Capítulo 14 – Martírio da mãe dos macabeus. Seu elogio e de seus filhos, bem como de Eleazar.

Depois que os sete irmãos terminaram a vida da maneira como descrevi, leva­ram também a Antíoco a santa mãe. Atiraram-na ao fogo e aquela mulher forte, bom como seus filhos, teve a glória de triunfar sobre o tirano. Ela foi como um soberano edifício, de tal modo sustentado por eles, como por outras tantas colu­nas, que nenhum tormento jamais foi capaz de abalar. Ela agora goza no céu da recompensa de seus sofrimentos e de sua fé e resplandece com seus filhos, de uma luz mais viva do que a da lua e das estrelas. Devemos prestar-lhes a honra, que lhes é devida, por terem sustentado combates, que causam horror aos mes­mos algozes que os atormentaram, com tão espantosa crueldade, tornando-os sempre presentes aos olhos da posteridade, por esta história, que merecia ser gravada sobre o bronze de um magnífico túmulo, a fim de que nossa nação jamais viesse a esquecê-los. ilustre ancião, ilustres irmãos, resististes a todos os esforços desse cruel príncipe, que queria abolir nossas santas leis e com os olhos em Deus vós lhe resististes até à morte, no meio dos maiores tormentos. Jamais combate foi mais divino, pois só foi empreendido pela glória de Deus e jamais a virtude, provada pela paciência, triunfou com maior brilho. Eleazar, por primei­ro, entrou na arena. Os sete irmãos seguiram-no. Sua mãe palmilhou o mesmo caminho. O tirano fez tudo o que o furor mais implacável lhe poderia inspirar; o mundo foi espectador do combate, a piedade saiu vitoriosa e os que a tinham tão generosamente defendido, foram coroados. Como poderíamos não admirá-los e não ficarmos comovidos pelos seus sofrimentos, pois, o mesmo Antíoco e todos os seus ficaram atônitos e fora de si? O sangue desses admiráveis mártires aplacou a cólera de Deus, salvou o povo e deu-lhes a paz, quando havia mesmo probabilidade de esperá-lo. O príncipe concebeu tal estima por sua coragem e perseverança, que os propôs como exemplo aos seus soldados e fortificou suas tropas com um grande número de judeus, que o serviram valentemente, dando-lhe mesmo muitas vitórias.

Israelitas, raça de Abraão, jamais abandoneis vossas santas leis, mas observai-as mui religiosamente e reconhecei que a razão acompanhada pela piedade do­mina as paixões. Quanto a Antíoco, cruel príncipe, foi castigado neste mundo e o é ainda agora no outro. Vendo que lhe era impossível obrigar os judeus a renunciar à sua religião, ele saiu de Jerusalém para ir fazer guerra na Peréia e lá morreu miseravelmente.

É de mister terminar: creio, não poderia fazê-lo de modo melhor, do que referindo as palavras daquela admirável mãe a seus filhos: “Meus filhos, passei o tempo de minha virgindade com todo o pudor da virtude que se pode exigir de uma donzela e minha juventude, no casamento, com toda a honestidade que deve ter uma mãe de família. Quando começáveis a progredir nos anos, perdestes vosso pai. Ele tinha vivido santamente e suportado com paciência privar-se du­rante alguns anos da consolação de ter filhos. Ele vos instruiu nas leis e nos pro­fetas, falou-vos sobre o assassínio de Abel, por Caim, seu irmão, sobre o sacrifício de Isaque, a prisão de José, o zelo de Finéias; disse-vos da fossa dos leões onde haviam atirado a Daniel, da fornalha de babilônia, onde Ananias, Azarias e Misael foram lançados; citou-vos estas palavras de Isaías: Quando estiverdes no meio do fogo não experimentareis o ardor de suas chamas; este Salmo de Davi: Os sofrimen­tos são a herança dos justos; estas, de Salomão: O Senhor é como a árvore da vida para todos os que fazem a sua vontade. Estas, de Ezequiel: Ele reanimara um dia seus ossos dissecados; estas, de um cântico de Moisés: Eu sou o Senhor; eu mato e eu vivifico. Meus filhos, esse Deus Todo-poderoso, Eterno, que é a vossa vida, Ele somente pode prolongar vossos dias na eternidade.”

Quantas amarguras nesta vida! Como esses sete irmãos, ao contrário, encon­traram consolação e doçura quando os lançaram nas caldeiras de óleo fervente, quando lhes arrancaram os olhos, cortaram a língua e exalaram o último suspiro no meio de todos os tormentos que a crueldade mais desumana poderia inven­tar. A justiça de Deus faz agora sofrer o castigo a esse malvado soberano, e as almas puras desses verdadeiros filhos de Abraão e de sua bem-aventurada mãe, como recompensa de suas penas e sofrimentos, recebem no céu com os santos antepassados coroas imortais, das mãos de Deus, ao qual seja dada honra e gló­ria por todos os séculos dos séculos.

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