{"id":629,"date":"2015-04-03T02:50:29","date_gmt":"2015-04-03T02:50:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=629"},"modified":"2015-04-03T02:50:29","modified_gmt":"2015-04-03T02:50:29","slug":"capitulo-20-outras-provas-dos-crimes-de-antipatro-ele-volta-de-roma-para-a-judeia-herodes-o-confunde-na-presenca-de-varo-governador-da-siria-fa-lo-por-na-prisao-e-o-teria-entao-feito-morrer-se-n","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-20-outras-provas-dos-crimes-de-antipatro-ele-volta-de-roma-para-a-judeia-herodes-o-confunde-na-presenca-de-varo-governador-da-siria-fa-lo-por-na-prisao-e-o-teria-entao-feito-morrer-se-n\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 20 &#8211; Outras provas dos crimes de Ant\u00edpatro. Ele volta de Roma para a Jud\u00e9ia. Herodes o confunde na presen\u00e7a de Varo, governador da S\u00edria, f\u00e1-lo p\u00f4r na pris\u00e3o e o teria ent\u00e3o feito morrer se n\u00e3o tivesse ca\u00eddo enfermo. Herodes modifica seu testamento e declara Arqueiau seu sucessor no reino, porque a m\u00e3o de Antipas, em favor do qual ele havia disposto anteriormente, estava comprometida na conspira\u00e7\u00e3o de Ant\u00edpatro.*"},"content":{"rendered":"<p><em>__________________________<\/em><\/p>\n<p><em>* <\/em>Hist\u00f3ria dos Judeus, Livro 17, cap\u00edtulo 6.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A chegada de Batilo foi uma \u00faltima prova do crime de Ant\u00edpatro, que confirmou todas as outras. Era ele um dos libertos que voltava de Roma, de onde tinha trazido um outro veneno de \u00e1spide e de outras serpentes, a fim de que, se o primeiro falhasse, Feroras e sua mulher se servissem desse para envenenar o rei. Para c\u00famulo da maldade de Ant\u00edpatro, ele tinha tamb\u00e9m encarregado esse liber\u00adto das cartas que escrevia a Herodes, contra Arqueiau e Filipe, seus irm\u00e3os, que se instru\u00edam em Roma nas ci\u00eancias, porque os considerava como obst\u00e1culos aos seus projetos, estando eles j\u00e1 bastante crescidos e sendo assim pr\u00edncipes de gran\u00addes esperan\u00e7as. Ele tinha para isso mesmo falsificado cartas de alguns amigos que tinham em Roma e subornado outros com dinheiro, para obrig\u00e1-los a escre\u00adver a Herodes que aqueles jovens pr\u00edncipes falavam dele de uma maneira muito ofensiva e se queixavam abertamente da morte de Alexandre e de Aristobulo, e que o rei, seu pai, os mandava regressar \u00e0 jud\u00e9ia. Ant\u00edpatro temia tanto essa volta que antes mesmo de que ele partisse para sua viagem \u00e0 It\u00e1lia, tinha manda\u00addo escrever a Roma, a Herodes, outras cartas, que diziam a mesma coisa e fingia ao mesmo tempo defend\u00ea-los, dizendo-lhes que uma parte daquelas acusa\u00e7\u00f5es eram falsas e que as outras eram faltas que bem se podiam perdoar \u00e0 juventude deles. Para ocultar tamb\u00e9m a Herodes as grandes somas que ele dava \u00e0queles impostores, comprou uma grande quantidade de objetos preciosos e de baixelas de prata cuja despesa chegava mesmo a duzentos talentos e tomou como pre\u00adtexto us\u00e1-los como presentes, a fim de realizar o intento que ele tinha imagina\u00addo, contra Sileu.<\/p>\n<p>Mas o mal que ele temia era pequeno em compara\u00e7\u00e3o com o que ele devia temer, e n\u00e3o nos poder\u00edamos n\u00e3o admirar bastante, de que, embora sete meses antes do seu regresso a Jud\u00e9ia, a not\u00edcia se tivesse espalhado por todo o reino, do assass\u00ednio que ele queria cometer e das cartas que ele tinha escrito e feito escrever para causar a morte de Arquelau e de Filipe, seus irm\u00e3os, como j\u00e1 tinha causado a de Alexandre e de Arist\u00f3bulo; n\u00e3o houve um s\u00f3, dos que foram nesse tempo, da Jud\u00e9ia a Roma, que n\u00e3o lhe desse disso um aviso, tanto ele era odiado por todos e h\u00e1 mesmo motivo de se crer, que quando alguns tivessem tido a inten\u00e7\u00e3o de lhe prestar aquele servi\u00e7o, o sangue de Alexandre e de Arist\u00f3bulo, que clamava vingan\u00e7a contra ele, ter-lhes-ia fechado a boca. Por fim, ele escreveu que estava pronto para partir de regresso e que tinha grande motivo de se vangloriar, pela maneira t\u00e3o obsequiosa com que Augusto o tratava. A esse respeito, como Herodes estava impaciente por se apoderar dele, ele temia n\u00e3o escapar se se sus\u00adpeitasse dele; respondeu-lhe ent\u00e3o com grandes demonstra\u00e7\u00f5es de afeto, rogava-lhe que se apressasse a voltar e fazia-o esperar que poderia, ante seus rogos, perdo\u00adar \u00e0 sua m\u00e3e, e que Ant\u00edpatro bem sabia que ele a havia expulsado.<\/p>\n<p>Quando Ant\u00edpatro chegou a Tarento, soube da morte de Feroras e ficou muito aflito; os que n\u00e3o o conheciam atribu\u00edam-no a bom car\u00e1ter, mas os que estavam inteirados da verdade, n\u00e3o duvidavam de que a causa da dor era ele considerar o tio como c\u00famplice de seus crimes e temer que tivessem encon\u00adtrado o veneno. Ele recebeu na Cil\u00edcia a carta do rei, seu pai, de que acabamos de falar e quando chegou a Calenderis, refletindo mais que nunca na infelicida\u00adde de sua m\u00e3e, come\u00e7ou a temer por si pr\u00f3prio. Os mais sensatos dos amigos do rei aconselharam-no a n\u00e3o ir imediatamente \u00e0 presen\u00e7a do monarca sem saber antes o que o havia levado a expulsar a sua m\u00e3e do pal\u00e1cio, para ver se ele tamb\u00e9m n\u00e3o estava envolvido na sua desgra\u00e7a. Mas os que n\u00e3o eram t\u00e3o prudentes e que pensavam mais em satisfazer \u00e0s pr\u00f3prias vantagens, induziam-no a se apressar, para que o atraso n\u00e3o desse motivo a Herodes de suspeitar, e aos seus inimigos tempo de lhe preparar alguma cilada, indispondo-o com o rei, por meio de intrigas. Diziam-lhe que se algo tivesse acontecido que lhe n\u00e3o fosse favor\u00e1vel, dev\u00ea-lo-iam atribuir \u00e0 sua aus\u00eancia, pois ningu\u00e9m teria sido t\u00e3o ousado de falar contra ele, se ele tivesse estado presente; que seria loucura renunciar \u00e0queles bens certos por causa de temores incertos, e que ele n\u00e3o se poderia apressar demasiado para ir receber do rei, seu pai, uma coroa que s\u00f3 poderia ser colocada sobre sua cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Ant\u00edpatro deixou-se persuadir por estas raz\u00f5es, pois assim queria a sua infeli\u00adcidade. Continuou a viagem e depois de ter passado Sebaste, desembarcou no porto de Cesar\u00e9ia. Ficou muito admirado por ver que ningu\u00e9m o fora receber, pois embora ele fosse igualmente e sempre odiado, antes n\u00e3o se ousava demonstr\u00e1-lo e mesmo ent\u00e3o muitos fugiam dele pelo temor que tinham do rei, porque j\u00e1 se havia espalhado o boato, por toda parte, do que se passava a esse respeito e ele era o \u00fanico que de nada sabia. Assim, podemos dizer que como jamais nenhuma viagem foi feita com mais brilho do que a sua, jamais regresso foi mais triste e mais miser\u00e1vel que aquele.<\/p>\n<p>Esse mau esp\u00edrito, n\u00e3o podendo mais ignorar o perigo em que se encontrava, resolveu usar de sua hipocrisia costumeira e, embora seu cora\u00e7\u00e3o estivesse tran\u00adsido de medo, ele aparentava tranq\u00fcilidade em seu rosto. Como n\u00e3o sabia para onde fugir, n\u00e3o via um meio para sair desse abismo de males, que o rodeava de todos os lados, e n\u00e3o podia mesmo saber nada de certo do que se passava na corte, porque as proibi\u00e7\u00f5es do rei impediam que algu\u00e9m ousasse avis\u00e1-lo. Essa ignor\u00e2ncia fazia que algumas vezes ele ousasse esperar que nada se tivesse des\u00adcoberto ou que, se se soubesse de alguma coisa, ele dissiparia as suspeitas do rei, com sua habilidade, seus artif\u00edcios e sua ousadia, em sustentar o contr\u00e1rio, o que eram as suas \u00fanicas armas.<\/p>\n<p>Nesse estado, ele entrou sozinho no pal\u00e1cio de Herodes, pois a porta foi fechada rudemente aos seus amigos. L\u00e1 encontrou Varo, governador da S\u00edria. Che\u00adgando \u00e0 presen\u00e7a do rei, adiantou-se com firmeza para saud\u00e1-lo. Mas Herodes repe\u00adliu-o exclamando: &#8220;Vai! Um parricida tem a ousadia de querer me abra\u00e7ar? Que possas morrer, malvado, como teus crimes o merecem! Precisas justificar-se antes de me tocares. Eis aqui um juiz que te dou: Varo veio a prop\u00f3sito para pronunciar a senten\u00e7a, e o dia de amanh\u00e3 \u00e9 o \u00fanico tempo que te concedo para preparares tua defesa.&#8221; Essas palavras infundiram tal terror no esp\u00edrito de Ant\u00edpatro que ele se reti\u00adrou sem dizer uma palavra. Mas depois que sua m\u00e3e e sua irm\u00e3 o informaram de todas as coisas contra ele, imaginou de que modo se poderia justificar.<\/p>\n<p>No dia seguinte, o rei reuniu um grande conselho de todos seus parentes e amigos, ao qual ele e Varo presidiam, e mandou vir tamb\u00e9m os amigos de Antipatro. Mandou entrar todos os que tinham deposto contra ele, entre os quais estavam v\u00e1rios dom\u00e9sticos de D\u00f3ris, sua m\u00e3e, prisioneira h\u00e1 muito tempo, e apresentaram uma carta dela ao filho, que dizia assim: &#8220;O rei sabe de tudo; n\u00e3o venha procur\u00e1-lo se n\u00e3o tiver certeza da prote\u00e7\u00e3o do imperador.&#8221; Mandaram depois entrar Antipatro. Ele lan\u00e7ou-se aos p\u00e9s de Herodes e disse-lhe: &#8220;Eu vos rogo, senhor, evitar toda e qualquer preven\u00e7\u00e3o contra mim, mas escuteis minhas justificativas com o esp\u00edrito livre de toda preocupa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tereis dificuldade em constatar que eu sou inocente.&#8221; Herodes ordenou que ele se calasse e assim falou a Varo: &#8220;N\u00e3o posso duvidar, senhor, de que v\u00f3s e qualquer outro juiz, se for justo, n\u00e3o ache que Antipatro \u00e9 merecedor da pena de morte. Mas eu tenho motivo de temer que tenhais a avers\u00e3o por mim e me julgueis merecedor de tantas amarguras, porque tenho sido t\u00e3o infeliz, dando ao mundo filhos de tal esp\u00e9cie. V\u00f3s deveis antes lastimar-me porque jamais pai algum foi mais indul-gente para com os filhos do que eu com os meus. Eu havia declarado os dois primeiros meus sucessores, quando eles ainda eram muito jovens e os havia mandado a Roma para se educarem e se fazerem estimados pelo imperador; mas depois de os ter posto em condi\u00e7\u00e3o de serem invejados por filhos de reis, vi que eles haviam tentado contra minha vida. Antipatro aproveitou-se da sua ru\u00edna e eu pensava em deixar-lhe o trono. Mas esse animal feroz voltou-se cheio de raiva contra mim. Vivi muito tempo \u00e0 sua vontade e o prolongamento de meus dias se lhe tornou insuport\u00e1vel; o prazer de reinar n\u00e3o lhe seria completo se ele n\u00e3o subisse ao trono por meio de um parric\u00eddio. N\u00e3o sei de outra raz\u00e3o, pois eu o havia tirado do campo, onde ele passava uma vida obscura, para preferi-lo aos filhos que eu tivera de uma grande rainha e faz\u00ea-lo herdeiro de minha coroa. Confesso n\u00e3o poder desculpar-me de ter descontentado e incitado contra mim esses jovens pr\u00edncipes, enganando, para obsequi\u00e1-los, com esperan\u00e7as t\u00e3o justas como as suas. Que fiz eu para os outros, em compara\u00e7\u00e3o, com o que eu fiz por ele? Ainda durante minha vida, dividi com ele a minha autoridade: eu o declarei meu sucessor, por testamento; dei-lhe, al\u00e9m de outras gratifica\u00e7\u00f5es, cinq\u00fcenta talentos de rendimento, trezentos talentos para sua viagem a Roma e foi ele o \u00fanico de meus filhos que recomendei a Augusto como um filho, ao qual eu creio que minha vida n\u00e3o era menos cara do que a sua. Que fizeram ent\u00e3o os outros, que se aproxime de seu crime? Que provas se podem trazer contra eles que n\u00e3o igualam as que me fizeram ver mais claramente que o dia, a conspira\u00e7\u00e3o formada contra mim, pelo mais ingrato e pior de todos os homens? Pode-se permitir que depois de tudo isso ele seja ainda t\u00e3o imprudente que se atreva a abrir a boca e a esperar deturpar a verdade com sua ast\u00facia? Mas como eu lhe permiti falar, ficai pois atento, por favor, para n\u00e3o vos deixardes enganar. Eu conhe\u00e7o a fundo sua mal\u00edcia: n\u00e3o haver\u00e1 recurso de que ele n\u00e3o use para ludibriar a verda\u00adde, nem l\u00e1grimas fingidas que ele n\u00e3o derrame para vos mover \u00e0 compaix\u00e3o. Era assim que ele me exortava, durante a vida de Alexandre, a desconfiar dele e a pensar em minha seguran\u00e7a. Era assim que ele vinha olhar em meu quarto e em meu leito, se n\u00e3o havia algu\u00e9m escondido, para algum fim perverso. Era assim que ele velava junto de mim, quando eu dormia, que ele dizia que tinha cuidado pelo meu repouso, que me consolava em minha dor pela morte de seus irm\u00e3os e que ele me dava testemunhos \u00fateis ou contr\u00e1rios de afeto daqueles que estavam com vida. Em suma, era assim que ele me fazia crer ser ele o \u00fanico que tinha sempre os olhos abertos pela minha conserva\u00e7\u00e3o. Quando estas coisas me v\u00eam \u00e0 mente e eu me lembro de todos os meios de que ele se servia e de todos os esfor\u00e7os que fazia para me enganar, com sua horr\u00edvel hipocrisia, eu me admiro de como ainda estou vivo e como \u00e9 poss\u00edvel que eu n\u00e3o tenha ca\u00eddo em t\u00e3o estranhas ciladas. Agora, que sou t\u00e3o infeliz, tendo como maiores inimigos aque\u00adles mesmos que me s\u00e3o mais pr\u00f3ximos e aos quais mais ardentemente amei, chorarei na minha solid\u00e3o a injusti\u00e7a do meu destino. Se todos os meus filhos forem culpados, n\u00e3o perdoarei a um s\u00f3 dos que se saciaram no meu sangue.&#8221; Terminou ele com estas palavras o seu discurso, porque a viol\u00eancia da dor n\u00e3o lhe permitia continuar. Ordenou a Nicolau, um de seus amigos, que fizesse uma rela\u00e7\u00e3o das provas que resultavam das informa\u00e7\u00f5es. Ant\u00edpatro, ent\u00e3o, que estava prostrado aos p\u00e9s de seu pai, levantou a cabe\u00e7a e disse-lhe: &#8220;V\u00f3s mesmo, senhor, fizeste a minha apologia. Como aquele, que dizeis ter sempre velado por vossa conserva\u00e7\u00e3o, pode ser um parricida? Se a piedade que eu demonstrei era apenas dissimula\u00e7\u00e3o e fingimento, como, passando por t\u00e3o h\u00e1bil e prudente em tudo o mais, teria sido eu t\u00e3o est\u00fapido de n\u00e3o saber, que, embora eu pudesse ocultar aos olhos dos homens t\u00e3o grande crime, h\u00e1 um juiz no c\u00e9u, que est\u00e1 em toda parte, que tudo v\u00ea, tudo penetra e a cujo conhecimento nada se pode furtar? Ignoraria eu de que maneira ele exerceu sua vingan\u00e7a sobre meus irm\u00e3os, por que eles tinham conspirado contra vossa vida? E que motivo teria podido levar-me a querer cometer semelhante crime? Seria a esperan\u00e7a de reinar? Mas eu j\u00e1 reinava. Seria o temor de vossa ira? V\u00f3s me am\u00e1veis apaixonadamente. Seria algum outro motivo que eu teria para vos temer? Eu vos tornava, ao contr\u00e1rio, tem\u00edvel aos outros, pelo cuidado que tinha de vossa conserva\u00e7\u00e3o. Seria a neces\u00adsidade de dinheiro? Que despesas n\u00e3o me d\u00e1veis os meios de fazer? Quando eu tivesse mesmo sido o mais criminoso de todos os homens e mais cruel que um tigre, vossa extrema bondade para comigo n\u00e3o teria acalmado meu car\u00e1ter e vencido minhas m\u00e1s inclina\u00e7\u00f5es, pela multid\u00e3o de benef\u00edcios recebidos de v\u00f3s, pois, como v\u00f3s mesmo dissestes, v\u00f3s me hav\u00edeis feito voltar do ex\u00edlio, no qual eu me ia consumindo, v\u00f3s me preferistes a todos os outros irm\u00e3os, v\u00f3s me declarastes vosso sucessor e me cumulastes de tantas outras gra\u00e7as que os mais ambiciosos tinham motivo de invejar a minha sorte? Ai! Infeliz que eu fui! Como minha viagem a Roma me foi funesta, pela ocasi\u00e3o que deu, durante esse tempo, de meus inimigos indispor-vos contra mim, por meio de cal\u00fanias. V\u00f3s, entretanto, sabeis que eu l\u00e1 fora, apenas para defender os vossos interesses contra Sileu, que desprezava vossa velhice. A capital do imp\u00e9rio e Augusto, senhor do mundo, que me chamavam tantas vezes de filho dedicado ao pr\u00f3prio pai, podem dar teste\u00admunho de meu ardor em cumprir para convosco os meus deveres. Vede, por favor, as cartas que esse grande imperador escreveu e que merecem que a elas presteis toda f\u00e9, que n\u00e3o \u00e0s falsas acusa\u00e7\u00f5es de que todos se servem para me destruir. Essas cartas vos dar\u00e3o a conhecer at\u00e9 que ponto vai meu afeto por v\u00f3s: e \u00e9 com esse testemunho irreproch\u00e1vel que me pretendo defender. Lembrai-vos, eu vos suplico, com que repugn\u00e2ncia embarquei para Roma, porque eu j\u00e1 sabia que tinha muitos inimigos ocultos, que ficavam junto de v\u00f3s. Assim, sem pensar, causastes a minha ru\u00edna, obrigando-me a fazer essa viagem e dando por esse meio, aos invejosos de minha felicidade, o tempo e a ocasi\u00e3o de me caluniar e de me destruir. Se eu fosse um parricida, teria podido atravessar sem perigo tantas terras e tantos mares? Mas eu n\u00e3o quero me deter nestas provas de minha ino\u00adc\u00eancia, pois sei que Deus permitiu que v\u00f3s j\u00e1 me tenhais condenado em vosso cora\u00e7\u00e3o. Pe\u00e7o-vos somente que n\u00e3o presteis f\u00e9 a declara\u00e7\u00f5es extorquidas pelas torturas, mas empregueis antes o ferro e o fogo para me fazer sofrer os maiores supl\u00edcios do mundo, os mais cru\u00e9is, pois que se eu sou um parricida, n\u00e3o \u00e9 justo que eu morra sem os ter experimentado todos.&#8221;<\/p>\n<p>Ant\u00edpatro acompanhou estas palavras com tantas l\u00e1grimas e gemidos que Varo e todos os outros ficaram tomados de compaix\u00e3o. Herodes foi o \u00fanico que n\u00e3o derramou uma l\u00e1grima, porque sua c\u00f3lera contra o filho desnaturado tornava-o atento \u00e0s provas, que o convenciam do seu crime. Ele ordenou a Nicolau que falasse: este come\u00e7ou por declarar t\u00e3o claramente a mal\u00edcia e os artif\u00edcios de Ant\u00edpatro, que apagou do esp\u00edrito de todos os que se haviam deixado levar pela piedade, a compaix\u00e3o que tinham dele. Entrou depois fortemente no fundo da quest\u00e3o, acusou-o de ser o causador de todos os males do reino, de ter feito mor\u00adrer, por suas cal\u00fanias, os dois irm\u00e3os Alexandre e Arist\u00f3bulo e de ter procurado perder todos os outros irm\u00e3os, que ainda viviam, tendo-os como um obst\u00e1culo \u00e0 sua ascens\u00e3o ao trono; disso n\u00e3o tinham motivo de se admirar, pois um homem que queria envenenar o pr\u00f3prio pai, n\u00e3o teria receio de eliminar seus irm\u00e3os. Ci\u00adtou, em seguida, por ordem, todas as provas do veneno; insistiu muito na horr\u00edvel maldade de Ant\u00edpatro, que chegara a levar Feroras ao crime detest\u00e1vel, de tentar contra a vida de seu irm\u00e3o e de seu rei; havia ele mesmo subornado os principais amigos de seu pai e enchido o pal\u00e1cio real de dissens\u00f5es e de inimizades, de \u00f3dio e de perturba\u00e7\u00f5es. A isso acrescentou diversas coisas semelhantes.<\/p>\n<p>Varo ordenou a Ant\u00edpatro que respondesse e, vendo que ele ficara sem\u00adpre deitado no ch\u00e3o, dizendo somente que Deus era testemunha de sua inoc\u00ean\u00adcia, ordenou que lhe trouxessem o veneno. Fizeram um homem condenado \u00e0 morte tom\u00e1-lo e ele morreu imediatamente. Varo disse depois alguma coisa em particular a Herodes, escreveu a Augusto tudo o que se havia passado naquela assembl\u00e9ia, e partiu no dia seguinte para regressar. Herodes mandou encerrar Ant\u00edpatro na pris\u00e3o e enviou not\u00edcias ao imperador da sua vida cheia de desgos\u00adtos e da sua infelicidade.<\/p>\n<p>Descobriu-se depois tamb\u00e9m a inten\u00e7\u00e3o de Ant\u00edpatro de destruir Salom\u00e9, pois um dos servidores de Antifilo, que voltava de Roma, entregou ao rei uma carta de uma criada de quarto da imperatriz, de nome Acm\u00e9, dizendo que ela lhe envi\u00adava a c\u00f3pia de uma carta escrita por Salom\u00e9 \u00e0 sua senhora, na qual dizia dele as coisas mais ultrajantes do mundo e o acusava de v\u00e1rios crimes. Mas Ant\u00edpatro havia antes subornado esta mulher com o dinheiro e a havia obrigado a escrever aquela carta, que ele mesmo ditara, como se deduzia de uma outra carta de Acm\u00e9 a ele, cujas palavras s\u00e3o estas: &#8220;Escrevi ao rei vosso pai como quer\u00edeis e mandei-lhe essa outra carta. Tenho certeza de que depois que ele a ler, n\u00e3o perdoar\u00e1 \u00e0 sua irm\u00e3 e quero crer que, quando esse assunto estiver terminado, v\u00f3s vos lembrareis da promessa que me fizestes.&#8221; Herodes, depois de ter lido estas cartas, lembrou-se de que pouco faltara mesmo para que ele tivesse mandado matar sua irm\u00e3 Salom\u00e9, por aquela maldade de Ant\u00edpatro e, concluindo assim, que bem podia ter ele cau\u00adsado a morte de Alexandre, com meios semelhantes, sentiu uma t\u00e3o viva dor, que n\u00e3o hesitou mais em dar \u00e0quele malvado o castigo de tantos crimes. Mas uma grave enfermidade impediu-lhe executar o que tinha em mente. Escreveu somen\u00adte a Augusto, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0quela carta de Acm\u00e9, modificou o seu testamento, nomeou Antipas, um de seus filhos, seu sucessor no reino e n\u00e3o falou de Arquelau, nem de Filipe, que eram mais velhos do que ele, porque Ant\u00edpatro os havia torna\u00addo odiosos. Legou a Augusto, entre outras coisas, mil talentos de prata e quinhen\u00adtos talentos \u00e0 imperatriz, sua esposa, aos filhos, aos amigos e aos libertos; deu a outros, terras e somas consider\u00e1veis e deixou grandes riquezas a Salom\u00e9, sua irm\u00e3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>__________________________ * Hist\u00f3ria dos Judeus, Livro 17, cap\u00edtulo 6. &nbsp; A chegada de Batilo foi uma \u00faltima prova do crime de Ant\u00edpatro, que confirmou todas as outras. Era ele um dos libertos que voltava de Roma, de onde tinha trazido um outro veneno de \u00e1spide e de outras serpentes, a fim de que, se o&#8230; <a href=\"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-20-outras-provas-dos-crimes-de-antipatro-ele-volta-de-roma-para-a-judeia-herodes-o-confunde-na-presenca-de-varo-governador-da-siria-fa-lo-por-na-prisao-e-o-teria-entao-feito-morrer-se-n\/\">ler mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[224,225,289,452,639,662,697,766,812,965,1056,1177,1267,1281,1306,1468,1507,1516,1725,1867,1956,1966,2285,2331,2364,2411,2552,2675,2838,2909,2959,2977,3004,3112,3192],"class_list":["post-629","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livro-primeiro-ii-parte-guerra-dos-judeus-contra-os-romanos","tag-antipas","tag-antipatro","tag-arqueiau","tag-caido","tag-comprometida","tag-confunde","tag-conspiracao","tag-crimes","tag-declara","tag-disposto","tag-enfermo","tag-estava","tag-falo","tag-favor","tag-feito","tag-governador","tag-havia","tag-herodes","tag-judeia","tag-mao","tag-modifica","tag-morrer","tag-porque","tag-presenca","tag-prisao","tag-provas","tag-reino","tag-roma","tag-siria","tag-sucessor","tag-teria","tag-testamento","tag-tivesse","tag-varo","tag-volta"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/629","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=629"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/629\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=629"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=629"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=629"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}