Capítulo 22 – Demétrio Eucero, rei da Síria, vem em auxílio dos judeus contra Alexandre, seu rei. Derrota-o numa batalha e retira-se. Os judeus continuam sozinhos a fazer-lhe guerra. Ele os vence em diversos combates e usa de espantosa crueldade contra eles. Demétrio sitia Filipe, seu irmão, em Beroé. Mitrídates Sinacés, rei dos partos, manda contra ele um exército que o faz prisioneiro e o envia a esse rei. Morre logo depois.
Demétrio Eucero, fortalecido por aqueles que o convocavam, veio em seu auxílio com um exército de três mil cavaleiros e quarenta mil soldados de infantaria. Alexandre marchou contra ele com seis mil e duzentos soldados estrangeiros contratados e vinte mil judeus que se lhe conservaram fiéis. Os dois príncipes fizeram todos os esforços. Demétrio, para ganhar esses estrangeiros, que eram gregos, e Alexandre, para ganhar ao seu partido os judeus que haviam passado para Demétrio. Mas nem um nem outro conseguiu o seu intento. E assim, foi necessário travar-se uma batalha.
Demétrio venceu, e os estrangeiros que estavam do lado de Alexandre mostraram seu valor e fidelidade, pois foram todos mortos, sem exceção de um. Demétrio, por sua vez, perdeu também muitos soldados. Alexandre fugiu para os montes e então, por uma estranha mudança, a compaixão pela sua infelicidade fez com que seis mil judeus fossem procurá-lo. Isso causou tanto temor a Demétrio que ele se retirou. Os outros judeus continuaram sozinhos a guerra a Alexandre, mas foram vencidos, e muitos pereceram em diversos combates. Ele obrigou os chefes a se retirarem a Betom, tomou a cidade e os mandou prisioneiros a Jerusalém, onde, para vingar-se das ofensas que havia recebido, usou contra eles de horrível crueldade: enquanto se entregava a um banquete com suas concubinas num lugar bastante elevado, de onde podia ver tudo, mesmo ao longe, fez crucificar cerca de oitocentos na sua presença e estrangular diante deles, enquanto ainda viviam, suas mulheres e filhos.
É verdade que eles o haviam ofendido e, não se contentando em lhe fazer guerra eles mesmos, tinham ainda chamado estrangeiros em seu auxílio, levando-o muitas vezes a correr o risco de perder a vida e o reino e reduzindo-o a grande miséria, tanto que ele foi obrigado a entregar ao rei dos árabes as praças que havia conquistado no país dos moabitas e dos galatidas, a fim de impedir que se unissem aos seus súditos revoltados, isso sem falar dos muitos ultrajes que lhe fizeram. Tudo isso, porém, não impede o horror a tão espantosa desumani-dade, que o fez merecer, com razão, o nome de Trácida, para indicar a sua extrema barbaridade. Oito mil soldados dos que haviam tomado armas contra ele retiraram-se na noite seguinte a essa ação mais que desumana e não apareceram mais durante o seu reinado, que depois foi bastante pacífico.
Demétrio, saindo da Judéia, foi com dois mil cavaleiros e dez mil soldados de infantaria sitiar Filipe, seu irmão, em Beroé. Estratão, que a governava e que ajudava Filipe, chamou Zizo, general dos árabes, em seu socorro, e Mitrídates Sinacés, rei dos partos. Eles mandaram-lhe grandes forças, que sitiaram Demétrio em seu acampamento e obrigaram os seus soldados a se entregar, tanto pela multidão de dardos e flechas com que os cobriram quanto pela falta de água que provocaram. Mandaram-nos prisioneiros a Mitrídates e voltaram carregados de despojos, permitindo aos de Antioquia, que estavam entre os prisioneiros, retirar-se sem pagar resgate. Mitrídates tratou Demétrio com grande honra até o fim de sua vida, que não foi longa, pois ele caiu doente e morreu. Quanto a Filipe, logo depois da prisão de Demétrio, foi para Antioquia e reinou na Síria.
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