Capítulo 2 – Jônatas e Simão Macabeu sucedem ajudas, seu irmão, na qualidade de príncipes dos judeus e Simão livra a Judéia da escravidão dos macedônios. É morto à traição por Ptolomeu, seu genro. Hircano, um de seus filhos, herda sua virtude e sua qualidade de príncipe dos judeus. *

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* Este registro também se encontra no Livro Décimo Terceiro, capítulos 1, 9, 10, 11, 14, 15, 16, 1 7 e 18, Antigüidades Judaicas, Parte I.

 

Jônatas sucedeu a Judas Macabeu, seu irmão, na dignidade de príncipe dos judeus. Ele procedeu com os de sua nação com muita prudência, firmou sua autoridade com a aliança dos romanos e se pôs em boas relações com o filho de Antíoco. Um proceder tão sensato, não pôde, no entanto, lhe dar segurança. Trifon, que era tutor do jovem Antíoco e que depois usurpou o reino, não poden­do fazê-lo perder os amigos, recorreu à traição. Conseguiu induzi-lo a vir encon­trar-se com Antíoco, em Ptolemaida e lá o fez prisioneiro e avançou com suas tropas para a Judéia. Simão, irmão de Jônatas, obrigou-o a se retirar e ele ficou tão irritado, que mandou matar Jônatas.

Como não se podia acrescentar algo à vigilância e à coragem de Simão, ele tomou as cidades de Zara, de Jope e de Jamnia. Tornou-se assim senhor de Acarom, destruiu-a, e se uniu contra Trifon, a Antíoco, que antes de partir para sua viagem à Média, sitiava Dora. Mas esse rei era tão avarento que, ainda que Simão tivesse contribuído para a ruína e a morte de Trifon, pelo auxílio que lhe tinha dado, não deixou de enviar Cendebéa, um dos seus generais, com um exército, para devas­tar a Judéia e procurar fazê-lo prisioneiro. Embora esse príncipe dos judeus fosse então muito idoso, não deixou de agir com a mesma energia, como teria feito com as melhores tropas e marchou, por outro lado, com o restante; fez diversas emboscadas nas montanhas e obteve grande vitória. Deram-lhe em seguida o cargo de sumo sacerdote; ele libertou sua pátria da dominação dos macedônios, duzentos e setenta anos depois que dela se tinham tornado senhores.

Este grande personagem foi morto à traição num banquete, por Ptolomeu, seu genro, que ao mesmo tempo manteve prisioneira sua mulher e dois de seus filhos, e mandou alguns homens para matar João, antes chamado Hircano, que era o terceiro. Mas tendo sido avisado, ele fugiu para Jerusalém, confiando no afeto do povo, pelo respeito que consagrava à memória de seus parentes e de seu ódio por Ptolomeu. Este homem mau quis também entrar na cidade, por outra porta; mas o povo, que já havia recebido Hircano, repeliu-o. Ele foi então para um castelo de nome Dagom, que está além de Jerico; Hircano, depois de ter sucedido a seu pai no cargo de sumo sacerdote e oferecido sacrifícios a Deus, foi logo atacá-lo para libertar sua mãe e seus irmãos. Seu bom caráter foi o único obstáculo que lhe impediu de tomar a praça. Quando Ptolomeu se via em apuros, levava sua mãe e seus irmãos à muralha, para que todos pudessem vê-los e depois de os ter espancado violenta­mente, ameaçava precipitá-los de lá do alto, se ele não se retirasse imediatamente. Por maior que fosse a cólera de Hircano, ele era obrigado a ceder ao seu amor, para com pessoas que lhe eram tão caras e à compaixão, por vê-los sofrer. Sua mãe, ao contrário, cujo grande coração não se abatia, nem pelas dores nem pelo temor da morte, estendia-lhe os braços e rogava-lhe que o desejo de lhe poupar outros tor-mentos não o impedissem de dar àquele ímpio o merecido castigo, pois ela se con­siderava feliz por morrer, contanto que os crimes por ele cometidos contra toda a nação não continuassem impunes. Estas palavras animavam Hircano à vingança, mas quando via que recomeçavam a tratá-la de maneira tão cruel, sentia sua coragem enfraquecer e seu espírito agitado por esses diversos sentimentos enchiam-se de con­fusão e de perturbação. Assim, o cerco continuou por muito tempo e o sétimo ano chegou, o qual é um ano de descanso, para nós. Ptolomeu não ficou por esse meio livre do perigo e do temor, mas assassinou a mãe e os irmãos de Hircano e retirou-se depois para junto de Zenão, cognominado Cotilas, que reinava em Filadélfia.

O rei Antíoco, então, para se vingar de Hircano, pela vitória que Simão, seu pai, tinha obtido contra seus generais, entrou na Judéia com um grande exército e foi sitiar Jerusalém. O sumo sacerdote, para obrigá-lo a se retirar, man­dou abrir o sepulcro de Davi, que tinha sido o mais rico de todos os reis e de lá tirou mais de três mil talentos, dos quais lhe deu trezentos.

Este príncipe dos judeus foi o primeiro que manteve soldados estrangeiros. Quando viu que Antíoco tinha partido com todas as suas forças para a Média, tomou aquele Templo, para entrar na Síria, desprovida de soldados, apoderou-se de Medaba, Samea, Siquém e Gerizim e reduziu também à sua obediência os chuteenses, que moram nos lugares adjacentes ao Templo, construído à imitação do de Jerusalém. Na Judéia, tomou além de Dorom e Marissa, várias outras praças e avançou até Samaria, que Herodes reedificou depois e deu o nome de Sebaste. Cercou-a de todos os lados e deixou a Aristóbulo e a Antígono, seus filhos, o encargo de continu­ar o cerco. Nada eles deixaram de fazer para bem cumprir a ordem, e os habitantes ficaram reduzidos a tão grande miséria e carestia, que para viver foram obrigados a se servir de coisas que os homens não costumam comer. Em tal conjuntura extrema, imploraram o auxílio de Antíoco cognominado Sponde; este veio logo em seu socor­ro, mas Aristóbulo e Antígono venceram-no e o perseguiram até Citópolis, onde se refugiara. Os dois irmãos voltaram em seguida ao cerco, mantiveram os samaritanos presos dentro de suas muralhas, dominaram-nos à força, fizeram-nos todos prisio­neiros e destruíram completamente a cidade. Levaram sua boa sorte ainda mais além; para não deixar esmorecer o ardor de suas tropas, avançaram até além de Citópolis e dividiram entre si todas as terras do monte Carmelo.

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