{"id":825,"date":"2015-04-03T12:26:10","date_gmt":"2015-04-03T12:26:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=825"},"modified":"2015-04-03T12:26:10","modified_gmt":"2015-04-03T12:26:10","slug":"capitulo-13-palavras-do-sumo-sacerdote-anano-ao-povo-que-o-animam-de-tal-modo-que-ele-se-resolve-a-tomar-as-armas-contra-os-zelotes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-13-palavras-do-sumo-sacerdote-anano-ao-povo-que-o-animam-de-tal-modo-que-ele-se-resolve-a-tomar-as-armas-contra-os-zelotes\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 13 &#8211; Palavras do sumo sacerdote Anano ao povo, que o animam de tal modo que ele se resolve a tomar as armas contra os zelotes."},"content":{"rendered":"<p>Por mais irritada, por\u00e9m, que estivesse a multid\u00e3o contra homens t\u00e3o detest\u00e1veis n\u00e3o se resolvia a atac\u00e1-los, porque os julgava muito fortes, e temia n\u00e3o poder faz\u00ea-lo com resultado. Ent\u00e3o o sumo sacerdote Anano, fitando o Templo, com os olhos marejados de l\u00e1grimas, assim lhes falou: &#8220;N\u00e3o devia eu morrer, antes que ver a casa de Deus manchada, com tanta abomina\u00e7\u00e3o e celerados calcarem aos p\u00e9s os santos lugares, que deveriam ser inacess\u00edveis mesmo aos homens de bem? Entretanto, eu o vejo, embora revestido dos h\u00e1bi\u00adtos sacerdotais, embora tenha escrito sobre minha fronte esse nome t\u00e3o santo e t\u00e3o augusto que n\u00e3o \u00e9 permitido proferir e embora nada me possa ser mais glorioso na minha idade do que morrer de dor. Mas, pois que o amor da vida me conserva ainda neste mundo, pelo menos, irei terminar meus dias nalguma solid\u00e3o, onde desabafar-me-ei na presen\u00e7a de Deus. Como permanecer por mais tempo no meio de um povo insens\u00edvel aos males que o oprimem e aos quais n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que se oponha? Sois assaltados e o tolerais. Atiram-vos ofensas e vos calais. Derrama-se na vossa presen\u00e7a o sangue de vossos parentes e de vossos amigos e n\u00e3o ousais demonstrar nem pelo menos com um suspiro, que vosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 confrangido. Houve jamais t\u00e3o cruel tirania? Mas por que me queixar daqueles que a praticam, mais do que de v\u00f3s, pois eles a usur\u00adparam porque tivestes pouca coragem, dispondo-vos a suport\u00e1-la? Quem im\u00adpedia de exterminar esses celerados quando eles eram ainda poucos? N\u00e3o foi devido \u00e0 vossa covardia que eles aumentaram tanto seu n\u00famero? Em vez de tomar as armas para extermin\u00e1-los, v\u00f3s as voltastes contra v\u00f3s mesmos; em vez de reprimir, por primeiro, sua insol\u00eancia e vingar vossos parentes de suas ofen\u00adsas, v\u00f3s permitistes que eles saqueassem impunemente as casas e os animastes em suas roubalheiras. Vendo que nenhum de v\u00f3s se dispunha a lhes fazer fren\u00adte, sua ousadia chegou a levar presos por cadeias, atrav\u00e9s da cidade e a encer\u00adrar numa pris\u00e3o homens ilustres que n\u00e3o haviam sido condenados e nem mes\u00admo acusados; e v\u00f3s tamb\u00e9m o tolerastes. N\u00e3o faltava a esses celerados para satisfazer \u00e0 sua c\u00f3lera que lhes tirar a vida, depois de lhes terem tirado os bens e a liberdade; foi o que os vimos fazer. Eles mataram diante de nossos olhos, como se sacrificam v\u00edtimas, pessoas muito ilustres por sua dignidade e virtude, sem que n\u00e3o somente n\u00e3o tom\u00e1sseis armas para sua defesa, mas nem pelo menos abr\u00edsseis a boca para clamar contra crimes t\u00e3o detest\u00e1veis. Estais pois resolvidos a ficar sempre em t\u00e3o vergonhosa apatia? Vendo, como vedes, pro\u00adfanar as coisas sagradas, conservareis respeito para com esses inimigos declara\u00addos do que merece mais que tudo ser reverenciado, por esses dem\u00f4nios em carne, a quem nada impede cometer crimes ainda maiores, do que aqueles que, no auge da impiedade eles n\u00e3o poderiam cometer? Ocupando o Templo, eles ocuparam o lugar mais forte da cidade e ao qual o sagrado nome que tem, n\u00e3o impede de ser uma verdadeira fortaleza. Tendo assim escolhido esse lugar sagrado, para l\u00e1 estabelecer a sede de sua tir\u00e2nica domina\u00e7\u00e3o e tendo-vos o p\u00e9 sobre a garganta, dizei-me, eu vos pe\u00e7o, quais os vossos pensamentos e as vossas inten\u00e7\u00f5es. Esperais que os romanos venham em vosso aux\u00edlio, para res-tituir \u00e0 santidade desse Templo seu primitivo esplendor e seu antigo brilho; por que chegamos a tal excesso de infelicidade que mesmo nossos inimigos n\u00e3o poderiam n\u00e3o sentir compaix\u00e3o de nossas mis\u00e9rias? N\u00e3o despertareis ent\u00e3o de tal sonol\u00eancia e sereis mais insens\u00edveis que os mesmos animais, que olhando para suas chagas e feridas exasperam-se contra os que os feriram? Parece que esse amor da liberdade, que \u00e9 o mais forte e o mais natural de todos os afetos, est\u00e1 apagado em vosso cora\u00e7\u00e3o e o da escravid\u00e3o tomou-lhe o lugar, como se nossos antepassados nos tivessem dado, com a vida, o desejo de sermos escra\u00advos, quando eles sustentaram tantas guerras contra os eg\u00edpcios e os medas para se conservarem livres. Mas por que citar a esse respeito o exemplo de nossos antepassados? Que outra causa, que manter nossa liberdade nos fez participantes dessa feliz ou infeliz guerra que empreendemos agora contra os romanos? Oh! N\u00e3o podemos tolerar ter como senhores os dominadores do mundo nem suportar como tiranos, os da nossa pr\u00f3pria na\u00e7\u00e3o. Quando se est\u00e1 sujeito a estrangeiros, tem-se pelo menos a consola\u00e7\u00e3o de atribu\u00ed-lo \u00e0 injusti\u00e7a da sorte, mas toca somente aos fracos e aos amantes da servid\u00e3o obedecer voluntariamente aos piores de todos aqueles que t\u00eam o nascimento de comum com eles. A este respeito eu n\u00e3o poderia dissimular o que me vem ao pensa\u00admento, falando-vos dos romanos, os quais quando mesmo nos tivessem ataca\u00addo, n\u00e3o nos poderiam tratar mais cruelmente do que esses sacr\u00edlegos nos tra\u00adtam. Poder-se-ia contemplar com os olhos enxutos os judeus despojarem o Templo dos dons que os romanos mesmos ofereceram, mancharem suas m\u00e3os no sangue daqueles que eles teriam poupado depois da vit\u00f3ria e desfigurar toda a beleza dessa rainha de nossas cidades, que outrora vimos t\u00e3o homena\u00adgeada e florescente? Esses soberbos conquistadores jamais ousaram p\u00f4r os p\u00e9s naqueles lugares, cuja entrada \u00e9 proibida aos profanos. Eles honraram nossos santos costumes e s\u00f3 contemplaram de longe, com respeito, essa casa santa. E homens nascidos entre n\u00f3s, instru\u00eddos nos nossos costumes e que t\u00eam o nome de judeus, com as m\u00e3os ainda tintas de sangue de seus concidad\u00e3os, t\u00eam a ousadia de entrar nesses lugares, cuja santidade dev\u00ea-los-ia fazer tremer. Tem a guerra estrangeira alguma coisa de compar\u00e1vel com essa guerra dom\u00e9s\u00adtica? De quanto o mal que recebemos dos nossos sobrepuja o que nos fazem nossos inimigos? Falando segundo a verdade, n\u00e3o podemos dizer que os romanos foram os protetores de nossas leis, ao passo que esses \u00edmpios, educados em nosso meio, lhes s\u00e3o os violadores? H\u00e1 muitos grandes supl\u00edcios para castigar t\u00e3o grandes crimes, como os desses novos tiranos; o sentimento dos vossos males n\u00e3o vos deve levar, sem que eu vos exorte a isso, a castig\u00e1-los como merecem? Eu sei que muitos os temem por causa do seu grande n\u00famero, de sua ousadia e da defesa e respeito do lugar que eles ocupam. Mas como eles devem somente \u00e0 vossa covardia todas essas vantagens, eles a aumentar\u00e3o ainda se vos demorardes para tomar uma generosa resolu\u00e7\u00e3o. Seu n\u00famero crescer\u00e1 cada dia mais, porque os maus procuram os maus; sua ousadia cres\u00adcer\u00e1 tamb\u00e9m, porque nada encontrar\u00e3o que a ela fa\u00e7a frente; fortificar\u00e3o ain\u00adda mais esse lugar santo, se lhes dermos oportunidade para isso. Por\u00e9m, se marcharmos corajosamente contra eles, as recrimina\u00e7\u00f5es de sua consci\u00eancia os encher\u00e3o de espanto; em vez de tirar vantagem da posi\u00e7\u00e3o desse lugar santo, que est\u00e1 sobre todos os outros, a imagem de t\u00e3o grande crime, como o de se terem apoderado dele por meio de um sacril\u00e9gio, apresentar-se-\u00e1 aos seus olhos e lan\u00e7ar\u00e1 o terror em seu esp\u00edrito. Por que n\u00e3o esperarmos que Deus, para exercer sua justa vingan\u00e7a contra esses \u00edmpios, n\u00e3o far\u00e1 voltarem-se contra eles os dardos que eles nos atiram para que assim morram por suas mesmas m\u00e3os? Somente a nossa presen\u00e7a f\u00e1-los-\u00e1 perder a coragem. Mas, mesmo que nos devesse custar a vida e n\u00f3s n\u00e3o pud\u00e9ssemos salvar nem nos\u00adsas esposas e filhos, n\u00e3o ser\u00edamos n\u00f3s ainda mui felizes de morrer pela gl\u00f3ria de Deus e pela honra dos lugares consagrados ao seu servi\u00e7o, expirando \u00e0s portas do seu santo Templo? N\u00e3o vos faltaram bons conselhos, nem vo-los faltar\u00e3o, para agirdes com prud\u00eancia nessa empresa; e n\u00e3o \u00e9 somente com palavras, mas expondo-me aos maiores perigos que eu pretendo animar-vos a isso, com meu exemplo&#8221;.<\/p>\n<p>Por maiores e fortes que fossem estas raz\u00f5es para induzir o povo a tomar as armas, Anano, entretanto, n\u00e3o esperava ter bom resultado em empresa t\u00e3o dif\u00edcil, quer por causa do grande n\u00famero de zelotes, quer pela sua for\u00e7a, pela sua pertin\u00e1cia, e porque eles n\u00e3o esperavam, se fossem vencidos, obter o perd\u00e3o de tantos crimes. No entanto, as ele julgava que nada havia que n\u00e3o devessem antes tentar, do que abandonar a rep\u00fablica em t\u00e3o grave perigo. O povo ficou t\u00e3o impressionado com suas palavras, que pediu com grandes gritos que o levas\u00adse contra aqueles traidores, pois n\u00e3o havia perigo que todos eles n\u00e3o estivessem dispostos a correr, por uma causa t\u00e3o justa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por mais irritada, por\u00e9m, que estivesse a multid\u00e3o contra homens t\u00e3o detest\u00e1veis n\u00e3o se resolvia a atac\u00e1-los, porque os julgava muito fortes, e temia n\u00e3o poder faz\u00ea-lo com resultado. 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