Capítulo 39 – Céstio sitia o Templo de Jerusalém e tê-lo-ia tomado, se não tivesse imprudentemente levantado o cerco.

Céstio, querendo aproveitar a confusão, marchou contra os revoltosos, pô-los em fuga e os perseguiu até Jerusalém. Acampou a sete estádios da cidade, em um lugar chamado Escopo; lá ficou três dias sem atacar, na esperança de que, durante esse tempo, eles voltassem ao dever e contentou-se em mandar seus soldados buscar trigo nas aldeias vizinhas.

No quarto dia, que era o dia treze de outubro, marchou, em boa ordem, contra a cidade com todo seu exército, e os judeus ficaram tão surpreendidos e atônitos com a disciplina dos romanos, que abandonaram a cidade e se retiraram ao Tem­plo. Céstio, depois de ter atravessado Beseta, Scenópolis e o mercado, a que cha­mam o mercado dos materiais, e tê-lo incendiado, aquartelou na cidade alta, perto do palácio real; se tivesse então dado assalto, ter-se-ia apoderado de Jerusalém e teria posto fim à guerra. Mas Tirano e Prisco, marechais de campo e vários oficiais de cavalaria, dissuadiram-no desse intento e foram causa de que, pela longa dura­ção que depois teve essa guerra, de que os judeus sofressem males incomparavel­mente maiores do que aqueles que então teriam sofrido.

Entretanto, Anano, filho de Jônatas, e vários outros dos principais dos judeus mandaram dizer a Céstio que lhe abririam as portas. Quer pela cólera, quer por­que julgava não poder crer neles, desprezou esse oferecimento; os revoltosos, então, vieram a saber da intenção de Anano e dos outros que o seguiam e perse­guiram-no tão fortemente a pedradas, que os obrigaram a se lançarem do alto da muralha para se salvar.

Dividiram-se, em seguida, pelas torres, para defendê-las e sustentaram du­rante cinco dias, com tanta força, o ataque dos romanos, que os tornaram inúteis. No sexto dia, Céstio, com um grande número de tropas escolhidas e de soldados que atiravam flechas, atacou o Templo do lado do norte; os judeus lançaram-lhes dardos do alto dos pórticos e os obrigaram diversas vezes a recu­ar. Mas, por fim, os da primeira linha dos romanos, cobriram-se com os escu­dos, apoiando-os contra os muros; os que os seguiam uniram também os escu­dos a estes, e assim os outros fizeram em fila a mesma coisa e formaram aquela espécie de couraça a que dão o nome de tartaruga; pondo-se a salvo dos dar­dos e das flechas dos judeus, trabalharam com segurança para derribar o muro e incendiar as portas do Templo. Os sediciosos ficaram tão assustados que, se julgando perdidos, vários fugiram para fora da cidade; mas o povo, ao contrá­rio, sentiu alegria e só pensava em abrir as portas a Céstio, que consideravam como seu benfeitor, porque lhes dava os meios de se libertar da tirania daque­les revoltosos. Assim, se esse general tivesse continuado o cerco, teria logo se apoderado da cidade; mas Deus, irritado contra aqueles malvados, não permi­tiu que a guerra acabasse logo.

Comentários

Tão vazio aqui... deixe um comentário!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Barra lateral