Estudo sobre a obra do Espírito Santo na vida do crente, a maturidade espiritual (Huiothesia) em Romanos 8 e 9, e a santificação como alvo do propósito eterno de Deus.
Transcrição realizada com ajuda de Inteligência Artificial
A Obra do Espírito Santo e a Maturidade (Romanos 8 e 9)
Bom dia, irmãos. Prometo que hoje vai ser o último dia, vocês não precisam me aguentar mais a partir de amanhã.
Vamos ler alguns textos, depois a gente retoma e faz um resuminho do de ontem. Mas eu queria ler, então, alguns trechos de Romanos. Nós estamos indo na sequência do livro. Já falamos sobre o nosso passado (Romanos 1, 2, 3), quem nós éramos, quem é o mundo, a influência disso sobre nós, e a obra de Cristo, tremenda, e o chamado que Ele faz para nós de sermos Seus discípulos e seguidores.
E hoje eu queria entrar um pouquinho na obra, naquilo que o Espírito Santo vai construir na nossa vida para sermos, de fato, homens e mulheres espirituais, maduros, que amam o Senhor e que estão empenhados em cumprir o Seu propósito.
Então, eu queria ler alguns trechos de Romanos 8, Versículo 12. Vai ser um pouquinho longo aqui o texto, mas a gente vai pular alguns versículos.
Romanos 8:12-17 diz assim:
“Assim, pois, irmãos, somos devedores, não à carne, como se constrangidos a viver segundo a carne. Porque, se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte; mas, se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis. Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus (sublinha essa palavrinha aí: filhos de Deus); porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes outra vez atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção (sublinha essa aí também), baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.”
E Romanos 9:1-5:
“Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo no Espírito Santo a minha própria consciência: tenho grande tristeza e incessante dor no coração; porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, que são o povo de Israel, segundo a carne. Deles são os patriarcas e também deles descende o Cristo, segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo sempre.”
E Romanos 9:12-13:
“Já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú.”
A Caminhada de Israel como Figura Espiritual
Esses textos que nós lemos aqui falam de duas caminhadas. Uma é a caminhada que nós estamos falando aqui da vida cristã, da onde saímos, para onde vamos. Caminhamos em direção ao propósito eterno de Deus, a essa vida de maturidade, cheios do Espírito, e onde não somos mais nem escravos do pecado, nem da carne, mas vivemos a vontade de Deus.
E a outra caminhada que Paulo usa como paralelo, ou até como figura, na verdade são figuras das realidades espirituais, é a caminhada do povo de Israel. Deus escolheu aquele povo a partir de Abraão para ser o Seu povo e cumprir o Seu propósito.
Só que no texto que nós lemos ali no início do Capítulo 9, Paulo diz que Ele fica triste por causa dos seus compatriotas, porque a eles pertencia a adoção, mas eles não quiseram, recusaram. E depois nós pulamos lá para o Versículo 12 e 13, que fala o seguinte: que o mais velho foi substituído pelo mais moço. E aí fala de Jacó e de Esaú.
Esaú era o primogênito, mas ele rejeitou ou não se habilitou, digamos assim, para ser esse continuador, e Jacó continuou. Assim como acontece com a igreja em relação a Israel. Não significa que Deus desprezou para sempre Israel, mas no que diz respeito ao propósito eterno de Deus, e esse era o contexto de Romanos, Deus estava trazendo algo mais profundo e espiritual no sentido de que Ele queria alcançar o mundo inteiro.
Aliás, quando Deus chamou Israel, Ele disse: “Vocês vão ser para mim Reino de Sacerdote.” E a função de Israel era levar a vontade de Deus para todas as nações. Então, nesse sentido, aquilo que estava em Israel, a igreja é continuadora do propósito de Deus.
O Significado da Plenitude do Espírito
Mas como que essas coisas se encaixam? Como é que a gente consegue fechar isso se nós estamos falando aqui de vida no Espírito, ser cheio no Espírito? O que que é ser cheio no Espírito, segundo a Palavra?
A primeira coisa, quando a gente fala em ser cheio do Espírito, que vem à nossa mente são os dons do Espírito: falar em línguas, profetizar, curar, fazer milagres. E essas coisas são, de fato, manifestações do Espírito Santo, mas sozinhas elas não garantem que alguém está realmente cheio do Espírito. O melhor exemplo vem do lugar onde elas são descritas, que é Primeira Coríntios, porque era uma igreja que tinha muitos dons, mas viviam contrariamente àquilo que Deus fala, viviam desunidos, brigando, em vaidade, orgulho, e daí foram para pecados mais grosseiros.
O Espírito Santo está em tudo isso. Todas essas coisas fazem parte da nossa vida. Se nós somos batizados no Espírito, é Ele que nos tem e não o oposto. Se a gente olha para as manifestações do Espírito ou do Poder, nós vemos uma parte do que o Espírito faz. Ele quer conquistar nossa vida, Ele quer ser o governante do nosso ser. Por isso somos batizados nEle. Ele vai formando Cristo, e enquanto forma Cristo, nós vamos apresentar tudo que é de Cristo: o caráter de Cristo, o poder de Cristo, a misericórdia de Cristo, o discernimento de Cristo. Tudo o Espírito vai produzindo em nós.
Adoção Romana e a Maturidade Espiritual (Huiothesia)
Mas o que, afinal de contas, tem a ver os textos que nós lemos sobre Israel e o que nós estamos falando aqui de sermos maduros?
Eu disse para você sublinhar algumas palavrinhas. Uma delas é a parte quando Paulo diz assim, falando de Israel, que a eles pertencia a adoção de filhos. É estranho isso para nós. Como que para Israel pertencia a adoção de filho, mas eles já não eram povo de Deus, filhos de Deus?
Essa palavra adoção no original grego é Huiothesia (com H), e o significado, e ela vem de uma outra palavra que é Huios (com H), que também está nesses textos várias vezes, quando Paulo diz que nós, quando nós vivemos no Espírito, nós somos filhos de Deus. Huios é o filho maduro.
Só que existe outra palavra, por exemplo, em João 1, que diz: “Todo aquele que crê tem o poder de ser feito filho de Deus.” Ali é outra palavra, ali é Teknon, que é um filhinho pequeno, uma criança. Ou seja, quando nós cremos, nós nascemos de novo, mas somos como uma criancinha, imaturos. Por isso a caminhada rumo à idade adulta, que acontece na nossa vida natural, mas acontece também no espiritual. Então, o Teknon é aquele filhinho criança, Huios é o filho maduro, e Huiothesia seria, assim, traduzindo de forma muito simples, seria maturidade ou, no que nós estamos falando aqui, ser um homem ou uma mulher espiritual.
Por que que Paulo diz que a eles pertencia isso? E os romanos podiam entender, e às vezes nós ficamos assim meio sem entender. Aí eu tenho que compreender o contexto. Em Roma, a adoção não era exatamente o que nós conhecemos por adoção. A adoção, o foco da adoção, não era esse. Era a continuidade dos valores, dos projetos, do legado de um patriarca daquela família. Por isso, a adoção Romana, ou pelo menos uma parte dela, uma forma de adoção, ela era feita com homens adultos, às vezes até maior de idade.
O foco era a maturidade. Quando aquele filho, e normalmente era o filho primogênito, mas quando aquele filho Ele tinha incorporado os valores da família, a mente do pai, Ele pensava como o pai, estava apto a dar continuidade àquele projeto de geração em geração. Então, Ele era adotado pelo pai e era o único. Normalmente era o primogênito, mas se o primogênito não se habilitava a isso, o pai escolhia outro filho e, eventualmente, até um de fora.
É disso que Paulo está falando. Por isso que Ele junta Esaú e Jacó, porque Esaú, sendo primogênito, Ele não deu valor àquilo que era continuidade do que Deus tinha prometido lá para Abraão e para o seu pai Isaque. Esaú também abriu mão disso. É por isso que Paulo fala que Ele foi substituído por Jacó.
O Fogo de Deus e a Purificação
Recapitulando o que nós falamos nos dois dias anteriores: Nós fomos tirados do mundo, e aí a comparação com a caminhada com Israel. Assim como Israel foi tirado do Egito e da escravidão daquele povo e do pecado, e fomos tirados de lá não pelas nossas próprias forças, mas por causa da morte do Senhor, do Seu sangue.
Assim também é com respeito ao fogo de Deus. Tudo que é impuro Ele queima. O fogo de Deus queima o que é terreno e carnal, mas deixa aquilo que tem valor espiritual. E as figuras da Bíblia mostram isso, quando fala de ouro, prata, pedras preciosas, são depurados pelo fogo, e tudo aquilo que não é de valor vai embora, mas o que é precioso fica.
O Espírito Santo trabalha na nossa vida até que Ele consegue ver a imagem de Cristo. Tira tudo que é impuro. Assim trabalha o fogo de Deus na nossa vida. Mas será que nós estamos dispostos a deixar que o Espírito Santo queime tudo que não é santo e que não se encaixa no propósito de Deus?
Hábitos, alguns hábitos secretos que só eu conheço, ninguém mais sabe, só o Senhor e eu, mas que não agradam a Deus, que não me levam para diante dEle. Pensamentos, sonhos, fantasias. Mesmo coisas lícitas, mas que não convêm, e que nós mantemos porque agrada a nossa alma, nos faz bem, mas não nos levam para diante de Deus.
O que agrada a Deus é ouro, prata e pedras preciosas, coisas que resistem ao fogo. A pedra preciosa não é na chama que ela é formada, mas é pelo calor intenso e a pressão, lá embaixo da terra.
O Alvo da Obra do Espírito Santo
Essa caminhada com o Senhor, ela tem que acontecer como nós temos falado aqui. O Senhor vai nos levando passo a passo na direção dEle, vai nos limpando, vai nos santificando. Se a gente resumisse numa palavra esse caminho, é Santificação. Fomos salvos da condenação lá atrás, mas somos santificados da mesma forma que entramos no reino até chegar no propósito de Deus, que é a imagem de Cristo em nós.
É por isso que Paulo faz todo esse caminho em Romanos. Aí Ele chega no Capítulo 12, Ele diz assim:
“Rogo-vos, pois, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Três coisas da alma: a mente, emoções e vontade, e o corpo que se apresenta como sacrifício vivo. Ou seja, aquilo que nós fazemos é fruto de todo esse trabalho.
Esse é o alvo da obra do Espírito Santo nessa vida terrena. Essa é a Terra Prometida. Quando nós vivermos isso, a imagem de Cristo vai estar formada em nós. O alvo de Deus, irmãos, o propósito de Deus, Ele não vai se cumprir na eternidade. Lá nós vamos entrar e usufruir daquilo que foi feito aqui. Deus quer completar Sua obra aqui. Ele quer formar a imagem de Cristo aqui. É por isso que Ele trabalha em nós todos os dias.
Enquanto isso não acontece, nós vamos passando por muitas coisas. Às vezes medo de perder algo. Mas o chamado do Senhor é para algo sublime, maior do que tudo aquilo que nós vemos nessa vida.
Irmãos, não lute contra a obra do Espírito. Se você está passando por uma luta, por uma nuvem, tem alguma decisão, ou mesmo nas coisas pequenas da vida, busque o Espírito Santo, vá atrás dessa direção do Espírito. Não tenha medo de viver essa vida espiritual. A nossa luta é contra a carne, não aquela contra carne e sangue, mas contra a nossa carne, contra o diabo e contra o mundo, mas não contra essa voz doce e amável do Espírito Santo. Amém.
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