Capítulo 7 – Os hebreus vencem os midianitas e tornam-se senhores do país. Moisés constitui Josué guia do povo. Cidades construídas. Lugares de asilo.

Quando os midianitas viram os hebreus se aproximarem, reuniram todas as suas forças e fortificaram todas as passagens por onde eles poderiam entrar em seu país. Travou-se o combate: os midianitas foram vencidos, e os hebreus mataram um número tão grande deles que mal se podiam contar os mortos, entre os quais estavam todos os reis: Hur, Zur, Reba, Evi e Requém, o qual deu nome à capital da Arábia, que o conserva ainda hoje e que os gregos chamam Petra. Os hebreus saquearam toda a província e, para obedecer à ordem que Moisés dera a Finéias, mataram todos os homens e todas as mulheres, sem poupar ninguém, exceto as moças, das quais levaram umas trinta e duas mil, e fize­ram tal presa que tomaram cinqüenta e dois mil sessenta e sete bois, sessenta mil asnos e um número incrível de vasos de ouro e de prata, de que os midianitas se serviam ordinariamente, tão extravagante era o seu luxo.

Assim, Finéias voltou vencedor, sem ter sofrido perda alguma. Moisés distri­buiu todos os despojos: deu uma qüinquagésima parte a Eleazar e aos sacerdotes e dividiu o resto entre o povo, que por esse meio ficou em condições de viver com maior abundância e de desfrutar em paz as riquezas que havia conquistado valorosamente.

Números 27 e Deuteronômio 3. Estando Moisés já bastante idoso, consti­tuiu Josué guia do povo, por ordem de Deus, para sucedê-lo no dom da profecia e no comando do exército, de que era muito capaz. Era também grande conhe­cedor das leis divinas e humanas, devido às instruções que o próprio Moisés lhe ministrara.

Números 32. Nesse mesmo tempo, as tribos de Gade e de Rúben e me­tade da de Manasses, que eram muito ricas em gado e em todas as espécies de bens, rogaram a Moisés que lhes desse o país dos amorreus, conquistado algum tempo antes, porque era muito rico em pastagens. Esse pedido fê-lo crer que o desejo deles era evitar, sob esse pretexto, o combate contra os cananeus. Assim, disse-lhes que era apenas por covardia que lhe faziam aquele pedido, para viver em tranqüilidade numa terra conquistada pelas armas de todo o povo sem pre­cisar se unir ao exército para a conquista além do Jordão, daquele país de que Deus lhes havia prometido a posse quando tivessem vencido os povos que Ele lhes ordenava tratar como inimigos.

Eles responderam que estavam tão longe da intenção de querer evitar o peri­go quanto desejavam colocar, por esse meio, as suas mulheres, os seus filhos e os seus bens em segurança, para estar sempre prontos a seguir o exército aonde os quisessem levar. Moisés, satisfeito com a explicação, concedeu-lhes o que pedi­am na presença de Eleazar, de Josué e dos principais chefes que ele reunira para esse fim, com a condição de que essas tribos marchariam com as outras contra os inimigos até que a guerra estivesse completamente terminada. Assim, eles tomaram posse daquele país e ali construíram cidades fortificadas. Puseram nelas as suas mulheres, filhos e bens, a fim de estarem mais livres para tomar as armas e cumprir a sua promessa.

Números 35, Deuteronômio 4 e 19 e Josué 20. Moisés construiu também dez cidades, para fazer parte das quarenta e oito de que falamos, e estabeleceu em três dessas dez alguns refúgios para aqueles que tivessem cometido assassínio involuntário. Determinou que esse exílio duraria toda a vida do sumo sacerdote sob cujo sacerdócio o crime fora cometido. Após a morte dele, porém, o homici­da podia voltar ao seu país. Mas se durante o exílio fosse encontrado fora da cidade de refúgio por algum dos parentes do morto, este poderia matá-lo impu­nemente. Essas cidades chamavam-se Bezer, na fronteira da Arábia, Arimã, no país de Gileade, e Golã, em Basã. Moisés ordenou também que depois da con­quista de Canaã se separassem ainda outras três, das que pertenceriam aos levi-tas, a fim de servirem igualmente para asilo ou lugar de refúgio.

Números 27 e 36. Nesse meio tempo, tendo morrido Zalfate,* que era um dos principais da tribo de Manasses, e deixado somente filhas, alguns dos mais emi­nentes representantes dessa tribo dirigiram-se a Moisés para saber se elas deveri­am receber a herança do pai. Ele respondeu que se as moças se casassem com alguém da mesma tribo teriam esse direito. Não a receberiam, porém, se passas­sem a outra tribo, a fim de que, por esse expediente, fossem conservados em cada tribo os bens de todos os que a ela pertenciam.

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* Ou Zelofeade.

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