Capítulo 30 – A falsa notícia de que Josefo tinha sido morto em Jotapate põe toda a cidade de Jerusalém em incrível agitação. Mas esta se converte em ira contra ele, quando souberam que ele estava apenas prisioneiro e era bem tratado pelos romanos.
Quando a notícia do que havia acontecido em Jotapate chegou a Jerusalém, a importância de tal perda e a ausência de alguém que tivesse visto o que se dizia, fez que a princípio não se acreditasse; do grande número de homens que estavam naquela miserável cidade, não ficara um só que lhes pudesse levar as notícias. A fama, que espalha tão prontamente os maus resultados, foi a única pela qual se soube a princípio tudo aquilo. Mas a verdade veio, em seguida, de todos os lados e dissipou pouco a pouco todas as dúvidas. Acrescentavam-se até mesmo coisas de que ainda não se havia falado e dizia-se que )osefo tinha sido morto. Toda Jerusalém ficou aflita. Os outros mortos eram lamentados por parentes e amigos, mas ele era chorado por todos e o luto que se tomou por ele, durante trinta dias, foi tão grande que todos buscavam ansiosamente músicos, para entoar cânticos fúnebres, como se usa nas homenagens aos mortos. Mas o tempo trouxe a verdade. Soube-se como tudo se havia passado: Josefo estava vivo entre os romanos e seu general, em vez de tratá-lo como escravo, prestava-lhe ainda grandes honras. Então, por uma mudança estranha, aquele grande amor que se tinha por ele, quando o julgavam morto, converteu-se em tal ódio, apenas se soube que ele estava vivo, que o chamavam de fraco, covarde e traidor. A indignação era geral; por toda a cidade ouviam-se injúrias contra ele; as desgraças que os oprimiam irritavam-lhes de tal modo o espírito que eles agiam sem nenhuma prudência; as aflições, que para os sensatos fazem-nos evitar caírem em outras, para eles só serviam de aguilhão, para excitá-los ainda mais. Assim, parecia que o fim de uma fosse o começo de outra e eles animavam-se cada vez mais contra os romanos, persuadidos de que, vingando-se deles, vin-gar-se-iam também de Josefo.
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