{"id":839,"date":"2015-04-03T12:32:36","date_gmt":"2015-04-03T12:32:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=839"},"modified":"2015-04-03T12:32:36","modified_gmt":"2015-04-03T12:32:36","slug":"capitulo-20-os-idumeus-tendo-sido-informados-da-maldade-dos-zelotes-e-tendo-horror-das-suas-incriveis-crueldades-retiram-se-para-o-seu-pais-os-zelotes-duplicam-ainda-sua-crueldade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-20-os-idumeus-tendo-sido-informados-da-maldade-dos-zelotes-e-tendo-horror-das-suas-incriveis-crueldades-retiram-se-para-o-seu-pais-os-zelotes-duplicam-ainda-sua-crueldade\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 20 &#8211; Os idumeus, tendo sido informados da maldade dos zelotes e tendo horror das suas incr\u00edveis crueldades, retiram-se para o seu pa\u00eds; os zelotes duplicam ainda sua crueldade."},"content":{"rendered":"<p>Os idumeus, n\u00e3o podendo aprovar tantos excessos horr\u00edveis, come\u00e7aram a se arrepender de ter vindo. Um dos zelotes advertiu-os secretamente de tudo o que acontecia. Disse-lhes que era verdade que eles tinham tomado as armas porque lhes haviam feito crer que os habitantes queriam entregar a cidade aos romanos; mas que n\u00e3o se havia encontrado a menor prova dessa pretensa trai\u00e7\u00e3o e que aqueles que queriam passar por defensores da liberda\u00adde, tendo ateado o fogo da guerra civil, exerciam tal tirania, que seria para se desejar que eles tivessem sido contidos desde o come\u00e7o. Mas, como se havi\u00adam entregue com eles a tais crimes, seria pelo menos necess\u00e1rio procurar um fim a tantos males e n\u00e3o fortalecer \u00e0queles que tinham determinado subver\u00adter todas as leis de seus antepassados; que a morte de Anano e a de um t\u00e3o grande n\u00famero de homens do povo, executados numa \u00fanica noite, os havia vingado plenamente, porque eles tinham sido sitiados no Templo; que v\u00e1rios, mesmo dentre eles, vendo a que horr\u00edveis excessos se entregavam aqueles que os haviam impelido \u00e0 guerra e que n\u00e3o tinham mesmo vergonha de comet\u00ea-los mesmo na presen\u00e7a dos idumeus, seus libertadores, arrependi\u00adam-se de os ter seguido e censuravam os idumeus por toler\u00e1-los, em vez de os abandonar; e assim, pois que constava que aquele pretensa combina\u00e7\u00e3o com os romanos era mera suposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o havia presentemente nada que te\u00admer de sua parte e Jerusal\u00e9m era inexpugn\u00e1vel, a n\u00e3o ser que fosse dividida por dissens\u00f5es dom\u00e9sticas, eles nada melhor podiam fazer do que regressar, para mostrar a todos, separando-se daqueles malvados, que eles n\u00e3o queriam tomar parte em seus crimes, e que se n\u00e3o os tivessem enganado, eles n\u00e3o teriam vindo em seu aux\u00edlio. As palavras e as raz\u00f5es desse zelote persuadiram os idumeus e eles resolveram regressar, come\u00e7ando por dar liberdade a dois mil habitantes que se uniram a Sim\u00e3o, do que falaremos em seguida.<\/p>\n<p>T\u00e3o inesperada partida, que surpreendeu igualmente os zelotes e os habitantes, causou o mesmo efeito em seu esp\u00edrito, embora seus senti\u00admentos fossem contr\u00e1rios. Uns e outros alegraram-se: os habitantes, por\u00adque n\u00e3o conheciam o arrependimento dos idumeus por terem vindo; o afas\u00adtamento deles, que sempre eram considerados como inimigos, dava-lhes um pouco de coragem; e os zelotes, que julgavam n\u00e3o ter mais necessidade do socorro dos idumeus, consideravam-se livres da obriga\u00e7\u00e3o de agir por causa deles, com certa precau\u00e7\u00e3o e numa tal liberdade de cometer de ali por diante com desenfreada liberdade, todos os crimes que sua raiva lhes inspirava. Assim n\u00e3o conservaram mais medida alguma; n\u00e3o tomaram mais nenhuma delibera\u00e7\u00e3o em seus conselhos, suas m\u00e3os seguiam no mesmo instante o movimento de seu esp\u00edrito e por mais detest\u00e1vel que fosse uma resolu\u00e7\u00e3o, apenas era imaginada, logo em seguida, sem mais, tamb\u00e9m exe\u00adcutada.<\/p>\n<p>Como as pessoas mais generosas e da mais ilustre nobreza eram o principal objeto de seu \u00f3dio, come\u00e7aram por eles a encher a cidade nova\u00admente de sangue e crimes, porque sua virtude lhes causava temor e eles n\u00e3o podiam ver sem inveja o brilho de sua ilustre origem, nem se julgar em seguran\u00e7a, enquanto alguns deles vivessem. Assim, procuraram matar, al\u00e9m de outros, Goriom, cujos m\u00e9ritos o tornavam t\u00e3o ilustre como sua descen\u00add\u00eancia e que n\u00e3o cedia a nenhum outro dos judeus, naquela nobre ousadia que lhe inspirava o amor da liberdade p\u00fablica, o que eles consideravam o maior de todos os crimes. Niger Peraita, que se havia distinguido por tantos feitos de valor na guerra contra os romanos, experimentou tamb\u00e9m os efei\u00adtos da raiva desses homens furiosos. Embora lhes mostrasse as feridas rece\u00adbidas na defesa de sua p\u00e1tria comum e lhes falasse de suas benemer\u00eancias e dos servi\u00e7os prestados, n\u00e3o deixaram de arrast\u00e1-lo vergonhosamente pela cidade. Quando depois de o terem levado para fora das portas, ele viu que n\u00e3o lhe restava mais nenhuma esperan\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o, rogou-lhes que lhe prometessem pelo menos enterr\u00e1-lo. Mas at\u00e9 isso eles recusaram. Ent\u00e3o, antes de morrer sob seus golpes, fez impreca\u00e7\u00f5es contra eles, almejando que os romanos fossem os vingadores do seu sangue e que a carestia, a guerra, a peste e uma divis\u00e3o mortal enchesse a medida dos castigos que merecia a enormidade de seus crimes.<\/p>\n<p>A justi\u00e7a de Deus n\u00e3o tardou mesmo, para fustigar \u00e0queles \u00edmpios sob todos os flagelos e para seu castigo, em lhes mandar estranha divis\u00e3o, que p\u00f4s em seu meio. Depois da morte de Niger, aqueles malvados julgaram nada mais ter a temer e n\u00e3o houve crueldade que eles n\u00e3o exercessem contra o povo; n\u00e3o perdoavam a ningu\u00e9m; consideravam crime capital ter outrora resistido a eles; imaginavam-no, em todos os que permaneciam indiferentes; tratavam como gloriosos os que n\u00e3o lhes vinham fazer a corte e como espi\u00f5es os que a faziam, e a morte era o castigo geral com que puniam, sem distin\u00ad\u00e7\u00e3o, tudo o que lhes aprazia fazer passar por crimes horr\u00edveis e irremiss\u00edveis. Assim, ningu\u00e9m escapava \u00e0 sua crueldade, a n\u00e3o ser os que eram de t\u00e3o desprez\u00edvel condi\u00e7\u00e3o, que eles n\u00e3o julgavam dignos de sua ira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os idumeus, n\u00e3o podendo aprovar tantos excessos horr\u00edveis, come\u00e7aram a se arrepender de ter vindo. Um dos zelotes advertiu-os secretamente de tudo o que acontecia. 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