A dependência do Senhor era obrigatória, não tinha alternativa ali a não ser depender do Senhor. Mas a confiança no Senhor foi questionada pelo povo. As escrituras nos falam que, em muitos momentos, o povo reclamou e chegou a sentir saudades do Egito
Transcrição realizada com ajuda de inteligência artificial
Boa tarde, meus irmãos. Paz em Jesus.
Queria, como sempre, de costume, dizer que é um privilégio, uma honra, poder estar aqui e compartilhar com meus irmãos. Estamos em casa, em família. Se você puder, como de costume, feche seus olhos. Vamos orar mais um pouco. Orar é falar com o Senhor, nos apresentarmos diante d’Ele. E a oração é sempre algo que nos conecta diretamente com o Senhor. Então, se você puder, feche seus olhos, curve sua cabeça.
Nos apresentamos de novo, Senhor, e mais uma vez, Senhor, diante de Ti. E como sempre, Senhor, te pedimos que o Teu Espírito Santo tenha total liberdade nesta tarde, Senhor, neste início de noite, neste local. Como já foi falado aqui, Senhor, nesta tarde estamos aqui por causa do Senhor, Pai. Não há outro motivo senão Cristo Jesus, Senhor, para nos reunirmos aqui neste dia. Senhor, tens total liberdade, Espírito Santo do Senhor, caminha no nosso meio, Senhor. Fala aos nossos corações nesta tarde, Senhor. Tens toda a liberdade, Senhor. Tens tudo em nós, Senhor. E através de nós, Senhor. És tudo, Senhor. Sê conosco, Senhor, nesta tarde, no nome de Jesus. No nome de Jesus, Pai. Amém. E amém, meus irmãos.
O Grito da Independência e o Contraste Cristão
Hoje é uma data que, normalmente, quando cai em dia de semana, a gente se lembra mais, não é? 7 de setembro. Hoje caiu no domingo, o feriado não é feriado, é um domingo já. E eu estava, há algumas semanas, já sabendo que estaria nesta escala aqui. O presbitério já tinha informado, e eu estava me lembrando sobre isso, que 7 de setembro cairia no domingo. E aí o Senhor falou algo ao meu coração, e eu senti de compartilhar hoje com os irmãos. Era sobre isso que eu queria falar um pouquinho, não sobre o 7 de setembro, obviamente.
Vou pedir licença aos historiadores aqui. João Paulo, por favor, me perdoe qualquer equívoco, mas nós conhecemos a história. A história do Brasil nos conta, a história que é mais amplamente difundida, porque há algumas versões diferentes, mas enfim, aquela que é mais contada, diz que no dia 7 de setembro de 1822, às margens do rio Ipiranga, do alto do seu cavalo, com a espada em punho, gritou ali em alta voz o então Pedro de Alcântara, que mais tarde viria a ser conhecido como Dom Pedro I, gritou às margens do rio Ipiranga: “Independência ou morte!”. Vocês lembram dessa história? E aí, mais uma vez eu digo, há algumas versões diferentes que dizem que não foi assim que aconteceu, mas, enfim, essa é a mais conhecida.
Aquele fato, esse grito de “independência ou morte”, é o ponto alto, a culminância da independência do Brasil, que se deu lá há 203 anos. E o Brasil deixava ali, a partir daquele momento, de ser um reino unido a Portugal. Naquela altura, em 1822, não era mais uma colônia, era um reino unido, e se tornava ali uma nação independente. Se tiver algum erro aí, por favor, viu, meus irmãos, me perdoem.
A história por trás desse momento, do famoso grito, relata os motivos que conduziram o Brasil até aquele momento. Antes, como colônia, o Brasil tinha sido por décadas e décadas explorado. Aquela história que a gente sabe: as riquezas foram levadas, a história das plantas, do pau-brasil, do ouro e de tudo aquilo. E a população, em sua maioria, não estava satisfeita com toda aquela situação. E isso culminou com a independência do Brasil.
Ser independente para o Brasil significava, a partir daquele momento, autonomia, autossuficiência, liberdade, emancipação. O Brasil era agora uma nação livre, não estava mais subordinada a ninguém, tinha liberdade para tomar suas próprias decisões, seguir a sua vontade, tinha autonomia para trilhar os seus caminhos. Enfim, não respondia mais a ninguém, vivia a vida do jeito que, como nação, assim decidisse.
E essa data me fez recordar e me lembrar disso. Eu fiquei pensando mais em nós, discípulos do Senhor. Enquanto Pedro de Alcântara ali gritava “independência ou morte”, sinalizando a independência do Brasil, nós, discípulos, falamos o contrário. Nós, se tivéssemos que gritar do alto de um cavalo ou mesmo no chão, nós gritaríamos que independência é morte. No nosso caso, a gente poderia gritar “independência é morte” ou “independência ou vida”. Eis a nossa escolha.
A Dependência Obrigatória no Deserto
Quando eu meditava sobre o tema, o Senhor me lembrou do êxodo do povo de Israel. A história nós conhecemos muito bem. Ao sair do Egito, era um povo que andava pelo deserto. Pelo deserto, irmãos, lembremos que era um deserto, não era uma caminhada no calçadão, era uma caminhada no meio de um deserto. O povo não tinha um exército organizado. Ele caminhava no meio de povos inimigos e hostis. Não tinha recursos, não estavam plantando, não estavam colhendo, estavam caminhando. E ali não havia outra alternativa ao povo que não fosse confiar e depender do Senhor naquela situação.
A dependência do Senhor era obrigatória, não tinha outra alternativa ali, a não ser depender do Senhor. Mas a confiança no Senhor muitas vezes foi questionada pelo povo. Os escritos bíblicos, as escrituras, nos falam várias vezes que, em muitos momentos, o povo reclamou e chegou a sentir saudades do Egito e a dizer que era melhor ter morrido no Egito, onde tinham comida para comer e não estavam no deserto.
Durante a caminhada do povo pelo deserto, nós conhecemos a história de que o Senhor provê uma coluna de nuvem e de fogo que dava proteção e direção ao povo que caminhava. Isso está lá no livro de Êxodo, capítulo 13, versículos 21 e 22. Estou só fazendo esse pano de fundo aqui para a gente, mas é uma história que a gente conhece. Êxodo 13, versículos 21 e 22, vai dizer que o Senhor ia adiante deles, durante o dia, numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho e, durante a noite, numa coluna de fogo para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite. Nunca se apartou do povo a coluna de nuvem durante o dia, nem a coluna de fogo durante a noite, mostrando a presença e o cuidado do Senhor com aquele povo.
Através da coluna de nuvem e de fogo, o Senhor proveu ao povo, como eu já disse, direção, proteção, e esperava do povo, naquela altura, obediência, adoração и dependência. No capítulo 33, mais à frente, ainda no livro de Êxodo, Moisés faz uma declaração que está registrada, da dependência dele no Senhor. E eu sempre acho muito interessante esse texto, muito bonito, na verdade, e é também um texto que a gente conhece muito bem, mas que mostra ali o coração de Moisés no meio daquele povo, no meio daquela situação. Êxodo, capítulo 33, versículos 14 e 15, diz assim: “Respondeu-lhe: ‘A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso.'” O Senhor falando. “Então lhe disse Moisés: ‘Se a tua presença não vai comigo, не nos faça subir deste lugar.'” Algumas versões dizem: “Se a tua presença não for comigo, que a gente não saia daqui.” Algo nesse sentido, mostrando a total dependência de Moisés, o coração de Moisés, que não queria sair debaixo da presença do Senhor.
A Dependência nas Atividades Cotidianas
Eu me lembrei, durante a preparação da palavra, que há alguns anos, num dia de chácara, Fernando fez um comentário. Não era bem uma ministração, mas ele fez um comentário sobre como a nossa rotina do dia a dia, o nosso dia corrido, faz com que a gente acabe se colocando numa posição em que parece que não estamos dependendo do Senhor. Só parece.
E aí, Fernando, no dia, ele falou sobre o exemplo de dirigir. A gente estava na chácara, a gente sabe que a chácara fica em Goiana, todo mundo normalmente se levanta no domingo, pega uma condução para chegar lá, ou pega seu carro, ou pega o ônibus. E no caso de quem dirige, por exemplo, é só um exemplo, a gente muitas vezes faz isso no automático. A gente pega a chave do carro, entra no carro, liga o carro e sai dirigindo, porque muitas vezes confiamos na nossa capacidade. “Ora, eu dirijo há 10 anos, há 20 anos, há 30 anos.” E a prática dessa atividade comum faz com que a gente tenha essa impressão de que podemos fazer isso sem depender do Senhor, que temos habilidade suficiente para fazer isso, e acabamos abandonando o hábito de colocar todas as coisas diante d’Ele. Pelas atividades mais comuns do nosso dia, acabamos nos esquecendo, muitas vezes, de que continuamos dependendo do Senhor nas menores das situações cotidianas.
Então, dirigir é um exemplo, cozinhar é um exemplo. As atividades do nosso trabalho que a gente faz todo dia e está tão acostumado a fazer, a gente cai nessa rotina e acaba se esquecendo de que dependemos do Senhor para todas as coisas. Parece que a nossa expertise em fazer algo tira-nos da dependência do Senhor. Mas isso é um engano em nossas vidas. Em tudo nós dependemos do Senhor.
A Provisão Diária e a Vida de Dependência
Assim como o povo de Israel, que além da nuvem que os acompanhava, ainda recebia do Senhor a provisão diária, o maná de cada dia. Nós também conhecemos essa parte da história. O povo de Israel, mesmo com toda a murmuração, toda a falta de gratidão que apresentava ali, vivia a dependência prática do Senhor. O povo não plantava, o povo não colhia e precisava depender do Senhor para que a provisão, o alimento de cada dia, caísse sobre eles, mostrando mais uma vez o cuidado do Senhor.
O capítulo 16 de Êxodo fala isso. Êxodo, capítulo 16, versículos 2 a 5, só nos relembrando algo que a gente já conhece: “Toda a congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e Arão no deserto. Disseram-lhe os filhos de Israel: ‘Quem nos dera tivéssemos morrido pela mão do Senhor na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão a fartar? Pois nos trouxeste a este deserto para matardes de fome toda esta multidão.’ Então, versículo 4, disse o Senhor a Moisés: ‘Eis que vos farei chover do céu pão, e o povo sairá e colherá diariamente a porção de cada dia.'” Eu grifei aqui na minha Bíblia: “diariamente a porção de cada dia”, “para que eu o ponha à prova se anda na minha lei ou não. Dar-se-á que, ao sexto dia, prepararão o que colherem, e será o dobro do que colhem cada dia.” A provisão do Senhor a cada dia na vida daquele povo.
A gente pula para os versículos 16 a 18. O texto diz: “Isto é o que o Senhor vos ordenou: ‘Colhei disso cada um, segundo o que pode comer.’ Um gômer por cabeça, segundo o número de vossas pessoas. Cada um tomará para os que se acharem na sua tenda. Assim o fizeram os filhos de Israel. Colheram uns mais, outros menos. Porém, medindo-o com o gômer, não sobejava ao que colhera muito, nem faltava ao que colhera pouco, pois colheram cada um quanto podia comer.” O texto nos mostra a dependência do povo de Israel no Senhor e a provisão diária. O texto diz que não faltava ao que colhera pouco, não sobejava ao que colhera muito. Porque na dependência do Senhor há a provisão daquilo que nós precisamos diariamente.
O Caminho da Independência Leva à Morte
Pensando nesse pano de fundo, o Senhor foi falando ao meu coração sobre a vida de independência, contrastando com a vida de dependência do Senhor, do seu corpo, da sua palavra. Eu queria que vocês abrissem em Provérbios, capítulo 18. Diz assim, Provérbios, capítulo 18, versículo 1. Eu geralmente uso a RA, a versão Almeida Revista e Atualizada, mas esse texto eu botei na Almeida Corrigida Fiel, só por uma questão de tradução mesmo. Diz assim: “Busca satisfazer seu próprio desejo aquele que se isola; ele se insurge contra toda a sabedoria. O tolo não tem prazer no entendimento, mas só em que se manifeste aquilo que agrada o seu coração.”
Busca satisfazer o seu próprio desejo aquele que se isola. Então, vejam, irmãos, o independente, o solitário, o isolado, ele trilha um caminho de morte. A vida de alguém que está andando de forma independente, isolada, solitária, é um caminho que conduz à morte. Provérbios, capítulo 14, versículo 12, diz: “Há caminho que parece certo ao homem, mas no final conduz à morte.”
Esse é o final de uma vida de independência, uma vida de isolamento, uma vida solitária. Há caminho que parece certo ao homem, mas no final conduz à morte. Isso é interessante porque a nossa tendência natural de autopreservação, a tendência humana, pode nos conduzir a um caminho solitário ou de isolamento. É natural do ser humano, muitas vezes, se autopreservar. E isso, em alguns momentos, nos conduz por esse caminho de isolamento. Não podemos cair nesse engano de autopreservação e trilharmos por um caminho solitário.
Eu fui fazendo aqui, e vocês vão ver esse contraste entre a vida de independência e a vida de dependência. O primeiro ponto que o Senhor me lembrou é que o independente, ele age antes de orar. Ele primeiro age e ora depois. Provérbios, capítulo 19, versículo 2, diz assim: “Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado.” Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado. Quantas vezes nós agimos antes de orar? Às vezes, as pernas vão mais rápido do que a oração, e a gente acaba se precipitando e pecando porque não colocamos diante do Senhor aquilo que estamos fazendo.
Provérbios, capítulo 16, versículos 1 e 2, diz assim: “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do Senhor. Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o Senhor pesa o espírito.” Mais uma vez, e retomando o início da ministração, não é raro que, no nosso cotidiano, muitas vezes, a gente tome decisões sem consultar o Senhor. Não vou pedir para a gente levantar a mão, senão todos nós provavelmente levantaríamos a mão. Mas eu gostaria de lembrar, nesta tarde, que o Senhor, Ele é um Deus de relacionamentos. O nosso Deus é um Deus de relacionamentos.
A Vida de Dependência em Deus
Lembro que Deus quer e se importa em participar da nossa vida cotidiana. Muitas vezes, caímos no engano de achar que Deus só precisa ser, entre aspas, acionado, ou que só precisamos orar, ou nos colocar na presença do Senhor nas horas importantes das nossas vidas, nas horas em que uma grande decisão precisa ser tomada ou na hora da dificuldade. Mas não. Deus é um Deus de relacionamentos, é um Deus de cotidiano, é um Deus de dia a dia, é um Deus que faz morada em nós porque quer participar da nossa vida em todos os momentos. Então, antes de tomarmos qualquer decisão, por mais normal que possa parecer, precisamos colocar a nossa vida diante do Senhor. Porque, apesar de o independente agir antes de orar, o dependente apresenta tudo em oração diante do Senhor.
Consagrando Tudo ao Senhor
Isso está escrito em Provérbios, capítulo 16, versículo 3. Aqui eu também usei uma outra versão, a NVI. Provérbios, capítulo 16, versículo 3, diz: “Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos.” Eu grifei aqui no meu texto: “tudo”. Tudo é tudo. Não sobra nada além de tudo. Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos. O que devemos apresentar ao Senhor? Tudo. O nosso dia, os nossos planos, as nossas expectativas, as nossas dores, as nossas lutas, as inquietações, os relacionamentos, por que não? E eu não falo só marido, esposa, os relacionamentos com as pessoas, com os irmãos. Os nossos afazeres e as nossas obrigações do dia a dia, os nossos encontros e desencontros, as nossas conversas, que tipo de conversas nós temos tido. Apresentemos ao Senhor as nossas conversas, o dirigir que Fernando lembrou, pegar o ônibus, cozinhar, tudo, meus irmãos, tudo devemos apresentar ao Senhor. Não somos parcialmente dependentes do Senhor. Nós somos integralmente dependentes do Senhor em tudo o que nós fazemos.
E eu me lembro mais uma vez, e aí é um adendo, a última vez que eu estive aqui falando sobre disciplina, como é importante, e eu falo mais uma vez porque o Senhor tem falado muito comigo, como é importante iniciar o nosso dia nos apresentando ao Senhor. Como é que você vai apresentar os seus planos, as suas expectativas, as suas dores, o seu dia no final do dia ao Senhor? Como é que você passa o dia? Como eu e você passamos o dia todo fazendo e falando e vivendo para, no final do dia, apresentar algo ao Senhor, consagrar tudo ao Senhor. Como é importante a gente ter esse momento com o Senhor assim que a gente acorda, apresentar ao Senhor aquele dia, consagrar ao Senhor a nossa vida.
A Mente do Independente e a Busca pela Verdade
O primeiro ponto foi esse: o independente age antes de orar. O dependente apresenta tudo em oração. O segundo ponto que o Senhor me lembrou é que o independente, que vive essa vida por si só, com autonomia, ele convive com uma cabeça e uma mente cheia de achismos. É sempre o “eu acho”, “eu penso”, “eu imagino”, “eu na minha mente é assim”, “porque eu pensei que era assim” ou “eu vi que era assim”. E o texto de Jeremias nos lembra, no capítulo 17, versículo 9: “O coração é mais enganoso que qualquer outra coisa e a sua doença é incurável. Quem é capaz de compreendê-lo?”
Ora, aquele solitário, isolado, independente, ele vive com a mente cheia dos seus próprios pensamentos, perdido em seus próprios pensamentos, confiando naquilo que imagina o seu coração. Há um texto logo no início da Bíblia, Gênesis 6, versículo 5, que eu nunca tinha reparado nessa versão. Eu nunca tinha visto isso, mas o Senhor me mostrou nesses dias. Gênesis, capítulo 6, versículo 5, diz: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só mal continuamente.” Eu nunca tinha observado esse texto. “Toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só mal continuamente.” Isso precede o dilúvio e mostra como viver uma vida de independência, pensando consigo mesmo, deixando ser guiado pelo seu coração e pelos seus pensamentos. É caminho de morte porque convive com aquilo que o nosso coração facilmente nos engana. Quantas mentiras e achismos sobre nós mesmos não passam pela nossa cabeça? Quantas mentiras e achismos sobre os nossos cônjuges, sobre os nossos filhos, sobre os nossos irmãos?
E eu retomo a ministração de Paulinho do domingo passado, que falou, o Senhor falou através de Paulinho sobre o capacete da salvação. E Paulinho falou aqui no domingo passado que aquela seta, aquele dardo inflamado que vem na nossa mente, se a gente está bem, com toda a armadura de Deus, bem postado com ela, é um pensamento que vem, um dardo inflamado, e em 10 minutos ele dissipa. Mas se a gente não está bem, se a gente está sem armadura, se a gente está independente, fica ali uma hora, um dia, uma semana, aquele mesmo pensamento, aquela seta, aquele dardo vagando pela nossa cabeça. Lembro que a armadura é de Deus. A armadura é de Deus. E nós, como dependentes, precisamos tomar essa armadura do Senhor, porque precisamos estar na presença d’Ele para nos revestirmos da armadura do Senhor. Precisamos depender desse Pai amoroso.
Efésios, só relembrando o que Paulinho falou na semana passada. Efésios 6, versículos 10 e 11: “Finalmente, fortaleçam-se no Senhor e no seu forte poder. Vistam toda a armadura de Deus.” Precisamos depender do Senhor e estar vinculados a Ele, estar com Ele para podermos nos revestir da armadura de Deus. Enquanto o independente convive com seus achismos, o dependente busca a verdade na fonte, porque sabe onde está a fonte de todas as coisas. E é por isso que busca lá. João, o livro de João, capítulo 4, versículo 10, diz assim: “Replicou-lhe Jesus: ‘Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede, dá-me de beber, tu lhe pedirias e ele te daria água viva.'” Salmo 119, versículo 105, que nós também conhecemos: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e luz para os meus caminhos.” Ainda no livro de João, capítulo 14, versículo 6, diz: “Respondeu-lhe Jesus: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.'” O dependente busca as verdades de Deus diretamente na fonte. E é lá que ele acha tudo aquilo que ele precisa para viver uma vida de dependência e não ser enganado pelos pensamentos do seu próprio coração. Ele é dependente da fonte de águas vivas. Ele é dependente de Jesus. E essa é a posição que nós precisamos estar, não nos nossos achismos, mas buscando no Senhor a fonte de toda a verdade e a fonte da nossa vida.
A Glória e a Humildade do Dependente
O terceiro ponto que eu lhes trago aqui é que o independente busca a glória para si. Ele exalta os seus próprios feitos. Uma vida de independência é uma vida em que toda a glória é para si própria, exaltando aquilo que faz. João, capítulo 7, versículo 18, diz assim: “Quem fala por si mesmo está procurando a sua própria glória, mas o que procura a glória de quem o enviou, esse é verdadeiro e nele não há injustiça.”
Ora, quem fala por si mesmo é alguém que é independente, é alguém que não tem o Senhor, é alguém que não remete a glória ao Senhor e aí fala de si mesmo e procura a própria glória, exaltando os seus próprios feitos. Romanos, capítulo 12, versículo 3, diz assim: “Porque pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém. Antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” Digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém. O independente, mais uma vez eu repito, busca a sua própria glória.
E aí eu coloquei um parêntese aqui, com todo respeito, meus irmãos, como é desagradável uma conversa com alguém que puxa para si a conversa o tempo inteiro, alguém que só sabe falar dos seus próprios feitos. Como é desagradável uma conversa dessa maneira. Jesus, falando sobre a incredulidade dos judeus lá em João, capítulo 12, versículos 42 e 43, ele diz assim: “Contudo, muitos dentre as próprias autoridades creram nele. Creram em Jesus, mas por causa dos fariseus não o confessavam para não serem expulsos da sinagoga.” Versículo 43: “Porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus.” Esses eram aqueles que não dependiam do Senhor e que não buscavam para Deus a glória. Buscavam a glória dos homens. Amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus. O independente busca a glória e exalta os seus próprios feitos. Diferentemente, o dependente glorifica ao Senhor em tudo o que faz, porque ele entende a sua posição de dependência do Senhor. E é para o Senhor, é para glorificar o nome do Senhor que ele age e vive e tem todos os seus dias. Ainda no livro de João, capítulo 17, versículo 4, a famosa oração sacerdotal de Jesus, Jesus diz ali, versículo 4: “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer.” Deus confiou uma obra a Jesus, e Jesus, na dependência do Senhor, glorificou o nome do Pai aqui na terra, consumando a obra que Lhe confiaste para fazer, que confiou a Jesus para fazer. Não vivia Jesus para viver uma vida diferente daquele propósito que Deus deu a Ele. Falando de nós. Se nós vivemos uma vida onde nós não fazemos aquilo que é a vontade do Senhor para nós, nós vamos cair no erro de viver uma vida buscando a glória para nós mesmos e não glorificando ao Senhor.
Isso está totalmente vinculado ao próximo ponto em que o independente é orgulhoso. Uma vida de independência é uma vida onde, quando você vê alguém independente, é alguém que é cheio de si, orgulhoso, soberbo. Provérbios, no capítulo 13, versículo 10, e aí nós também conhecemos, diz assim: “Da soberba só resulta a contenda.” E aí ele fala: “Mas com os que se aconselham se acha sabedoria.” Ora, se é com os que se aconselham, é alguém que está dependendo do Senhor ou do seu corpo, está buscando conselho e ali se acha a sabedoria. O independente não procura conselho, porque o independente ele acha que sabe de todas as coisas e ele é orgulhoso do que faz e daquilo que vive. Provérbios 11, versículo 2, diz assim: “Quando vem o orgulho, chega a desgraça, mas a sabedoria está com os humildes.” Quando vem o orgulho, chega a desgraça, mas a sabedoria está com os humildes. E Tiago, capítulo 4, versículo 6, diz assim: “Mas ele nos concede graça maior. Por isso diz a escritura: ‘Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes.'” Ora, que forte você imaginar que Deus se opõe aos orgulhosos. Imagina Deus se opondo a alguém. A independência enche o nosso coração de orgulho. A independência nos leva para um caminho de morte. Contrariamente, o dependente é humilde porque reconhece a sua pequenez, reconhece a dependência, reconhece que precisa do Senhor continuamente e todos os dias. Ora, se eu sei que dependo do Senhor, se eu sei que sou pó, eis que tenho que ser humilde, reconhecendo a minha pequenez, porque sei que há um Deus maior, grandioso, de quem eu dependo.
Primeira Timóteo, capítulo 1, versículos de 12 a 15. Paulo escrevendo a Timóteo, Paulo, meus irmãos, vejam o que é que a gente pensa, não é? Eu, pelo menos quando eu penso em homens de Deus ou aqueles homens que tiveram, dentro dos escritos bíblicos, tamanha repercussão ou que agradaram ao Senhor. Lógico que há muitas histórias, há muitas e muitas histórias, mas é indiscutível o fato de que Paulo ali no Novo Testamento é um dos homens que a gente olha e fica impressionado com a desenvoltura, com o poder, com a dependência, com a submissão ao Senhor e como foi usado. Paulo escrevendo a Timóteo, em Primeira Timóteo, capítulo 1, 12 a 15, diz assim: “Sou grato para com aquele que me fortaleceu, Cristo Jesus, nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério. A mim, que noutro tempo era blasfemo e perseguidor e insolente, mas obtive misericórdia, pois o fiz na ignorância, na incredulidade.” “Transbordou, porém, a graça do nosso Senhor com a fé e o amor que há em Cristo Jesus.” E aí ele termina dizendo: “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação, remetendo: glória a Jesus, que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, do qual eu sou o principal.” Paulo, repito, Paulo reconhecendo toda a sua miserabilidade ali e dizendo, naquele escrito na carta para Timóteo, dizendo que era o principal de todos os pecadores, reconhecendo que não era nada nem ninguém. A humildade que precisa haver nos nossos corações, porque nós dependemos de um Deus que é todas as coisas e nós somos pequenos e miseráveis diante d’Ele. Não somos orgulhosos como aqueles que são independentes, mas somos humildes porque dependemos do Senhor.
Confissão, Ajuda e o Corpo de Cristo
O independente, aquele que vive solitário e sozinho, ele encobre as transgressões, enquanto o dependente confessa e deixa. Ora, se confessa, confessa a Deus ou aos homens. E a partir daí já mostra que não é alguém que anda de forma independente, que não é dono da sua vida. Isso está lá em Provérbios, capítulo 28, versículo 13. Nós conhecemos essa passagem. Diz assim: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará, mas o que confessa e deixa alcança misericórdia.” Reconhece a sua pequenez, reconhece que é pó e confessa os seus pecados e deixa ao grande Deus de quem nós dependemos e alcança d’Ele a misericórdia. Mas aquele que vive de forma independente, encobrindo as suas transgressões, jamais prosperará.
O independente guarda os seus problemas, e o dependente busca ajuda. Provérbios, capítulo 11, versículo 14, também conhecemos esse texto, diz: “Não havendo sábia direção, cai o povo, mas na multidão de conselheiros há segurança.” Ora, irmãos, alguém que é ou que vive uma vida independente não procura conselho, porque ele é orgulhoso, porque ele busca a glória, porque ele quer andar sozinho. E o texto diz que, não havendo sábia direção, cai o povo. Por isso que eu comecei dizendo que independência é caminho de morte. Eu não, diz a palavra. Mas na multidão de conselheiros há segurança. Dependemos do Senhor, dependemos do seu corpo, dependemos da sua palavra, dependemos do Espírito Santo. Provérbios, capítulo 15, versículo 22. Eu também mudei a versão aqui para Almeida Corrigida e Fiel. Diz assim: “Quando não há conselhos, os planos se dispersam, mas havendo muitos conselheiros, eles se firmam.” Quando não há conselhos, os planos se dispersam, mas havendo muitos conselheiros, eles se firmam. Provérbios ainda, Provérbios, capítulo 20, versículo 18, a primeira parte diz: “Os planos mediante os conselhos têm bom êxito.”
Semana passada também Paulinho nos lembrou de que somos o corpo de um cabeça. Nós somos corpo, dependemos uns dos outros. Não podemos andar de forma independente. Nós temos a quem recorrer, a buscarmos ajuda no Senhor e no seu corpo. Eu sei que há alguns temas, eu listei aqui, que são muito sensíveis, que causam arrepios em muitos de nós. E alguns de nós podem estar enfrentando esse tipo de situação nesse momento. Tema de casamento, tema de criação de filhos, tema de finanças. Foram pelo menos esses três que eu listei aqui. Mas ainda assim, apesar e a despeito de toda a sensibilidade desses temas e como é difícil, não podemos andar sozinhos de forma independente. Casamento não é, assim, entendam, vocês vão me entender. Não é o meu casamento. Sim, é o seu casamento, mas você precisa procurar ajuda. Seus filhos. E como é difícil ouvir alguém falando e orientando muitas vezes a criação de filhos, mas os seus filhos, os nossos filhos, os meus filhos são do Senhor e não podemos andar de forma independente. Finanças, não podemos andar de forma independente. Nós precisamos buscar ajuda, porque independência é caminho de morte. Indo já para o fim, a independência do corpo.
A Importância da Dependência do Corpo de Cristo
Há algumas semanas, Jojó ministrou aqui e falou sobre a importância do corpo, a importância de todos os membros. E nós somos mensalmente, pelo menos, lembrados pela Ceia do Senhor, sobre a importância de discernir o corpo, ou seja, de reconhecer a importância, o valor de cada membro, de saber que somos muitos, com dons, ministérios e graças diferentes, mas corpo do mesmo cabeça, Cristo Jesus. Não podemos andar independentes do corpo do Senhor. Não existe membro fora do corpo.
Jovens e a Conexão com o Corpo
E aí eu faço um aviso, um alerta, ou gostaria de pontuar aqui especialmente para os jovens: aqueles que não estão mais na salinha ou aqueles já ali entrando em universidade, em faculdade. Jovens, não andem independentes, não andem sozinhos, não andem fora do corpo. Eu sei que há uma fase da vida da gente, especialmente na vida dos jovens, de que quando você faz ali 18, 19, 20 anos, você começa a ter uma maior independência em relação aos seus pais e escolher ir, escolher vir, escolher onde estar. Até uma certa idade a gente é levado pelos pais. Depois disso, a gente tem uma maior independência. Então, esse início de vida adulta, especialmente quando nós começamos a trabalhar, que além da autonomia agora nós temos um pouquinho de dinheiro, um pouquinho de recurso, e aí a gente se sente mais livre para ir e vir, para escolher. Não podemos, vocês não podem, jovens, andar de forma independente do corpo. Precisamos pagar o preço para estar juntos, para estar vinculados ao corpo, para estar andando junto com os nossos irmãos, para estarmos sendo acompanhados pelos nossos discipuladores. Muito cuidado, jovens, nessa fase da vida do início da fase adulta.
Primeira Coríntios, capítulo 12, versículo 14, diz assim: “Conhecemos, Jojó leu para a gente aqui na última ministração dele, porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se disser o pé: ‘Porque não sou mão, não sou do corpo’, nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: ‘Porque não sou olho, não sou do corpo’, nem por isso deixa de ser. Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo como Lhe aprouve.” Há lugar para cada um de nós dentro do corpo do Senhor e precisamos andar vinculados e bem vinculados ao corpo.
Normalmente eu anotei aqui o primeiro sinal, aprendi isso desde cedo. O primeiro sinal de alguém que não está bem é o isolamento. Primeiro sinal de alguém que não está com tudo alinhadinho é arrumar sempre uma desculpa ou uma dificuldade para não estar junto. Sempre. Você há de convir comigo. Começou alguma coisa a desandar ali. Primeira coisa que a gente faz é se isolar. É não estar mais tão vinculado, não estar mais juntos. Começaram a andar de forma independente.
A Capa de Bartimeu: Lançando Fora a Falsa Segurança
Bem no fim, eu queria ler uma historinha para terminar aqui. Está lá em Marcos, capítulo 10, versículos 46 a 52. Todos nós conhecemos essa história, mas diz ali Marcos, capítulo 10, versículo 46: “E foram para Jericó, continuando o texto, quando ele saía de Jericó, Jesus, juntamente com os discípulos e uma numerosa multidão, Bartimeu, cego, mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho. E ouvindo que era Jesus o Nazareno, pôs-se a clamar: ‘Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim!’ E muitos o repreendiam para que se calasse. Mas ele cada vez gritava mais alto: ‘Filho de Davi, tem misericórdia de mim!’ Parou Jesus e disse: ‘Chamai-o.’ Chamaram então o cego, dizendo-lhe: ‘Tem bom ânimo, levanta-te, ele te chama.'” Versículo 50 diz assim: “Lançando de si a capa, levantou-se de um salto e foi ter com Jesus. Perguntou-lhe Jesus: ‘Que queres que eu te faça?’ E respondeu o cego: ‘Mestre, que eu torne a ver.’ Então Jesus lhe disse: ‘Vai, a tua fé te salvou.’ E imediatamente tornou a ver e seguia Jesus estrada fora.”
Conhecemos essa história do cego de Jericó? Muitas vezes a gente se refere a ela como a história do cego Bartimeu. E eu não sei se você já ouviu o que eu vou falar aqui agora. Provavelmente muitos daqui conheçam isso, mas há muitos anos eu ouvi uma explicação sobre essa passagem de que o primeiro ponto é que Bartimeu não é um nome próprio. Bartimeu, esse prefixo “bar” na antiguidade, significava que ele era filho de alguém. Então, Bartimeu significa literalmente filho de Timeu. O próprio texto diz isso: “Bartimeu, cego, mendigo, filho de Timeu.” Ou seja, aquele homem para muitas das pessoas ali, talvez ele não tivesse nem nome, ou as pessoas não conheciam o seu nome.
E aí, especificamente no versículo 50, quando Jesus o chama e o texto, o versículo 50, diz: “Lançando de si a capa, levantou-se de um salto e foi ter com Jesus.” Nessa época e nesse contexto, a capa que ele usava era a representação daquele homem, da situação da condição daquele homem. Ou seja, aquela capa significava a condição de pobreza, de miséria e de cegueira daquele homem. Naquela época, os mendigos, aquelas pessoas que dependiam de esmolas para sobreviverem, elas se vestiam com essa capa que as distinguia das demais pessoas. Então, todo mundo que usava aquela capa estava identificado como alguém em uma situação muito vulnerável. Alguns textos, eu confesso que não sei se é verdade, dizem que o governo romano distribuía essas capas e essas capas, além de identificar, permitiam que aquele homem pudesse ficar ali pedindo esmolas onde ele estava. A capa não apenas identificava, mas legitimava o pedido de ajuda daquele homem. Todo mundo reconhecia que aquele homem era realmente um mendigo e ele tinha permissão para estar ali. Então, por mais infeliz que fosse estar com aquela capa, ela representava a segurança e o meio de sobrevivência dele. Era horrível possuir aquela capa, mas ela era que legitimava o direito dele pedir, mendigar ali naquele local. Ela era segurança e meio de sobrevivência.
Então, quando o texto de Marcos, no versículo 50, diz que ele lançou a capa e ele era cego, isso traz a ideia ou o texto expressa de que, ao lançar a capa fora, o cego de Jericó demonstrava que a partir daquele momento ele não esperava, ele não tinha mais esperança, ele não dependia daquela capa, mas ele colocava as esperanças dele em Jesus. Por isso que diz: “Lançando de si a capa, levantou-se de um salto e foi ter com Jesus.” Ele agora era integralmente dependente do Senhor e não mais daquela capa. Então, que capa nós ainda estamos carregando, de que em alguma coisa não dependemos do Senhor? Precisamos lançar fora as nossas capas.
Depender de Deus é uma Dádiva
Finalizando, terceira vez que eu digo, vou terminar. Por fim, às vezes pode parecer que depender é algo ruim. Eu queria chamar Jó aqui. Em alguns momentos pode parecer que depender é uma coisa ruim, mas depender do Senhor é uma dádiva, é uma bênção. Às vezes, alguma experiência ruim nossa pode mexer com a gente em falar, em entregar, em depender, em confiar, como se fosse algo ruim. Mas é porque nós podemos ter tido uma experiência ruim com algum homem, com alguma mulher ou com alguém, mas depender do Senhor é uma bênção. A dependência do Senhor é fruto da graça d’Ele. É uma bênção poder depender de um Pai de amor, de um Pai que cuida de nós.
Ser grato é reconhecer uma graça alcançada. Quando a gente fala de gratidão, a gente fala de graça alcançada. E depender do Senhor é um fruto da graça d’Ele. Que você nesta tarde seja relembrado e reforce aquilo que o Senhor falou ao meu coração, que precisamos depender do Senhor em todas as coisas e não precisamos temer ser totalmente dependentes, porque isso é uma dádiva, é uma bênção, é um presente do Senhor poder depender de um Pai de amor. Amém, meus irmãos. Que o Senhor nos abençoe. Aleluia.
Por Que Deus Quer Nossa Dependência?
Amados, os textos que o Caio nos trouxe são muito contundentes, não há o que imaginar fora daquilo que foi trazido. São muito claros, muito objetivos, muito diretos. E talvez surja no coração de algum de nós aqui ou em outro momento: “Mas por que que Deus quer que eu dependa d’Ele?” Acho que é uma pergunta válida. A gente pode não ter coragem de fazer, mas por que que Deus quer que eu dependa d’Ele? Você já pensou nisso? Está bom. Ele é Deus, Ele pode tudo. Se eu resolver ir de encontro, vou me dar mal. Mas será que é só por uma questão de medo? Será que é só por uma questão de dizer quem manda aqui? Será que é isso?
Na verdade, Deus sabe que o meu e o seu coração tem a tendência horrorosa de idolatrar ou a boa tendência de idolatrar. A independência é uma idolatria do eu, não é? A independência não é nada mais do que a idolatria do eu. Deus sabe como se tornou enganoso o nosso coração. O Caio também falou isso. Jeremias fala isso, capítulo 17, se eu não me engano: “Enganoso é o coração do homem e tremendamente corrupto, perverso. Quem o suportará?” Está falando do nosso coração, não é de um homem que está na cadeia, não é de um homem que a gente considera mau ou ruim, não. Está falando do nosso coração, do meu e do teu coração. É enganoso. E Deus sabe disso. E Ele sabe que se a gente não adorar Ele, se a gente não depender d’Ele, a gente vai adorar coisas que nos matam. Seja a nós mesmos. Idolatria do eu é o grande ídolo da nossa geração, não é? Quando lemos a respeito de idolatria no Antigo Testamento, a maioria de nós pode pensar assim: “Ah, mas eu, graças ao Senhor, vivo num tempo em que idolatria, ninguém entre nós, quem vai adorar demônios, imagens?” Tem aqueles que fazem isso, mas a gente pensa assim: “Estou livre disso, não é verdade?” Porque a independência é a idolatria do eu. Não estamos livres desse eu. Não estamos livres desse ídolo tão grande chamado eu. Então, Deus sabe que ou dependemos d’Ele e buscamos a Ele e adoramos a Ele, ou a nossa alma, o nosso coração vai se configurar para alguma outra idolatria. Entenderam? Para alguma outra adoração. E qualquer outra que não seja o Senhor nos leva à morte. É porque Ele vai nos punir? Não, não se trata disso. Se trata que apenas d’Ele vem vida, respiração e tudo mais. Amém. Se Ele é como é a origem, se Ele é como é o único Deus, se Ele fez e fez todas as coisas, se no fim todas as criaturas estarão diante d’Ele para serem julgadas, é tolice depender de algo ou alguém que não seja aquele que nos criou e que nos sustenta. Amém.
Então, quando não estamos dependentes, e possivelmente eu falo por mim, nenhum de nós aqui é 100% dependente de Deus, porque estas coisas corriqueiras trazem para nós a sensação de que sabemos fazer, não é? Porque já fazemos há algum tempo. Nos esquecemos que se não houvesse oxigênio, a gente não faria. Se o coração não estivesse batendo, a gente não se levantaria. Se as mãos não se mexessem, a gente não conseguiria fazer nada. E muitas vezes pensamos em tudo isso, ou nem pensamos, mas agimos como se tudo isso fosse propriedade nossa, fosse legado, não é? É meu, é seu. E agora eu posso fazer o que quiser. Não, não é nosso. Paulo escrevendo aos Coríntios, ele disse assim: “Pois quem é que faz com que você sobressaia?” De vez em quando a gente tem algumas conquistas, não é? E a pergunta de Paulo é a respeito disso. “Quem é que faz com que você sobressaia? E o que é que você tem que não tenha recebido? E se o recebeu, por que se gloria como se não tivesse recebido?” Nós não somos 100% dependentes, mas nós precisamos estar nesse caminho de crescer na dependência, porque nós vamos sempre depender. Se não escolhemos Deus para depender, o nosso coração vai escolher outro para assumir o lugar. É uma questão de inteligência também a gente escolher aquele que é bondoso conosco, aquele que é misericordioso conosco, aquele que conhece todas as coisas, aquele que não tem nenhum intento mau a respeito de nós. Em Jeremias mesmo, o Senhor falou: “Eu sei que pensamentos tenho a respeito de vocês, pensamentos de paz e não de mal.” Deus não tem pensamentos de mal. Aquele que pode de fato dar um futuro e uma esperança para cada um de nós é também uma questão de inteligência, mas é uma questão de levar o nosso coração, a nossa alma ao único que pode de fato ser idolatrado. Amém? Esse coração é enganoso. Se não honramos e idolatramos o Senhor, pode ter certeza que o seu coração, o meu coração não vai ficar neutro, não vai ficar assim: “Não, eu não quero saber de Deus, mas também assim, eu não tenho um ídolo na minha vida.” Já começou a ter você mesmo, entende? Então, quando Deus nos chama ou até nos ordena a dependência, a motivação é o bem. Não é uma queda de braço inútil, impossível de ter. Não é uma forma de dizer quem manda aqui ou afirmar que Ele é Deus, Ele que manda. Não é nada disso, irmãos. Ele sabe que o nosso coração se tornou extremamente enganoso e nós precisamos de dependência, ou d’Ele ou de qualquer outra coisa ou pessoa, mas nós sempre vamos depender. Amém.
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