Vão e façam discípulos (1ª parte): É tempo de arrependimento!

No dia 04 de dezembro de 2018, nós tivemos um encontro na casa de Eduardo para buscarmos direção do Senhor para este retiro. Naquela oportunidade o Senhor nos lembrou algumas passagens das Escrituras como, por exemplo:

  • Mateus 7.24-25: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha”;
  • Tiago 1.22: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos”.

Foi dessa maneira que o Espírito Santo nos lembrou naquela manhã que ouvir e conhecer a Palavra não é suficiente! Aqui, portanto, há um princípio fundamental do reino de Deus:

  • De fato, a fé vem por ouvir a Palavra de Deus, como escreveu Paulo. Mas uma fé sem prática é uma fé morta e não serve para nada, como escreveu Tiago (2.26);
  • A santificação, o crescimento e a maturidade na fé vem apenas pela prática da Palavra de Deus.

Foi assim que chegamos ao tema geral do retiro deste ano, “A vida normal da igreja”. Esta vida normal deve ser uma vida de prática da vontade de Deus, conforme expressada em sua Palavra.

O tema de hoje trata de uma parte daquilo que foi ordenado por Jesus para ser a “vida normal” da igreja. Vamos falar de coisas muito conhecidas de todos nós e ler textos que até sabemos de memória. Mas, provavelmente, não temos praticado como deveríamos!

Mais uma coisa: nós usaremos bastante a Bíblia nesta manhã. Estão prontos?

Vamos começar abrindo em Mateus 28 para fazermos a leitura a partir do verso 18:

Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: ― Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do E. Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês. E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos. (Versão NAA)

Aqui há uma ordem clara: “Vão e façam discípulos”. E esse é o tema desta manhã! Vamos orar?

Irmãos, tudo o que vou falar aqui hoje aplica-se primeiramente a mim mesmo. São ques­tões e con­frontos que o E. Santo tem realizado em minha vida. Mas, talvez, sirvam para vocês tam­bém. Posso ouvir um amém?

A ordem dada por Jesus, essa que acabamos de ler, foi antecedida por uma declaração impressionante. Você lembra? Ele disse “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra!

Vamos imaginar aqui algumas situações para entender melhor essa declaração de Jesus:

  • Imagine que um de nós está na Arábia Saudita. Uma pessoa se aproxima e diz: “Eu sou Mohammad Bin Salman (o rei) e quero que você faça isso e isso…”;
  • Ou então, estando na Rússia, alguém lhe diz: “Olá, eu sou Vladimir Putin (o pre­si­dente) e gostaria que você passasse a fazer assim e assim…”;

Quem são esses homens? Cada um deles possui toda autoridade nos seus respectivos países. Eles podem mandar prender e também mandar matar (e fazem isso de vez em quando!). Eles podem tornar uma pessoa muito rica, ou tirar tudo dela. Ninguém manda mais do que eles, e suas ordens devem ser obedecidas! Ao redor deles há sempre uma atmosfera de reverência e de temor.

Portanto, aqui cabe uma questão: quem é Jesus para nós? O que estamos fazendo com a ordem que ele nos deu? Medite nisso porque vamos voltar a essa questão ainda hoje.

O texto que lemos em Mateus fala daquilo que devemos produzir para Jesus: DISCÍPULOS, discípulos dele. Podemos dizer que esse é o fruto do nosso trabalho. Se é um fruto, certamente há uma semente que vai produzir esse fruto quando for semeada.

Vamos abrir em Marcos 16 e ler os versículos 15 e 16. Novamente eu lerei na versão NAA:

E disse-lhes: ― Vão por todo o mundo e preguem o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.

Aqui também há uma ordem, “Vão por todo o mundo e preguem o evangelho a toda criatura”. OS APÓSTOLOS OUVIRAM AS DUAS ORDENS. Como eles praticaram essas ordens? Como a igreja primitiva praticou? Pelo que lemos nas Escrituras, especialmente em Atos, eles entenderam da seguinte maneira as ordens de Jesus:

Vão por todo o mundo e preguem o evangelho a toda criatura. Façam discípulos de todos os que crerem no evangelho, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do E. Santo e ensinando-os a praticarem todas as coisas que eu ordenei. Esses serão salvos.

Pedro estava entre os 11 que ouviram as duas ordens de Jesus. Quando escreveu a sua primeira carta ele já estava praticando essas ordens há, pelo menos, 30 anos. Agora, escre­vendo a centenas ou, talvez, milhares de discípulos (1 Pe 1.1) ele expõe a sua compreensão.

Observe com atenção: Vamos ler 1 Pedro 1.23 e 25.

Porque vocês foram regenerados não de semente corruptível, mas de semente incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual vive e é permanente… mas a palavra do Senhor permanece para sempre. Esta palavra é o evangelho que foi anunciado a vocês. (NAA)

Em sua carta Pedro lembra aos irmãos que eles nasceram de novo pelo efeito de uma semente que não se corrompe, e depois afirma que essa semente é o evangelho que foi pregado a eles.

O evangelho, portanto, é a semente que Jesus nos deu para ser semeada na vida das pessoas. E nessa semente há poder para salvar, como escreveu Paulo na carta aos Romanos:

… Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê… (Romanos 1.16)

Agora PENSE NISSO e responda: qual o poder de uma semente se ela ficar guardada e não for semeada? O que me dizem? Nenhum poder! GUARDADA ELA É INÚTIL!

Portanto, é muito importante que compreendamos o seguinte:

  • Jesus nos mandou fazer discípulos, conforme Mateus 28.18-20;
  • Ele nos fez saber que a semente que devemos semear para pro­duzir discípulos é o evangelho do reino de Deus. (Marcos 16.15). Está claro isso?

A partir desse entendimento quero apresentar a seguir duas questões para refletirmos.

a) Quem deve pregar o Evangelho?

Vamos ler Atos 10.1-6.

O que podemos afirmar? Anjos não pregam o evangelho! O anjo apenas entregou o endereço de Pedro. Ele foi o “Google Maps” de Cornélio.

Agora voltemos apenas um capítulo e vamos ler Atos 9.1-6.

Não é impressionante? Jesus glorificado apareceu a Saulo no meio de uma luz tão intensa que o derrubou do cavalo. Falou firme com ele, deixou-o cego, mas não lhe pregou o evangelho! Disse apenas que ele deveria entrar na cidade, porque lá lhe diriam o que fazer.

No caso de Saulo foi Ananias, um superconhecido (para nós) habitante de Damasco, quem pregou para ele e o batizou nas águas (Atos 9.17-19).

O que podemos concluir dessas duas situações? Somente seres humanos pregam o evan­gelho! Nem anjos, e nem mesmo Jesus glorificado farão isso.

b) A pregação do Evangelho é tarefa delegada apenas aos “especialistas”?

Irmãos, eu confesso que, por muitos anos, aceitei esse engano do diabo. Eu sou tímido, e se tornou muito conveniente para mim acreditar que a pregação do evangelho teria sido delegada apenas aos evangelistas.

E evangelista, como todos nós sabemos, é um dom dado por Deus a quem ele quer. Como eu não tinha vontade de pregar o evangelho, era razoável – e até conveniente, como disse – concluir que Deus não tinha me dado esse dom e, portanto, eu não precisava pregar!

Alguém aqui já pensou assim?

De onde vem esse equívoco? Talvez de uma interpretação errada de Efésios 4. Vamos abrir e ler alguns versículos (7 e 8, 11 e 12). Observe que:

  • Os versos 7 e 8 afirmam que Jesus concede dons aos homens;
  • O versos 11 fornece uma relação dos dons concedidos por ele. Se o tema que está sendo tratado terminasse aqui poderíamos até pensar que pregar o evangelho é corresponsabilizador apenas dos evangelistas;
  • Mas observe agora o versos 12: ele declara qual é a atuação desses “homens-dons”.

A Bíblia deixa claro que a tarefa desses homens é instruir e treinar os santos (ou seja, todos os discípulos) para que todos desempenhem o seu próprio serviço. E, conforme está escrito, o serviço de todos os discípulos é a edificação da igreja.

Por isso…

  1. Os pastores e mestres não são os únicos a pastorear e ensinar. Sim, eles pastoreiam e ensinam, é claro, mas eles também ensinam outros a fazerem o mesmo. O que é o discipulado? É um nível de pastoreamento de vidas! E os discipulados devem ensinar os discípulos a praticarem a vontade de Deus no dia-a-dia, de acordo com a ordem de Jesus (Mt 28.20). Então, os discipulados pastoreiam e ensinam e eles não precisam ser, necessariamente, pastores e mestres;
  2. Outro exemplo: embora existam os profetas, eles não são os únicos na igreja que profetizam. Na 1ª carta aos Coríntios, no capítulo 14, Paulo deixa claro que todos podem profetizar, para todos aprenderem e serem consolados (1 Co. 14.31);
  3. Da mesma maneira, portanto, os evangelistas não são os únicos que evangelizam.

A igreja primitiva viveu isso com muita naturalidade. Anotem a referência de Atos 8.1-4 para ler depois e conferir. Milhares de discípulos, perseguidos por sua fé em Jesus, saíram fugindo por toda parte, mas continuaram pregando o evangelho!

Amados, estamos finalizando esta primeira parte da ministração. Mas, antes de terminar, gostaria que lembrássemos que salvar vidas é o “negócio” do Pai, do Filho e do E. Santo aqui na terra. Eles estão completamente envolvidos e totalmente dedicados a isso. Vamos recordar:

  • O Pai enviou e deu o seu único Filho por amor dos homens, e assumiu o compromisso de salvar todo aquele que invocar o nome de Jesus;
  • Jesus veio e executou a vontade do Pai, sendo obediente até a morte e morte de cruz. Foi ressuscitado e glorificado à direita de Deus Pai e, como disse Pedro às autoridades de Jerusalém, “não há salvação em nenhum outro, porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos” (At. 4.12);
  • E o Santo veio para convencer as pessoas do pecado, da justiça e do juízo de Deus. Veio para convencer o pecador do seu pecado e da necessidade de um Salvador. E apontar Jesus como a única solução, gerando arrependimento e fé no coração das pessoas. E, ainda, para habitar naqueles que se convertem a fim de capacita-los a viver um novo estilo de vida, a contracultura dos céus na terra!

Todo esse grandioso plano que foi elaborado em amor por Deus Pai, executado em sofrimento e dor por Jesus e aplicado ao coração dos homens pelo E. Santo está contido numa semente, o evangelho, e essa semente precisa ser semeada!

Queridos irmãos e irmãs: se um discípulo trata mal a sua esposa, ou a esposa que é discípula desrespeita o seu marido, o normal é o coração daquele que cometeu o erro ficar pesado e um dos dois vai pedir perdão e buscar a reconciliação. Não é dessa forma, casais?

É assim que acontece quando pecamos. Seja mentira, ou ira, ou gritaria, ou impureza, ou outro pecado: o coração pesa, porque o E. Santo nos convence da nossa transgressão!

Agora, pensem bem: muitos de nós não estamos pregando o evangelho – embora seja uma ordem explícita de Jesus – e, na maioria das vezes, o coração nem fica pesado! Vocês entendem?

Será que nos acostumamos a pecar e o nosso coração se endureceu? Não estaríamos dando desculpas para fazer a nossa própria vontade e não a de Jesus? Se este for o caso, trata-se de algo grave, muito grave! Em 2 Coríntios 5.15 está escrito:

Ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.

Hoje é um dia de arrependimento. Precisamos nos arrepender de todo coração por não estarmos obedecendo ao nosso Senhor, aquele que é a máxima autoridade em nossas vidas, como aqueles 2 homens do nosso exemplo são em seus respectivos países.

Convido cada um para um tempo de reflexão e oração agora. Deixe o E. Santo falar e ouça com atenção. É muito importante que nossa alma esteja aquietada.

  • Talvez alguns de nós aqui precisemos pedir perdão ao Espírito Santo por endurecermos o coração à voz dele: tantas vezes falou no nosso íntimo apontando alguém com quem deveríamos compartilhar a fé e tantas vezes demos desculpas e desobedecemos;
  • Pode ser que outros de nós precisemos pedir perdão a Jesus, por termos nos envergonhado de falar dele para outras pessoas;
  • Ou ainda, pode ser que tenhamos que pedir perdão por outras situações que o E. Santo apontar, relacionadas à pregação do evangelho.

Vamos orar! Não tenha pressa. No início, de forma individual. Usaremos dois a três minutos para isso.

Espírito do Senhor, fale conosco! Veja se há em nós algum caminho mal. Convence o nosso coração de pecado: se temos sido rebeldes à tua voz, se temos nos envergonhado de Jesus, o Amado de nossas almas, ou outra situação que queiras nos mostrar. Por favor, tenha liberdade para falar. Nos ajuda a te ouvir com reverência e santo temor. E nos leva ao verdadeiro arrependimento, à mudança de atitude e a novas práticas.

(Após o tempo de reflexão e oração individual: lembrar 1 João 1.8-9. Confessamos ao Senhor e somos perdoados!).

Agora vamos nos juntar de 2 em 2 para praticarmos Tiago 5.16: confessarmos uns aos outros como estávamos desobedecendo ao E. Santo em relação à pregação do Evangelho. Uma confissão simples, direta, sem rodeios, sem justificativas. Esta é uma confissão para sermos sarados, conforme está escrito. Confessamos ao Senhor e recebemos perdão. Agora confessamos uns aos outros, e oramos uns pelos outros, para recebermos cura de nossas práticas de desobediência.

Este texto continua na parte 2: Leia aqui

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