{"id":593,"date":"2015-04-03T02:42:33","date_gmt":"2015-04-03T02:42:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=593"},"modified":"2015-04-03T02:42:33","modified_gmt":"2015-04-03T02:42:33","slug":"capitulo-3-morte-de-hircano-principe-dos-judeus-aristobulo-seu-filho-mais-velho-toma-por-primeiro-o-titulo-de-rei-manda-matar-sua-mae-e-antigono-seu-irmao-e-morre-tambem-de-tristeza-alexandr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-3-morte-de-hircano-principe-dos-judeus-aristobulo-seu-filho-mais-velho-toma-por-primeiro-o-titulo-de-rei-manda-matar-sua-mae-e-antigono-seu-irmao-e-morre-tambem-de-tristeza-alexandr\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo &#8211; 3 Morte de Hircano, pr\u00edncipe dos judeus. Arist\u00f3bulo, seu filho mais velho, toma por primeiro o t\u00edtulo de rei. Manda matar sua m\u00e3e e Ant\u00edgono, seu irm\u00e3o, e morre tamb\u00e9m de tristeza. Alexandre, um de seus irm\u00e3os, sucede-o. Grandes guerras desse pr\u00edncipe, tanto externas como internas. Cruel a\u00e7\u00e3o que ele comete. *"},"content":{"rendered":"<p><em>___________________________<\/em><\/p>\n<p><em>* <\/em>Este registro tamb\u00e9m se encontra no Livro D\u00e9cimo Terceiro, cap\u00edtulos 18,19, 20, 21 e 22, Antig\u00fcidades Judaicas, Parte I.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A prosperidade de Hircano e de seus filhos atraiu-lhes tanta inveja que v\u00e1ri\u00ados se ergueram contra eles e chegaram mesmo a uma guerra aberta. Mas Hircano continuou senhor, passou o restante de sua vida em grande tranq\u00fcilidade e depois de ter governado durante trinta e tr\u00eas anos, com tanta sabedoria e virtude, que nada se podia, sem injusti\u00e7a, encontrar digno de censura em seu proceder, morreu e deixou cinco filhos. Teve esta rara felicidade de possuir ao mesmo tempo o prin-cipado, o sumo sacerd\u00f3cio e o dom da profecia. Deus mesmo falava-lhe e dava-lhe o conhecimento das coisas futuras. Assim, previu e predisse que os dois mais ve\u00adlhos de seus filhos n\u00e3o reinariam por muito tempo. A este respeito, julgo dever relatar qual o seu fim, t\u00e3o longe da felicidade de que seu pai havia gozado.<\/p>\n<p>Depois da morte de Hircano, Arist\u00f3bulo, o mais velho de seus filhos, mudou a forma de governo, em Roma, e foi o primeiro que p\u00f4s o diadema sobre a cabe\u00e7a, quatrocentos e setenta e um anos e tr\u00eas meses depois que o povo, tendo sido libertado da servid\u00e3o dos babil\u00f4nios, tinha voltado \u00e0 Jud\u00e9ia. Ele tinha tanto afeto por Ant\u00edgono, um de seus irm\u00e3os, que o associou \u00e0 coroa. Mandou os outros para a pris\u00e3o e l\u00e1 mandou tamb\u00e9m colocar sua m\u00e3e, porque Hircano, tendo-a declara\u00addo regente, ela disputava-lhe o governo. Sua crueldade para com ela chegou a ponto de faz\u00ea-la morrer de fome. Ele acrescentou a esse crime o de tamb\u00e9m matar Ant\u00edgono, depois das cal\u00fanias de que se serviam para torn\u00e1-lo odioso a ele. Como o amava muito, n\u00e3o podia, a princ\u00edpio, acreditar; mas aconteceu que quando ele estava doente, Ant\u00edgono, que voltava da guerra com soberano s\u00e9quito, com mui\u00adtos homens armados, entrou no Templo com aquela majestade toda, para rogar a Deus pela sa\u00fade do rei, seu irm\u00e3o. Seus inimigos tomaram essa ocasi\u00e3o para perd\u00ea-lo. Disseram a Arist\u00f3bulo que Ant\u00edgono, n\u00e3o se contentando com a honra que ele lhe tinha feito, associando-o ao governo, queria possu\u00ed-lo todo, inteiro, sozinho; e para esse fim tinha vindo com a pompa que s\u00f3 compete a um soberano, acompa\u00adnhado de tantos guardas, que n\u00e3o se podia duvidar de que aquilo era para mat\u00e1-lo. Arist\u00f3bulo, que ent\u00e3o estava na fortaleza de Baris, que Herodes, depois chamou Ant\u00f4nia, em honra de Ant\u00f4nio, a princ\u00edpio n\u00e3o quis acreditar nessas palavras, mas por fim chegou a persuadir-se de tudo e para n\u00e3o mostrar abertamente sua des\u00adconfian\u00e7a para com seu irm\u00e3o, nem algo fazer com leviandade, em assunto t\u00e3o importante, ordenou aos seus guardas que se postassem \u00e0 passagem de Ant\u00edgono num lugar obscuro e subterr\u00e2neo, com ordem de deix\u00e1-lo passar, se ele se encon\u00adtrasse sem arma, e de mat\u00e1-lo, se estivesse armado; mas mandou-lhe dizer que viesse sem armas. A rainha, por uma maldade horr\u00edvel, de combina\u00e7\u00e3o com os outros inimigos de Ant\u00edgono, subornou o guarda que estava encarregado dessa comiss\u00e3o e o induziu a dizer a Ant\u00edgono, que o rei, tendo sabido que ele tinha trazido da Galil\u00e9ia as mais belas armas do mundo, rogava-lhe que viesse encontr\u00e1-lo; armado como estava, a fim de lhe dar o prazer de v\u00ea-las em sua pessoa. Ant\u00edgono, que tinha recebido provas de afeto do rei, seu irm\u00e3o, de nada desconfiou e, assim, apressou-se em executar essa ordem; quando chegou ao lugar denominado a tor\u00adre de Estrat\u00e3o, os guardas do rei esperavam-no e o mataram.<\/p>\n<p>Que outro exemplo pode melhor manifestar, como a cal\u00fania \u00e9 capaz de afo\u00adgar os sentimentos mais ternos da natureza e da amizade e que n\u00e3o h\u00e1 uni\u00e3o t\u00e3o grande que sempre possa resistir aos esfor\u00e7os que ela faz para os destruir?<\/p>\n<p>Aconteceu nesse fato uma coisa, que n\u00e3o se pode admirar assaz. Judas, da seita dos ess\u00eanios, tinha tal conhecimento do futuro, que suas predi\u00e7\u00f5es jamais deixaram de ser verdadeiras e tinham-lhe conquistado tal fama, que ele era sempre seguido de grande n\u00famero de pessoas que o consultavam. Quando esse bom velho viu Ant\u00edgono entrar no Templo, voltou-se para eles e exclamou: &#8220;Como se h\u00e1 de viver mais, depois que a verdade morreu? Posso duvidar de que uma coisa que eu predisse seja falsa, vendo, como eu vejo, com meus pr\u00f3prios olhos, Ant\u00edgono ainda com vida, ele, que eu julgava dever ser hoje morto na torre de Estrat\u00e3o? E como isso se poderia realizar pois ela est\u00e1 longe daqui seiscentos est\u00e1dios e estamos na quarta hora do dia?&#8221; Depois que judas havia falado deste modo e repassava com tristeza certas coisas em sua mente, vieram dizer-lhe que Ant\u00edgono tinha sido morto, num lugar subterr\u00e2neo que tem o mesmo nome que a torre de Estrat\u00e3o, que est\u00e1 em Cesar\u00e9ia, \u00e0 margem do oceano. Fora essa semelhan\u00e7a de nomes que o havia enganado.<\/p>\n<p>Arist\u00f3bulo, apenas cometeu t\u00e3o cruel a\u00e7\u00e3o, logo se arrependeu e a dor que sentiu aumentou ainda mais a sua doen\u00e7a. O horror de seu crime, que continua\u00admente pairava-lhe ante os olhos, perturbou sua alma; ele caiu em t\u00e3o profunda tristeza que os efeitos de sua melancolia, passando da alma ao corpo, irritando seu g\u00eanio, comoveram-lhe tanto as entranhas, que ele chegou a vomitar sangue. Um dos seus mordomos levou esse sangue e Deus permitiu que ele o atirasse, sem que\u00adrer, no mesmo lugar onde se viam, ainda, manchas do sangue de Ant\u00edgono. Os que o viram, julgando que ele o havia feito de prop\u00f3sito e que era como um sacrif\u00edcio que ele oferecia aos manes desse pr\u00edncipe, soltaram gritos t\u00e3o agudos que o rei os ouvia. Perguntou-lhe ent\u00e3o qual a causa. E como ningu\u00e9m ousava dizer-lhe a verda\u00adde, o que agu\u00e7ou ainda mais a sua curiosidade, ele os obrigou, com amea\u00e7as, a confess\u00e1-lo. Ent\u00e3o, banhado em l\u00e1grimas, consumido pela viol\u00eancia de seus suspi\u00adros, o que lhe restava ainda de for\u00e7a, disse com voz quase impercept\u00edvel: &#8220;Poderia eu esperar que Deus, que tem os olhos abertos sobre tudo o que se passa no mundo, n\u00e3o tivesse ci\u00eancia de meus crimes? Sua justi\u00e7a poderia castigar-me mais pronta\u00admente do que o faz, por ter sido o assassino de meu pr\u00f3prio irm\u00e3o? At\u00e9 quando este miser\u00e1vel corpo reter\u00e1 minha alma, para impedir que seja sacrificada \u00e0 vingan\u00e7a de sua morte e da de minha m\u00e3e? Por que oferecer-lhe assim meu sangue gota a gota, em vez de oferec\u00ea-lo todo de uma vez? Por que ficar por mais tempo exposto ao sabor da fortuna que zomba por me ver, com as estranhas despeda\u00e7adas e oprimido pela dor, sentir os efeitos de sua inconst\u00e2ncia?&#8221; Dizendo estas palavras, morreu, depois de ter reinado apenas um ano.<\/p>\n<p>A rainha, sua vi\u00fava, mandou depois sa\u00edrem os irm\u00e3o da pris\u00e3o e constituiu rei a Alexandre, que era o mais velho e parecia de car\u00e1ter moderado. Mas apenas foi elevado ao supremo poder, mandou matar o irm\u00e3o, que o queria disputar, e conservou o outro, porque se contentou de viver em condi\u00e7\u00e3o de um particular.<\/p>\n<p>Ptolomeu Latur, rei do Egito, tendo tomado a cidade de Azoche, Alexandre ofereceu-lhe combate, matando-lhe muitos soldados; mas a vit\u00f3ria, no entanto, pertenceu a Ptolomeu. Cle\u00f3patra, m\u00e3e deste pr\u00edncipe, obrigou-o a se retirar para o Egito, e ent\u00e3o Alexandre tornou-se senhor de Cadara e de Amate, que \u00e9 a maior de todas as pra\u00e7as al\u00e9m do Jord\u00e3o, onde ele se enriqueceu com o que Teodoro, filho de Zen\u00e3o, tinha de mais precioso. Mas n\u00e3o o possuiu por muito tempo. Teodoro veio contra ele e reconquistou n\u00e3o somente o que ele lhe tinha arrebatado, mas saqueou toda a bagagem de Alexandre, matando-lhe ainda uns dois mil homens. Este rei dos judeus reuniu novas for\u00e7as, levou a guerra \u00e0s cidades mar\u00edtimas, tomou Rafia, Gaza e Antedom, que o rei Herodes depois chamou de Agrip\u00edada.<\/p>\n<p>Como acontece muitas vezes, que as grandes assembl\u00e9ias e os grandes banquetes causam perturba\u00e7\u00f5es, surgiu, num dia de festa, tal agita\u00e7\u00e3o contra este pr\u00edncipe, que ele julgou n\u00e3o se poder salvar da rebeli\u00e3o de seus s\u00faditos, sen\u00e3o assalariando tropas estrangeiras; como n\u00e3o confiava nos s\u00edrios, porque n\u00e3o v\u00e3o de acordo com os judeus, serviu-se dos pis\u00eddios e dos cil\u00edcios. Mandou depois matar mais de oito mil daqueles sediciosos e marchou contra Obodas, rei dos \u00e1rabes, venceu os gal\u00e1tidas e os moabitas, imp\u00f4s-lhes um tributo e voltou para sitiar Amate. Mas Teodoro, espantado com todos estes acontecimentos, abandonou a pra\u00e7a e Alexandre a destruiu completamente.<\/p>\n<p>Marchou depois contra Obodas: este pr\u00edncipe que havia colocado uma parte de suas tropas de emboscada, na prov\u00edncia de Gaulaim, impeliu-o para um vale muito estreito e profundo e destruiu todo seu ex\u00e9rcito, que foi esmagado pela mul\u00adtid\u00e3o de seus camelos. A custo Alexandre p\u00f4de salvar-se em Jerusal\u00e9m, onde sua m\u00e1 sorte, aumentando ainda o \u00f3dio que j\u00e1 lhe tinham, encontrou todos os habitantes mais dispostos do que nunca a se revoltar; essa animosidade foi t\u00e3o al\u00e9m, que em v\u00e1rios combates em que ele se viu envolvido, contra seus pr\u00f3prios s\u00faditos, e onde sempre ele levou a melhor, matou mais de cinq\u00fcenta mil, durante seis anos.<\/p>\n<p>Estas vit\u00f3rias que enfraqueciam o seu estado, foram-lhe mui funestas e ele com isso n\u00e3o se podia regozijar; e assim, em vez de continuar procurando reunir seus s\u00faditos e lev\u00e1-los \u00e0 obedi\u00eancia, pelo caminho das armas, resolveu tentar o da bondade. Mas essa mudan\u00e7a de proceder s\u00f3 lhes aumentou o \u00f3dio; eles o atribu\u00edram \u00e0 sua inconst\u00e2ncia; e um dia, quando ele lhes perguntou o que poderia fazer para content\u00e1-los, responde\u00adram-lhe que devia fazer-se matar e que eles mui dificilmente perdoariam todo o mal que lhes fizera. Chamaram em seu aux\u00edlio o rei Dem\u00e9trio Eucero, o qual veio com um ex\u00e9rcito; feito mais forte com esse refor\u00e7o, marchou at\u00e9 Siqu\u00e9m, com tr\u00eas mil cavalei\u00adros e quarenta mil soldados de infantaria. Alexandre, que s\u00f3 tinha mil cavaleiros, oito mil estrangeiros e mais ou menos dez mil judeus, que ainda lhe eram fi\u00e9is, marchou contra ele. Antes de travar combate, estes dois reis fizeram cada qual o poss\u00edvel. Dem\u00e9trio, para atrair ao seu partido os estrangeiros que Alexandre tinha, e Alexandre, para trazer ao seu, os judeus que se haviam reunido a Dem\u00e9trio. Mas nem um, nem outro, conse\u00adguiu o que queria e foi ent\u00e3o necess\u00e1rio travar-se a batalha. Dem\u00e9trio ganhou-a, e jamais se combateu t\u00e3o corajosamente como combateram os estrangeiros que Ale\u00adxandre tinha assalariado. O efeito dessa vit\u00f3ria foi contr\u00e1rio ao que os dois pr\u00edncipes deveriam imaginar. Pois Alexandre, tendo fugido para as montanhas, seis mil judeus que tinham combatido por Dem\u00e9trio, comovidos pela desgra\u00e7a desse rei, foram procur\u00e1-lo. Mudan\u00e7a t\u00e3o repentina assustou a Dem\u00e9trio e, com o medo que sentiu de que o restante da na\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m viesse a passar para o lado de Alexandre, que ele via j\u00e1 t\u00e3o forte quanto ele, depois desse grande aux\u00edlio, achou melhor retirar-se. Os outros ju\u00addeus continuaram a fazer guerra a Alexandre, a qual durou at\u00e9 quando, depois de ter matado um grande n\u00famero deles, e reduzido os que restavam de todos os combates, a ter como \u00fanico ref\u00fagio a cidade de Bemezel, tomou essa pra\u00e7a e os levou a todos, prisioneiros, a Jerusal\u00e9m. Viu-se ent\u00e3o at\u00e9 que ponto de crueldade, ou melhor, de impiedade, a c\u00f3lera pode levar os homens. Durante um banquete que ele dava \u00e0s suas concubinas, mandou crucificar diante de seus pr\u00f3prios olhos, oitocentos daqueles pri\u00adsioneiros, depois de ter feito degolar na presen\u00e7a deles, suas mulheres e filhos. Espet\u00e1culo t\u00e3o horr\u00edvel imprimiu tal terror no esp\u00edrito dos daquele partido, que oito mil partiram na noite seguinte, fugindo para fora do reino, e voltaram \u00e0 Jud\u00e9ia somente depois da morte desse pr\u00edncipe, e foi somente com a\u00e7\u00f5es t\u00e3o tr\u00e1gicas que ele restabeleceu por fim e com muita dificuldade a paz e a tranq\u00fcilidade em seu Estado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>___________________________ * Este registro tamb\u00e9m se encontra no Livro D\u00e9cimo Terceiro, cap\u00edtulos 18,19, 20, 21 e 22, Antig\u00fcidades Judaicas, Parte I. &nbsp; A prosperidade de Hircano e de seus filhos atraiu-lhes tanta inveja que v\u00e1ri\u00ados se ergueram contra eles e chegaram mesmo a uma guerra aberta. 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