O kerigma apostólico é a proclamação da verdade da “obra de Cristo”. Esta expressão “o fato de Cristo” se refere à totalidade do que implicou o acontecimento da vinda de Cristo, sua pessoa, sua obra e palavra, sua morte, sua ressurreição, sua exaltação, a vinda do Espírito Santo e a criação do povo de Deus, a Igreja.

O Ministério didático da Igreja: O que ensinar na prática?
Índice Geral:
- O Ministério Didático da Igreja
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Enfoque Prático
1) O que é o Kerigma Apostólico?
a) Seu significado e características:
Kerigma é a palavra grega traduzida como pregação. Aparece 8 vezes no Novo Testamento. Em português “pregação significa ação de pregar, mas em grego kerigma inclui também o conteúdo da mensagem. A palavra “proclamação” em português inclui os dois sentidos.
O verbo é kerissein, é traduzido como pregar, mas não significa pregar no sentido de expor uma doutrina ou fazer uma exortação, e sim “proclamar um fato”. Aparece 61 vezes no Novo Testamento.
O que o proclama é um kerus = arauto, que aparece 3 vezes. O arauto é aquele que proclama ao povo um acontecimento, um fato ocorrido.
- Mateus 12:41
- Lucas 11:32
- Romanos 16:25
- 1 Coríntios 1:21; 2:4; 15:14
- 2 Timóteo 4:17
- Tito 1:3
- Mateus 4:17; 24:14
- Marcos 16:15
- Atos 20:25
- Romanos 10:8
- 1 Coríntios 1:23
- 1 Timóteo 2:7
- 2 Timóteo 1:11
- 2 Pedro 2:5
1) O kerigma apostólico é a proclamação da verdade da “obra de Cristo”. Esta expressão “o fato de Cristo” se refere à totalidade do que implicou o acontecimento da vinda de Cristo, sua pessoa, sua obra e palavra, sua morte, sua ressurreição, sua exaltação, a vinda do Espírito Santo e a criação do povo de Deus, a Igreja.
2) na “obra de Cristo” existem dois aspectos inseparáveis: a obra histórica e a obra espiritual. A obra histórica foi proclamada por testemunhas oculares: “habitou entre nós..”; “crucificaramno…” Eles viram o Senhor ressuscitado e o viram subir aos céus. A obra espiritual que aconteceu em sua encarnação, morte e ressurreição foi conhecida por revelação. “o Verbo se fez carne e habitou entre nós, vimos a sua glória como do unigênito do
Pai”; “Cristo morreu pelos nossos pecados”; “nos ressuscitou juntamente com ele”; “Deus o fez Senhor e Cristo”; “Enviou a vossos corações o Espírito de seu Filho”; “Nos abençoou com toas as bençãos espirituais”, etc
3) O kerigma é a proclamação com autoridade da grande obra de Cristo presente e ativa entre os homens, para conduzir aos que creem a sua salvação e transformação. O kerigma é uma irrupção do Espírito, um fenômeno de operação sobrenatural. Nele a espírito (pneuma) e poder (dinamis). O proclamador não deve ser um repetidor mecânico da mensagem, e sim um homem que arda pelo Espírito e fale pelo testemunho do Espírito em seu interior (1 Coríntios 2:4 e João 15:26)
4) O kerigma apela para a fé, pois proclama a verdade. Essa verdade é Cristo. Quando alguém ouve a verdade e nela crê, está recebendo a verdade, está recebendo a Cristo pelo “ouvir com fé” (Gálatas 3:2,5). O kerigma provoca i infunde fé, graça, experiência. Proclama que tudo foi feito pela morte e ressurreição de Jesus. O que ouve com fé, participa da obra e a experimenta em sua própria vida. Esta é a dinâmica do kerigma. “Aprouve a Deus salvar aos que creem pela loucura do kerigma” (1 Coríntios 1:18,21)
b) Seu conteúdo
O conteúdo do kerigma é “a obra histórica” de Cristo, mais a “obra espiritual” que ocorreu nessa obra histórica. O kerigma é um só, e seu conteúdo é o mesmo, mas segundo o aspecto que enfatizamos podemos falar do kerigma de evangelização e do kerigma de edificação.
Atos 2:22-39 : Este é o primeiro kerigma de evangelização que se proclamou. É Pedro quem o
prega junto com os onze, e é dirigido aos judeus reunidos em Jerusalém.
Filipenses 2:5-11 : Aqui Paulo proclama a mesma obra de um enfoque apropriado para os gentios.
Os pontos principais do kerigma são:
- A preexistência e deidade de Cristo (João 1:1-3, Filipenses 2:6, Hebreus1:1-3)
- Sua encarnação (João 1:14, Filipenses 2:7)
- Seu ministério (Atos 2:22, João 1:29 até o capítulo 17, Filipenses 2:7)
- Sua morte (Atos 2:23, João 18 e 19, Filipenses 2:8)
- Sua ressurreição (Atos 2:24-32, João 20 e 21)
- Sua exaltação e senhorio (Atos 2:33-36, Filipenses 2:9-11)
No kerigma de edificação , agregam-se a estes as verdades referentes a:
- Nossa união com Cristo em sua morte e ressurreição;
- A presença de Cristo em nós por seu Espírito;
- O Propósito Eterno de Deus;
- A Igreja
- A segunda vinda de Cristo
Por exemplo, “Aquele que não cometeu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele fossemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21); “Se alguém está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas ficaram para trás e eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17); “Cisto nos livrou da maldição da lie fazendo-se maldição por nós” (Gálatas 3:13); “Sabendo isto, que nosso velho homem foi com ele crucificado” (Romanos 6:6) “Temos liberdade para entrar no lugar santíssimo pelo sangue de Cristo” (Hebreus 10:19); “Nos fez assentar em lugares celestiais em Cristo Jesus” (Efésios 2:6); “O amor de tem sido derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Romanos 5:5); “Somos filhos de Deus, e se somos filhos também somos herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, se é que padecemos juntamente com ele” (Romanos 8:16-17); “Cristo em vós, esperança da glória” (Colossenses 1;27); “Tudo posso em Cristo que me fortalece” (Filipenses 4:13).
c) Seu estilo
O kerigma é semelhante ao evangelho (boas novas) por isso deve ser proclamado como notícia. Jesus proclamava a boa noticia de que o reino de Deus havia se aproximado dos homens. Os apóstolos proclamavam aos judeus a boa notícia de que o Messias havia chegado e que era Jesus. Paulo proclamava ao habitantes do Império Romano a novidade de que todos deviam confessar que Jesus Cristo era o Senhor (kyrios).
O conteúdo do kerigma é sempre o mesmo, mas o estilo de sua pregação ou o ângulo com que se enfoca pode variar, para que em cada situação o contexto seja notícia. Ante um contexto social como o nosso, qual seria nossa boa notícia? Quer dizer, ante cristãos nominais para quem falar de um Jesus histórico não é notícia, como devemos apresentar o kerigma para que seja notícia.
2) O que é a Didaké?
a) Seu significado e características
Já consideramos anteriormente o significado do termo didaké em grego e seus derivados no Novo Testamento (em nossas versões já traduzido como doutrina). Portanto, consideremos aqui suas características principais.
1) Consiste em ensinamentos, instruções, mandamentos claros que revelam a vontade de Deus para nossas vidas (Mateus 7:28-29 ao referir-se a Mateus 5 , 6 e 7; Tito 2:1-10). Geralmente são mandamentos: “amarás a teu próximo como a ti mesmo”; “não julgueis para não ser julgados”;
“se não perdoais aos homens suas ofensas, tampouco vosso Pai os perdoará as vossas ofensas”.
2) É simples e clara: “Filhos, obedecei a vossos pais”; “Bendizei aos que vos maldizem”; “O que repudia sua mulher e se casa com outra comete adultério”.
3) É um corpo definido e completo de ensinamentos. Não é interminável (Atos 20:26-27, Mateus 28:20)
4) Ordena a relação profunda do homem com deus e com seu próximo de uma maneira total: “Amarás ao Senhor teu Deus…” ; “vossa bondade seja conhecida de todos os homens”.
5) Seu tom é geralmente imperativo, pois Cristo é Mestre e Senhor. Seus ensinamentos não são sugestões ou conselhos; são mandamentos. Estamos sob autoridade. Apela à obediência. Estabelece de forma prática e concreta o reino de Deus em nossas vidas. O que ouve suas palavras e não as pratica edifica sua casa sobre a areia (Mateus 7:21-29).
6) Abrange todas as áreas de nossas vidas: trabalho, família, sexo, dinheiro, adoração, serviço, etc.
7) É cristocêntrica, pois Cristo é a fonte de onde provém a doutrina e também sua exemplificação: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mateus 11:29, Efésios 4:20-21).
8) O objetivo de toda a didaké, mediante suas instruções e mandamentos, é fazer-nos semelhantes a Jesus. É freqüente nos ensinamentos a expressão “como Cristo” (Efésios 5:2,25).
9) Seu conteúdo equivale a parte moral da Lei: “honra a teu pau e tua mãe”; “não mentirás”. Ainda que aprofundada e esclarecida para não ficarmos na observância formal e exterior da lei.
10) É palavra de Deus e, portanto, é imutável. Seu conteúdo não pode ser modificado, diminuído ou aumentado.: “o céu e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão” (Mateus 24:35)
11) É universal. Seus mandamentos revelam a vontade de Deus para todos os homens de todas as gerações.(Mateus 28:19-20)
12) Seu conteúdo não se impõe pela lógica, senão pela autoridade de Jesus. Na aparente lógica de seus mandamentos está escondida a sabedoria de Deus para curar todos os males que adoecem a sociedade: “Se teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer”; “Vendei o que possuís e dai esmolas”.
13) É necessário conhecê-la, obedecê-la e encarná-la (Romanos 6:17). É necessário recordá-la e ser renovado nela mediante a repetição (2 Pedro 1:12-15).
14) É a base para toda admoestação, repreensão e disciplina na igreja: “Redarguas, repreende, exortas com toda paciência e doutrina”. (2 Timóteo 2:4)
15) A comunidade primitiva se preocupava muito mais com seu conteúdo que com sua demarcação acidental. A demarcação da doutrina, sua ordenação por temas, seus títulos, suas divisões, é algo relativo; pode ser de um modo ou de outro, mas seu conteúdo é absoluto e imutável.
b) Sua relação com o kerigma
Temos dito anteriormente, que a didaké equivale a parte moral da Lei, já que fundamentalmente são mandamentos que revelam a vontade de Deus. Na realidade, a didaké é mais exigente que a Lei: basta observar no “sermão do monte” os “ouvistes o que foi dito… porém e vos digo” de Jesus. Então, como o Senhor afirma que seu jugo é suave e sua carga é leve? E João ainda declara “seus mandamentos não são penosos” (1 João 5:3).
É que a didaké tem que estar relacionada com o kerigma, como os vagões de um trem e a locomotiva. Os vagões são a didaké, a locomotiva é o kerigma. A Lei nos deu dez vagões carregado para transportar, mas não proveu a locomotiva ( o poder ) e nos frustramos. Jesus, mediante a didaké nos deu mais noventa vagões, mas – Aleluia! – nos deu uma poderosa locomotiva capaz de fazer andar tranquilamente todo o trem.
Essa locomotiva é o kerigma, é Cristo em nós, poder (dinamis) de Deus instalado em nós por seu Espírito Santo. Ministrar a didaké sem o kerigma é um moralismo cristão e certamente muito frustrante.
O justo viverá pela fé, não por obediência, não por obras. Quando cremos na proclamação, o poder opera em nós.
Por exemplo: Suponhamos que um irmão lhe causou um grande dano, ao ponto de não poder superar, não poder perdoar o agressor, porque deixou em sua família conseqüências marcantes. Ensinamos a ele a didaké – que deve perdoar, porque senão perdoa não pode ser perdoado -. O irmão volta uma ou duas semanas depois dizendo: “Quero perdoar, quero obedecer, mas não posso; é mais forte do que eu, tenho dentro de mim um ressentimento tão fundo que não posso superar. Tenho orado, jejuado, chorado, mas a amargura persiste. Que posso fazer?
Que vagão pesado! Pobre irmão, que podemos dizer? Vamos proclamar-lhe com unção o kerigma: Irmão querido, você não pode, nunca poderá, mas Cristo pode. Ele pode perdoar os que o mataram, e Cristo está em você. Ele tem poder. Não se trata de você fazer, mas de deixar que ele faça. Em seu nome há poder.
– Amem, eu creio, obrigado Senhor, tu podes… ( e o trem começa a andar… )
“Pois a Lei foi dada por meio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo1:17)
Ainda que neste estudo temos tratado separadamente o kerigma e a didaké, no entano, na prática sempre vem juntos e intercalados. Primeiro o kerigma e logo a didaké. Também conhecemos o exemplo da agulha (kerigma) e da linha (didalé).
Exemplos bíblicos desta relação:
– Pedro no Pentecostes :
Atos 2:22-36 (kerigma) Atos 2:38 (didaké)
– Epístola aos Romanos:
Capítulos 3, 4, 5, 6, 7, 8 (kerigma) capítulos 12, 13, 14, 15 (didaké)
– Epístola aos Efésios:
capítulos 1, 2, 3 (kerigma) capítulos 4, 5, 6 (didaké)
– Epístola aos Colossenses:
Capítulos 1 ,2 (kerigma) capítulos 3,4 (didaké)
– Epístola aos Hebreus:
Capítulos 1 a 10 (kerigma) capítulo 11 (sobre a fé) capítulo 12, 13 (didaké)
3) Breve resumo dos temas que devemos proclamar e ensinar
Já ensinamos que a demarcação dos temas é relativa e que o importante é o conteúdo. Ao ver a necessidade de levar tudo isso a prática, demarcamos os ensinamentos em uma ordem determinada. Para ter um adequado enfoque pedagógico encaramos o ensino em três partes principais:

A PORTA
Iniciando a vida cristã
- A proclamação do evangelho do reino: Jesus Cristo é o Filho de Deus, Deus feito homem, morreu ressuscitou e é o Senhor. Esta é a mensagem que devemos CRER.
- Arrependimento : Mudança de atitude para com Deus, de rebelde a submisso.
- Batismo nas Águas : Morte da velha vida e começo da nova.
- Batismo no Espírito Santo : Poder de Deus para ser transformados.
O ALVO
O objetivo: O Propósito Eterno de Deus é ter uma família de muitos filhos semelhantes a Jesus.
O CAMINHO
1 – A Velha e a Nova maneira de viver
Os pecados mais comuns
- A impureza sexual
- O materialismo e a avareza
- A inveja e a ira
- O vocabulário pervertido
- A falsidade e a mentira
- O ocultismo
- O pessimismo
- Os vícios
- O devolver o mal por mal
- A injustiça
2 – O relacionamento entre irmãos
- A natureza do nosso relacionamento
- O amor fraternal
- O estar juntos
- O serviço
- A autoridade e a submissão
- Conflitos no relacionamento entre irmãos
- Correção e disciplina
3 – A família
- Para que existe a família?
- O pacto matrimonial, divórcio e novo casamento
- Os deveres básicos dos cônjuges
- As qualidades de cada cônjuges
- A relações sexuais
- A criação dos filhos
- A conduta dos filhos ante os pais
- O trato com os filhos adolescentes
- A presença de Cristo no lar.
- Ordem e administração do lar
- O lazer da família
4 – O relacionamento com Deus
- Amar a Deus
- A oração, fé e dependência de Deus
- O louvor e a adoração
- A leitura das Sagradas Escrituras
- O jejum – a confiança na provisão de Deus
- Os atributos de Deus
- O conhecer a Deus
- O santuário celestial e o culto Deus
5 – O trabalho e a economia
- Trabalhando como para o Senhor
- Responsabilidade do empregado
- Responsabilidade do empregador (patrão)
- Prosperidade e estudos
- Administração, dividas, créditos e garantias
- Dízimos ofertas e generosidade
- Obediência a autoridades civis
- Pagamento de impostos
6 – A Igreja
- Sua natureza e unidade
- Sua edificação e crescimento
- Os ministérios e funções
- As reuniões
- A Ceia do Senhor
- A missão da Igreja no mundo
- O triunfo da Igreja
7 – O Espírito Santo
- A obra o Espírito
- O Fruto do Espírito
- Os dons do Espírito
- O anda no Espírito
8 – Formação do caráter e cuidado do corpo
- Integridade
- Humildade
- Domínio próprio
- Desenvolvimento da personalidade
- Bons hábitos
- Provações e sofrimentos
- Masculinidade
- Cuidado do corpo