{"id":564,"date":"2015-04-03T02:30:59","date_gmt":"2015-04-03T02:30:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=564"},"modified":"2015-04-03T02:30:59","modified_gmt":"2015-04-03T02:30:59","slug":"capitulo-2-izate-rei-dos-adiabenianos-e-a-rainha-helena-sua-mae-abracam-a-religiao-dos-judeus-sua-excelsa-piedade-e-grandes-feitos-desse-principe-que-deus-protege-visivelmente-fado-governador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-2-izate-rei-dos-adiabenianos-e-a-rainha-helena-sua-mae-abracam-a-religiao-dos-judeus-sua-excelsa-piedade-e-grandes-feitos-desse-principe-que-deus-protege-visivelmente-fado-governador\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 2 &#8211; Izate, rei dos adiabenianos, e a rainha Helena, sua m\u00e3e, abra\u00e7am a religi\u00e3o dos judeus. Sua excelsa piedade e grandes feitos desse pr\u00edncipe que Deus protege visivelmente. Fado, governador da Jud\u00e9ia, manda castigar um homem que enganava o povo e os que o tinham seguido."},"content":{"rendered":"<p>Por esse tempo, a rainha Helena e Izate, seu filho, rei dos adiabenianos, abra\u00e7aram a religi\u00e3o dos judeus, pelo motivo que vou expor. Monobazo, cognominado Bazeu, rei daquela na\u00e7\u00e3o, ficou possu\u00eddo de uma paix\u00e3o violenta por aquela princesa, que era sua irm\u00e3, e a desposou. Ela ficou gr\u00e1vida, e, estando ele deitado junto dela, adormecido, p\u00f4s a m\u00e3o sobre o ventre da esposa e ent\u00e3o ouviu uma voz que lhe ordenava que a retirasse, para n\u00e3o ferir a crian\u00e7a concebida, a qual, por uma determina\u00e7\u00e3o particular de Deus, deveria ser muito feliz. Ele despertou muito perturbado e contou a esposa o que havia escutado. Quando o menino veio ao mundo, deu-lhe o nome de Izate. Tinha ele j\u00e1 outro filho daquela princesa, de nome Monobazo, como ele, e ainda outros, de outras mulheres. Mas a sua ternura por Izate era t\u00e3o grande que todos notaram que, mesmo que fosse aquele o \u00fanico filho, n\u00e3o o teria amado mais.<\/p>\n<p>O grande amor do rei por Izate causou inveja aos outros irm\u00e3os. Eles n\u00e3o se conformavam que o pai o preferisse. E Monobazo n\u00e3o podia se mostrar descontente pelo fato de eles estarem manifestando um sentimento que n\u00e3o provinha de mal\u00edcia, mas somente do desejo que cada qual possu\u00eda de ocupar o primeiro lugar no seu cora\u00e7\u00e3o. Para livrar Izate do perigo que a ira de seus irm\u00e3os dava motivo para temer, enviou-o com ricos presentes a Abemeric, rei de Spazim, confiando-lhe a sua prote\u00e7\u00e3o. Esse pr\u00edncipe recebeu-o muito bem e teve por ele grande afeto, tanto que lhe deu em casamento a princesa Samacho, sua filha, bem como uma prov\u00edncia de grande rendimento.<\/p>\n<p>Estava Monobazo j\u00e1 muito velho e, percebendo que lhe restava pouco tempo de vida, desejou, antes de morrer, ver ainda uma vez aquele filho que lhe era t\u00e3o caro. Mandou busc\u00e1-lo e, ap\u00f3s demonstrar-lhe toda a ternura que um pai pode sentir, presenteou-o com uma prov\u00edncia de nome Ceron, muito f\u00e9rtil e rica de plantas odor\u00edferas e onde se v\u00eaem ainda hoje os restos da arca que salvou No\u00e9 do dil\u00favio. Izate l\u00e1 ficou at\u00e9 a morte do rei seu pai, e ent\u00e3o a rainha Helena, depois de reunir todos os maiorais do reino e todos os chefes dos soldados, disse-lhes: &#8220;N\u00e3o ignorais, sem d\u00favida, que o falecido rei meu marido queria Izate como seu sucessor, julgando-o o mais digno dessa honra. Mas, a esse respeito, desejo saber a vossa opini\u00e3o, porque nenhum pr\u00edncipe ser\u00e1 feliz se n\u00e3o subir ao trono por um consentimento un\u00e2nime, que lhe permita reinar no cora\u00e7\u00e3o de todos os s\u00faditos&#8221;.<\/p>\n<p>A s\u00e1bia princesa falara assim para conhecer os sentimentos de seus convida\u00addos. E todos eles, depois de a ouvir, prostraram-se diante dela, segundo o cos\u00adtume da na\u00e7\u00e3o, e responderam que n\u00e3o podiam reprovar uma resolu\u00e7\u00e3o toma\u00adda pelo falecido rei. Se ele havia preferido Izate aos demais irm\u00e3os, obedecer-Ihe-iam com alegria e, se ela quisesse, at\u00e9 mesmo matariam todos os outros irm\u00e3os e parentes, a fim de que, n\u00e3o restando mais ningu\u00e9m para odi\u00e1-lo e invejar-lhe a coroa, ele reinasse em completa seguran\u00e7a. A rainha agradeceu a dedica\u00e7\u00e3o que eles demonstravam a ela e a Izate, mas disse que n\u00e3o julgava conveniente eliminar os outros irm\u00e3os antes de ele chegar e se pronunciar so\u00adbre o assunto.<\/p>\n<p>Todos aprovaram, mas disseram que era prudente conserv\u00e1-los prisioneiros at\u00e9 que ele retornasse, para garantir que nada tentassem contra ele na sua aus\u00eancia, e que por enquanto se desse o governo a algu\u00e9m que fosse da inteira confian\u00e7a da princesa. Ela ent\u00e3o colocou a coroa sobre a cabe\u00e7a de Monobazo, irm\u00e3o mais velho de Izate, e entregou-lhe o anel sobre o qual estava o selo do falecido rei e o veste real, a que eles chamam de sampsere, concedendo-lhe o poder de agir na qualidade de vice-rei at\u00e9 a chegada do irm\u00e3o. E, logo que este chegou, Monobazo entregou-lhe imediatamente o poder.<\/p>\n<p>Antes de sua ascens\u00e3o ao trono, Izate morava no castelo de Spazim, e um negociante judeu, de nome Ananias, iniciara algumas damas da corte no conhecimento do Deus verdadeiro e as persuadira a prestar-lhe o mesmo culto que os judeus. Por meio delas, conseguiu aproximar-se de Izate e inculcou-lhe os mesmos sentimentos. Assim, quando o rei seu pai mandou cham\u00e1-lo para v\u00ea-lo antes de morrer, Izate obrigou Ananias a acompanh\u00e1-lo na viagem. Aconteceu que naquele mesmo tempo um outro judeu instru\u00edra tamb\u00e9m a rainha Helena na nossa religi\u00e3o. Izate, j\u00e1 embebido pelo esp\u00edrito de piedade e feliz por ter sido escolhido para rei por consentimento un\u00e2nime, n\u00e3o se agradou em ver os irm\u00e3os e parentes encarcerados. Julgou que seria crueldade mat\u00e1-los ou conserv\u00e1-los na pris\u00e3o, mas temia que, se os pusesse em liberdade, eles procurassem vingar a inj\u00faria recebida. Para equilibrar os dois extremos, enviou uma parte deles, com os filhos, para Roma, entregando-os como ref\u00e9ns ao imperador Cl\u00e1udio, e a outra parte, sob a mesma condi\u00e7\u00e3o, enviou a Artabano, rei dos partos.<\/p>\n<p>Quando esse virtuoso pr\u00edncipe soube que a rainha sua m\u00e3e estava tamb\u00e9m, como ele, afei\u00e7oada \u00e0 religi\u00e3o dos judeus, achou por bem n\u00e3o protelar mais o seu desejo de profess\u00e1-la. E, como sabia que ningu\u00e9m pode ser verdadeiramente judeu sem se circuncidar, disp\u00f4s-se a faz\u00ea-lo. Mas a princesa, ao saber disso, procurou demov\u00ea-lo de seu intento, fazendo com que atentasse para o perigo a que se iria expor, pelo descontentamento que suscitaria entre os s\u00faditos, os quais nunca iriam admitir que ele abra\u00e7asse uma religi\u00e3o estrangeira e nem aceitariam um judeu como rei.<\/p>\n<p>Esses argumentos contiveram o seu \u00edmpeto, e, quando ele relatou a Ananias o que ela dissera, declarou-lhe tamb\u00e9m que o despediria se n\u00e3o o fizesse. Ananias ent\u00e3o quis se afastar, pois temia ser castigado, j\u00e1 que era o orientador do rei naquela quest\u00e3o, acrescentando que n\u00e3o era necess\u00e1rio que ele se circuncidasse para servir a Deus e prestar-lhe o culto que a religi\u00e3o dos judeus obrigava, porque a adora\u00e7\u00e3o a Deus era de natureza superior \u00e0 da circuncis\u00e3o. E, se era para evitar que os seus s\u00faditos se revoltassem, ele sem d\u00favida seria perdoado por n\u00e3o cumprir aquele ritual. Assim, Ananias confirmou o que a rainha dissera ao rei, e este ficou convencido, mas n\u00e3o de todo.<\/p>\n<p>Algum tempo depois, veio da Galil\u00e9ia outro judeu, de nome Eleazar, que era muito instru\u00eddo nas coisas da nossa religi\u00e3o. Quando foi saudar o rei, encontrou-o a ler os livros de Mois\u00e9s e disse-lhe: &#8220;\u00d3 rei! Acaso ignorais a inj\u00faria que cometeis contra a Lei e contra o pr\u00f3prio Deus? Julgais que \u00e9 suficiente conhecer os seus mandamentos, sem p\u00f4-los em pr\u00e1tica? Quereis ficar para sempre incircunciso? Se n\u00e3o sabeis ainda que a Lei ordena a circuncis\u00e3o, lede-a, e vereis que grande pecado \u00e9 negligenci\u00e1-la&#8221;. O rei ficou t\u00e3o impressionado com essas palavras que, sem mais delongas, retirou-se a um quarto, mandou chamar um cirurgi\u00e3o e assim foi circuncidado. Logo depois, mandou chamar a rainha sua m\u00e3e e Ananias e contou-lhes o que fizera.<\/p>\n<p>O terror tomou conta deles, porque temiam que os s\u00faditos, n\u00e3o querendo ser governados por um pr\u00edncipe de uma religi\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 deles, se revoltassem e lhe tirassem o reino. Temiam tamb\u00e9m por eles mesmos, pois haviam inspirado nele aqueles sentimentos. Mas Deus n\u00e3o somente livrou esse religioso pr\u00edncipe de todos os perigos de que parecia estar amea\u00e7ado como livrou tamb\u00e9m os seus filhos no momento em que as coisas pareciam mais desesperadas. Deus mostrou que todos os que p\u00f5em nEle a sua confian\u00e7a e s\u00e3o piedosos podem esperar dEle todas as coisas, como a continua\u00e7\u00e3o desta hist\u00f3ria ir\u00e1 mostrar.<\/p>\n<p>A rainha Helena, vendo que por uma provid\u00eancia particular de Deus o seu filho, o rei Izate, governava em profunda paz e que a sua felicidade era admirada n\u00e3o somente pelos estrangeiros, mas tamb\u00e9m pelos seus s\u00faditos, desejou ir adorar a suprema Majestade e oferecer-lhe sacrif\u00edcios no mais c\u00e9lebre de todos os Tem\u00adplos, constru\u00eddo em sua honra, em Jerusal\u00e9m. O filho n\u00e3o somente lhe deu ale\u00adgremente a permiss\u00e3o como tamb\u00e9m acompanhou-a durante uma parte do ca\u00adminho. E ela chegou a Jerusal\u00e9m com um soberbo s\u00e9quito e grande quantidade de dinheiro.<\/p>\n<p>A sua visita foi muito vantajosa para os habitantes da cidade, porque naquela \u00e9poca a carestia era t\u00e3o grande que muitos morriam de fome. A rainha, para remediar esse mal, mandou comprar grande quantidade de trigo em Alexandria e figos secos na ilha de Chipre. Distribuiu-os aos pobres e granjeou assim entre os judeus a fama de generosa, como de fato merecia, depois de t\u00e3o grande caridade. O rei seu filho foi tamb\u00e9m generoso, pois, ao saber que a fome continuava, enviou grandes aux\u00edlios aos maiorais de Jerusal\u00e9m, para que fossem entregues em favor dos pobres. Mas deixarei para mais adiante o relato dos benef\u00edcios de que nossa cidade \u00e9 devedora a esse pr\u00edncipe e \u00e0 princesa.<\/p>\n<p>Artabano, rei dos partos, sabendo que os governadores das prov\u00edncias de seu reino estavam conspirando contra ele e julgando que n\u00e3o estava mais seguro entre eles, resolveu ir procurar o rei Izate para se aconselhar com ele sobre o que devia fazer e at\u00e9 mesmo tentar, por meio dele, voltar a se estabelecer em seus dom\u00ednios. Partiu ent\u00e3o com os parentes e os principais servidores, cerca de mil pessoas. Encontrou Izate pelo caminho e n\u00e3o teve dificuldade em reconhec\u00ea-lo pelo seu s\u00e9quito, mas Izate n\u00e3o o reconheceu.<\/p>\n<p>Artabano prostrou-se diante dele, segundo o costume de seu pa\u00eds, e falou-lhe nestes termos: &#8220;N\u00e3o me desprezeis, virtuoso pr\u00edncipe, por me verdes neste estado de s\u00faplica, obrigado a abandonar o meu reino. Um grande rev\u00e9s de sorte reduziu-me a este estado, e vim implorar o vosso aux\u00edlio. Pensei em qu\u00e3o pouco devemos contar com as grandezas da terra e refleti sobre v\u00f3s mesmo, considerando a quantos acidentes estamos expostos. Preciso de vosso aux\u00edlio, e esse socorro ser\u00e1 ben\u00e9fico a v\u00f3s tamb\u00e9m, pois a vossa recusa em ajudar-me na vingan\u00e7a dos crimes de meus s\u00faditos iria fortalecer a ousadia e a revolta de outros povos contra os seus reis&#8221;. Artabano falava com o rosto triste, e as l\u00e1grimas acompanhavam suas palavras.<\/p>\n<p>Izate, que conhecia a sua condi\u00e7\u00e3o, desceu do cavalo e respondeu-lhe: &#8220;Tende coragem, grande pr\u00edncipe! N\u00e3o vos deixeis abater pela m\u00e1 sorte, como se fosse sem rem\u00e9dio. Tenho esperan\u00e7a de que bem depressa a vereis terminada. Encontrareis em mim um amigo e aliado, muito mais afei\u00e7oado e fiel do que imaginastes, pois ou vos recolocarei em vosso reino ou vos cederei o meu&#8221;. Depois que assim falou, fez Artabano subir ao seu cavalo e disp\u00f4s-se a segui-lo a p\u00e9, para homenagear um rei que ele sabia ser possuidor de maior honra. Artabano, por\u00e9m, n\u00e3o consentiu. Jurou por toda a sua prosperidade que jamais o permitiria. Por fim, conseguiu convencer Izate a montar novamente e foi caminhando diante dele. Acompanhou-o at\u00e9 o pal\u00e1cio, onde n\u00e3o houve honra que n\u00e3o lhe fosse prestada.<\/p>\n<p>O rei Izate dava-lhe sempre o primeiro lugar nas assembl\u00e9ias e nos banquetes, porque n\u00e3o o considerava no estado em que se encontrava ent\u00e3o, mas em sua antiga dignidade, e dizia-lhe sabiamente que as mudan\u00e7as de sorte s\u00e3o comuns a todos os homens. Escreveu em seguida aos maiorais dos partos para exort\u00e1-los a voltar \u00e0 obedi\u00eancia ao seu rei, ao mesmo tempo em que empenhava a sua palavra, com promessa de confirm\u00e1-la por juramento, se eles o desejassem, na garantia de que aquele pr\u00edncipe esqueceria todo o passado. Eles responderam que gostariam de atend\u00ea-lo, mas que isso j\u00e1 n\u00e3o estava em seu poder, porque haviam entregado a coroa a Cinamo e n\u00e3o a poderiam tomar de volta sem suscitar uma guerra civil.<\/p>\n<p>Cinamo veio a saber o que se passava e ficou comovido ao ser informado das inten\u00e7\u00f5es de Artabano, porque havia sido educado com ele e conhecia a sua generosidade. Desse modo, escreveu-lhe dizendo que ele podia, sob a sua palavra, voltar com toda a seguran\u00e7a e que at\u00e9 mesmo estavam pedindo que o fizesse. Quanto a ele, Cinamo, de todo o cora\u00e7\u00e3o lhe colocaria na m\u00e3o o cetro com que havia sido honrado. Artabano n\u00e3o teve dificuldade em confiar nele. Partiu, e Cinamo veio receb\u00ea-lo, o qual, prostrando-se diante dele, saudou-o como rei e tirou a coroa da cabe\u00e7a para entreg\u00e1-la a Artabano, que assim reconquistou o reino, com o aux\u00edlio de Izate. As honras que Artabano prestou ao seu ajudador testemunharam a sua gratid\u00e3o, pois lhe permitiu usar a tiara reta e deitar-se num leito de ouro, o que s\u00f3 pode ser feito pelos reis dos partos, e deu-lhe uma prov\u00edncia, chamada Niside, que outrora pertencera ao rei da Arm\u00eania, na qual os maced\u00f4nios haviam constru\u00eddo uma cidade, chamada Antioquia, que mais tarde veio a chamar-se Migd\u00f4nia.<\/p>\n<p>Artabano morreu pouco depois. Vardan, seu filho e sucessor, tentou induzir o rei Izate a se unir a ele para fazer guerra aos romanos, por\u00e9m n\u00e3o conseguiu persuadi-lo, pois este conhecia muito bem o poder deles para iludir-se com o resultado de tal empresa. E, como Izate havia mandado cinco de seus filhos a Jerusal\u00e9m para que aprendessem a nossa l\u00edngua e se instru\u00edssem nos nossos costumes, ao mesmo tempo em que a rainha Helena, sua m\u00e3e, fora adorar o verdadeiro Deus, no Tem\u00adplo, como dissemos, ele estava mais contido quanto a determinadas alian\u00e7as. O s\u00e1bio pr\u00edncipe fez o que p\u00f4de para dissuadir Vardan desse empreendimento, ad\u00advertindo-o do fabuloso ex\u00e9rcito dos romanos e de suas tem\u00edveis a\u00e7\u00f5es na guerra. Em vez de receber bem essas admoesta\u00e7\u00f5es, todavia, ele se sentiu ofendido e declarou guerra a Izate. No entanto Deus, que protegia Izate, assegurou-lhe o seu aux\u00edlio: os partos, quando se convenceram de que ele estava resolvido a atacar os romanos, mataram-no e puseram Gotarso, seu irm\u00e3o, no lugar dele. Algum tempo depois, esse rei tamb\u00e9m foi morto \u00e0 trai\u00e7\u00e3o, e Vologeso, seu irm\u00e3o, substituiu-o. Esse pr\u00edncipe, que tinha dois irm\u00e3os do mesmo pai, deu a Pacoro, o mais velho, o reino da M\u00e9dia e a Tiridate, o mais novo, o reino da Arm\u00eania.<\/p>\n<p>Nesse mesmo tempo, Monobazo, irm\u00e3o do rei Izate, e seus parentes, vendo que a piedade para com Deus tornava-o o mais feliz dos pr\u00edncipes, cogitaram em tamb\u00e9m abandonar a sua religi\u00e3o e abra\u00e7ar a dos judeus. Os grandes do pa\u00eds, todavia, vieram a sab\u00ea-lo e ficaram muito irados, mas resolveram dissimular, at\u00e9 que se encontrasse uma oportunidade favor\u00e1vel para mat\u00e1-los. Escreveram a Abia, rei dos \u00e1rabes, e prometeram-lhe uma grande soma de dinheiro, caso viesse com um grande ex\u00e9rcito fazer guerra ao seu rei, com a garantia de passarem para o seu lado logo que se iniciasse a batalha, porque estavam resolvidos a castig\u00e1-lo pelo desprezo que demonstrara pela religi\u00e3o de seu pa\u00eds. Eles confirmaram a promessa com um juramento e rogaram-lhe insistentemente que se apressasse.<\/p>\n<p>O rei \u00e1rabe veio com um grande ex\u00e9rcito, e Izate marchou contra ele, mas no momento do combate se viu abandonado pelos seus homens, como se um terror repentino os tivesse levado a fugir. Izate n\u00e3o teve dificuldade em compreender que fora tra\u00eddo pelos grandes. N\u00e3o se admirou, todavia. Retirou-se para o seu acampamento com os fugitivos, onde, depois de identificar os traidores, os respons\u00e1veis por t\u00e3o vergonhoso acordo com o inimigo, mandou castig\u00e1-los como mereciam. No dia seguinte, travou combate com o inimigo, matou um grande n\u00famero deles e p\u00f4s o resto em fuga. Perseguiu Abia at\u00e9 o castelo de Arsame, o qual tomou de assalto e o saqueou, levando de l\u00e1 muitos despojos e voltando glorioso a Adiabene. A \u00fanica coisa que faltou ao seu triunfo foi trazer Abia vivo, porque este se suicidara, para n\u00e3o ser levado como escravo.<\/p>\n<p>Os grandes, que haviam conspirado contra Izate, viram assim frustradas as suas esperan\u00e7as. Deus entregou-os todos nas m\u00e3os dele, mas eles insistiam em sua perf\u00eddia. Escreveram a Vologeso, rei dos partos, pedindo-lhe que o mandasse matar e lhes desse por rei algu\u00e9m de sua na\u00e7\u00e3o, porque n\u00e3o podiam consentir que ele reinasse ap\u00f3s abandonar as leis de seu pa\u00eds para seguir as dos estrangeiros.<\/p>\n<p>Vologeso, ante tal insist\u00eancia, deliberou fazer guerra a Izate, embora este n\u00e3o lhe tivesse dado motivo para isso. Come\u00e7ou por abolir as gra\u00e7as que o rei Artabano, seu pai, lhe havia concedido e amea\u00e7ou em seguida entrar com armas em seu pa\u00eds, caso ele deixasse de fazer o que lhe estava sendo ordenado. Izate ficou perturbado com essa surpreendente not\u00edcia, mas julgou humilhante renunciar \u00e0s honras que com justi\u00e7a merecera. E, mesmo que o fizesse, Vologeso n\u00e3o o deixaria em paz. Assim, resolveu depositar toda a sua confian\u00e7a no aux\u00edlio Todo-poderoso de Deus. Enviou a esposa e os filhos para um castelo muito bem defendido, recolheu toda a forragem que restava ainda nos campos e p\u00f4s se \u00e0 espera dos inimigos.<\/p>\n<p>O rei das partos, com muitas tropas de cavalaria e infantaria, chegou mais depressa do que se poderia imaginar e acampou \u00e0s margens do rio que separa Diabene da M\u00e9dia. Izate acampou pr\u00f3ximo dele com seis mil cavaleiros. Vologeso mandou-lhe dizer por um arauto que viera atac\u00e1-lo com todas as tropas de seu reino, o qual se estendia desde o Eufrates at\u00e9 as montanhas dos bactrianos, para castig\u00e1-lo pela desobedi\u00eancia ao seu senhor e que nem mesmo o Deus que ele adorava seria capaz de o impedir. Izate, horrorizado diante de t\u00e3o grande blasf\u00eamia, respondeu que n\u00e3o duvidava de que possu\u00eda tropas muito inferiores \u00e0s dos partos; todavia, estava ciente de que o poder de Deus era infinitamente maior que o de todos os homens juntos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s despedir o arauto, ele cobriu a cabe\u00e7a com cinza e jejuou, ordenando a mulher e aos filhos que jejuassem tamb\u00e9m. Prostrado em terra diante da majestade de Deus e banhado em l\u00e1grimas, rogou-lhe deste modo: &#8220;N\u00e3o foi em v\u00e3o, Senhor, que me lancei nos bra\u00e7os de vossa miseric\u00f3rdia. Eu vos reconhe\u00e7o como \u00fanico Senhor do universo. Vinde em meu aux\u00edlio, meu Deus, n\u00e3o somente para me defender de meus inimigos como tamb\u00e9m para castig\u00e1-los pela sua ousadia e pelas horr\u00edveis blasf\u00eamias que ousaram proferir contra o vosso supremo poder&#8221;. T\u00e3o fervorosa ora\u00e7\u00e3o acompanhada de l\u00e1grimas n\u00e3o ficou sem efeito. Deus ouviu-o t\u00e3o prontamente que Vologeso, tendo sabido na noite seguinte que os d\u00e1cios e os saceenses, encorajados pela sua aus\u00eancia, haviam entrado em seu reino e l\u00e1 faziam grande devasta\u00e7\u00e3o, partiu para combat\u00ea-los e assim voltou sem nada ter podido executar de seu des\u00edgnio contra Izate, a quem Deus protegera de modo t\u00e3o evidente.<\/p>\n<p>Pouco tempo depois, morreu esse religioso pr\u00edncipe, na idade de cinq\u00fcenta e cinco anos, dos quais reinou vinte e quatro. E, embora tivesse quatro filhos, deixou Monobazo, seu irm\u00e3o mais velho, como sucessor, em gratid\u00e3o pelo favor de lhe haver conservado o reino depois da morte de seu pai. Essa grande prova de gratid\u00e3o muito consolou a rainha Helena em sua grande dor pela perda de t\u00e3o caro e virtu\u00adoso filho. Ela sobreviveu a ele pouco tempo, morrendo quando vinha para encon\u00adtrar-se com seu filho Monobazo, que enviou os ossos dela e os de Izate a Jerusal\u00e9m, para serem colocados em tr\u00eas pir\u00e2mides que a princesa mandara construir a tr\u00eas est\u00e1dios da cidade. Dos feitos de Monobazo, falaremos mais adiante.<\/p>\n<p>Quando Fado era governador da jud\u00e9ia, um mago de nome Teudas convenceu uma grande multid\u00e3o de povo a tomar os pr\u00f3prios bens e a segui-lo at\u00e9 o Jord\u00e3o, dizendo que era profeta e que deteria, com uma \u00fanica palavra, o curso do rio e os faria passar a p\u00e9 enxuto. Ele assim enganou muita gente. Mas Fado castigou esse impostor e, por sua loucura, a todos os que se haviam deixado enganar. Enviou contra eles alguns soldados de cavalaria, que mataram uma parte deles de surpresa e fizeram v\u00e1rios prisioneiros, estando Teudas entre eles, a quem cortaram a cabe\u00e7a, que foi levada a Jerusal\u00e9m. Foi isso o que aconteceu de mais not\u00e1vel durante o governo de C\u00faspio Fado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por esse tempo, a rainha Helena e Izate, seu filho, rei dos adiabenianos, abra\u00e7aram a religi\u00e3o dos judeus, pelo motivo que vou expor. Monobazo, cognominado Bazeu, rei daquela na\u00e7\u00e3o, ficou possu\u00eddo de uma paix\u00e3o violenta por aquela princesa, que era sua irm\u00e3, e a desposou. Ela ficou gr\u00e1vida, e, estando ele deitado junto dela, adormecido,&#8230; <a href=\"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-2-izate-rei-dos-adiabenianos-e-a-rainha-helena-sua-mae-abracam-a-religiao-dos-judeus-sua-excelsa-piedade-e-grandes-feitos-desse-principe-que-deus-protege-visivelmente-fado-governador\/\">ler mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[33],"tags":[64,107,499,922,1067,1207,1257,1307,1468,1477,1512,1525,1672,1725,1727,1831,1849,2248,2303,2362,2408,2465,2546,2559,2765,2990,3179],"class_list":["post-564","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livro-vigesimo","tag-abracam","tag-adiabenianos","tag-castigar","tag-deus","tag-enganava","tag-excelsa","tag-fado","tag-feitos","tag-governador","tag-grandes","tag-helena","tag-homem","tag-izate","tag-judeia","tag-judeus","tag-mae","tag-manda","tag-piedade","tag-povo","tag-principe","tag-protege","tag-rainha","tag-rei","tag-religiao","tag-seguido","tag-tinham","tag-visivelmente"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/564","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=564"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/564\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=564"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=564"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=564"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}