Capítulo 3 – Herodes vai procurar Agripa no Ponto com uma esquadra, e com ela reforça o exército romano. Ao retornar com ele, faz benefícios a várias cidades durante o caminho.
Quando chegou a primavera, Herodes soube que Agripa navegava com a sua esquadra para o Bósforo, e embarcou para encontrar-se com ele em Lesbos. Porém, depois de passar Rodes e Cós, um vento do norte impeliu-o para a ilha de Quios, onde foi obrigado a permanecer alguns dias. Muitos vieram cumprimentá-lo, e ele lhes deu magníficos presentes. Percebendo que os mercados da cidade, que eram muito grandes e belos, haviam sido destruídos durante a guerra de Mitridates e que os habitantes não tinham meios de os reconstruir, forneceu-lhes dinheiro mais que o necessário para as despesas e exortou-os a trabalhar prontamente para restituir à cidade a sua primitiva beleza.
Quando o vento mudou, ele tornou a embarcar. Aportou em Mitilene e depois em Bizâncio, onde soube que Agripa já passara os rochedos cianeanos. Seguiu-o rapidamente e o alcançou em Sinope, que é uma cidade do Ponto. Agripa ficou tão satisfeito quanto surpreso por vê-lo chegar com uma frota, quando menos esperava. Recebeu-o com as demonstrações de reconhecimento que merece tão grande prova de amizade, pois Herodes deixara o seu reino e os interesses de Estado para trazer-lhe um considerável auxílio. Esse fortalecimento de amizade uniu-os de tal modo que eles estavam sempre juntos, e Agripa nada fazia sem a participação de Herodes. Chamava-o a todos os conselhos, comunicava-lhe a execução de todas as suas empresas e, quando queria dar-se a algum divertimento para aliviar o espírito, ele era o único a quem convidava para lhe fazer companhia. E deu-lhe não somente provas de sua amizade nas coisas agradáveis, mas também de sua confiança nas ocasiões mais importantes e difíceis.
Depois que esse general romano concluiu no Ponto os negócios que haviam sido o motivo de sua viagem, resolveu continuar a rota por terra. Atravessou a Paflagônia, a Capadócia e a Alta Frígia para chegar a Éfeso e depois tornou a embarcar para Samos. A magnificência e a generosidade de Herodes brilharam nessa viagem, pelo bem que ele fez a todas as cidades que sofriam por alguma necessidade. Ajudou-as não somente com o seu dinheiro, mas também com a sua recomendação e favor junto de Agripa, perante o qual ele tinha mais crédito que qualquer outro.
Herodes achava aí tanto mais facilidade quanto esse grande homem tinha a alma nobre e elevada, estando sempre pronto a conceder o que lhe era pedido, contanto que não se fizesse injustiça a ninguém. E assim, Agripa concedia ainda mais do que Herodes podia desejar dele, tanto prazer sentia em servi-lo. Ante pedido seu, perdoou os ilíricos, contra os quais estava muito irritado. Herodes pagou ao tesoureiro do imperador o que os habitantes de Quios lhe deviam e ajudou todas as outras cidades em tudo o que elas necessitavam.
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