Reflexão bíblica baseada em Hebreus 12 e Salmo 126 sobre como perseverar na fé, superar os pesos que nos impedem e correr a carreira proposta por Deus.


A Importância de Avaliar o Ano que Passou

Paz de Jesus, meus irmãos. Deus tem sido muito bom. E eu dizia: essa deve ser a vida normal da igreja. Levaremos sua glória a cada povo e nação, trazendo esperança. Poder ouvir esses testemunhos quanto nos alegra, quanto nos impulsiona a querer sair e fazer mais, porque recebemos a graça do Senhor e assim também estamos prontos para dar dessa graça que recebemos. Amém.

Irmãos, queria compartilhar uma palavra que o Senhor me deu no ano passado, já no finalzinho do ano, em dezembro, com base em dois textos: Hebreus 12 e Salmo 126.

Todo início de ano é um tempo propício para avaliarmos algumas coisas do ano que passou. É um momento em que somos convidados a olhar para trás com sinceridade e buscar discernimento espiritual, a fim de compreendermos como caminhamos nesse ano. Ao avaliar o ano anterior, algumas perguntas são inevitáveis: avancei na minha caminhada com Deus? Retrocedi em alguma área? Fiquei estagnado espiritualmente?

Esse tempo de avaliação é extremamente necessário, pois nos chama a parar por um instante e olhar no retrovisor da vida: o que ficou para trás, aquilo que fizemos, aquilo que deixamos de fazer, o que deveria ter sido ajustado e não foi. O início de um novo ano não é apenas a troca de uma data no calendário, mas é uma oportunidade concedida por Deus para vivermos o novo, rearrumarmos o antigo e corrigirmos aquilo que precisa ser corrigido.

Mas quando a gente começa a negligenciar esse processo de reflexão e ajuste, corremos o risco de viver como alguém que corre sem sair do lugar. Você já deve ter visto aquela imagenzinha do hamster correndo naquela rodinha: muito esforço e pouco progresso. Quando não temos esse tempo de reflexão, quando apenas pensamos que a quarta-feira foi um dia normal que virou quinta-feira e segue a vida normal, corremos o risco de não fazer os ajustes necessários.

No último domingo de 2025, Paulinho nos trouxe uma retrospectiva de muitas palavras que recebemos ao longo do ano. Foi um verdadeiro alimento espiritual derramado sobre nossas vidas. Ao olhar para cada palavra, a gente ia lembrando, trazendo à memória. E uma pergunta ecoou muito forte no meu coração, e creio que no coração dos irmãos. Paulinho fez essa pergunta: o que fizemos com o alimento que recebemos? O que fizemos, durante todo o ano, com esse alimento que temos recebido da parte do Senhor? Que impactos essas palavras geraram em nossas vidas de forma prática? Que mudanças elas produziram em nós? Em algum momento, ao longo do ano, essas palavras nos levaram a decidir fazer algo ou deixar de fazer algo? Conseguimos transformar tudo aquilo que recebemos por revelação em atitudes?

Por isso, afirmo que esse tempo de reflexão e de avaliação é fundamental para cada um de nós. Se estamos no caminho certo, precisamos saber como perseverar, como continuar. Se nos desviamos um pouco da rota, precisamos aprender como recalcular e voltar ao centro da vontade de Deus.

A Carreira que Nos Está Proposta

Nesse domingo, gostaria de refletir uma palavra que o Senhor colocou no meu coração nesse mês de dezembro: uma palavra que nos chama a continuar a correr a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da nossa fé. Mesmo quando esse percurso exige lágrimas, renúncia e perseverança, confiantes de que aquele que semeia com lágrimas voltará colhendo os frutos com alegria, porque aquele que prometeu é fiel para cumprir. Amém.

A fé cristã, meus irmãos, não é uma caminhada confortável e também não é uma corrida curta. A Bíblia nos apresenta duas imagens poderosas, olhando para os textos de Hebreus e do Salmo 126.

Hebreus 12, de 1 a 3, diz assim: “Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de todo peso e do pecado que tão firmemente se apega a nós e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o autor e consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, sem se importar com a vergonha, e está assentado à direita do trono de Deus. Portanto, pensem naquele que suportou tamanho oposição dos pecadores contra si mesmo, para que vocês não se cansem e nem desanimem.”

O Salmo 126 diz assim: “Quando o Senhor restaurou a nossa sorte, nós ficamos como quem sonha. Então a nossa boca se encheu de riso, a nossa língua de júbilo. Então, entre as nações se dizia: Grandes coisas tem feito o Senhor por eles. De fato, grandes coisas o Senhor tem feito por nós. Por isso, estamos alegres. Restaura, Senhor, a nossa sorte como as correntes do Neguebe. Os que com lágrimas semeiam, com júbilo seifarão. Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes.”

Você vê que Hebreus 12 fala de uma corrida, mas que essa corrida exige perseverança. O Salmo 126 diz que há uma semeadura, mas ela é feita com lágrimas. Ambos revelam a mesma verdade: a alegria não está no começo da jornada, mas no fim dela.

Algumas frases de homens de Deus nos lembram isso. Charles Spurgeon disse que a alegria do cristão não nasce das circunstâncias presentes, mas da certeza da glória futura. John Piper disse que a vida cristã não é marcada pelo conforto imediato, mas por uma alegria profunda que floresce na fidelidade até o fim. E Tozer disse que a cruz vem antes da coroa, e que não há alegria duradora no começo do caminho se não houver fidelidade até o fim. Amém.

Então, como correr sem desistir? Como semear mesmo chorando? E como chegar a essa linha de chegada com alegria? Quero dividir isso em quatro partes.

Correndo com Perseverança e Fidelidade

Hebreus começa com: “a carreira que nos está proposta.” O escritor de Hebreus diz que existe uma carreira que nos está proposta. Corramos com perseverança. Não escolhemos a pista, mas escolhemos correr. A cada um, um ritmo diferente.

Eu lembro que quando começamos a correr, China começou a correr conosco. Ele disse que não aguentava correr 2 km, e de fato não conseguia. China chegou a correr 15 km. Com perseverança, China já correu 21 km porque ele decidiu correr. Cada um tem o seu ritmo. A corrida também não é de comparação, é uma corrida de fidelidade. A fé não é demonstrada pela velocidade, mas pela constância. Aos poucos, insistindo constantemente, ele chegou a bater 21 km. A nossa fé não é demonstrada pela velocidade, mas pela constância.

Primeira Coríntios 15:58 diz: “Sede firmes e constantes, sempre abundantes, sabendo que o nosso trabalho no Senhor não é vão.” O Senhor nos chama a estarmos constantes, sem nos apressar com aquilo que Deus quer fazer em nós e através de nós.

A Semeadura que Antecede a Colheita

O Salmo 126, nos versículos 5 e 6, diz: “Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando.” Essa semente é preciosa. Ela tem um preço. Não podemos dar sobras ao Senhor. Antes de correr, devemos semear algumas coisas. Essa semente preciosa custa renúncia, obediência e perseverança.

É andando e chorando. Andando. Não é alguém que está parado somente no lamento. É alguém que está andando. É alguém que sofre, mas continua. É alguém que chora, mas não retrocede. Lágrimas não são sinal de fracasso, mas de fé em processo, de dependência do Espírito Santo, de sujeição.

Quantos aqui têm derramado lágrimas diante do Senhor? Essas lágrimas não estão jogadas fora. Elas estão sendo colhidas e cada uma delas vai ser respondida. As lágrimas que derramamos diante do Senhor demonstram dependência do Espírito Santo, humilhação e sujeição.

Os Pesos e os Pecados que Impedem a Corrida

Hebreus fala: “Livremo-nos de todo peso e do pecado que tão firmemente se apega a nós.” O pecado todos nós conhecemos bem. Precisamos trazê-lo à luz, abandoná-lo, lançar fora, renunciar. Porém, muitas vezes os pesos, que não são propriamente pecados, embaraçam, atrasam e impedem que corramos a carreira que nos está proposta. E às vezes nem nos damos conta.

O pecado paralisa a nossa vida espiritual. Você não consegue andar em pecado. Ele contamina a semeadura e enfraquece a perseverança. Os pesos não são necessariamente pecados, são coisas lícitas que se tornam muitas vezes excessivas e roubam a nossa energia.

Alguns exemplos: apego excessivo a coisas lícitas como trabalho, dinheiro, lazer, redes sociais, projetos pessoais. Tudo isso são coisas lícitas, mas quando há excesso, roubam o nosso foco e a nossa perseverança, nos embaraçam e nos impedem de correr. São permitidos, mas quando dominam o coração, atrasam a nossa corrida. Lucas 10:40-42 fala de Marta, ocupada com muitas coisas, que estava perdendo o essencial, aquilo que Maria vivia estando nos pés de Jesus. Era errado o que Marta fazia? Não. Estava preocupada, organizando as coisas, preparando comida para receber bem as pessoas. Mas estava perdendo o essencial.

Outro peso é o medo e a culpa do passado. Às vezes vem alguma lembrança do passado que quer nos fazer parar. Coisas que o Senhor já perdoou, fracassos antigos, alguns rótulos que o Senhor já levou na cruz, já perdoou, e você fica ali preso no passado, se lamentando, se apegando a isso. Isso impede de correr a carreira que te está proposta.

Há também as preocupações excessivas com o futuro. Como vai ser para cuidar do meu filho? Como vai ser com o emprego? Será que vou continuar ou não? Essa preocupação excessiva com o futuro pode ser chamada de ansiedade. Jesus fala isso no Sermão do Monte, em Mateus 6. Preocupações excessivas com o futuro roubam o nosso vigor. Mateus 6:34 diz: “Basta cada dia o seu próprio mal.”

Outro peso que nos atrapalha é a comparação com outros corredores. Lembra da parábola dos talentos? O Senhor conhece a capacidade de cada um de nós. A um ele deu cinco, a outro dois, a outro um. Nem todos estão no mesmo ritmo, mas todos têm um objetivo, um alvo.

A negligência com a palavra, a negligência com a vida de oração e vigilância são pesos que nos impedem de correr a carreira que nos está proposta. Primeira Coríntios 9:24-27 fala que o atleta se disciplina em tudo. Quando China se dedicou a correr, começou a se disciplinar, a acordar mais cedo, a treinar. Um dia correu 2 km, no outro 2,5 km, 3 km, e foi se disciplinando até correr uma meia maratona. Se nos disciplinarmos, nós conseguemos. Paulo disse que era um homem sujeito às mesmas paixões. Então, se nos disciplinarmos, podemos viver coisas grandes.

Outros pesos que nos impedem são relacionamentos que esfriam a nossa fé e companhias que não edificam. Muitas vezes temos mais relacionamento com pessoas que não são do corpo, que não são cristãos, que não são discípulos. E aí vamos compartilhando a vida, dividindo situações e recebendo conselhos que estão fora da direção do Senhor, e a fé vai se esfriando. Primeira Coríntios 15:33 fala que as más companhias corrompem os bons costumes.

Jovens e adolescentes, vocês têm irmãos preciosos, discipuladores preciosos, companhias preciosas dentro do corpo. Quando você menos espera, você está enlaçado. As más companhias corrompem os bons costumes. Ninguém corre carregando o peso da culpa ou da rebeldia. Os corredores procuram tênis mais leves, roupas mais leves. Até o peso do corpo atrapalha a corrida. Quem foi o nosso maior exemplo de quem correu essa carreira com perseverança e semeou chorando? Hebreus fala: olhando firmemente para Jesus, autor e consumador da nossa fé.

Jesus semeou obediência no Getsêmani com lágrimas. Ele correu a carreira até a cruz. Suportou vergonha, rejeição e dor. Não desistiu por causa da alegria futura. A cruz foi a semente, a ressurreição foi a colheita. Filipenses 2 da nossa catequese fala: tendo em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, o qual, sendo Deus, não considerou isso como algo a ser agarrado; antes, se esvaziou, tornando-se servo. Achado em figura humana, se humilhou até a morte, morte de cruz. Pelo que Deus o exaltou soberanamente e lhe deu o nome que está acima de todo nome, diante do qual todo joelho há de se dobrar e toda língua há de confessar que ele é Senhor. Ele correu essa carreira perfeita, mas correu com lágrimas, com obediência, suportando vergonha e rejeição.

O Senhor falou muito comigo nesse mês de dezembro, me fazendo refletir nessas duas passagens para não desistir, para continuar a carreira. O Senhor está nos dando oportunidade. Esse novo ano é um ano onde Deus quer derramar sobre nós um renovo em nossos corações: renovar a esperança, renovar o vigor, renovar a vontade e o desejo que Deus já depositou em nossos corações.

Quatro Conselhos Práticos para Correr a Carreira

Como correr essa carreira na prática? Quero dar quatro conselhos para começarmos esse ano. Se você negligenciou em algumas dessas áreas, o Senhor está nos dando oportunidade para recomeçar, para fazermos o novo e experimentarmos o novo de Deus.

O primeiro conselho é meditar diariamente na palavra. Hebreus 12:3 diz: “Considere atentamente aquele que suportou.” Considerar quer dizer pensar sobre, ponderar, meditar na palavra, como diz o Salmo 1, aquele que medita de dia e de noite. Reorganize as prioridades. Quando não temos esse tempo de reflexão, a gente vai colocando as coisas e fazendo tudo de qualquer jeito: hoje leio, amanhã não leio. Não. Tenha um tempo, um lugar, uma hora. Reorganize as tuas prioridades. E uma das prioridades para esse ano, se não foi no ano passado, é meditar na palavra.

Romanos 12:2 diz: “Não vos conformeis com esse século.” Aquilo que você vê todos os dias está formando você. Aquilo que você ouve todos os dias está formando você. A rotina molda o caráter. Se ao acordar você alimenta a sua mente com notícias do mundo, medos e ansiedade, essas coisas vão moldar o teu modo de viver. Mas se ao acordar você se alimenta da palavra, de fé, de esperança e de transformação, isso vai mudar o teu dia e vai moldar a tua forma de viver.

Devemos desejar a palavra como diz Primeira Pedro 2:2, desejando ardentemente como crianças recém-nascidas que desejam o leite. Estevinho, quando está com fome, lá em casa, dá aqueles berros, porque para ele o leite é uma questão de sobrevivência. Como podemos passar o dia sem abrir a nossa Bíblia, sem meditar na palavra? Como podemos passar semanas sem ler a Bíblia?

O segundo conselho é ter um tempo de comunhão e de intimidade com o Senhor. Os discípulos pediram a Jesus que os ensinasse a orar. Jesus disse: “Quando quiseres orar, entra no teu quarto, fecha a porta.” Toda corrida exige fôlego espiritual, e esse fôlego nasce muitas vezes no lugar secreto. A gente vê as corridas: o queniano chegou em primeiro lugar, saiu feito uma bala por 42 km. A gente só vê o dia da corrida. Mas esse atleta treina arduamente o ano inteiro. Então, o que é esse fôlego espiritual? Oração, silêncio, esse parar.

A gente vive uma vida tão agitada. Ficar em silêncio diante do Senhor é tão bom. Tem coisas que você confessa ali para o teu Deus. Às vezes você vai orar com aquela linguagem formal, mas Deus conhece o nosso coração. Quando Jesus ensinou a oração, disse “Pai”, uma palavra de intimidade. A pessoa que mais quer ter intimidade conosco é o Senhor, mas depende mais de nós do que dele, porque ele quer. Ele quer.

Chegue diante do Senhor com coração quebrantado e contrito, confessando. Escute também. Oração não é só um monólogo, não é só eu falar aquilo que quero falar. Eu escuto, e Deus fala comigo. Deus fala através da palavra, Deus fala através do seu Espírito. A forma que Deus mais fala é através da palavra. A gente abre a palavra e é Deus falando conosco. Quem não ora até corre, mas corre sem força.

O terceiro conselho é permanecer em comunhão com a igreja. Atos 2 diz que perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão. Como é importante ter comunhão. Efésios 4:16 diz que todo corpo bem ajustado pelo auxílio de juntas e ligaduras cresce no perfeito crescimento em amor. Não existe vida cristã solitária. Igreja é família. Igreja é lugar de cuidado. Igreja é instrumento de Deus.

Paulo, ao se converter no capítulo 9 de Atos, teve um encontro, viu Jesus, mas Jesus não falou tudo para ele. Disse: “Ouvi Ananias.” Deus fala com você, mas não fala tudo. Ele decidiu usar a igreja para falar conosco. É na família que as arestas vão sendo resolvidas, que vamos aprendendo, que vamos perdoando, sendo perdoados, aprendendo. Deus vai falando conosco. Comprometa-se esse ano a andar em comunhão com a igreja.

O quarto conselho é se envolver com a missão de fazer discípulos. O texto de Mateus 28:18-20 diz: “Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho mandado. E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” A promessa da presença de Jesus está ligada a essa missão: eu estarei com vocês quando vocês forem fazer discípulos.

A alegria da corrida aumenta quando evangelizamos. Olhar para irmãos e ver a alegria no coração deles ao ouvirem testemunhos de pessoas sendo restauradas e transformadas não tem maior alegria do que essa. A alegria da corrida também aumenta quando discipulamos. Muitas vezes é um trabalho árduo, mas é uma alegria. Ver frutos maduros e dizer: valeu a pena. A missão quebra muitas vezes o egoísmo. A gente deixa de olhar só para nós mesmos. A missão aquece o nosso coração, renova o propósito. Quem vive para si cansa rápido. Quem vive para a missão encontra força.

A Promessa da Chegada

Encaminhando para o final, quero trazer à nossa memória a promessa da chegada. Salmo 126:6 diz: “Sem dúvida, com certeza, voltará com alegria, trazendo os seus feixes.” A Bíblia não diz talvez, ela diz sem dúvida. Os feixes representam frutos espirituais, vidas transformadas, caráter moldado, promessas cumpridas e recompensa eterna. A alegria não está na pista, mas na chegada.

O capítulo 12 de Hebreus começa com “portanto”, porque antes do capítulo 12 vem o capítulo 11. E o capítulo 11 fala daqueles que corriam uma carreira olhando para a promessa, não olhando para as dificuldades ou para as dores, mas corria olhando para a promessa, e aqueles alcançaram a promessa.

Hoje Deus nos chama a responder algumas perguntas, e com elas nos dá a oportunidade de um novo começo, de um retorno à carreira ou da permanência e constância na corrida. Se você parou porque talvez cansou, se frustrou, se decepcionou, se distraiu com os pesos, o Senhor diz: “Volta à pista, volta a correr. Há uma carreira que te está proposta, volta a correr.”

Se você parou de semear porque as lágrimas foram muitas, eu não quero trazer glória nenhuma para mim, mas não tem um dia sequer que eu acordei sem derramar lágrimas diante do Senhor. Mas teve um tempo, eu lembro, morando no Jardim Paulista, eu dizia: “Senhor, que sequidão é essa? Que eu não consigo nem chorar na tua presença.” Se as lágrimas foram muitas, se a espera foi longa, se a colheita demorou, o Senhor tem dito: “Não desista da semente, porque ela é preciosa, preciosíssima.”

Então o Senhor nos pergunta: “Onde estão os teus olhos?” Hebreus dá a resposta para onde devemos olhar. Não diz para olhar para a dor, não diz para olhar para o passado, não diz para olhar para os outros corredores. Mas diz: “Olha para Jesus, autor e consumador da fé.” Se hoje você está andando chorando, correndo cansado, semeando sem ver os frutos, o Senhor diz: “Aquele que leva a boa semente, a preciosa semente, andando e chorando, voltará com certeza, trazendo os frutos com alegria.”

O Exemplo de Paulo em Atos 20

Na leitura do livro de Atos, o Senhor saltou aos meus olhos uma passagem que não poderia deixar de compartilhar. Atos 20, a partir do versículo 19: “Servindo o Senhor com toda a humildade, com lágrimas e provações que me sobrevieram pelas ciladas dos judeus. Vocês sabem que jamais deixei de anunciar o que fosse proveitoso e de ensinar isso a vocês publicamente e também de casa em casa, testemunhando tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo. E agora, impelido pelo Espírito Santo, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali vai me acontecer, exceto que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que prisões e sofrimentos estão à minha espera. Porém, em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, desde que eu complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus Cristo para testemunhar o evangelho da graça de Deus.”

E continua: “E agora sei que todos vocês, por cujo meio passei pregando o reino, não mais verão o meu rosto. Portanto, no dia de hoje, testifico diante de vocês que estou limpo do sangue de todos. Porque jamais deixei de lhes anunciar todo o plano de Deus. Cuidem de vocês mesmos e de todo rebanho, o qual o Espírito Santo colocou como bispos para pastorearem a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue. E eu sei que depois da minha partida aparecerão no meio de vocês lobos vorazes que não pouparão o rebanho, e que até mesmo entre vocês se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar discípulos atrás de si. Portanto, vigiem. Lembrando que durante três anos, noite e dia, não cessei de admoestar com lágrimas cada um de vocês. Agora, pois, eu entrego aos cuidados de Deus e à palavra da sua graça, que tem poder para edificá-los e dar herança entre todos os que são santificados. De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem roupas. Vocês mesmos sabem que estas minhas mãos serviram para o que era necessário a mim e aos que estavam comigo. Em tudo tenho mostrado a vocês que trabalhando assim é preciso socorrer os necessitados e lembrar das palavras que o próprio Jesus disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.”

A gente olha para esse homem que correu uma carreira não olhando para as circunstâncias, não olhando para as situações que lhe esperavam. Até mesmo o Espírito Santo dava testemunho do que ia acontecer, mas correu a carreira que lhe estava proposta, olhando firmemente para Jesus, autor e consumador da sua fé.

Continue Correndo: A Palavra para Este Ano

Então, irmãos, a palavra de hoje para nós nesse início de ano: continue correndo, continue semeando. A alegria está mais perto do que você imagina. Eu lembro sempre do texto de Gálatas 6:9, que diz: “No tempo próprio colheremos, se não desanimarmos, se não desfalecermos.”

A corrida nos está proposta. Existe uma carreira a correr. E o Senhor tem dito que essa semente preciosa, aquele que leva andando e chorando, voltará trazendo os frutos com alegria. Amém.

Quero animar esse início de ano para você continuar a carreira, a perseverar, a correr olhando para Jesus, meditando na palavra, colocando o teu coração diante de Deus, buscando uma vida de intimidade, tendo comunhão, firme na missão. A missão nos traz alegria, nos traz revigor, nos traz força. Amém.

Você pode fazer esse compromisso dizendo: “Senhor, eu me comprometo esse ano a correr a carreira que tu me propôs, olhando para Jesus, não olhando para as circunstâncias, não olhando para a dor, não olhando para os obstáculos.” Muitas vezes olhamos para o lado e vemos um irmão correndo numa pista que está livre, mas muitas vezes a nossa pista é uma pista de obstáculos. Às vezes queremos a pista do outro, mas o Senhor diz que devemos correr a carreira que nos está proposta. Há uma carreira que o Senhor propôs para cada um de nós, e ele disse para nós hoje: se apegue com mais firmeza a essas verdades para não desviar delas, correndo a carreira que está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da tua fé.

Glória a Jesus. Amados, antes de sair, procure um irmão, uma irmã aqui, alguém de quem você é próximo, e faça esse compromisso: “Se você cansar, eu estou com você. Se eu cansar, posso contar contigo?”

Pai, certamente o Senhor falou conosco aqui esta tarde de muitas maneiras diferentes. A tua palavra, de fato, é lâmpada para os nossos pés e luz para os nossos caminhos. Toda a Escritura é inspirada por Deus e é útil para separar o que vem de ti e o que vem de nós, Senhor, para instruir o homem e a mulher de Deus no caminho.

Pai, eu peço por mim e por meus irmãos: nos ajuda a meditar nessa palavra, fazer daquilo que o Senhor nos falou agora nesta tarde uma trilha importante para nós esse ano. A trilha de perseverar em ti, perseverar no caminho, perseverar na fidelidade. Mas Jesus nos lembra sempre que é olhando firmemente para o Senhor. Não é apenas na nossa força. Está claro que depende de nós também, porque assim o Senhor faz. O Senhor nos chama para fazer, mas nunca para fazer sozinhos.

Lembra a mim e aos meus irmãos e irmãs que é nesta comunhão com Jesus, nesta comunhão com o teu Filho, nosso Redentor, aquele que veio nos buscar e nos remiu. Foi o Senhor que venceu o pecado, não fomos nós. Foi o Senhor que venceu o diabo, não fomos nós. Por isso o Senhor nos chama para permanecer em Ti, Senhor, olhando firmemente, em comunhão firme contigo. Corramos esta carreira, Senhor. Sejas bendito, Jesus, pelos frutos dessa carreira.

Nós oramos com gratidão ao Senhor por sua bondade e graça, pelo seu cuidado, pelos livramentos, pelo alimento de cada dia, mas principalmente porque chamas homens e mulheres como nós, em Cristo Jesus, para sermos filhos e filhas do Senhor e para andarmos em comunhão contigo. Muito obrigado, Pai Santo, em nome de Jesus. Amém.

Se você quer fazer esse compromisso, faça com alguém aqui, pelo menos uma pessoa: “Se você se cansar, pode contar comigo. Se eu me cansar, posso contar contigo.” Amém.