{"id":67,"date":"2015-04-02T19:14:45","date_gmt":"2015-04-02T19:14:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=67"},"modified":"2015-04-02T19:14:45","modified_gmt":"2015-04-02T19:14:45","slug":"capitulo-1-os-israelitas-oprimidos-pela-fome-e-pela-sede-querem-apedrejar-moises-deus-torna-doces-as-aguas-que-eram-amargas-envia-ao-campo-codornizes-e-mana-e-faz-brotar-da-rocha-uma-fonte-de-ag","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-1-os-israelitas-oprimidos-pela-fome-e-pela-sede-querem-apedrejar-moises-deus-torna-doces-as-aguas-que-eram-amargas-envia-ao-campo-codornizes-e-mana-e-faz-brotar-da-rocha-uma-fonte-de-ag\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 1 &#8211; Os israelitas, oprimidos pela fome e pela sede, querem apedrejar Mois\u00e9s. Deus torna doces as \u00e1guas que eram amargas, envia ao campo codornizes e man\u00e1 e faz brotar da rocha uma fonte de \u00e1gua viva."},"content":{"rendered":"<p>A alegria que sentiram os israelitas por se verem livres, pelo poderoso aux\u00edlio de Deus, quando menos o esperavam, foi perturbada pelas grandes difi\u00adculdades que encontraram a caminho do monte Sinai, pois essa regi\u00e3o era deser\u00adta, e a terra, muito seca e est\u00e9ril, porque n\u00e3o tinha \u00e1gua. Assim, n\u00e3o somente os homens, mas os pr\u00f3prios animais n\u00e3o encontravam \u00e1gua para beber. Dessa for\u00adma, quando terminaram as provis\u00f5es que haviam levado, por ordem de Mois\u00e9s, foram obrigados a cavar po\u00e7os \u2014 com grande dificuldade, por causa da dureza da terra. No entanto encontraram t\u00e3o pouca \u00e1gua que n\u00e3o lhes era suficiente, e era de t\u00e3o mau sabor que n\u00e3o a podiam beber.<\/p>\n<p>Depois de andar tanto tempo, chegaram certa tarde a um lugar chama\u00addo Amargo, por causa do amargor das \u00e1guas. Tinham falta de v\u00edveres, mas, como estavam muit\u00edssimos fatigados, ali se detiveram de boa mente, porque encontra\u00adram um po\u00e7o, o qual, embora n\u00e3o fosse suficiente para t\u00e3o grande multid\u00e3o, dava-lhes a esperan\u00e7a de poder aliviar um pouco as suas necessidades e porque lhes haviam dito que n\u00e3o mais encontrariam \u00e1gua em todo o resto do caminho. Mas a \u00e1gua era t\u00e3o amarga que nem os homens, nem os cavalos e nem os outros animais a puderam beber.<\/p>\n<p>Esse fato t\u00e3o lastim\u00e1vel causou des\u00e2nimo ao povo e grande sofrimento a Mois\u00e9s, porque os inimigos que precisavam combater n\u00e3o eram dos que se podem de\u00adbelar com uma valorosa resist\u00eancia: a fome e a sede sozinhos reduziram aquela multid\u00e3o de homens, mulheres e crian\u00e7as ao \u00faltimo extremo da vida. Mois\u00e9s n\u00e3o sabia que delibera\u00e7\u00e3o tomar e sentia tamb\u00e9m os sofrimentos dos outros como se fossem seus pr\u00f3prios, porque todos recorriam a ele. As m\u00e3es pediam que tivesse pena das crian\u00e7as, os maridos, que tivesse compaix\u00e3o das esposas e cada qual rogava-lhe que procurasse uma solu\u00e7\u00e3o para t\u00e3o grande mal.<\/p>\n<p>Em t\u00e3o premente necessidade, dirigiu-se a Deus para obter de sua bondade que tornasse doces as \u00e1guas que eram amargas. E Ele deu a conhecer que lhe concedia aquela gra\u00e7a. Mois\u00e9s tomou ent\u00e3o um peda\u00e7o de madeira, que partiu em dois, e, depois de os haver lan\u00e7ado ao po\u00e7o, disse ao povo que Deus escutara a prece deles e tirava daquela \u00e1gua tudo o que nela existia de ruim, contanto que fizessem o que lhes determinava. Perguntaram o que precisavam fazer, e ele ordenou aos mais robustos que tirassem uma grande por\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do po\u00e7o, garantindo-lhes que a que l\u00e1 ficasse seria boa para beber. Eles obedeceram e tiveram em seguida a realiza\u00e7\u00e3o da promessa que lhes fora feita.<\/p>\n<p><em>\u00caxodo 16. <\/em>Partindo desse acampamento, chegaram a um lugar de nome Elim, que de longe lhes parecera bastante vantajoso, porque avistavam palmeiras. Delas, por\u00e9m, l\u00e1 encontraram apenas umas setenta, e ainda muito pequenas e pouco carregadas de frutos, por causa da esterilidade da terra. Encontraram tam\u00adb\u00e9m umas doze fontes, mas t\u00e3o reduzidas que, em vez de correr, apenas destila\u00advam. Fizeram pequenos regos para recolher a \u00e1gua, mas quando cavavam as fon\u00adtes encontravam lama em lugar de areia e quase nada de \u00e1gua. A grande sede que o povo sofria, bem como a falta de v\u00edveres, que foram consumidos em trinta dias, causou-lhes tal desespero que esqueceram todos os favores de que eram devedo\u00adres a Deus e o aux\u00edlio que haviam recebido de Mois\u00e9s. Acusaram-no com grande clamor de ser a causa de todos os seus males e tomaram pedras para apedrej\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Esse homem extraordin\u00e1rio, ao qual a consci\u00eancia nada reprovava, n\u00e3o se admi\u00adrou por v\u00ea-los t\u00e3o exaltados contra ele, mas, confiando em Deus, apresentou-se a eles com um semblante em que a majestade de Deus imprimia respeito e disse-lhes, com aquela maneira de falar que lhe era habitual e t\u00e3o pr\u00f3pria para persuadir, que n\u00e3o deviam, pelo que estavam sofrendo, esquecer as obriga\u00e7\u00f5es que deviam a Deus, mas, ao contr\u00e1rio, tivessem diante dos olhos as tantas gra\u00e7as e favores com que Ele os havia cumulado, quando menos os podiam esperar de sua bondade, e a continu\u00ada\u00e7\u00e3o de seu aux\u00edlio; que havia mesmo motivo para crer que Ele permitira que fossem reduzidos a tal extremo a fim de experimentar-lhes a paci\u00eancia e a gratid\u00e3o e saber qual dos dois fazia mais impress\u00e3o em seu esp\u00edrito: se a tristeza dos males psesentes, se o ressentimento pelos bens passados; que, havendo sa\u00eddo do Egito por ordem de Deus, deviam precaver-se para n\u00e3o se tornarem indignos de seu aux\u00edlio, pela ingra\u00adtid\u00e3o e pelas murmura\u00e7\u00f5es; que n\u00e3o evitariam cair naquele pecado se desprezassem as ordens dEle ou o ministro de sua vontade, e nisso seriam tanto mais culpados, pois n\u00e3o tinham motivo algum para se queixar de que ele os enganara, pois sempre cumprira pontualmente o que lhe havia sido ordenado.<\/p>\n<p>Falou-lhes em seguida sobre as pragas com que Deus ferira o Egito, quando os eg\u00edpcios procuravam ret\u00ea-los, contra a vontade dEle: como as \u00e1guas do Nilo, mudadas em sangue para os inimigos e t\u00e3o infectadas que estes n\u00e3o a podiam beber, fora conservada para eles com a sua qualidade usual; como o mar, tendo-se dividido em dois, para favorecer-lhes a retirada, permitiu-lhes chegar em se\u00adguran\u00e7a ao outro lado, enquanto os seus inimigos, querendo persegui-los pelo mesmo caminho, foram sepultados pelas ondas; como, encontrando-se sem ar\u00admas, Deus as concedeu em abund\u00e2ncia; enfim, como, por meio de diversos mi\u00adlagres, Ele os retirara tantas vezes dos bra\u00e7os da morte.<\/p>\n<p>Assim, se Ele se mostrara sempre t\u00e3o poderoso, eles n\u00e3o deviam desesperar de seu aux\u00edlio, mas suportar pacientemente tudo o que permitia lhes aconteces\u00adse e n\u00e3o considerar a sua ajuda como demorada, n\u00e3o ocorrendo t\u00e3o prontamen\u00adte como desejavam. N\u00e3o deviam tamb\u00e9m imaginar que Deus os abandonara no estado em que se encontravam, e sim persuadir-se de que Ele queria experimen\u00adtar a confian\u00e7a e o amor deles pela liberdade e saber se a estimavam o suficiente para conquist\u00e1-la pela fome e pela sede ou se preferiam o jugo de vergonhosa servid\u00e3o, que os submeteria a senhores que os alimentariam como animais para deles obter apenas o trabalho. Quanto a ele, nada temia por si mesmo, pois a morte que sofreria injustamente n\u00e3o lhe poderia ser desvantajosa. Mas temia por eles, porque n\u00e3o lhes poderiam tirar a vida sem condenar o proceder de Deus e desprezar os seus mandamentos.<\/p>\n<p>Essas palavras fizeram-nos refletir, e as pedras ca\u00edram-lhes das m\u00e3os. Arrependeram-se do crime que queriam cometer, e Mois\u00e9s, considerando que n\u00e3o era sem raz\u00e3o que o povo se rebelara, mas que a necessidade os havia levado a isso, julgou dever implorar por eles o aux\u00edlio de Deus. Subiu uma colina para rogar-lhe que tivesse compaix\u00e3o de seu povo, o qual n\u00e3o podia esperar outro aux\u00edlio, sen\u00e3o somente o dEle, e lhes perdoasse a falta que a fraqueza humana, em tal conjuntura, os levara a cometer. Deus prometeu atend\u00ea-lo e dar-lhes aux\u00ed\u00adlio imediato.<\/p>\n<p>Depois de uma resposta t\u00e3o favor\u00e1vel, Mois\u00e9s foi procurar o povo, o qual, julgando pelo brilho que transparecia em seu rosto que Deus havia escutado a ora\u00e7\u00e3o, passou imediatamente da tristeza para a alegria. Mois\u00e9s declarou que lhes anunciava da parte de Deus a salva\u00e7\u00e3o e o t\u00e9rmino de seus males. Logo depois, uma grande multid\u00e3o de codornizes, aves muito comuns no estreito da Ar\u00e1bia, atravessou esse bra\u00e7o de mar. Cansadas de voar, ca\u00edram no acampamen\u00adto dos hebreus. Lan\u00e7aram-se ent\u00e3o sobre as aves, o alimento que lhes era man\u00addado por Deus em t\u00e3o urgente necessidade, e Mois\u00e9s agradeceu-lhe por ter cumprido t\u00e3o prontamente o que lhe fora grato prometer.<\/p>\n<p>Essa gra\u00e7a, por\u00e9m, n\u00e3o veio sozinha. A infinita bondade de Deus acrescen\u00adtou-lhe uma segunda. Mois\u00e9s orava com os bra\u00e7os levantados para o c\u00e9u, quando come\u00e7ou a cair uma esp\u00e9cie de orvalho, que engrossava \u00e0 medida que descia. Mois\u00e9s julgou que bem poderia ser outro alimento que Deus lhes mandava tam\u00adb\u00e9m, provou-o e achou-o excelente. Dirigindo-se ent\u00e3o ao povo, que pensava ser neve o que acabava de cair, pois era a esta\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, declarou que aquilo n\u00e3o era orvalho comum, mas um novo alimento proveniente da liberalidade divina. Co\u00admeu-o em seguida diante deles, para melhor persuadi-los do que dizia. Todos o experimentaram depois e perceberam que tinha o gosto do mel, a forma da goma que se tira de \u00e1rvore semelhante \u00e0 oliveira e o tamanho de um gr\u00e3o de coentro.<\/p>\n<p>Todos ajuntaram-no, e Mois\u00e9s ordenou-lhes que recolhessem apenas o suficiente para cada dia, isto \u00e9, uma medida certa, de nome g\u00f4mer. Asseverou, ao mesmo tem\u00adpo, que aquele alimento n\u00e3o lhes haveria de faltar, querendo, com a proibi\u00e7\u00e3o, p\u00f4r limites \u00e0 avareza dos mais fortes, que teriam impedido os mais fracos de ajuntar o necess\u00e1rio. Com efeito, se algu\u00e9m, contra a ordem de Deus, recolhia mais que o permitido, in\u00fatil tornava-se o trabalho, porque o alimento, guardado para o dia se\u00adguinte, ficava amargo, estragado e cheio de bichos. E assim, era verdade que havia nesse alimento algo de sobrenatural e divino. Tinha ainda isto de extraordin\u00e1rio: aque\u00adles que o comiam achavam-no t\u00e3o delicioso que n\u00e3o queriam outro. Cai ainda hoje naqueles lugares orvalho semelhante a esse, que ent\u00e3o prouve a Deus mandar, em favor de Mois\u00e9s. Os hebreus chamaram-no man\u00e1, que em nossa l\u00edngua corresponde a uma esp\u00e9cie de interroga\u00e7\u00e3o, como quem diz: &#8220;Que \u00e9 isto?&#8221; Mas popularmente o chamaram man\u00e1. Receberam-no, pois, com grande alegria, como vindo do c\u00e9u, e com ele alimentaram-se durante quarenta anos, enquanto viveram no deserto.<\/p>\n<p>O acampamento avan\u00e7ou depois para Refidim. Ali tiveram muita sede, pois constataram que a regi\u00e3o era ainda mais carente de \u00e1gua que a de onde vinham. Assim, recome\u00e7aram as murmura\u00e7\u00f5es contra Mois\u00e9s. Ele retirou-se, para evitar aquele primeiro furor, e recorreu mais uma vez a Deus, para rogar-lhe que, depois de ter dado ao povo o alimento com que matasse a fome, lhe desse tam\u00adb\u00e9m a \u00e1gua com que o desalterasse, pois um sem a outra era in\u00fatil. Deus n\u00e3o se demorou em ouvir a ora\u00e7\u00e3o e prometeu dar-lhes uma fonte muito abundante, fazendo-a brotar de um lugar de onde menos o teriam esperado. Mandou que batesse num rochedo com a vara, na presen\u00e7a de todos, prometendo dali fazer sair \u00e1gua, porque desejava obsequi\u00e1-la ao povo sem que tivessem o menor traba\u00adlho em procur\u00e1-la.<\/p>\n<p>Mois\u00e9s, consciente da promessa, foi ter com o povo, que o viu descer do lugar elevado onde fizera a sua ora\u00e7\u00e3o e o esperava com grande impaci\u00eancia. Ele disse-lhes que Deus queria tir\u00e1-los, contra a esperan\u00e7a deles, do aperto em que se encontravam. Para isso, faria brotar uma fonte de \u00e1gua da rocha. Essas pala\u00advras os deixaram at\u00f4nitos, porque julgavam que precisariam parti-la, e a sede e o cansa\u00e7o da viagem os havia enfraquecido tanto que mal podiam estar de p\u00e9. Mois\u00e9s, por\u00e9m, feriu o rochedo com a vara. No mesmo instante, a rocha dividiu-se em duas e dela brotou grande abund\u00e2ncia de \u00e1gua cristalina. A surpresa n\u00e3o foi menor que a alegria. Beberam todos com prazer e acharam que tinha do\u00e7ura muito agrad\u00e1vel, sendo deveras \u00e1gua milagrosa, um presente das m\u00e3os de Deus. Ent\u00e3o ofereceram-lhe sacrif\u00edcios em a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as por t\u00e3o grande benef\u00edcio e conceberam grande venera\u00e7\u00e3o por Mois\u00e9s, que era t\u00e3o querido dEle. A Sagrada Escritura d\u00e1 testemunho desta promessa feita por Deus a Mois\u00e9s: que de um rochedo brotaria \u00e1gua.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A alegria que sentiram os israelitas por se verem livres, pelo poderoso aux\u00edlio de Deus, quando menos o esperavam, foi perturbada pelas grandes difi\u00adculdades que encontraram a caminho do monte Sinai, pois essa regi\u00e3o era deser\u00adta, e a terra, muito seca e est\u00e9ril, porque n\u00e3o tinha \u00e1gua. 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