Capítulo 5 – Eglom, rei dos moabitas, subjuga os israelitas. Eúde liberta-os.

juizes 3. Depois da morte desse sábio e generoso governador, os hebreus acharam-se num estado muito pior que o anterior, e sem chefe, porque não prestavam mais a Deus a devida honra nem a obediência que deviam às leis. Eglom, rei dos moabitas, declarou-lhes guerra. Venceu-os em diversos combates e tornou o povo tributário. Estabeleceu em Jerico a sede dejseju governo e oprimiu-os com toda espécie de males. Eles passaram assim dezoito anos. Mas de­pois Deus, compadecido pelo sofrimento do povo e vencido pelas suas orações, resolveu libertá-los.

Eúde, filho de Gera, da tribo de Benjamim, jovem vigoroso e ousado, tão hábil que lutava ao mesmo tempo com as duas mãos e era capaz de tudo empreender, estava então em jerico. Encontrou meios de se insinuar nas boas graças de Eglom, por meio de presentes que lhe mandava, e teve assim grande facilidade para entrar no palácio. Num dia de verão, pelo meio-dia, tomou um punhal, escondeu-o sob as vestes, do lado direito, e foi em companhia de dois de seus servidores levar presentes ao soberano. Os guardas estavam fazendo a sua refeição, e o calor era grande: essas duas coisas juntamente os tornavam mais negligentes ainda. Ele ofereceu presentes a Eglom, que estava retirado num quarto muito fresco, e conversou com ele tão amigavelmente que o rei ordenou aos seus homens que se retirassem.

Eúde, temendo que o seu golpe falhasse, porque o rei estava sentado no trono, pediu-lhe que se levantasse para que pudesse narrar um sonho da parte de Deus. Eglom levantou-se para escutá-lo e então Eúde cravou-lhe o punhal no coração, deixando-o na ferida. Depois saiu e fechou a porta. Os oficiais julgaram que ele deixara o rei adormecido, e Eúde, sem perder tempo, contou em segre­do aos israelitas da cidade o que acabava de fazer, exortando-os a recuperar a liberdade. Eles tomaram imediatamente as armas e mandaram tocar trompas por todo o país, para reunir os de sua nação.

Os oficiais de Eglom permaneceram muito tempo sem nada desconfiar. Mas quando viram cair a tarde, o temor de que lhe houvesse acontecido alguma coisa impeliu-os a entrar no quarto, onde o encontraram morto. Seu espanto foi tal que, não sabendo qual deliberação tomar, deram aos israelitas tempo para se­rem atacados antes que tivessem ocasião de se defender. Os israelitas mataram uma parte deles, e o resto, num total de mais ou menos dez mil, salvou-se fugin­do para o seu país. Mas os israelitas, que haviam ocupado as passagens do Jordão, mataram-nos pelo caminho, principalmente no lugar das sentinelas, de sorte que não se salvou um sequer.

Os hebreus, uma vez livres da servidão dos moabitas, escolheram unanime­mente Eúde para seu chefe e soberano, considerando que deviam a ele a sua liberdade. Era um homem de grande mérito e digno de muitos elogios. Desem­penhou o cargo durante oitenta anos. Sangar, filho de Anate, sucedeu-o e mor­reu antes que terminasse o ano.

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