Capítulo 37 – Vespasiano começa por se apoderar de Alexandria e do Egito de que Tibério Alexandre era governador. Descrição dessa província e do porto de Alexandria.

Depois dessa escolha de Vespasiano para o supremo cargo do império, Múcio, os outros chefes de suas tropas e todo o exército rogaram-lhe que os levas­se contra Vitélio. Mas ele quis antes apoderar-se de Alexandria, porque sabia que o Egito é uma parte considerável do império pela grande quantidade de trigo que produz, e esperava, se pudesse apoderar-se dele, que Roma preferiria expulsar Vitélio, do que se ver exposta à carestia, se se obstinasse em conservá-lo, além de que ele desejava fortalecer-se com as duas legiões que estavam em Alexandria.

Considerava também que tão poderosa província poder-lhe-ia ser de grande auxílio, contra as vicissitudes da fortuna, pois a região é de mui difícil acesso do lado da terra e sem portos do lado do mar. Tem por limites do lado do ocidente as terras áridas da Líbia, do lado do sul, Siené separa-a da Etiópia e as cataratas do Nilo fecham a entrada para os navios. Do lado do oriente, o mar Vermelho serve-lhe de defesa até a cidade de Coptom e do lado do norte, esten­de-se até à Síria e está como defendida pelo mar do Egito, onde não há um só porto. Dessa forma, parece que a natureza sentiu prazer em fortificá-lo de todos os lados. O espaço entre Pelusa e Siené é de dois mil estádios e o da navegação, desde Plintia até Pelusa é de três mil e seiscentos estádios. Os navios podem navegar no Nilo até a cidade de Elefantina, mas as cataratas de que acabamos de falar não lhes permitem passar além.

A entrada do porto de Alexandria é muito difícil para os navios, mesmo durante a calma, porque a passagem é muito estreita e rochedos escondidos no mar os obrigam a se desviar do curso. Do lado esquerdo um dique forte é como um braço que aperta o porto; ele é fechado do lado direito pela ilha de Faros, na qual construiu-se uma grandíssima torre, onde uma luz sempre acesa, cuja clari­dade se estende à distância de trezentos estádios, mostra aos marítimos o cami­nho que devem seguir. Para defender essa ilha da violência do mar, rodearam-na de cais cujos muros são muito espessos; mas quando o mar, em seu furor, se irrita pela oposição que encontra, as ondas, que se levantam umas sobre as outras, estreitam ainda mais a entrada do porto e o tornam mais perigoso. Depois de ter vencido estas dificuldades, os navios que chegam ao porto lá permanecem em grande segurança e sua extensão é de trinta estádios. Para lá se leva tudo o que pode faltar à felicidade dessa fértil província e de lá se tiram as riquezas de que ela é abundante, para espalhá-las em todas as outras partes da terra.

Assim, não era sem motivo que Vespasiano, para consolidar sua autori­dade, quisesse apoderar-se de Alexandria. Escreveu a Tibério Alexandre, que era seu governador, que o exército o havia elevado ao império, com tanto afeto e tanto ardor, que lhe havia sido impossível não aceitar a imposição e ele o escolhia para ajudá-lo a carregar tão grande peso. Apenas Alexandre recebeu essa carta fez as legiões prestar juramento e todo o povo também, em nome desse novo imperador. E eles o fizeram com muitíssima alegria, porque a maneira como Vespasiano os havia governado os tinha feito a todos admirar a sua virtude. Ale­xandre continuou do mesmo modo a se servir para o bem do império do poder que lhe tinha sido outorgado e procurou preparar todas as coisas necessárias para a recepção do novo soberano.

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