{"id":910,"date":"2015-04-03T12:44:32","date_gmt":"2015-04-03T12:44:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=910"},"modified":"2015-04-03T12:44:32","modified_gmt":"2015-04-03T12:44:32","slug":"capitulo-13-descricao-da-cidade-de-jerusalem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-13-descricao-da-cidade-de-jerusalem\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 13 &#8211; Descri\u00e7\u00e3o da cidade de Jerusal\u00e9m."},"content":{"rendered":"<p>A cidade de Jerusal\u00e9m estava cercada por um tr\u00edplice muro, exceto do lado dos vales, onde havia somente um, porque ali eles s\u00e3o inacess\u00edveis. Estava constru\u00edda sobre dois montes opostos e separados por um vale cheio de casas. O monte sobre o qual a cidade alta estava situada era muito mais elevado e mais \u00edngreme que o outro e, por conseguinte, de posi\u00e7\u00e3o mais forte; o rei Davi, pai de Salom\u00e3o, que construiu o Templo, escolheu-o para ali erguer uma fortaleza, \u00e0 qual deu seu nome. \u00c9 o que chamamos hoje o alto mercado.<\/p>\n<p>A cidade baixa est\u00e1 situada sobre o outro monte, que tem o nome de Acra, cuja inclina\u00e7\u00e3o \u00e9 igual de todos os lados. Havia outrora ali, em frente desse mon\u00adte, um outro mais baixo, que dele estava separado por um largo vale; mas os pr\u00edncipes hasmoneus mandaram encher esse vale e arrasar o cume do monte Acra, para unir a cidade ao Templo, a fim de que ficasse mais alto que tudo, em derredor.<\/p>\n<p>Quanto ao vale chamado Tiropeom, que dissemos separar a cidade alta da baixa, estendia-se at\u00e9 a fonte de Silo\u00e9, cuja \u00e1gua \u00e9 excelente para se beber e a produz em abund\u00e2ncia.<\/p>\n<p>H\u00e1 fora da cidade dois outros montes, que os rochedos, juntamente com os vales profundos que os rodeiam, tornam inteiramente inacess\u00edveis.<\/p>\n<p>O mais antigo dos tr\u00eas muros de que acabo de falar era inexpugn\u00e1vel, quer pela grande espessura, quer pela altura do monte sobre o qual estava constru\u00eddo e pela profundidade dos vales que lhe estavam aos p\u00e9s; Davi, Salom\u00e3o e os ou\u00adtros reis nada haviam poupado para p\u00f4-lo naquelas condi\u00e7\u00f5es. Come\u00e7ava na torre de H\u00edpicos, continuava at\u00e9 a das galerias e de l\u00e1 se uniria ao pal\u00e1cio onde o Senado se reunia e terminava no p\u00f3rtico do Templo que est\u00e1 do lado do ociden\u00adte. Do outro lado tamb\u00e9m, do lado do ocidente, come\u00e7ava naquela mesma torre e passando pelo lugar chamado Betso, continuava at\u00e9 a porta dos ess\u00eanios. De l\u00e1, voltando-se para o sul, passava por baixo da fonte de Silo\u00e9, de onde se voltava para o oriente, para alcan\u00e7ar o lago de Salom\u00e3o e passando pelo lugar chamado Oflam, ia terminar no p\u00f3rtico do Templo, que est\u00e1 do lado do oriente.<\/p>\n<p>O segundo muro come\u00e7ava na porta de Cenn\u00e1 que fazia parte do primeiro muro, ia at\u00e9 a fortaleza Ant\u00f4nia e s\u00f3 ficava do lado do norte.<\/p>\n<p>O terceiro muro come\u00e7ava na torre de H\u00edpicos, estendia-se do lado do vento norte at\u00e9 a torre Psefina, em frente ao sepulcro de Helena, rainha dos adiabenianos e m\u00e3e do rei Izate; continuava ao longo das cavernas reais, desde a torre que estava no \u00e2ngulo, onde, fazendo uma curva ia at\u00e9 em frente ao sepulcro do pisoeiro; depois de ter alcan\u00e7ado o muro antigo, terminava no vale do Cedrom. Esse muro era obra do rei Agripa, que o fizera, para cercar aquela parte da cidade onde outrora n\u00e3o havia edif\u00edcios; mas como as casas antigas n\u00e3o eram suficientes para alojar uma quantidade t\u00e3o grande de gente, ela se havia espalhado pouco a pouco para fora e muito se havia constru\u00eddo do lado setentrional do Templo, que est\u00e1 perto do monte.<\/p>\n<p>Um quarto monte chamado Beseta, que est\u00e1 em frente da fortaleza Ant\u00f4nia, j\u00e1 come\u00e7ava tamb\u00e9m a ser habitado; fossos muito profundos, feitos em redor, que impediam que se pudesse passar a p\u00e9, da torre Ant\u00f4nia, acrescentavam muito \u00e0 sua for\u00e7a e faziam parecer aquelas torres muito mais altas.<\/p>\n<p>Haviam dado o nome de Beseta, isto \u00e9, cidade nova, a esta parte da cidade de que Jerusal\u00e9m fora aumentada e os habitantes desejavam muito que ela se forti\u00adficasse ainda naquele lugar. O rei Agripa, pai do rei Agripa, come\u00e7ou, como vimos, por rode\u00e1-la de uma muralha muito forte, mas temendo que t\u00e3o grande obra causasse suspeitas ao imperador Cl\u00e1udio e que ele o atribu\u00edsse a alguma inten\u00e7\u00e3o de revolta, contentou-se em lhe lan\u00e7ar apenas os alicerces. E se o tivesse terminado, como havia come\u00e7ado, Jerusal\u00e9m teria sido inexpugn\u00e1vel; as pedras desse muro tinham vinte c\u00f4vados de comprimento, por dois de largura, o que o tornava t\u00e3o forte que era imposs\u00edvel derrub\u00e1-lo, mover-lhe os alicerces, nem mesmo abal\u00e1-lo com m\u00e1quinas. Sua espessura era de dez c\u00f4vados e sua altura teria correspondido \u00e0 largura, se a considera\u00e7\u00e3o que acabo de fazer n\u00e3o se tives\u00adse oposto \u00e0 magnific\u00eancia desse pr\u00edncipe. Os judeus depois ergueram esse muro at\u00e9 a altura de vinte c\u00f4vados com ameias, acima de dois c\u00f4vados e parapeitos, que tinham tr\u00eas. Assim sua altura era de vinte e cinco c\u00f4vados e era fortificado com torres de vinte c\u00f4vados quadrados, t\u00e3o solidamente constru\u00eddas como o muro e cuja estrutura bem como a beleza das pedras n\u00e3o era inferior \u00e0 do Tem\u00adplo. As torres eram mais altas vinte c\u00f4vados que os muros; l\u00e1 se subia por meio de degraus muito largos; dentro estavam aposentos e reservat\u00f3rios para receber a \u00e1gua da chuva. Havia noventa torres feitas desse modo, distantes umas das outras duzentos c\u00f4vados. O muro do meio tinha s\u00f3 quatorze torres, o antigo, tinha sessenta e todo o per\u00edmetro da cidade era de trinta e tr\u00eas est\u00e1dios.<\/p>\n<p>Embora todo esse terceiro muro fosse t\u00e3o admir\u00e1vel, a torre Psefina, constru\u00edda no \u00e2ngulo do muro que visava de um lado o norte, do outro, o ocidente, e em frente \u00e0 qual Tito havia estabelecido seu acampamento, superava a todos em beleza. Sua forma era ortogonal, sua altura, de setenta c\u00f4vados, e quando o sol havia despontado, de l\u00e1 se podia ver a Ar\u00e1bia, o mar e at\u00e9 as fronteiras da Jud\u00e9ia.<\/p>\n<p>Em frente dessa torre estava a de H\u00edpicos e muito perto de l\u00e1, ainda duas outras, que o rei Herodes, o Grande, tinha tamb\u00e9m elevado sobre o muro antigo, cuja beleza e for\u00e7a eram t\u00e3o extraordin\u00e1rias que n\u00e3o havia outra no mundo, que com ela pudesse se comparar; porque, al\u00e9m da grande magnific\u00eancia desse pr\u00edncipe e do seu afeto por Jerusal\u00e9m, ele queria por meio dessa obra maravilhosa eternizar a mem\u00f3ria de tr\u00eas pessoas que lhe tinham sido t\u00e3o caras: um amigo e um irm\u00e3o, mortos na guerra, depois de ter praticado atos her\u00f3icos de valor, e uma mulher, que havia amado muito e que ele mesmo a tinha assassinado pelo seu excesso de paix\u00e3o por ela. Assim, querendo lhes dar o nome a essas tr\u00eas soberbas torres, \u00e0 primeira chamou H\u00edpicos, seu amigo. Ela tinha quatro faces, de vinte e cinco c\u00f4vados cada uma, de largura, e trinta de altura; era maci\u00e7a, por dentro. A parte superior era feita em forma de terra\u00e7o de pedras bem talhadas, todas iguais e bem unidas, com um po\u00e7o no meio, de vinte c\u00f4vados de profundidade, para receber a \u00e1gua que ca\u00eda do c\u00e9u. Sobre esse terra\u00e7o havia um edif\u00edcio de dois andares de vinte e cinco c\u00f4vados de altura cada um, dividido em diversos aposentos, com ameias em redor, de dois c\u00f4vados de altura, e parapeitos altos, de tr\u00eas c\u00f4vados. Assim, toda a altura dessa torre era de oitenta e cinco c\u00f4vados.<\/p>\n<p>Esse grande pr\u00edncipe chamou a segunda dessas torres, de Fazaela, do nome de seu irm\u00e3o, Fazael. Era quadrada: cada um dos seus lados tinha quarenta c\u00f4vados de comprimento e outros tantos de altura e era tamb\u00e9m maci\u00e7a por dentro. Havia em cima uma esp\u00e9cie de vest\u00edbulo de dez c\u00f4vados de altura, sustentado por arcobotantes e rodeado de pequenas torres. Do meio desse vest\u00edbulo eleva\u00adva-se uma torre, na qual estavam aposentos e banheiros, t\u00e3o ricos que em toda parte brilhava magnific\u00eancia real; o alto da torre era tamb\u00e9m fortificado com ameias e parapeitos. Assim sua altura total era de noventa c\u00f4vados. Sua forma parecia-se com a do farol de Alexandria, onde uma luz sempre acesa serve de aviso aos marinheiros, para que n\u00e3o batam nos rochedos que lhes poderiam causar naufr\u00e1gio; mas esta era mais espa\u00e7osa que a outra; nesse soberbo aposen\u00adto Sim\u00e3o tinha estabelecido a sede de seu governo tir\u00e2nico.<\/p>\n<p>Herodes deu \u00e0 terceira torre o nome da rainha Mariana, sua mulher. Tinha vinte c\u00f4vados de comprimento, outro tanto de largura e cinq\u00fcenta e cinco de altura. Por mais suntuosos que fossem os aposentos das duas outras, n\u00e3o se po\u00addiam comparar com os desta, porque o soberano quis que, aquelas que tinham o nome de dois homens, fossem muito mais fortes, e esta terceira, que tinha o de uma mulher e de uma t\u00e3o grande princesa, as superasse de muito em beleza e em riqueza de ornamentos.<\/p>\n<p>As tr\u00eas torres eram muito altas, por si mesmas, mas sua posi\u00e7\u00e3o as fazia pare\u00adcer ainda mais altas, porque estavam constru\u00eddas sobre o v\u00e9rtice do monte, que era mais alto trinta c\u00f4vados que o antigo muro, embora esse muro fosse constru\u00eddo sobre um lugar muito alto. Se elas eram admir\u00e1veis pela sua forma, n\u00e3o o eram menos pela sua mat\u00e9ria; n\u00e3o eram pedras ordin\u00e1rias e comuns que os homens podem mover, mas eram pe\u00e7as de m\u00e1rmore branco de vinte c\u00f4vados de compri\u00admento, por dez de largura e cinco de altura, t\u00e3o bem talhadas e unidas que n\u00e3o se notavam as liga\u00e7\u00f5es, e cada uma delas parecia apenas uma pe\u00e7a.<\/p>\n<p>Do lado do norte, um pal\u00e1cio real unia essas torres e superava em magnific\u00eancia e em beleza tudo o que se poderia dizer, tanto sua estrutura e sua suntuosidade pareciam lutar \u00e0 porfia, para torn\u00e1-lo mais admir\u00e1vel. Um muro de trinta c\u00f4vados de altura rodeava-o com torres igualmente distantes e de excelente arquitetura. Seus aposentos eram t\u00e3o soberbos que as salas destinadas aos banquetes podiam conter cem daqueles leitos, que se p\u00f5em \u00e0 mesa. A variedade dos m\u00e1rmores e das raridades que l\u00e1 se haviam reunido era incr\u00edvel. N\u00e3o se podia ver sem espanto o comprimento e a grossura das vigas de madeira que sustentavam o peso de t\u00e3o maravilhoso edif\u00edcio. O ouro e a prata brilhavam por toda a parte, nos ornatos das paredes e na riqueza dos m\u00f3veis. Havia um c\u00edrculo de p\u00f3rticos sustentados por colunas de rara beleza e nada poderia ser mais agrad\u00e1vel que os espa\u00e7os descober\u00adtos que estavam entre esses p\u00f3rticos, porque estavam cheios de diversas plantas, belos jardins, passeios, sal\u00f5es muito claros, fontes que jorravam \u00e1gua l\u00edmpida de figuras de bronze; em derredor dessas fontes, havia viveiros de pombos e outros p\u00e1ssaros. Eu tentaria inutilmente descrever em toda a sua perfei\u00e7\u00e3o a incr\u00edvel magnific\u00eancia desses soberbos edif\u00edcios e de todos os detalhes que os tornavam t\u00e3o deliciosos qu\u00e3o admir\u00e1veis. As palavras seriam insuficientes e eu n\u00e3o poderia, sem ter o cora\u00e7\u00e3o ferido de dor, pensar que todos foram reduzidos a cinzas, n\u00e3o pelos romanos, mas pelas chamas criminosas daquele fogo aceso desde o princ\u00ed\u00adpio de nossa cis\u00e3o, por celerados e traidores de sua p\u00e1tria. Um outro inc\u00eandio consumou do mesmo modo tudo o que estava perto da fortaleza Ant\u00f4nia, passou ao pal\u00e1cio e queimou o teto dessas tr\u00eas admir\u00e1veis torres.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cidade de Jerusal\u00e9m estava cercada por um tr\u00edplice muro, exceto do lado dos vales, onde havia somente um, porque ali eles s\u00e3o inacess\u00edveis. Estava constru\u00edda sobre dois montes opostos e separados por um vale cheio de casas. 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