{"id":92,"date":"2015-04-02T19:26:26","date_gmt":"2015-04-02T19:26:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=92"},"modified":"2015-04-02T19:26:26","modified_gmt":"2015-04-02T19:26:26","slug":"capitulo-13-moises-manda-explorar-a-terra-de-canaa-murmuracao-e-sedicao-do-povo-por-causa-do-relatorio-que-lhes-foi-feito-josue-e-calebe-falam-generosamente-de-canaa-moises-da-parte-de-deus-anu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-13-moises-manda-explorar-a-terra-de-canaa-murmuracao-e-sedicao-do-povo-por-causa-do-relatorio-que-lhes-foi-feito-josue-e-calebe-falam-generosamente-de-canaa-moises-da-parte-de-deus-anu\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 13 &#8211; Mois\u00e9s manda explorar a terra de Cana\u00e3. Murmura\u00e7\u00e3o e sedi\u00e7\u00e3o do povo por causa do relat\u00f3rio que lhes foi feito. Josu\u00e9 e Calebe falam generosamente de Cana\u00e3. Mois\u00e9s, da parte de Deus, anuncia-lhes que, como castigo pelo pecado, eles n\u00e3o entrariam na terra que Ele lhes havia prometido, mas que somente os seus filhos a possuiriam. Louvor de Mois\u00e9s, a extrema venera\u00e7\u00e3o em que sempre viveu e como ainda \u00e9 venerado."},"content":{"rendered":"<p><em>N\u00fameros 13 e 14. <\/em>Mois\u00e9s levou em seguida o ex\u00e9rcito para as fronteiras dos cananeus, a um lugar chamado Para, onde \u00e9 dif\u00edcil morar, e ali falou a todo o povo, desta maneira: &#8220;Deus, pela sua extrema bondade para convosco, prome\u00adteu-vos a liberdade, terra abundante e toda esp\u00e9cie de bens. Agora desfrutareis uma e logo outra, pois acabamos de chegar \u00e0 fronteira dos cananeus, dos quais nem os reis, nem as cidades, nem todas as for\u00e7as unidas juntamente nos poder\u00e3o impedir o usufruto do efeito de suas promessas. Preparai-vos, portanto, para combater generosamente, pois n\u00e3o ser\u00e1 sem luta que vos abandonar\u00e3o esse rico pa\u00eds. Mas n\u00f3s o possuiremos contra a vontade deles, depois de os termos venci\u00addo. Precisamos come\u00e7ar por mandar algu\u00e9m verificar a fertilidade da terra e a for\u00e7a dos que nela habitam. E necessitamos, principalmente, nos unirmos todos, mais do que nunca, e prestarmos a Deus a honra que lhe devemos, a fim de que Ele seja o nosso protetor e o nosso aux\u00edlio&#8221;.<\/p>\n<p>O povo enalteceu bastante essas propostas e escolheu doze dos mais impor\u00adtantes entre eles, um de cada tribo, para ir explorar o pa\u00eds dos cananeus, a Come\u00e7ar do lado que limita com o Egito, continuando at\u00e9 a cidade de Hamate e o monte L\u00edbano. Empregaram quarenta dias nessa viagem e, depois de considera\u00adrem bastante a natureza do pa\u00eds e de estarem muito particularmente informados da maneira de viver dos seus habitantes, fizeram uma rela\u00e7\u00e3o do que tinham visto e trouxeram frutos daquela terra, cujo tamanho e beleza animaram o povo a conquist\u00e1-la. Mas, ao mesmo tempo, todos esses enviados, exceto dois, desa\u00adnimaram o povo pela dificuldade da empresa, dizendo que era necess\u00e1rio atra\u00advessar grandes rios, muito profundos, escalar montanhas quase inacess\u00edveis, ata\u00adcar cidades muito fortes e poderosas, combater os gigantes com se haviam de\u00adparado em Hebrom e que nada haviam encontrado de t\u00e3o tem\u00edvel depois de haverem sa\u00eddo do Egito.<\/p>\n<p>O medo desses homens passou assim do seu esp\u00edrito para o do povo, que perdeu a esperan\u00e7a de obter um feliz resultado em t\u00e3o dif\u00edcil empreendimento. E ent\u00e3o voltaram \u00e0s suas tendas, com as suas mulheres e filhos, para lastimar a sua desgra\u00e7a. O sofrimento e o des\u00e2nimo levou-os mesmo a dizer que Deus lhes fazia muitas promessas, mas que n\u00e3o viam os resultados. Insurgiram-se ainda contra Mois\u00e9s e passaram toda a noite a clamar contra ele e contra Ar\u00e3o. E, logo que raiou o dia, reuniram-se tumultuosamente, com o intento de apedrej\u00e1-los e de voltar para o Egito.<\/p>\n<p>Josu\u00e9, filho de Num, da tribo de Efraim, e Calebe, da tribo de Jud\u00e1, que eram dois dos doze que haviam ido fazer o reconhecimento, vendo aquela desordem e temen\u00addo as conseq\u00fc\u00eancias, disseram-lhes que n\u00e3o deviam perder a esperan\u00e7a, nem acusar a Deus de ser infiel \u00e0s suas promessas e nem prestar f\u00e9 aos v\u00e3os temores de que ouviram falar, representando as coisas muito diferentes do que eram na realidade, mas deviam acreditar na palavra deles e segui-los para a conquista daquela terra t\u00e3o f\u00e9rtil; que se ofereciam para servir-lhes de guia naquela gloriosa empresa; que n\u00e3o viam nisso tantas dificuldades como lhes haviam dito: as montanhas n\u00e3o eram t\u00e3o altas nem aqueles rios t\u00e3o profundos que pudessem arrefecer nos homens a cora\u00adgem; e que nada tinham a temer, pois Deus se manifestava em favor deles e queria combater por eles. &#8220;Marchai, pois, sem temor&#8221;, acrescentaram, &#8220;na certeza de seu aux\u00edlio, e segui-nos para onde estamos prontos a vos levar!&#8221;<\/p>\n<p>Enquanto esses dois verdadeiros e generosos israelitas assim falavam, para procurar acalmar a multid\u00e3o t\u00e3o revoltada, Mois\u00e9s e Ar\u00e3o, prostrados por terra, rogavam a Deus n\u00e3o que os livrasse do furor do povo, mas que tivesse piedade da loucura daquela gente e lhes acalmasse os esp\u00edritos perturbados pelas necessidades presentes e por v\u00e3s apreens\u00f5es para o futuro. A ora\u00e7\u00e3o foi ouvida, e viu-se uma nuvem cobrir todo o Tabern\u00e1culo, sinal de que Deus o enchia com a sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Mois\u00e9s, ent\u00e3o, cheio de confian\u00e7a, apresentou-se ao povo e disse-lhes que Deus estava resolvido a castig\u00e1-los, n\u00e3o tanto quanto eles o mereciam, mas do modo como o bom pai castiga os seus filhos. &#8220;Pois&#8221;, acrescentou, &#8220;tendo en\u00adtrado no Tabern\u00e1culo para pedir-lhe com l\u00e1grimas que n\u00e3o vos exterminasse, Ele me fez ver os benef\u00edcios com que j\u00e1 vos presenteou, bem como a vossa extrema ingratid\u00e3o e a ofensa que lhe fazeis em prestar mais f\u00e9 a falsas refer\u00ean\u00adcias que \u00e0s suas promessas. No entanto garantiu-me que, por vos ter escolhido dentre todas as na\u00e7\u00f5es para serdes o seu povo, n\u00e3o vos destruir\u00e1 inteiramente, mas, para castigo de vosso pecado, n\u00e3o possuireis a terra de Cana\u00e3, nem desfrutareis a do\u00e7ura e a abund\u00e2ncia de seus frutos, e andareis errantes durante quarenta anos pelo deserto, sem ter casa nem cidades, o que n\u00e3o impedir\u00e1 que Ele d\u00ea a vossos filhos a posse do pa\u00eds e dos bens que vos prometeu e dos quais vos tornastes indignos por vossa murmura\u00e7\u00e3o e desobedi\u00eancia&#8221;.<\/p>\n<p>Essas palavras encheram o povo de espanto e de profunda tristeza. Rogaram a Mois\u00e9s que fosse o seu intercessor junto a Deus, para que Ele se dignasse es\u00adquecer-lhes a falta e cumprisse as suas promessas. Ele respondeu-lhes que n\u00e3o deviam esperar que a sua soberana Majestade se deixasse comover pelos seus rogos, porque n\u00e3o fora por transporte de c\u00f3lera ou por leviandade, como os homens, mas por ato de justi\u00e7a e de vontade deliberada que Deus havia pronun\u00adciado contra eles aquela senten\u00e7a.<\/p>\n<p>Ainda que pare\u00e7a incr\u00edvel que um s\u00f3 homem tenha podido acalmar num momento uma quase incont\u00e1vel multid\u00e3o de homens, no mais forte de sua agi\u00adta\u00e7\u00e3o e revolta, n\u00e3o h\u00e1 motivo para admira\u00e7\u00e3o, porque Deus, que sempre assis\u00adtia Mois\u00e9s, lhes havia preparado o cora\u00e7\u00e3o para deixar-se persuadir por aquelas palavras, e porque j\u00e1 haviam experimentado muitas vezes, no meio de tanta infelicidade que os afligiu, castigos pela incredulidade e desobedi\u00eancia. Mas que maior sinal se pode desejar da eminente virtude desse admir\u00e1vel legislador e da maravilhosa autoridade que conquistou do que ver que n\u00e3o somente aqueles que viviam no seu tempo, mas toda a sua posteridade o tem em venera\u00e7\u00e3o? Tanto \u00e9 que, ainda hoje, n\u00e3o se v\u00ea entre os hebreus quem n\u00e3o se julgue obrigado a observar com exatid\u00e3o as suas ordens ou que n\u00e3o o considere presente e pres\u00adtes a castiaar quem as infringir.<\/p>\n<p>Dentre v\u00e1rias outras provas dessa autoridade mais que humana por ele adquirida, eis aqui uma, que me parece muito importante. Pessoas que ti\u00adnham vindo das prov\u00edncias de al\u00e9m do Eufrates para visitar o nosso Templo e nele oferecer os seus sacrif\u00edcios, tendo caminhado com grande perigo durante quatro meses, com muitas despesas e dificuldades, n\u00e3o puderam conseguir nem mesmo uma parte pequenina dos animais que ofereceram em holocausto, pois a nossa lei n\u00e3o o permite, por certas raz\u00f5es. Outras n\u00e3o puderam obter a licen\u00e7a para sacrificar. Outras ainda foram obrigadas a deixar os seus sacrif\u00edcios incompletos. E outras, por fim, n\u00e3o puderam se\u00adquer entrar no Templo. No entanto n\u00e3o se julgaram ofendidas e nem fize\u00adram a menor queixa, preferindo obedecer \u00e0s leis estabelecidas por esse gran\u00adde personagem a satisfazer os pr\u00f3prios desejos. Essas pessoas foram levadas a tal submiss\u00e3o unicamente pela admira\u00e7\u00e3o \u00e0 virtude de Mois\u00e9s, porque, persuadidos de que ele recebera essas leis do pr\u00f3prio Deus, consideravam-no mais que um homem.<\/p>\n<p>E, n\u00e3o h\u00e1 muito tempo, pouco antes da guerra dos judeus, sob o reinado do imperador Cl\u00e1udio, quando Ismael era sumo sacerdote, a Jud\u00e9ia foi flagelada por uma grande carestia \u2014 uma medida de farinha era vendida por quatro dracmas. Levou-se, para a festa dos Asmos, setenta medidas, que perfazem trinta e um medins sicilianos e quarenta e um medins \u00e1ticos, sem que nenhum dos sacerdo\u00adtes, embora atormentados pela fome, ousasse tocar naquilo para comer, de tan\u00adto que temiam faltar \u00e0 Lei e atrair sobre si a c\u00f3lera de Deus, que castiga t\u00e3o severamente os pecados, mesmo os ocultos.<\/p>\n<p>Quem se admirar\u00e1, ent\u00e3o, de que Mois\u00e9s tenha feito coisas t\u00e3o extraordi\u00adn\u00e1rias, se depois de tantos s\u00e9culos e ainda hoje vemos, no que deixou escrito, tal autoridade que mesmo os nossos inimigos s\u00e3o obrigados a reconhecer que foi o pr\u00f3prio Deus quem, por meio dele, outorgou aos homens uma regra de vida t\u00e3o perfeita e se serviu de seu admir\u00e1vel proceder para fazer com que a recebessem? Todavia deixo a cada qual que julgue como lhe aprouver.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00fameros 13 e 14. Mois\u00e9s levou em seguida o ex\u00e9rcito para as fronteiras dos cananeus, a um lugar chamado Para, onde \u00e9 dif\u00edcil morar, e ali falou a todo o povo, desta maneira: &#8220;Deus, pela sua extrema bondade para convosco, prome\u00adteu-vos a liberdade, terra abundante e toda esp\u00e9cie de bens. 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