o restante. Assim, nada mais se podia acrescentar à desolação daquela miserável província; e um bosque não fica menos desprovido de folhas em suas árvores depois da passagem dos gafanhotos, do que a região que Simão atravessava com seu exército ficava desprovida absolutamente de tudo. Aquelas tropas desumanas saqueavam tudo, incendiavam tudo e sentiam prazer em pisar as terras semeadas, para torná-las ainda mais duras, do que se jamais tivessem sido cultivadas.
Estes atos de tão cruel hostilidade incitaram ainda mais os zelotes contra Simão; mas eles não ousaram declarar-lhe uma guerra aberta. Contentaram-se em armar-lhe ciladas em todos os caminhos e por esse meio prenderam sua mulher e vários domésticos. Levaram-nos a Jerusalém, com tanta alegria, como se o tivessem aprisionado a ele mesmo, alegrando-se com a esperança de que ele deixaria as armas, para reaver sua esposa. Mas a cólera de Simão superou-lhe a dor de vê-la escrava. Ele chegou até às portas de Jerusalém e como um animal feroz, quando não se pode vingar dos que o feriram, descarrega sua raiva sobre tudo o que encontra, ele apanhava a todos, moços e velhos, que saíam da cidade para colher ervas ou apanhar lenha e os mandava açoitar até morrer, com tanta crueldade que só faltava, ao seu furor, saciar-se com suas carnes, depois de lhes ter tirado a vida. Para horrorizar ainda mais seus inimigos e obrigar o povo a abandoná-los, mandou cortar as mãos a vários e nesse estado os tornou a mandar para a cidade, com ordem de dizer publicamente que ele tinha jurado por Deus vivo, que se eles não lhe restituíssem imediatamente sua esposa, ele entraria na cidade pela brecha e trataria a todos os habitantes do mesmo modo, como os havia tratado, sem distinção de idade e sem fazer diferença entre inocentes e culpados. Essas ameaças espantaram o povo de tal modo, e mesmo os zelotes, que eles lhe restituíram a mulher; acalmando-se assim sua cólera, ele deixou de cometer tantos assassínios.
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