Este artigo é dividido e sete partes: Este é um dos temas mais controvertidos e polêmicos da atualidade. Não é fácil abordar este assunto por causa das muitas implicações e consequências para o homem e a mulher, para a família, para a sociedade e principalmente para a Igreja. Infelizmente são poucos os que ousam estudar […]


Divórcio e novo casamento

Jesus e a Lei

Este artigo é dividido e sete partes:


Este é um dos temas mais controvertidos e polêmicos da atualidade. Não é fácil abordar este assunto por causa das muitas implicações e consequências para o homem e a mulher, para a família, para a sociedade e principalmente para a Igreja.

Infelizmente são poucos os que ousam estudar a respeito e muitos que fogem de uma confrontação, quer por motivos pessoais ou religiosos. Mas é um tema urgente, não só por sua importância, mas principalmente porque pode fazer diferença eterna na vida das pessoas.

Sem falsa modéstia quero deixar claro que não pretendo levantar uma polêmica além do que já existe, nem defender tese em cima deste assunto. As declarações que aqui farei, fazem parte do que eu creio e do que pratico. Espero, sirva para aguçar a mente dos leitores ao questionamento.

Por outro lado, não posso deixar de reconhecer as minhas limitações. Muitas das conclusões são frutos de pesquisas pessoais de homens comprometidos com o Reino de Deus e cuja vida respalda suas palavras. Evitarei citar quaisquer nomes para não me valer de pedaços de argumentos ou citações aleatórias extraídas de livros ou pregações que, muitas vezes, teriam conclusões completamente diferentes às minhas.

Este não é um material de pesquisa ou de estudo. É sim, um alerta e uma chamada ao questionamento.
Desafio aos leitores caminharem comigo nas trilhas sinuosas do humanismo e da falsa religião em direção ao único e seguro caminho da verdade: Jesus!

Ele disse: “Eu Sou o CAMINHO, a VERDADE e a VIDA. Ninguém vem ao Pai senão por mim”.
Se você não concorda com esta declaração, pare agora! Será pura perda de tempo continuar lendo. A base de toda minha argumentação está em Jesus. Tudo vai até Ele e parte Dele. Tudo é sustentado por Ele e esclarecido Nele.

Portanto, qualquer interpretação da Lei de Moisés, dos profetas e dos apóstolos terá que finalizar em Jesus. E por que digo isto? Porque Ele é a autoridade máxima. Ele é o criador de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é o princípio e o fim. Ele é antes de todas as coisas. Nada está fora do Seu controle. Ele tem o mundo em suas mãos. O governo está em suas mãos. É Ele quem manda. Ele é a sabedoria e a expressão exata de Deus.

Ele É! Assim, tratar este assunto fora de Jesus seria pura especulação.

Não temos que estudar sobre divórcio. Temos que estudar sobre casamento, amor e fidelidade dos compromissos entre a mulher e o homem. Temos que estudar formas de: como manter a família unida, os filhos em sujeição e obediência, as esposas amadas e bem protegidas, os homens firmes e amáveis.

Temos também que viabilizar meios para amparar aqueles que foram violentados pela teologia do egoísmo e da justiça própria. Violentados na sua fé pelos argumentos do engano.

O número de casais separados, famílias destruídas, filhos abandonados, esposas traídas e maridos insatisfeitos mostra a realidade da raça humana sem Deus. Fruto de corações duros como pedra, inflexíveis como o aço e enganosos como o pai da mentira. São, todavia, uma massa humana levada pelas correntezas do humanismo que excluem a necessidade de Deus.

As palavras de Jesus ainda soam forte 2000 anos depois de serem proferidas: “Eu, porém vos digo…”. E o que Ele diz é o que importa!

Jesus e a Lei

É fantástica a maneira como Jesus trata a questão da Lei de Moisés. Aliás, é fantástica a forma como Jesus aborda qualquer questão relativa à lei e aos profetas. Jesus não desfaz nada do que eles disseram nem desconsidera a importância dos mesmos no contexto do povo de Israel ou da humanidade como um todo. Porém, nós que somos chamados de “cristãos” devemos centralizar nossa atenção apenas em Jesus. Isto não significa que desprezemos os ensinos do velho testamento. Eles servem como pano de fundo no cenário histórico onde todos os detalhes apontam para Jesus.

É simples para os de mente simples poder entender o contexto em que Jesus ensinou a respeito de muitos assuntos ao mesmo tempo.

O famoso “sermão do monte”, título que os estudiosos deram a uma conversa de Jesus com Seus discípulos diante de uma multidão. É impressionante como os teólogos gostam de dar títulos e emoldurar conceitos em tornos de assuntos domésticos.

O texto de Mateus capítulo 5 começa dizendo que Jesus viu as multidões e subiu a um monte e assentou-se.

Aproximaram-se dele os Seus discípulos, e Ele começou a ensiná-los.

Ele ensinava quem? A multidão ou os discípulos? É óbvio que, ao ler todo texto vemos que não se trata de um sermão evangelístico ou genérico dirigido à multidão. Eram instruções simples para um pequeno grupo de homens comprometidos com Ele.

Aqueles homens haviam recebido uma instrução religiosa e familiar baseada na Lei de Moisés. Como judeus que eram, tinham sido instruídos nas sinagogas e nas escolas rabínicas. Tinham decorado o Pentateuco e seguiam cumprindo à risca as doutrinas familiares. Agora, porém, eles estavam diante de quem a própria Lei e os Profetas deveriam sujeitar-se. A Lei e os Profetas tiveram o seu papel e função que era conduzir os homens até Jesus. Nunca nos esqueçamos desse importante e fundamental detalhe. A Lei e os Profetas eram sombras do que havia de vir.

“Disseram aos antigos…”

Ao ler cuidadosamente o texto de Mateus, vamos encontrar uma série de declarações do tipo: “Disseram aos antigos…” e aí Ele cita partes da Lei de Moisés. Era uma forma de dizer que eles haviam sido ensinados pelos pais, mestres e sacerdotes. Todos os ensinamentos estavam baseados na Lei de Moisés. Agora, ali estava aquele que disse juntamente com o Pai, “façamos o homem à nossa imagem conforme a nossa semelhança”. Ali estava aquele que era antes da Lei.

“Eu, porém vos digo…”

Então Ele afirmava: “Eu, porém vos digo…”. Esse “porém” vai além do que os mestres haviam ensinado. A questão não estava no que a Lei dizia, mas na aplicação da Lei. A lei, por si só é isenta de sentimentos e vontade. É apenas um instrumento que guiava a humanidade para um propósito maior, Jesus!

Jesus sempre questionou os “mestres”. Sobretudo aqueles que usavam da Lei para fazerem valer seus próprios interesses. Chamou-os de hipócritas e mentirosos. Chamou-os de cisternas rotas e poços sem água. Considerou seus ensinos, ainda que baseados na lei de Moisés, como fermento velho. E foi muito enfático ao dizer: “Não façam o que eles fazem…”.

Ele, todavia, estava ali contestando com sua vida e obra toda frieza dos ensinos judaicos e estabelecendo a base do discipulado: “Eu, porém vos digo…”.

Todas as vezes que Ele usou essa expressão, ““Eu, porém vos digo…”, foi muito mais radical, severo e prático.

Radical porque não dá margem para interpretações. Eram palavras que exigiam uma tomada de posição. Era uma confrontação radical do Reino de Deus com a independência do homem.

Severo porque não deixava brecha para a hipocrisia ou para a permissividade. Quem o ouvia sabia que teria que optar em ser como Ele era e fazer o que Ele fazia, ou virar as costas e ir embora.

Prático porque apontava o caminho a seguir. A aplicação dos Seus ensinos era o que tornaria os homens sábios. Ele sabia que um ensino só se tornaria eficaz se fosse colocado em prática.

Na questão relativa ao divórcio, não foi diferente. Ele disse: “Disseram aos antigos, aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio”. “Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de pornéia, faz que ela cometa adultério, e aquele que casar com a repudiada, comete adultério”.

Pornéia é uma palavra grega que abrange qualquer relação sexual ilícita – fornicação, homossexualismo, lesbianismo, bestialidade, etc., porém, ao citar a Lei, Jesus não está se referindo a relações sexuais no casamento, mas sim no ato do casamento, ou seja, ao casar-se, o homem poderia repudiar sua mulher, caso descobrisse que ela não fosse virgem. Trataremos deste assunto em outra ocasião.

Jesus não está explicando a Lei ou tratando do assunto de divórcio. Ele está pondo a base do Seu Governo: “Eu, porém vos digo…”. Em outras ocasiões essa questão ficará mais clara porque os fariseus vão questioná-lo com respeito à Lei e às divergências religiosas da época. Mas fica claro aqui que toda centralidade do ensino era na Sua própria pessoa. Ele não era um mestre da Lei. Ele era a própria Lei. Ele não ensinava como os escribas e fariseus, Ele era ao mesmo tempo o professor e a matéria. Era o sábio e a sabedoria. O fator mais importante do Seu ensino era: “EU, PORÉM VOS DIGO”.

Jesus e os Fariseus

Falar contra o divórcio e o recasamento sem antes mostrar o cenário onde se baseiam os maiores argumentos a favor, seria como desferir murro no ar. A maioria dos sofismas evangélicos se baseia em Mateus 19 e, além das traduções bíblicas tendenciosas a favor do divórcio e recasamento, a maioria dos defensores deixam de contextualizar o episódio com as pessoas envolvidas.

Nesse caso em particular, temos algumas observações que podem ajudar-nos a entender um pouco mais essa questão. O cenário de Mateus 19 é montado com diversos personagens diretos: Jesus, os discípulos, os fariseus e a multidão, e personagens indiretos: O Criador, Moisés, a lei, os pais, o homem e a mulher, os adúlteros, os fornicários, os eunucos.
O episódio não é centrado no divórcio e recasamento, como querem a maioria dos defensores. Na verdade o centro da questão de Mateus 19 é a oposição dos fariseus a Jesus. Nesse caso, tomaram como motivo uma questão polêmica entre eles mesmos. Obviamente não buscavam conselho ou uma opinião que aclarasse a briga entre as duas escolas da época.

O objetivo era pegar Jesus nalguma falha.

Se não entendermos essa realidade, vamos cair na “trama” dos fariseus e fazer o “joguinho” deles.

Antes de analisar o texto de Mateus 19, o que faremos em outra ocasião, vamos ver como era a situação entre Jesus e os fariseus, fora desse contexto de divórcio e recasamento.

Nenhum outro grupo representa melhor a religiosidade fria e hipócrita do que a seita dos fariseus. O contraste que havia entre o estilo de vida arrogante e superficial dos fariseus com o estilo de vida simples e profunda de Jesus era tão gritante que não havia como evitar os choques entre eles quando se encontravam.

Algumas advertências de Jesus aos seus discípulos a respeito dos fariseus:

Mateus 5:20; 15:12-14; 16:6, 11-12; 16:11-12; 23:2-4; Marcos 8:15; Lucas 12:1

  • Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.
  • Então, acercando-se dele os seus discípulos, disseram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram? Respondeu-lhes ele: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. Deixe-os; são guias cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão no barranco.
  • E Jesus disse-lhes: Adverti, e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus.
  • Como não compreendestes que não vos falei a respeito do pão, mas que vos guardásseis do fermento dos fariseus e saduceus?
  • Então compreenderam que não dissera que se guardassem do fermento do pão, mas da doutrina dos fariseus.
  • Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus. Portanto, tudo o que vos disserem, isso fazei e observai, mas não façais conforme as suas obras; porque dizem e não praticam. Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens, mas eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.
  • E ordenou-lhes, dizendo: Olhai, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes. Ajuntando-se entretanto muitos milhares de pessoas, de sorte que se atropelavam uns aos outros, começou a dizer aos seus discípulos: Acautelai-vos primeiramente do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.

Declarações fortes de Jesus aos fariseus

Mateus 23:14-15,23,25,27,29; Lucas 11:39, 42 – 44

  • Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo.
  • Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.
  • Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.
  • Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniquidade.
  • Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.
  • Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos.
  • E o Senhor lhe disse: Agora vós, fariseus, limpais o exterior do copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e maldade.
  • Mas ai de vós, fariseus, que dizimais a hortelã, e a arruda, e toda a hortaliça, e desprezais o juízo e o amor de Deus. Importava fazer estas coisas, e não deixar as outras.
  • Ai de vós, fariseus, que amais os primeiros assentos nas sinagogas, e as saudações nas praças.
  • Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! que sois como as sepulturas que não aparecem, e os homens que sobre elas andam não o sabem.

O posicionamento dos fariseus em relação a Jesus

Mateus 12:14, 24; 16:1; 19.3; 22:15; 27:41-42; Marcos 3:6; 10:2; 12:13; Lucas 5:21; 5:30

  • E os fariseus, tendo saído, formaram conselho contra ele, para o matarem.
  • Mas os fariseus, ouvindo isto, diziam: Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios
  • E, chegando-se os fariseus e os saduceus, para o tentarem, pediram-lhe que lhes mostrasse algum sinal do céu.
  • Então chegaram ao pé dele os fariseus, tentando-o, e dizendo-lhe: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?
  • E, tendo saído os fariseus, tomaram logo conselho com os herodianos contra ele, procurando ver como o matariam.
  • Então, retirando-se os fariseus, consultaram entre si como o surpreenderiam nalguma palavra.
  • Da mesma maneira também os príncipes dos sacerdotes, com os escribas, e anciãos, e fariseus, escarnecendo, diziam: “Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se for o Rei de Israel, desça agora da cruz, e crê-lo-emos”.
  • E, aproximando-se dele os fariseus, perguntaram-lhe, tentando-o: É lícito ao homem repudiar sua mulher?
  • E enviaram-lhe alguns dos fariseus e dos herodianos, para que o apanhassem nalguma palavra.
  • E os escribas e os fariseus começaram a arrazoar, dizendo: Quem é este que diz blasfêmias? Quem pode perdoar pecado, senão só Deus?
  • E os escribas deles, e os fariseus, murmuravam contra os seus discípulos, dizendo: Por que comeis e bebeis com publicanos e pecadores?