Capítulo 16 – César permite a Hircano reconstruir os muros de Jerusalém. Honras prestadas a Hircano pela República de Atenas. Antípatro reconstrói os muros de Jerusalém.

César acrescentou aos muitos favores que fizera a Hircano o de permitir-lhe reconstruir os muros de Jerusalém, os quais ainda não haviam sido restaurados depois que Pompeu os derrubara. Escreveu depois a Roma, aos cônsules, para que colocassem o decreto aos arquivos do Capitólio, nestes termos: “Valério, filho de Lúcio Pretor, referiu ao senado reunido no dia treze do mês de dezembro, no Templo da Concórdia, na presença de L. Copônio, filho de Lúcio, e de C. Papiro Quirino: que Alexandre, filho de Jasão, Numênio, filho de Antíoco, e Alexandre, filho de Doroteu, embaixadores dos judeus, pessoas de mérito e nossos aliados, vieram renovar a antiga amizade e a aliança de sua nação com o povo romano. Para nos dar uma prova disso, eles nos trouxeram uma taça e um escudo no valor de cinqüenta mil peças de ouro e nos rogaram que lhes déssemos cartas endereçadas às cidades livres e aos reis, para poderem passar em segurança pelas suas terras e pelos seus portos. A esse respeito, o senado determinou que eles serão recebidos na amizade e na aliança do povo romano, que tudo o que pedem lhes seja conce­dido e que serão aceitos os presentes. Isso aconteceu no nono ano do sumo sacer­dócio e do principado de Hircano e no mês de paneme”.

Esse príncipe dos judeus recebeu também outra grande honra da Repú­blica de Atenas, que, para demonstrar a gratidão que sentia, lhe mandou um decreto nestes termos: “Na lua vigésima do mês de paneme, sendo Dionísio Asclepíades juiz e sumo sacerdote, apresentou-se aos governadores um decreto dos atenienses, dado sob Agátocles, de que Eucles, filho de Menandro, faz menção na undécima lua de muniquiom. Depois que Doroteu, sumo sacerdote e os pre­sidentes dentre o povo recolheram os votos, Dionísio, filho de Dionísio, disse que Hircano, filho de Alexandre, sumo sacerdote e príncipe dos judeus, sempre mos­trou afeto por toda a nossa nação em geral e por todos os cidadãos em particu­lar, que não perdeu ocasião de disso nos dar provas, quer pela maneira como recebeu os nossos embaixadores e os que foram procurá-lo para assuntos parti­culares, quer pelo cuidado que teve de os fazer chegar em segurança até aqui, como diversas pessoas o afirmam. E, pelo que disse em seguida Teodoro, filho de Teodoro Símias, da virtude desse príncipe e de sua disposição em nos prestar todos os bons ofícios que dele dependerem, decretou-se honrá-lo com uma co­roa de ouro, erguer-lhe uma estátua de bronze no Templo de Demos e das Gra­ças e fazer-se publicar por um arauto, nos lugares de exercícios públicos, de luta e de corrida e no teatro, quando aí se representarem novas comédias ou tragédi­as em honra de Baco, de Ceres e de outras divindades, que essa coroa lhe foi dada por causa de sua virtude. E também, enquanto ele continuar a nos de­monstrar tão grande afeto, nossos principais magistrados cuidarão em reconhecê-lo por toda espécie de honras e serviços, para que todos saibam de nossa grati­dão e de nossa estima por todas as pessoas de mérito, e assim todos venham a desejar a nossa amizade. Determinou-se ainda que se nomearão embaixadores para levar-lhe este decreto e agradecer-lhe por tantos sinais de honra que teve a gentileza de nos conceder”.

Depois que César pôs em ordem todos os negócios da Síria, tornou a em­barcar em seu navio, e Antípatro, depois de o acompanhar, voltou à Judéia, onde a primeira coisa que fez foi reerguer os muros de Jerusalém. Em seguida, passou por toda a província para impedir, com os seus conselhos e advertências, as rebeliões e sedições, fazendo o povo ver que, obedecendo a Hircano, como era seu dever, po­deria desfrutar em paz todos os seus bens. Mas se a esperança de obter vantagens nas perturbações da ordem os fizesse suscitar revoltas e rebeliões, eles descobririam que, em vez de governador, ele seria um senhor muito severo, que Hircano, em vez de um rei cheio de amor pelos seus súditos, seria um rei sem piedade, e que César e os romanos, em vez de príncipes, seriam inimigos mortais e irreconciliaveis, pois jamais tolerariam que se suscitassem agitações e mudanças no que haviam ordena­do. Essas palavras de Antípatro tiveram tal força que produziram uma feliz tranqüilidade.

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