Capítulo 25 – Basso sitia Macherom. Estranho fato pelo qual aquela praça, que era tão forte, lhe é entregue.
Depois que Basso observou bem Macherom, mandou encher o vale que está do lado do oriente, e trabalhou com grande diligência para levar plataformas, bastante altas, a fim de poder atacar o castelo. Os judeus, que lá estavam cercados, obrigaram aos que consideravam como uma vil populaça a se retirar para a cidade, a fim de resistir aos primeiros ataques dos romanos e permaneceram para a defesa do castelo, porque, além de ser bastante forte e mais fácil de se defender, eles não duvidavam em obter facilmente o perdão dos romanos, en-tregando-lho, se lhe não pudessem resistir, depois de ter feito todo o possível para obrigá-los a levantar o cerco. Não se passava um dia sem que dessem vários assaltos e não matassem vários dos inimigos, que eles procuravam continuamente surpreender; os romanos, ao invés, mantinham-se sempre alertas. Mas não era desse modo que o cerco devia terminar. Um acidente obrigou os judeus a lhes entregar a praça. Havia entre eles um certo Eleazar, moço, forte e muito valente. Ele se distinguia em todos os combates, atrasava os trabalhos dos romanos, animava a coragem dos inimigos com seu exemplo e, quando eles eram obrigados a ceder, facilitava-lhes a retirada, ficando sempre por último para escorar o ataque dos inimigos. Um dia, depois da luta, em vez de regressar com os outros para a praça, ele se deteve, para falar com os que estavam nas muralhas, como desprezando os romanos, que ele dizia pouco corajosos e incapazes de um novo combate. Um soldado do exército romano, de nome Rufo, que era egípcio, atacou-o tão repentinamente que o dominou; levou-o então armado como estava e o trouxe para o acampamento com grande espanto dos judeus, como se pode bem imaginar. Basso fê-lo estender completamente despido e chicotear, à vista dos seus companheiros. Eles vieram todos, ante esse espetáculo e seu pesar foi tão grande que o ar ecoava com seus gemidos e lamentação; mal se podia imaginar ser aquilo causado pela infelicidade de um único homem. Basso, para aproveitar a ocasião e aumentar ainda mais a compaixão que tinham de Eleazar e obrigá-los a entregar-lhe a praça, para poupar-lhe a vida, mandou erguer uma cruz, como para crucificá-lo naquele mesmo instante. Apenas a viram erguida, o pesar dos judeus cresceu tanto e de tal modo, que se puseram a gritar, que tamanha dor lhes era insuportável. Eleazar, por seu lado, rogava-lhes que não o deixassem morrer tão miseravelmente e que pensassem na própria salvação, sem pretender resistir às forças e à boa sorte dos romanos, depois que tantos outros tinham sido obrigados a ceder. Este pedido, mais o dos parentes que intercediam por ele, tocou tão vivamente aos que defendiam o castelo, que, contra seus primeiros sentimentos, resolveram, para salvar Eleazar, entregar a praça, com a condição de se retirarem para onde quisessem; mandaram imediatamente a proposta a Basso, que facilmente a aceitou. Os que estavam na cidade, tendo sabido desse tratado feito sem sua participação, resolveram fugir durante a noite. Mas os outros, quer pela inveja, quer por temor de que Basso fosse contra eles, avisaram-no. Assim, só os que haviam saído por primeiros e que eram os mais decididos, salvaram-se. O restante, uns mil e setecentos, foram mortos, suas mulheres e filhos, escravizados. Aos do castelo, Basso, para manter a palavra que lhe havia falado, entregou-lhes Eleazar.
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