{"id":570,"date":"2015-04-03T02:32:27","date_gmt":"2015-04-03T02:32:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=570"},"modified":"2015-04-03T02:32:27","modified_gmt":"2015-04-03T02:32:27","slug":"capitulo-5-grande-dissensao-entre-os-judeus-da-galileia-e-os-samaritanos-que-subornam-cumano-governador-dajudeia-quadrato-governador-da-siria-manda-o-a-roma-com-ananias-sumo-sacerdote-e-vario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-5-grande-dissensao-entre-os-judeus-da-galileia-e-os-samaritanos-que-subornam-cumano-governador-dajudeia-quadrato-governador-da-siria-manda-o-a-roma-com-ananias-sumo-sacerdote-e-vario\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 5 &#8211; Grande dissens\u00e3o entre os judeus da Galil\u00e9ia e os samaritanos, que subornam Cumano, governador da jud\u00e9ia. Quadrato, governador da S\u00edria, manda-o a Roma com Ananias, sumo sacerdote, e v\u00e1rios outros para se justificar perante o imperador. O imperador condena os samaritanos, envia Cumano ao ex\u00edlio e nomeia F\u00e9lix governador da jud\u00e9ia. Entrega a Agripa a tetrarquia que fora de Filipe, bem como Batanea, Traconites e Abila, e tira-lhe a C\u00e1lcida. Casamento das irm\u00e3s de Agripa. Morte do imperador Cl\u00e1udio. Nero sucede-o no imp\u00e9rio. Ele entrega a Pequena Arm\u00eania a Arist\u00f3bulo, filho de Herodes, rei da C\u00e1lcida, e a Agripa concede uma parte da Galil\u00e9ia, Tiber\u00edades, Tariqu\u00e9ia e jul\u00edada."},"content":{"rendered":"<p>Aconteceu nesse mesmo tempo uma grande diverg\u00eancia entre os samaritanos e os judeus, pelo fato que vou narrar. Os judeus que, nos dias de festa solene, vinham da Galil\u00e9ia a Jerusal\u00e9m costumavam passar pelas terras de Samaria.<\/p>\n<p>E alguns deles tiveram uma desaven\u00e7a com os habitantes de Nays, aldeia situada no Grande Campo e que estava sujeita aos samaritanos, e v\u00e1rios judeus foram mortos. Os principais da Galil\u00e9ia foram queixar-se a Cumano, pedindo-lhe justi\u00e7a. Por\u00e9m, vendo que ele n\u00e3o lhes dava aten\u00e7\u00e3o, porque os samaritanos o haviam subornado com dinheiro, exortaram os outros judeus a pegar em armas para re\u00adconquistar a liberdade, dizendo que a servid\u00e3o j\u00e1 era bastante rude por si mesma, para que ainda se lhe acrescentassem injusti\u00e7as e ultrajes.<\/p>\n<p>Os magistrados esfor\u00e7aram-se para acalm\u00e1-los, prometendo-lhes obrigar Cumano a castigar os autores dos assassinatos, mas eles n\u00e3o os quiseram escutar. Tomaram ent\u00e3o as armas e chamaram em seu aux\u00edlio Eleazar, filho de Dineu, que havia muitos anos se entregara ao roubo e escondia-se nas montanhas, devastando e incendiando as aldeias dependentes de Samaria. Cumano, apenas o soube, marchou contra eles com a cavalaria de Sebaste, quatro coortes e numerosos samaritanos, matando v\u00e1rios deles e fazendo muitos prisioneiros.<\/p>\n<p>Os cidad\u00e3os mais influentes de Jerusal\u00e9m, vendo as coisas nesse estado e imaginando que esse grande mal poderia ter conseq\u00fc\u00eancias ainda mais vergonhosas, revestiram-se de um saco, puseram cinza na cabe\u00e7a e tudo fizeram para acalmar o esp\u00edrito de muitos dos seus, a quem, com pesar, viam abandonar-se ao desespero. Fizeram-lhes ver que, se n\u00e3o deixassem as armas e n\u00e3o se retirassem para as suas casas, l\u00e1 permanecendo tranq\u00fcilos e sossegados, seriam a causa da ru\u00edna completa de sua na\u00e7\u00e3o e veriam o Templo incendiado e as suas mulheres e filhos transformados em escravos. Essas raz\u00f5es os persuadiram. Os que dissemos que viviam do roubo, por\u00e9m, retiraram-se aos lugares fortificados, onde estavam antes. E desde ent\u00e3o a Jud\u00e9ia ficou cheia de ladr\u00f5es.<\/p>\n<p>Os mais ilustres dos samaritanos foram em seguida \u00e0 cidade de Tiro procurar Num\u00eddio Quadrato, governador da S\u00edria, para lhe pedir que fizesse justi\u00e7a contra os judeus que devastavam as suas terras e incendiavam as suas aldeias. Disseram-lhe que, por maior que fosse o preju\u00edzo que estivessem tomando, n\u00e3o lhes era isso t\u00e3o penoso quanto o descaso que o povo fazia do poder dos romanos. E tocava somente a ele julgar as desordens que se sucediam nas prov\u00edncias a ele sujeitas. Eles n\u00e3o podiam tolerar que a na\u00e7\u00e3o judaica agisse como se o imp\u00e9rio n\u00e3o tivesse governado\u00adres que pudessem manter a autoridade. Os judeus disseram, em resposta, que os samaritanos \u00e9 que haviam sido a causa daquela sedi\u00e7\u00e3o e do mortic\u00ednio que se sucedera em seguida e que Cumano era mais culpado que qualquer outro, porque, em vez de castiq\u00e1-los, se deixara subornar pelos presentes que deles recebera.<\/p>\n<p>Quadrato, depois de escut\u00e1-los, deixou para decidir a quest\u00e3o quando esti\u00advesse na Jud\u00e9ia e conhecesse exatamente toda a verdade. Algum tempo depois, foi ele \u00e0 Samaria, onde se pleiteou a causa em sua presen\u00e7a. Ele ficou convencido de que os samaritanos haviam sido os autores da perturba\u00e7\u00e3o. Soube tamb\u00e9m que alguns judeus haviam tentado suscitar outras sedi\u00e7\u00f5es. Ap\u00f3s mandar crucifi\u00adcar aqueles que Cumano conservava na pris\u00e3o, foi para a aldeia de Lida, que \u00e9 t\u00e3o grande quanto uma cidade, onde, estando em seu tribunal, ouviu pela se\u00adgunda vez os samaritanos.<\/p>\n<p>Tendo sabido de um deles que Dorto, homem que ocupava uma alta posi\u00ad\u00e7\u00e3o entre os judeus, e quatro outros haviam incitado os de sua casa \u00e0 revolta, mandou matar todos os cinco e enviou Ananias, sumo sacerdote, e o capit\u00e3o Anano como prisioneiros a Roma, para se justificarem diante do imperador. Mandou tamb\u00e9m para l\u00e1 os principais samaritanos e judeus, o pr\u00f3prio Cumano e um oficial de campo, de nome Celer. Por\u00e9m, temendo outra amotina\u00e7\u00e3o entre os judeus, foi para Jerusal\u00e9m. L\u00e1 encontrou tudo em paz, estando todos ocupados em oferecer sacrif\u00edcios a Deus, nos dias de festa, segundo o costu\u00adme de nossos antepassados. Assim, ele julgou que nada havia a temer, e vol\u00adtou a Antioquia.<\/p>\n<p>Cumano e os samaritanos chegaram a Roma, e foi marcado o dia para que defendessem a sua causa. Eles conquistaram com dinheiro favor dos libertos e dos amigos do imperador, e teriam por esse meio feito condenar os judeus se Agripa, que ent\u00e3o estava em Roma, n\u00e3o tivesse conseguido que a imperatriz Agripina rogasse ao imperador seu marido que se inteirasse do assunto e mandasse castigar todos os culpados daquela sedi\u00e7\u00e3o. Assim, o imperador Cl\u00e1udio, ap\u00f3s ouvir ambas as partes, achou que os samaritanos haviam sido a causa principal de toda aquela perturba\u00e7\u00e3o e mandou matar a todos os que tinham vindo se justificar. Enviou Cumano ao ex\u00edlio e Celer, a Jerusal\u00e9m, a fim de que fosse arrastado pelas ruas, na presen\u00e7a de todo o povo, at\u00e9 expirar. Por fim, nomeou Cl\u00e1udio F\u00e9lix, irm\u00e3o de Palas, governador da Jud\u00e9ia.<\/p>\n<p>O imperador, no d\u00e9cimo segundo ano de seu reinado, deu a Agripa a tetrarquia que pertencera a Filipe, bem como Batanea, Traconites e Abila, que integrara a tetrarquia de L\u00edsias, mas tirou-lhe a C\u00e1lcida, que governara por tr\u00eas ou quatro anos. Agripa, depois desses favores recebidos de Cl\u00e1udio, casou sua irm\u00e3 Drusila com Aziza, rei de Emesa, que se fizera judeu, pois antes ela fora prometida a Epif\u00e2nio, filho do rei Ant\u00edoco, ante a palavra de que ele abra\u00e7aria a nossa religi\u00e3o. Como ele n\u00e3o a cumpriu, deu-se ent\u00e3o motivo para o rompimento do contrato. Quanto a Mariana, uma outra de suas irm\u00e3s desposou Arquelau, filho de Chelcias, ao qual havia sido prometi\u00adda pelo rei Agripa, o Grande, seu pai, e desse casamento nasceu uma filha, de nome Berenice. Pouco tempo depois, Drusila abandonou o rei Aziza, seu marido, o que se deu por este motivo:<\/p>\n<p>Sendo ela a mais bela mulher de seu tempo, F\u00e9lix, governador da Jud\u00e9ia, de quem acabamos de falar, apenas a viu e concebeu por ela uma violenta paix\u00e3o, chegando a propor-lhe, por meio de um judeu de nome Sim\u00e3o, c\u00edprio de nascimento, muito seu amigo e perito em magia, que abandonasse o marido para despos\u00e1-lo, prometendo torn\u00e1-la a mulher mais feliz do mundo. Ela, agindo com imprud\u00eancia, e tamb\u00e9m para ser livrar do tormento que Berenice, sua irm\u00e3, lhe causava por invejar a sua beleza, consentiu na proposta e n\u00e3o teve receio de abandonar, por esse motivo, a sua religi\u00e3o. De F\u00e9lix, ela teve um filho chamado Agripa, que morreu ainda jovem, com sua mulher, na erup\u00e7\u00e3o do Ves\u00favio, sob o reinado de Tito, como diremos a seu tempo.<\/p>\n<p>Berenice, a mais velha das tr\u00eas irm\u00e3s de Agripa, ficou algum tempo vi\u00fava ap\u00f3s a morte de Herodes, que era ao mesmo tempo seu marido e seu tio. Mas, ante a not\u00edcia que se divulgou de que ela mantinha rela\u00e7\u00f5es incestuosas com o irm\u00e3o, prop\u00f4s a Polemon, rei da Cil\u00edcia, que abra\u00e7asse a religi\u00e3o dos judeus e a despo-sasse, acreditando que assim provaria que era boato o que se andava dizendo. O soberano consentiu, porque ela era muito rica, mas n\u00e3o viveram muito tempo juntos. Ela abandonou-o por motivo de impudic\u00edcia, ao que se diz, e ele, vendo-se rejeitado, deixou tamb\u00e9m a nossa religi\u00e3o. Mariana n\u00e3o foi mais virtuosa que suas irm\u00e3s. Abandonou Arquelau, seu marido, para desposar Dem\u00e9trio, alabarche, o mais ilustre e rico dentre os judeus de Alexandria. Dela ele teve um filho de nome Agripino. De todas essas pessoas, falaremos mais detalhadamente.<\/p>\n<p>O imperador Cl\u00e1udio morreu, ap\u00f3s reinar treze anos, oito meses e vinte dias. Alguns acreditavam que Agripina, sua mulher, o mandou envenenar. Ela era filha de Germ\u00e2nico, irm\u00e3o de Cl\u00e1udio. Em primeiras n\u00fapcias, havia desposado Dom\u00edcio Enobarbo, um dos mais ilustres romanos. Havia j\u00e1 muito tempo que ela estava vi\u00fava, quando Cl\u00e1udio a desposou e adotou o filho que ela tivera de Dom\u00edcio, chamado tamb\u00e9m Dom\u00edcio, como seu pai, a quem ele deu o nome de Nero. Antes, Cl\u00e1udio havia desposado Messalina, que ele mandou matar por ci\u00fame, e dela teve Brit\u00e2nico e Ot\u00e1via.* Quanto \u00e0 sua filha Ant\u00f4nia,** que era a mais velha de todos os seus filhos e que tivera de Petina, uma de suas outras mulheres, ele a fez casar-se com Nero.<\/p>\n<p>___________________________<\/p>\n<p>* Esse nome n\u00e3o consta do texto grego. Trata-se de uma filha chamada Ot\u00e1via, como T\u00e1cito registra e a continua\u00e7\u00e3o h\u00e1 de mostrar, e n\u00e3o um filho de nome Ot\u00e1vio.<\/p>\n<p>** Esse nome tamb\u00e9m n\u00e3o consta do texto grego, que chama esta outra filha de Ot\u00e1via, quando na verdade ela se chamava Ant\u00f4nia, como T\u00e1cito o refere.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agripina, receando que o imp\u00e9rio, que ela desejava assegurar seu filho para Nero, fosse ter \u00e0s m\u00e3os de Brit\u00e2nico, antes chamado Germ\u00e2nico, que j\u00e1 era um estadista, logo que o imperador seu marido morreu, enviou Nero ao acampamento dos guardas pretorianos. Ele foi levado por Burrho, seu comandante, por outros importantes oficiais e pelos libertos de Cl\u00e1udio, que desfrutavam grande prest\u00edgio, e l\u00e1 ele foi declarado imperador. Um dos primeiros atos de Nero ap\u00f3s ser elevado ao trono foi mandar envenenar Brit\u00e2nico secretamente. Alguns anos depois, ele man\u00addou matar a pr\u00f3pria m\u00e3e, recompensando-a dessa forma por ela lhe ter dado a vida e por t\u00ea-lo feito reinar sobre a maior parte do mundo. Tamb\u00e9m mandou matar Ot\u00e1via, sua mulher, filha do imperador Cl\u00e1udio, e v\u00e1rias pessoas ilustres, acusando-as de conspira\u00e7\u00e3o contra ele.<\/p>\n<p>N\u00e3o entrarei em detalhes porque n\u00e3o faltam historiadores que escrevam sobre os feitos desse pr\u00edncipe, sendo que alguns falaram em seu favor pelo fato de ele lhes haver concedido benef\u00edcios e outros, sem temer, como os primeiros, ferir a verdade, denegriram a sua mem\u00f3ria de maneira ultrajosa devido ao \u00f3dio que tinham por ele. Mas n\u00e3o me admiro, pois aqueles que escreveram a hist\u00f3ria dos imperadores precedentes agiram do mesmo modo, embora, vindo muito tempo depois deles, n\u00e3o pudessem ter motivos para am\u00e1-los ou para odi\u00e1-los. Quanto a mim, que estou resolvido a jamais me afastar da verdade, contentar-me-ei em tocar somente de passagem naquilo que interessa ao meu assunto. S\u00f3 tratarei em particular o que diz respeito \u00e0 nossa na\u00e7\u00e3o, sem dissimular as faltas que cometemos ou os males que nos aconteceram. Precisamos agora retomar a continua\u00e7\u00e3o de nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Aziza, rei de Emesa, morreu no primeiro ano do reinado de Nero. Seu irm\u00e3o sucedeu-o. Nero entregou a Pequena Arm\u00eania a Arist\u00f3bulo, filho de Herodes, rei da C\u00e1lcida. A Agripa, concedeu uma parte da Galil\u00e9ia. Foi seu desejo tamb\u00e9m que Tiber\u00edades e Tariqu\u00e9ia lhe fossem sujeitas, e igualmente Jul\u00edada, que est\u00e1 al\u00e9m do Jord\u00e3o, e seu territ\u00f3rio, que consta de quatorze aldeias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aconteceu nesse mesmo tempo uma grande diverg\u00eancia entre os samaritanos e os judeus, pelo fato que vou narrar. Os judeus que, nos dias de festa solene, vinham da Galil\u00e9ia a Jerusal\u00e9m costumavam passar pelas terras de Samaria. 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