A Ceia é um sinal da obra realizada por Jesus e da Nova Aliança estabelecida. É também um sinal daquilo que ainda não se realizou, mas que Deus já viu: a volta do Seu Filho em majestade, honra, glória, autoridade e poder.


Transcrição realizada com ajuda de Inteligência Artificial

O Testemunho de Deus – Fernando Leão

O Testemunho de Deus em 1 Coríntios 2:1-2

O apóstolo Paulo escreveu em Primeiro Coríntios 2:1-2: “E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria, porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.”

Normalmente, ao meditar na morte e ressurreição de Jesus, lembramos dos eventos visíveis e físicos: a tortura, a crucificação, a morte e o sepultamento, e a ressurreição ao terceiro dia. No entanto, Paulo fala de um Testemunho de Deus, algo que apenas Deus viu e testemunhou. É sobre isso que meditaremos: aquilo que somente Deus viu, mas testemunhou para nós.

Sinais do Testemunho de Deus na História

Deus foi colocando sinais desse testemunho ao longo da história da humanidade, abrindo um pouco a cortina para mostrar o que Ele já tinha visto.

1. A Profecia de Isaías (Isaías 53:4-6)

Aproximadamente 750 anos antes da morte de Jesus, Isaías recebeu de Deus o testemunho daquilo que apenas Deus já tinha visto. Os verbos em Isaías estão no passado, mas o evento ainda estava por acontecer no mundo visível.

“Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o considerávamos como aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades. O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas nós fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas. Cada um se desviava pelo seu próprio caminho. Mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós.”

2. A Declaração de Jó (Jó 19:25-26)

Em meio a uma situação de extrema perda e sofrimento, Jó, sem qualquer contexto aparente, declara:

“Porque eu sei que o meu redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus.”

Deus abriu ali para Jó um pouquinho da cortina, mostrando o Redentor que viria.

3. O Cordeiro Pascal

Na saída do Egito, a instituição da Páscoa, com o sacrifício do cordeiro sem defeito e o sangue nos umbrais da porta, não era um sinal para Deus, mas um sinal para o povo. Deus estava dizendo: “Olha o meu testemunho. Olha o que eu já vi. Um cordeiro vai ser morto. Um cordeiro sem defeito. O sangue dele vai cobrir e o anjo da morte não passará.”

4. A Profecia do Emanuel (Isaías 9:6)

Outro sinal é a profecia de Isaías 9:6, reconhecido como o protoevangelho:

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, o governo está sobre os seus ombros e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.”

A Cerimônia do Dia da Expiação (Yom Kippur)

Entre esses sinais, há uma importante cerimônia ordenada por Deus ao povo de Israel que descreve detalhes importantes sobre o testemunho de Deus: o Dia da Expiação (Yom Kippur).

Os Dois Bodes (Levítico 16:7-10)

Nesse dia, dois bodes sem defeitos eram trazidos à presença do sumo sacerdote. Através de um sorteio:

1.Primeiro Bode: Escolhido para ser sacrificado como oferta pelo pecado.

2.Segundo Bode (Emissário): Apresentado vivo para fazer expiação e ser enviado ao deserto.

Antes de sacrificar o primeiro bode, o sumo sacerdote sacrificava um novilho para oferecer o sangue por ele e sua família (Levítico 16:11). Depois, sacrificava o primeiro bode e entrava no Santo dos Santos para apresentar o sangue a Deus, fazendo expiação pelo santuário e pelo povo (Levítico 16:15-16).

A Necessidade de um Substituto

A alma que pecar, essa morrerá (Ezequiel 18:20). Todos pecaram e deveriam ser punidos com a morte eterna. A justiça de Deus exige que a sentença seja executada. A solução de Deus foi oferecer Seu único Filho como oferta pelo pecado, substituindo cada homem e mulher na cruz (João 3:16).

O primeiro bode apontava para o sacrifício de Jesus e para o fato de que era necessário esse sangue para entrar na presença de Deus.

O Bode Emissário (Levítico 16:20-22)

O papel do segundo bode, chamado de bode emissário, era afastar do povo os seus pecados. O sacerdote confessava os pecados do povo sobre a cabeça do bode. O bode recebia isso e era levado ao deserto, longe do acampamento de Israel, e era deixado lá para morrer.

Esse ato simbolizava que os pecados estavam sendo afastados definitivamente do povo e a culpa não pesaria mais sobre eles.

A ligação com Jesus é clara:

“Carregando ele mesmo, [Jesus], em seu corpo sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça. Pelas feridas dele vocês foram sarados.” (1 Pedro 2:24)

Carregar sobre si significa levar para longe, afastar. Jesus removeu para longe de nós a culpa e a condenação.

A Realidade Perfeita em Jesus (Hebreus 9)

A cerimônia do Dia da Expiação era apenas uma sombra, um sinal imperfeito, pois os bodes morriam e tudo tinha que ser repetido ano após ano.

No entanto, Jesus veio e se tornou a realidade perfeita:

“Quando, porém, Cristo veio como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo não feito por mãos humanas… e não pelo sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, Ele entrou no santuário uma vez por todas e obteve uma eterna redenção.” (Hebreus 9:11-12)

Cristo não entrou em santuário feito por mãos humanas, mas no próprio céu, para comparecer agora por nós diante de Deus (Hebreus 9:24).

A Nova Aliança e o Acesso a Deus

Por meio do sacrifício de Jesus, uma Nova Aliança foi estabelecida por Deus com os homens.

Cláusulas da Nova Aliança:

1.Nossa Parte: Entregar o governo da nossa vida a Jesus e se comprometer a viver para Ele.

2.Parte de Deus: Perdoar, revestir com o sangue do Filho, afastar os pecados e adotar como filho(a).

Os que entram nessa aliança podem se achegar a Deus com confiança e ousadia. O acesso à presença de Deus, que era fechado e proibido, está agora aberto e liberado.

“Portanto, aproximemo-nos do trono da graça com confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça para ajuda em momento oportuno.” (Hebreus 4:16)

A Ceia: Sinal da Obra Realizada e da Promessa

A Ceia é um sinal da obra realizada por Jesus e da Nova Aliança estabelecida. É também um sinal daquilo que ainda não se realizou, mas que Deus já viu: a volta do Seu Filho em majestade, honra, glória, autoridade e poder.

Ao participar da Ceia, anunciamos a morte do Senhor até que Ele venha (1 Coríntios 11:26). É um momento de renovar a aliança e lembrar que temos acesso à presença de Deus, não por mérito próprio, mas pelo corpo e sangue de Jesus.

“Nos foi aberto um novo e vivo caminho pelo seu corpo e pelo seu sangue, conforme Hebreus 10 nos diz.”

Jesus foi crucificado fora de Jerusalém, assim como o bode emissário era levado para fora, para longe, para o deserto. O Filho de Deus, o único homem com méritos, foi apresentado como sacrifício em nosso lugar.

A Ceia nos lembra que a nossa fé começou em Jesus, por causa dEle, através dEle, e precisa dEle para ser mantida até a Sua volta.

Baixe a transcrição original aqui: