Capítulo 12 – Feitos de Simão, irmão de Judas Macabeu, na Galiléia. Vitória obtida por Judas e jônatas, seu irmão, sobre os amonitas. Outros Jeitos de Judas.
Judas Macabeu, a fim de atender às necessidades dos dois povos que se encontravam ao mesmo tempo ameaçados, entregou três mil homens escolhidos a Simão, seu irmão, para que fosse em socorro dos judeus da Galiléia, enquanto ele e Jônatas, seu outro irmão, e oito mil homens marcharam para a Galatida. O resto das tropas ficou para a guarda da Judéia, sob o comando de José, filho de Zacarias, e de Azarias, com ordem de velarem cuidadosamente pela conservação dessa província e de não se meterem em combate algum até a sua volta.
Simão, logo que chegou à Galiléia, combateu os inimigos e colocou-os em fuga. Perseguiu-os até as portas de Ptolemaida, livrou de suas mãos os judeus que haviam sido feito prisioneiros e voltou para a Judéia com grandes despojos.
Judas, por seu lado, acompanhado por Jônatas, seu irmão, depois de passar o Jordão, marchou durante três dias, sendo recebido como amigo pelos nabateenses. Estes disseram-lhe que os judeus da Galatida estavam sitiados em sua cidade e oprimidos pelos inimigos, e o exortaram a se apressar em socorrê-los. Esse aviso o fez marchar com rapidez através do deserto. Atacou e tomou, a caminho, a cidade de Bozra, incendiou-a e mandou matar todos os habitantes que estavam em condições de pegar em armas. Então continuou a marchar durante toda a noite até chegar perto do castelo onde os judeus estavam sitiados por Timóteo.
Ele chegou ao despontar do dia e viu que os inimigos já aprontavam as escadas para escalá-lo e mandavam as máquinas avançar. Assim, ordenou aos trom-beteiros que dessem o toque para avançar. Ele exortou os soldados a se mostrarem corajosos no combate, auxiliando os irmãos, e, depois de dividir as tropas em três grupos, atacou os inimigos por trás. Não teve dificuldade em destroçá-los, porque, quando os inimigos souberam que era o valente Macabeu quem os atacava, cuja coragem já era deles conhecida, bem como a sua rara perícia e felicidade nos combates, apressaram-se em abandonar o campo, fugindo. Ele os perseguiu tão ferozmente que oito mil foram mortos. Em seguida, atacou uma cidade dos bárbaros, de nome Mala, tomou-a, mandou matar todos os seus habitantes, exceto as mulheres, e reduziu-a a cinzas. Destruiu também Bezer, Cáspora e ainda outras cidades da Galátida.
Pouco tempo depois, Timóteo reuniu grandes forças e tomou como tropas auxiliares, dentre outras, um grande número de árabes. Acampou além da torrente, em frente à cidade de Rafa, e exortou os seus soldados a fazer todos os esforços possíveis para impedir que os judeus passassem, porque nisso residia toda a sua esperança de vitória. Logo que Judas soube que Timóteo se preparava para o combate, avançou com todas as suas tropas, passou a torrente e atacou os inimigos. A maior parte dos que lhe resistiram foram mortos, e os outros abandonaram as armas. Uma parte salvou-se, e o resto refugiou-se no templo de Carnaim, onde esperavam salvação. Judas, porém, tomou a cidade, queimou o templo e matou todos eles a ferro e fogo.
Depois de tantos e tão felizes resultados, esse general reuniu todos os judeus que estavam na província de Galaade, com as suas mulheres, filhos e bens, a fim de reconduzi-los à Judéia. E, como não podia, sem alongar demasiado o caminho, evitar passar pela cidade de Efrom, mandou pedir aos habitantes que lhe permitissem a passagem. Mas eles lhe fecharam as portas, entupindo-as com pedras, judas, irritado com a recusa, exortou os seus a exigir satisfação. Então sitiou a cidade e a tomou em vinte e quatro horas. Mandou matar todos os seus habitantes, exceto as mulheres, e a incendiou. O número dos que pereceram foi tão grande que não era possível atravessar as ruas, tão juncadas estavam de cadáveres.
Depois de passar o Jordão e o Grande Campo, onde estava a cidade de Bete-Seã, que os gregos chamam Citópolis, chegou com o exército a Jerusalém, cantando hinos e loas para glorificar a Deus. Muitas outras demonstrações de regozijo davam eles então pelas grandes vitórias conquistadas. Ele ofereceu em seguida sacrifícios a Deus, em ação de graças, não somente por Ele os haver feito triunfar de seus inimigos, mas também por conservar, de maneira miraculosa, a vida de todos os seus, pois, apesar de tantos e tão sangrentos combates, nenhum deles havia perecido.
José, filho de Zacarias, o qual Judas, como dissemos, tinha deixado para guardar a Judéia ao partir com Jônatas, seu irmão, para Galaade, contra os amonitas, e depois de enviar Simão, seu outro irmão, à Galileia, contra os habitantes de Ptolemaida, desejou também conquistar alguma honra. Marchou com todas as suas tropas contra a cidade de jamnia, mas Górgias, que lá estava com o seu exército, veio contra ele, derrotou-o e matou dois mil homens. O resto fugiu, retirando-se para a Judéia. Assim, ele foi com justiça castigado por não haver obedecido à ordem que Judas lhe dera, ou seja, não travar combate com os inimigos até o seu regresso. Isso deu motivo a que se admirasse ainda mais a previdência e a sábia orientação desse excelente chefe dos israelitas.
Judas e seus irmãos não deixavam de fazer guerra aos idumeus e os oprimiam de todos os lados: tomaram-lhes a cidade de Hebrom, destruíram todas as suas fortificações, incendiaram as suas torres, devastaram a região vizinha e tornaram-se senhores das cidades de Maressa e Azoto, a qual saquearam e depois voltaram a Jerusalém, com grandes despojos.
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