Capítulo 38 – Incrível júbilo que as províncias da Ásia demonstram pela escolha de Vespasiano, para o império. Ele põe Josefo em liberdade de maneira muito honrosa.
Foi incrível a rapidez com que a notícia da escolha de Vespasiano para o trono do império se divulgou pelo Oriente e a alegria que causou esta notícia foi tão geral, que todas as cidades festejaram aquele dia e se ofereceram inúmeros sacrifícios para lhe desejar um feliz reinado.
As legiões que estavam na Moésia e na Hungria e que pouco antes se haviam revoltado contra Vitélio, porque não podiam tolerar sua insolência, prestaram juramento a Vespasiano, com demonstrações incríveis de afeto.
Quando ele voltou de Cesaréia a Berita vários embaixadores da Síria e das outras províncias, em nome de todas as cidades, ofereceram-lhe coroas, com cartas cheias de votos pela sua prosperidade. Múcio, governador da Síria, também veio procurá-lo parta trazer-lhe o protesto de afeto dos povos e do juramento que haviam feito de reconhecê-lo como imperador.
Este sábio príncipe, vendo que a fortuna secundava seus desígnios de tal sorte, que tudo lhe saía como ele poderia desejar, julgou que não fora sem uma determinação particular de Deus, que a providência o havia conduzido por tantos e tão variados caminhos, até o cúmulo da grandeza, chegando mesmo a dominar sobre toda a terra. Vários sinais que lhe tinham sido preditos, voltavam-lhe agora à mente e de modo especial, que josefo não havia temido, mesmo quando Nero ainda vivia, afirmar-lhe que Deus o destinava ao império. Essa recomendação impressionou-o tanto que ele não pôde pensar, sem pasmar, que ainda o conservava prisioneiro. Reuniu Múcio, os comandantes de suas tropas e seus amigos particulares, falou-lhes do grande valor de josefo, das dificuldades que lhe havia criado no cerco de Jotapate e de como ele, sozinho, havia sido causa de que o assédio se prolongasse tanto e o tempo lhe havia demonstrado a veracidade das predições por ele feitas, de que ele chegaria ao trono do império e que no momento ele atribuía apenas ao temor; parecia-lhe vergonhoso conservar ainda por mais tempo, como escravo e na miséria, aquele de quem Deus se quisera servir para pressagiar-lhe tão grande felicidade, à qual se pode chegar neste mundo.
Depois de ter assim falado, mandou chamar Josefo e o pôs em liberdade. Essa generosidade comoveu vivamente a todos os seus oficiais. Julgaram que, tratando tão generosamente a um estrangeiro, imaginavam que tudo poderiam esperar de sua gratidão. Tito, que estava presente, disse-lhe: “É, Senhor, uma ação digna de vossa bondade, dar a liberdade a Josefo, livrando-o das suas cadeias. Mas parece-me que seria também digno de vossa justiça prestar-lhe a honra de quebrá-las, para restaurá-lo no estado em que ele estava, antes do seu cativeiro, pois é esta a maneira de que se usa, para com aqueles que foram injustamente postos em ferros”. Vespasiano aprovou essa proposta. As cadeias foram quebradas e o efeito da predição de Josefo granjeou-lhe tal reputação de ser verdadeiro, que todos estavam dispostos a crer no que ele dissesse, para o futuro.
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