Capítulo 3 – Ezequias, rei de judá, estando nos extremos, pede a Deus que prolongue a sua vida e lhe dê um filho. Deus o concede, e o profeta Isaías dá-lhe um sinal, fazendo atrasar dez graus a sombra do sol. Balada, rei dos babilônios, envia embaixadores a Ezequias para fazer aliança com ele. Ezequias mostra-lhe tudo o que tem de mais precioso. Deus acha isso ruim e lhe diz, por meio do profeta, que todos os seus tesouros e até os seus filhos seriam um dia transportados para a Babilônia. Morte de Ezequias.

2 Reis 20. Eis como Ezequias, rei de Judá, contra toda esperança, ficou livre da ruína completa que o ameaçava. Ele só pôde atribuir tão mila­groso êxito a Deus, que expulsou os inimigos, em parte por meio da peste com que os feriu, em parte pelo medo que teve o rei de ver perecer do mes­mo modo o resto do exército. O príncipe, seguido por todo o povo, deu à divina Majestade infinitas ações de graças, por ter obrigado os assírios a le­vantar o cerco.

Algum tempo depois, Ezequias ficou tão doente que os médicos e todos os seus familiares perderam as esperanças de que se salvasse. Mas não era isso o que lhe causava maior sofrimento. Sua grande dor era que, não tendo filhos, a sua descendência terminaria com ele, e o trono passaria a outra família. Nessa afli­ção, ele rogou a Deus que prolongasse os seus dias, até que gerasse um filho. Deus, vendo em seu coração que era verdadeiramente por esse motivo que ele fazia tal pedido e não para gozar por mais tempo das delícias inerentes à vida dos reis, mandou o profeta Isaías dizer-lhe que ele ficaria curado dentro de três dias: viveria ainda quinze anos e teria filhos.

A gravidade da doença pareceu-lhe ter tão pouca relação com tão grande felicidade que ele teve dificuldade em prestar-lhe inteiro crédito. Por isso rogou ao profeta que lhe manifestasse um sinal de que falava da parte de Deus, a fim de fortificar a fé, pois só assim se prova a veracidade das coisas quando elas são tão extraordinárias e inimagináveis. O profeta perguntou-lhe que sinal ele desejava que lhe desse. Ele respondeu que desejaria ver a sombra do sol retroceder dez graus no seu quadrante. O profeta fez o pedido a Deus, e Ele o atendeu. Ezequias, depois desse grande prodígio, ficou curado no mesmo instante. Foi ao Templo adorar a Deus e fazer orações.

Por essa mesma época, os medos tornaram-se senhores do império dos assírios, como diremos a seu tempo. Balada, rei dos babilônios, enviou embaixa­dores a Ezequias para propor uma aliança. Ele os recebeu e tratou magnificamente, mostrou-lhes os seus tesouros, as suas pedras preciosas, os seus arsenais e tudo o que possuía de mais rico e despediu-os com presentes para o rei. Isaías veio vê-lo em seguida e perguntou-lhe de onde eram aqueles homens que tinham vindo visitá-lo. Ele respondeu que eram embaixadores enviados pelo rei da Babilônia e que lhes havia mostrado tudo o que tinha de mais precioso, a fim de que pudes­sem referir ao seu senhor as suas riquezas e o seu poder.

Disse-lhe o profeta: “Eu vos declaro, da parte de Deus, que em pouco tem­po as vossas riquezas serão levadas para Babilônia e os vossos descendentes serão feitos eunucos, indo servir como tais ao rei da Babilônia”. Ezequias, amar­gurado pela dor de ver o seu reino e a sua posteridade ameaçados com tanta desgraça, respondeu ao profeta que, visto nada poder impedir o que Deus já havia determinado, ao menos lhe fizesse a graça de deixá-lo viver em paz o resto de seus dias.

O historiador Berose faz menção desse Balada, rei da Babilônia. Quanto a Isaías, admirável profeta de Deus que jamais deixou de dizer a verdade, a con­fiança em tudo o que predizia fez com que ele não temesse escrevê-lo, a fim de que os pósteros não pudessem duvidar. E ele não foi o único que assim proce­deu, pois doze outros profetas fizeram o mesmo. Quanto a nós, vemos que todo bem ou todo mal que nos acontece concorda perfeitamente com essas profecias, como há de mostrar a continuação desta história. O rei Ezequias, segundo a promessa que Deus lhe fez, viveu quinze anos em paz após ser cura­do de sua enfermidade e morreu com cinqüenta e quatro anos, dos quais rei­nou vinte e nove.

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