Capítulo 7 – César, depois de se ter tornado senhor de Roma, põe Aristóbulo em liberdade e o manda à Síria. Os partidários de Pompeu o envenenam. Pompeu manda cortar a cabeça a Alexandre, seu filho. Depois da morte de Pompeu, Antípatro presta grandes serviços a César, que por isso o recompensa com grandes honras. *

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* Este registro também se encontra no Livro Décimo Quarto, capítulos 13, 14 e 15, Antigüidades Judaicas, Parte I.

 

Algum tempo depois, César tornou-se senhor de Roma; Pompeu e o sena­do fugiram para além do mar Jônico e ele pôs Aristóbulo em liberdade, mandou-o com duas legiões à Síria, persuadido de que bem depressa dela apoderar-se-ia e de todos os lugares da Judéia que lhe estão próximos. Mas a sorte frustrou a esperança de César e não pôde tolerar que Aristóbulo tivesse a alegria de ser feliz em seus grandes desígnios. Os partidários de Pompeu envenenaram-no e con­servou-se seu corpo, com mel, até que Antônio, muito tempo depois, o mandou à Judéia para pô-lo no sepulcro dos reis. Alexandre, seu filho, não foi mais feliz do que ele. Cipião fez-lhe cortar a cabeça em Antioquia, segundo a ordem por escri­to que para isso recebeu de Pompeu, transmitindo a sentença do tribunal que o havia condenado à morte, por causa da sua revolta contra os romanos. Ptolomeu, príncipe da Cálcida, que está situada no monte Líbano, mandou Filipiom, seu filho, a Ascalom, à viúva de Aristóbulo, ordenando-lhe que lhe enviasse seu filho Antígono e suas filhas. Filipiom enamorou-se de uma delas de nome Alexandra e a desposou. Mas algum tempo depois, Ptolomeu, seu pai, fê-lo morrer e despo-sou ele a mesma princesa e teve ainda, mais que antes, necessidade de Antígono, seu irmão, e de suas irmãs.

Depois da morte de Pompeu, Antípatro procurou as boas graças de César e Mitrídates, de Pérgamo, que comandava um exército no Egito, para seu servi­ço, tendo sido obrigado a parar em Ascalom, porque lhe haviam negado a passa­gem por Pelusa, não somente levou os árabes a lhe dar auxílio, mas ele mesmo uniu-se a eles, com mais ou menos três mil judeus, bem armados e foi a causa de que ele obtivesse um grande adjutório, tanto das cidades como dos mais influen­tes da Síria e particularmente do príncipe Jamblice, de Ptolomeu, seu filho, e de um outro Ptolomeu que morava no monte Líbano. Mitrídates, fortalecido com tal auxílio, marchou para Pelusa e a sitiou. Nada se pode acrescentar à glória que Antipatro conquistou nessa ocasião, pois tendo feito uma brecha do lado do seu ataque, atirou-se por primeiro ao assalto e entrou na praça com os seus. Depois que esta cidade foi tomada, os judeus que habitavam nessa província do Egito, que tem o nome de Onias, resolveram opor-se a Mitrídates. Mas Antipatro per­suadiu-os a lhe dar passagem e mesmo a ajudá-los com víveres. Assim, nada lhes retardou a marcha e os de Mênfis, a seu exemplo, passaram ao seu partido.

Quando Mitrídates e Antipatro chegaram ao Delta, deram batalha aos inimigos, num lugar chamado Campo dos judeus. Mitrídates comandava a ala direita e corria perigo de ser inteiramente destroçada; mas Antipatro, que já tinha vencido os inimi­gos, veio em seu auxílio, pelo rio, e não somente o livrou de tão grande perigo, mas derrotou os egípcios, que já se julgavam vitoriosos, matou a vários, perseguiu os outros e saqueou seu acampamento, tendo perdido nesse combate somente oitenta homens. Mitrídates perdeu oitocentos e tendo assim, contra sua esperança, evitado sua destruição, não tirou, por inveja a Antipatro, a honra que lhe era devida. Fez-lhe junto de César os elogios que merecia uma ação tão gloriosa; esse grande imperador demonstrou tanta cordialidade para com Antipatro e falou dele de maneira tão van­tajosa, que nada havia que ele não pudesse esperar de sua gratidão e ele aumentou ainda seu desejo de se expor, com alegria, a todas as espécies de perigos, para seu serviço. Assim, não se apresentava ocasião sem que ele não se distinguisse pela sua coragem e o grande número de ferimentos que recebeu foram gloriosos sinais do seu valor. Depois que César liquidou os assuntos do Egito e voltou à Síria, honrou-o com a distinção de cidadão romano com todos os privilégios inerentes e acrescen­tou tantas outras provas de sua estima e de seu afeto que o tornou digno de inveja e confirmou, por amor dele, a Hircano no cargo de sumo sacerdote.

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