{"id":82,"date":"2015-04-02T19:23:26","date_gmt":"2015-04-02T19:23:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=82"},"modified":"2015-04-02T19:23:26","modified_gmt":"2015-04-02T19:23:26","slug":"capitulo-8-vestes-e-ornamentos-dos-sacerdotes-e-do-sumo-sacerdote","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-8-vestes-e-ornamentos-dos-sacerdotes-e-do-sumo-sacerdote\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 8 &#8211; Vestes e ornamentos dos sacerdotes e do sumo sacerdote."},"content":{"rendered":"<p>Devemos agora falar das vestes, tanto as dos sacerdotes, \u00e0s quais os hebreus chamam <em>chanes, <\/em>quanto as do sumo sacerdote, \u00e0s quais chamam <em>anarabachem. <\/em>Come\u00e7aremos pelas comuns, dos sacerdotes. Aquele que ia oficiar era obrigado, segundo a Lei, a ser puro e casto. Ele revestia-se de uma veste chamada <em>manachaz, <\/em>isto \u00e9, &#8220;que segura forte&#8221;, uma esp\u00e9cie de cal\u00e7\u00e3o de linho retorcido que se prendia nos rins. Colocava por cima uma t\u00fanica de um duplo tecido de l\u00e3 e linho, \u00e0 qual chamavam <em>chetonem, <\/em>porque o linho se chama <em>chetom. <\/em>Ela descia at\u00e9 os calcanhares, era muito justa no corpo e tinha tamb\u00e9m mangas muito estreitas para cobrir os bra\u00e7os.<\/p>\n<p>A t\u00fanica era presa sobre o peito, um pouco abaixo das esp\u00e1duas, com um cinto da largura de quatro dedos, o qual era de tecido fraco, de maneira que se parecia com uma pele de cobra. Diversas flores e figuras nele estavam represen\u00adtadas, com linho de cor escarlate, p\u00farpura e jacinto. Essa cinta dava duas vezes a volta em torno do corpo. Era atada na frente e depois ca\u00eda at\u00e9 os p\u00e9s, a fim de tornar o sacerdote mais vener\u00e1vel ao povo quando n\u00e3o estava oferecendo algum sacrif\u00edcio. Pois, quando o oferecia, atirava a cinta sobre o ombro esquerdo, a fim de ficar mais livre para desempenhar o seu minist\u00e9rio. Mois\u00e9s chamou a esse cinto <em>abanete, <\/em>e n\u00f3s o chamamos hoje <em>emi\u00e3, <\/em>nome que tiramos dos babil\u00f4nios. A t\u00fanica n\u00e3o tinha pregas e possu\u00eda uma grande abertura em torno do pesco\u00e7o, que era presa na frente e atr\u00e1s com colchetes, e a chamavam <em>massabazem.<\/em><\/p>\n<p>Ele usava uma esp\u00e9cie de mitra, que n\u00e3o lhe cobria mais que metade da cabe\u00e7a e que ainda hoje se chama <em>masnaemphite. <\/em>Tinha a forma de uma coroa e era de tecido de linho, mas muito grossa por causa das muitas pregas. Colocava-se por cima uma touca de pano muito fino, que cobria toda a cabe\u00e7a e descia at\u00e9 a fronte, ocultando as costuras e pregas dessa coroa. Era presa com muito cuida\u00addo, para que n\u00e3o ca\u00edsse durante o sacrif\u00edcio.<\/p>\n<p>Essas eram as vestes do sacerdote. Quanto \u00e0s do sumo sacerdote, al\u00e9m do que acabo de dizer, ele se revestia de uma t\u00fanica cor de jacinto, chamada <em>methir, <\/em>que lhe ia at\u00e9 os calcanhares. Ele a cingia com um cinto semelhante ao de que falei, exceto que era entrela\u00e7ado de ouro. A parte inferior de seu vestu\u00e1rio era ornada de franjas com guizos e campainhas de ouro, entremeadas de maneira igual. Essa t\u00fanica, que era toda uma s\u00f3 pe\u00e7a, sem costura, n\u00e3o era aberta de lado, mas de alto a baixo, isto \u00e9, por tr\u00e1s desde o alto at\u00e9 abaixo das esp\u00e1duas e na frente apenas at\u00e9 a metade do est\u00f4mago. Para adorno dessa abertura, coloca\u00adram-se bordados, como tamb\u00e9m naquelas feitas para passar o bra\u00e7o.<\/p>\n<p>Por cima dessa t\u00fanica, punha-se uma terceira veste, chamada \u00e9fode, parecida com a que os gregos chamam <em>epomis, <\/em>cuja descri\u00e7\u00e3o \u00e9 esta: tinha um c\u00f4vado de comprimento, mangas, e era como uma esp\u00e9cie de t\u00fanica curta. Era de um tecido tingido com v\u00e1rias cores e misturado com ouro e deixava sobre o meio do peito uma abertura de quatro dedos em quadrado. A abertura era coberta por uma pe\u00e7a de pano semelhante ao do \u00e9fode. Os hebreus chamam-no <em>essem, <\/em>e os gregos, <em>logiom, <\/em>que significa em l\u00edngua vulgar &#8220;racional&#8221; ou &#8220;or\u00e1culo&#8221;. Tinha a largura de um palmo e estava preso \u00e0 t\u00fanica por colchetes de ouro, juntamente com uma tira cor de jacinto, que passava por an\u00e9is. Para que n\u00e3o se visse a menor abertura entre esses an\u00e9is, uma fita, tamb\u00e9m cor de jacinto, cobria a costura.<\/p>\n<p>O sumo sacerdote trazia sobre cada um dos ombros uma pedra sard\u00f4nica encastoada em ouro, e essas duas pedras preciosas funcionavam como um col\u00adchete para fechar o \u00e9fode. Os nomes dos doze filhos de Jac\u00f3 foram gravados nas sard\u00f4nicas, em l\u00edngua hebraica, isto \u00e9: sobre a do ombro direito, os dos seis mais velhos, e sobre a da esquerda, os dos mais novos. Sobre essa pe\u00e7a, chamada racional, estavam presas doze pedras preciosas de extrema beleza, que n\u00e3o ti\u00adnham pre\u00e7o. Estavam colocadas em quatro linhas de tr\u00eas cada uma e separadas por pequenas coroas de ouro, a fim de serem conservadas firmes e n\u00e3o ca\u00edrem. Na primeira fila, estavam a sard\u00f4nica, o top\u00e1zio e a esmeralda. Na segunda, o rubi, o jaspe e a safira. Na terceira, o merc\u00fario, a ametista e a \u00e1gata. E na quarta, a cris\u00f3lita, o \u00f4nix e o berilo. Em cada uma dessas pedras preciosas estava gravado o nome de um dos doze filhos de Jac\u00f3, que consideramos os chefes de nossas tribos. Esses nomes estavam escritos segundo a ordem de seu nascimento.<\/p>\n<p>Ora, como os colchetes eram muito fracos para sustentar o peso das pedras preciosas, havia outros dois, mais fortes, atados \u00e0 borda do racional, perto do pesco\u00e7o, que sobressa\u00edam do tecido e nos quais se passavam duas correntes de ouro, que se uniam por um tubo nas extremidades dos ombros. As pontas supe\u00adriores dessas correntes, que ca\u00edam para tr\u00e1s das costas, atavam-se a um anel que estava por tr\u00e1s, \u00e0 beira do \u00e9fode, e de todo o sustentavam, para impedir que ca\u00edsse. Um cinto de diversas cores, tecido de ouro, estava preso ao racional e o prendia todo, atando-se por cima das costuras e da\u00ed pendendo para baixo. Todas as franjas estavam bem presas a ilhoses de fio de ouro.<\/p>\n<p>A tiara do sumo sacerdote era em parte semelhante \u00e0 mitra dos sacerdotes. Tinha a mais, por\u00e9m, uma outra esp\u00e9cie de touca por cima da de cor de jacinto. Era rodeada por uma tr\u00edplice coroa de ouro, onde havia pequenos c\u00e1lices, como os que se v\u00eaem numa planta que os hebreus chamam <em>daccar, <\/em>e os gregos, <em>hioscianos, <\/em>vulgarmente chamada <em>jusquiame <\/em>ou <em>anebane. <\/em>E, se algu\u00e9m n\u00e3o a co\u00adnhece bem, para entender pelo que dizemos, vamos descrev\u00ea-la.<\/p>\n<p>Ela tem ordinariamente mais de tr\u00eas palmos de altura. A sua raiz se parece com um nabo, e as folhas, com uma erva chamada rinch\u00e3o. Possui uma pequena pele, que cai quando o fruto est\u00e1 maduro. De seus ramos saem como que pe\u00adquenas ta\u00e7as, c\u00e1lices do tamanho da junta de um dedinho, cuja circunfer\u00eancia se parece mesmo com uma ta\u00e7a. Acrescentarei, ainda, para a compreens\u00e3o dos que n\u00e3o conhecem essa planta, que ela tem embaixo algo como uma meia bola, que se estreita para cima. Depois alarga-se e forma como que uma pequena bacia, semelhante ao centro de uma rom\u00e3 partida em duas, onde se adapta uma cober\u00adta redonda, t\u00e3o bem feita como se a tivessem polido em redor e com recortes que terminam em ponta, tal como se v\u00eaem nas rom\u00e3s. Por cima dessa coberta, ao longo das pequenas ta\u00e7as, ela produz o seu fruto, que se parece com a se\u00admente da erva chamada pariet\u00e1ria, e a sua flor \u00e9 como a da papoula.<\/p>\n<p>Essa tiara, ou mitra coroada, cobria a parte posterior da cabe\u00e7a e as t\u00eamporas, em volta das orelhas, pois esses pequenos c\u00e1lices n\u00e3o rodeavam a fronte. Esta era rodeada por uma esp\u00e9cie de correia de ouro, bastante larga, sobre a qual, em caracteres sagrados, estava escrito o nome de Deus.<\/p>\n<p>Eram essas as vestes do sumo sacerdote, e n\u00e3o deixaria eu de me admirar muito a esse respeito pela injusti\u00e7a daqueles que nos odeiam e nos tratam como \u00edmpios, porque desprezamos as divindades que eles adoram. Pois se eles quise\u00adrem considerar com algum cuidado a constru\u00e7\u00e3o do Tabernaculo, as vestes dos sacerdotes, os vasos sacros de que se servem para oferecer os sacrif\u00edcios a Deus, ver\u00e3o que o nosso legislador era um homem consagrado e que falsamente so\u00admos acusados, pois \u00e9 f\u00e1cil de se ver, por tudo o que acabo de narrar, que elas representam de algum modo todo o mundo. Pois das tr\u00eas partes nas quais o comprimento do Tabernaculo est\u00e1 dividido, as duas em que \u00e9 permitido aos sacerdotes entrar, como se entraria num lugar profano, significam a terra e o mar, que est\u00e3o abertos a todos os homens. E a terceira parte, que lhes \u00e9 inaces\u00ads\u00edvel, \u00e9 como um c\u00e9u reservado a Deus somente, pois o c\u00e9u \u00e9 a sua morada.<\/p>\n<p>Os doze p\u00e3es da proposi\u00e7\u00e3o significam os doze meses do ano. Os v\u00e9us, teci\u00addos de quatro cores, indicam os quatro elementos, pois o linho refere-se \u00e0 terra, que o produz, e \u00e9 da mesma cor; a p\u00farpura significa o mar, pois \u00e9 tingida com o sangue de um certo peixe; o escarlate representa o fogo (a t\u00fanica do sumo sacer\u00addote significa tamb\u00e9m a terra); o jacinto, que tende para a cor do azul, represen\u00adta o c\u00e9u; as sementes de rom\u00e3, os rel\u00e2mpagos; o som das campainhas, os tro\u00adv\u00f5es.<\/p>\n<p>O \u00e9fode, tecido de quatro cores, representa tamb\u00e9m toda a natureza (penso que o ouro foi acrescentado para representar a luz). O racional, que est\u00e1 no meio, representa tamb\u00e9m a terra, que est\u00e1 no centro do mundo, e o cinto que o rodeia tem rela\u00e7\u00e3o com o mar, que circunda a terra. Quanto \u00e0s sard\u00f4nicas que servem de colchetes, indicam o Sol e a Lua. As outras doze pedras preciosas simbolizam os meses do ano.<\/p>\n<p>A tiara, sendo da cor do jacinto, significa o c\u00e9u, sem o que n\u00e3o seria digno de que nela se escrevesse o nome de Deus, e a tr\u00edplice coroa de ouro representa, por seu brilho, a sua gl\u00f3ria e a sua soberana majestade. Eis de que modo julguei dever explicar todas essas coisas, a fim de n\u00e3o perder a ocasi\u00e3o, nem neste lugar, nem em outros, de fazer conhecer a grande sabedoria do nosso admir\u00e1vel legislador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Devemos agora falar das vestes, tanto as dos sacerdotes, \u00e0s quais os hebreus chamam chanes, quanto as do sumo sacerdote, \u00e0s quais chamam anarabachem. Come\u00e7aremos pelas comuns, dos sacerdotes. Aquele que ia oficiar era obrigado, segundo a Lei, a ser puro e casto. 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