Capítulo 13 – Augusto confirma o testamento de Herodes e entrega aos seus filhos o que ele lhes havia legado.

Depois desta audiência de Augusto, dissolveu-se a assembléia e alguns dias depois, ele concedeu a Arquelau não o reino da Judéia inteiro, mas a metade, com o título de Etnarquia e prometeu fazê-lo rei, quando disso se tivesse tornado digno, pela sua virtude. Dividiu a outra metade entre Filipe e Antipas, filhos tam­bém de Herodes, que disputavam o trono a Arquelau. Antipas recebeu a Galiléia com a região que está além do rio, cuja renda era de mais ou menos duzentos talentos; Filipe recebeu a Batanéia, a Traconítida e a Auranita com uma parte do que tinham pertencido a Zenódoro, cuja renda chegava a cem talentos. Arquelau recebeu a Judéia, a Iduméia e Samaria, à qual Augusto perdoou a quarta parte dos impostos, que antes ela pagava, porque tinha se conservado pacífica, quando as outras se haviam revoltado. A Torre de Estratão, Sebaste, Jope e Jerusalém estavam nesta partilha de Arquelau. Mas Gaza, Gadara e Ipom, porque viviam segundo os costumes dos gregos, Augusto separou-as do reino, para anexá-las à Síria e o ren­dimento anual de Arquelau era de seiscentos talentos.

Vemos assim o que os filhos de Herodes herdaram de seu pai. A Salomé, além das cidades de Jamnia, Azoto, Fazaelida e cinco mil peças de prata que Herodes lhe havia deixado, Augusto deu ainda um palácio em Ascalom. Sua renda era de sessenta talentos e ela tinha sua moradia no país, que estava sob o governo de Arquelau. O imperador confirmou também aos outros parentes de Herodes os legados feitos por seu testamento; e além do que ele havia deixado às suas duas filhas, que ainda não se tinham casado, ele lhes deu liberalmente a cada uma, duzentas e cinqüenta mil peças de prata; e fê-las desposar os dois filhos de Feroras. A magnificência desse grande príncipe foi ainda muito além; pois ele deu aos filhos de Herodes mil e quinhentos talentos, que ele lhe havia legado e contentou-se de reter uma parte muito pequena, de tantos vasos preciosos, que também ele lhe havia deixado, não pelo seu valor, mas para mostrar que ele queria conservar a recordação de um rei, que ele tinha estimado.

 

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