Capítulo 15 – Os romanos derrubam os muros da cidade com os aríetes; descrição dos efeitos dessa máquina. Os judeus incendeiam as máquinas e os trabalhos dos romanos.

Tão longo assédio e as incursões contínuas dos sitiados faziam com que Vespasiano se considerasse, ele mesmo, como sitiado; suas plataformas haviam sido concluídas até à altura das muralhas e ele resolveu servir-se do aríete. Essa terrível arma é feita como um poste, semelhante a um mastro de navio de altura e grossura enormes, cuja ponta superior é armada com uma cabeça de ferro propor­cional ao restante e semelhante à de um carneiro, o que lhe valeu o nome, porque bate nas muralhas como o carneiro ataca também com a cabeça os seus adversá­rios. Esse mastro é suspenso e balançado por meio de grossos cabos, como o braço de uma balança, sobre um outro grande poste apoiado sobre a terra e sustentado de ambos os lados por escoras muito fortes e bem ligadas. Assim o aríete, balan-çando-se no ar, levantado e abaixado com violência por um grande número de homens, bate com a cabeça, fortemente, sobre um muro que se quer derrubar, e toda resistência possível cede-lhe à violência dos golpes repetidos.

A impaciência de Vespasiano em tomar a praça, por causa do prejuízo que a duração do cerco estava trazendo aos seus negócios, e pela oportunidade que dava aos judeus de se prepararem, como eles faziam com todas as suas posses, para resistir à guerra, fizeram-no decidir-se a se entregar àquele derradei­ro esforço; os romanos começaram por aproximar ainda mais as máquinas que atiram dardos, flechas, pedras e avançar os arqueiros e os fundibulários, a fim de impedir que os judeus subissem às muralhas para defendê-las. Mandaram em seguida avançar o aríete coberto de telhas e de peles, para conservá-lo e escondê-lo. Logo com os primeiros golpes, derrubou a muralha e os habitantes da cidade soltaram um grande grito, como se já os inimigos tivessem tomado a praça.

Mas como Josefo tinha previsto que os muros não poderiam resistir por muito tempo aos ímpetos de uma máquina tão poderosa, cogitou um meio de lhe diminuir o efeito. Mandou encher de palha uma grande quantidade de sacos que eram descidos com cordas do alto do muro, ao lugar onde o aríete batia; assim os golpes que d=ava não faziam estragos, perdiam a força, encontrando um anteparo mole que lhe anulava a pancada.

Esse estratagema retardou muito o trabalho dos romanos, porque de qual­quer lado que eles voltassem o aríete, encontravam sacos cheios de palha, que lhe inutilizavam os golpes. Por fim, cortaram com foices amarradas a longas va­ras as cordas onde os sacos estavam presos. Assim, o aríete continuou a fazer o seu ofício e o muro que tinha sido construído há pouco tempo não resistiu mais; Josefo e os seus então recorreram ao fogo. Reuniram em três lugares diversos todo o material combustível, misturaram-lhe betume, piche, enxofre, puseram-lhe fogo, e queimaram assim em menos de uma hora todas as máquinas e todas as obras que haviam custado aos romanos tempo e trabalho, embora tudo fizessem para impedi-lo; nuvens de fogo que vinham de todos os lados tornavam o incêndio tão grande que quem se aproximasse corria risco de perecer nas cha­mas, e via-se com espanto até a que excesso de furor o desespero dos judeus era capaz de levá-los.

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