Capítulo 6 – Os romanos apoderam-se da fortaleza Antônia e também ter-se-iam podido apoderar do Templo, se não fosse a incrível resistência oposta pelos judeus num combate vigoroso, durante horas.

Dois dias depois, alguns soldados de guarda nas plataformas reuniram-se com as insígnias da quinta legião, dois cavaleiros tomaram uma trombeta e pelas nove horas da noite subiram pelas ruínas do muro sem fazer barulho, até a fortaleza Antônia. Encontraram os soldados do corpo da guarda mais avançada adormecidos e os mataram. Apoderando-se assim do muro, tocaram a trombeta. A esse barulho, os dos outros corpos de guarda, imaginando que os romanos eram em mui grande número, ficaram tomados de tal terror, que fugiram. Logo que Tito veio a sabê-lo, reuniu todas as tropas que tinha junto de si, pôs-se à frente delas e acompanhado por seus guardas subiu pelas mesmas ruínas aonde o levava um acontecimento de tal conseqüência. Alguns judeus alarmados por um ataque tão repentino, fugiram para o Templo, outros, para uma mina que João tinha feito para derrubar as platafor­mas. Mas o partido deste e o de Simão reuniram-se em seguida porque se viam perdidos, se os romanos viessem a se apoderar do Templo e tudo fizeram com esfor­ço extraordinário para repeli-los. Travou-se então um vigoroso combate às portas desse lugar sagrado, do qual alguns consideravam a posse como sua completa vitó­ria e os outros, a perda, como sua ruína completa. Os dardos e as flechas eram inúteis tanto estavam perto uns dos outros; combatia-se apenas com as espadas, porque o espaço estreito não lhes permitia conservar as fileiras e eles estavam mistu­rados, sem se poder reconhecer, nem se distinguir pela língua, no meio de tanto barulho que se elevava de ambas as partes e enchia o ar; a coragem aumentava ou diminuía dos dois lados, segundo a própria vantagem ou desvantagem! Combatia-se pisando nos cadáveres e nas armas e não havia também lugar para onde se fugir nem para perseguir; avançava-se e se recuava segundo o que o inimigo obrigava a ceder ou era obrigado por sua vez a se afastar. Era um fluxo e refluxo contínuo, na contingência em que se encontravam os que estavam na linha de frente, de matar ou de ser mortos, porque, os que os seguiam, os apertavam tanto que não havia entre eles intervalo algum. O combate continuou com o mesmo ardor, desde as nove horas da noite até às sete do dia seguinte, isto é, durante dez horas. Por fim o furor e o desespero dos judeus que viam que sua salvação dependia do êxito desse combate, venceram o valor e a experiência dos romanos. Estes julgaram dever con­tentar-se em se ter apoderado da fortaleza Antônia, embora apenas uma pequena parte do seu exército tivesse entrado nesta luta.

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