{"id":547,"date":"2015-04-03T02:25:19","date_gmt":"2015-04-03T02:25:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=547"},"modified":"2015-04-03T02:25:19","modified_gmt":"2015-04-03T02:25:19","slug":"capitulo-1-crueldade-e-loucuras-do-imperador-caio-caligula-diversas-conspiracoes-feitas-contra-ele-chereas-ajudado-por-varios-outros-mata-o-os-alemaes-da-guarda-desse-principe-matam-em-seguida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-1-crueldade-e-loucuras-do-imperador-caio-caligula-diversas-conspiracoes-feitas-contra-ele-chereas-ajudado-por-varios-outros-mata-o-os-alemaes-da-guarda-desse-principe-matam-em-seguida\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 1 &#8211; Crueldade e loucuras do imperador Caio Cal\u00edgula. Diversas conspira\u00e7\u00f5es feitas contra ele. Chereas, ajudado por v\u00e1rios outros, mata-o. Os alem\u00e3es da guarda desse pr\u00edncipe matam em seguida alguns senadores. O senado condena a sua mem\u00f3ria."},"content":{"rendered":"<p>O furor do imperador Caio n\u00e3o se estendia ent\u00e3o somente aos judeus de Jerusal\u00e9m e das regi\u00f5es vizinhas, como acabamos de ver. As terras e os mares gemiam sob a sua tir\u00e2nica domina\u00e7\u00e3o, e, dentre as muitas prov\u00edncias sujeitas ao Imp\u00e9rio Romano, n\u00e3o havia uma sequer que deixasse de lhe sentir os funestos efeitos. Os males que ele as fazia sofrer chegaram a tal excesso que nada de semelhante se v\u00ea em hist\u00f3ria alguma. E a pr\u00f3pria Roma n\u00e3o foi tratada menos desumanamente que as outras cidades.<\/p>\n<p>Nessa opress\u00e3o generalizada, por\u00e9m, parecia que ele tinha um prazer particular em endere\u00e7ar a sua raiva contra o que havia de mais importante e ilustre. As fam\u00edlias patr\u00edcias, os senadores e os cavaleiros \u2014 os quais n\u00e3o eram inferiores \u00e0queles em dignidade e em riqueza e eram t\u00e3o considerados quanto os senadores pelos outros cidad\u00e3os \u2014 sofriam as maiores persegui\u00e7\u00f5es. Ele n\u00e3o se contentava em mand\u00e1-los para o ex\u00edlio, em submet\u00ea-los a mil ultrajes e em despoj\u00e1-los de seus bens, mas chegava a tirar-lhes a vida. E os bens confiscados aos que ele mandava matar eram como uma recompensa que ele dava si mesmo por haver t\u00e3o cruelmente derramado o sangue deles.<\/p>\n<p>Mas, se esse pr\u00edncipe era t\u00e3o b\u00e1rbaro, n\u00e3o era menos extravagante. N\u00e3o lhe bastava receber de seus s\u00faditos todas as honras que se podem prestar a um homem.<\/p>\n<p>Ele exigia que o reverenciassem como a um deus e, quando ia ao Capit\u00f3lio, que \u00e9 o mais c\u00e9lebre de todos Templos de Roma, tinha a insol\u00eancia de chamar J\u00fapiter de irm\u00e3o. Dentre tantos outros sinais de sua loucura, nenhum houve mais patente que a esquisitice de ir a p\u00e9 enxuto de Put\u00e9oli at\u00e9 Misena, duas cidades da Campanha separadas por um bra\u00e7o de mar de trinta est\u00e1dios. Julgou que era indigno dele ir de uma a outra cidade apenas em galeras e que o mar n\u00e3o lhe devia ser menos sujeito que a terra. Assim, mandou construir uma ponte de um promontorio a outro e passou por ela num carro soberbo, com a alegria de pensar que aquele caminho completamente novo era digno da majestade de um deus, tal como ele se imaginava.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia Templos na Gr\u00e9cia que ele n\u00e3o tivesse despojado do que possu\u00edam de mais valioso. Ordenou, por um edito, que lhe trouxessem tudo o que neles encontrassem de quadros raros, preciosas est\u00e1tuas e outras coisas de valor consagradas aos deuses, e com eles encheu o seu pal\u00e1cio, os jardins e as casas de recreio que ele mantinha na It\u00e1lia, porque, dizia ele, assim como Roma era a cidade mais bonita do universo, era justo que a\u00ed se reunisse tudo o que havia de mais belo no mundo. Atreveu-se mesmo a ordenar a M\u00eamio Regulo que lhe enviasse tamb\u00e9m a est\u00e1tua de J\u00fapiter Ol\u00edmpico, que toda a Gr\u00e9cia venerava com honras extraordin\u00e1rias e que \u00e9 obra de F\u00eddias. Mas essa ordem n\u00e3o foi executada, porque os escultores disseram que era imposs\u00edvel transportar a est\u00e1tua sem quebr\u00e1-la. Pelo que se afirma, Regulo ficou t\u00e3o espantado com os diversos prod\u00edgios que aconteceram que n\u00e3o se atreveu a remov\u00ea-la. Ent\u00e3o escreveu ao imperador, o que lhe teria sem d\u00favida custado a vida, se a morte de Caio n\u00e3o o tivesse livrado daquele perigo.<\/p>\n<p>A horr\u00edvel loucura desse pr\u00edncipe, todavia, n\u00e3o se detinha a\u00ed. Ao nascer-lhe uma filha, ele a levou at\u00e9 o Capit\u00f3lio e colocou-a sobre os joelhos da est\u00e1tua de J\u00fapiter, como se aquele deus fosse parente dele, e teve a insol\u00eancia de dizer que a crian\u00e7a tinha dois pais, mas permitia que se julgasse qual dos dois era o mais importante. Vemos todas essas coisas com horror, e no entanto eram toleradas. Ele n\u00e3o teve vergonha de permitir aos escravos que acusassem os seus senhores de toda esp\u00e9cie de crimes. Essas tem\u00edveis acusa\u00e7\u00f5es eram apoiadas pela sua autoridade, e bem se sabia que lhe eram agrad\u00e1veis. P\u00f3lux, um dos escravos de Cl\u00e1udio, foi desse n\u00famero. Ele teve a ousadia de depor contra o seu amo, e esse b\u00e1rbaro imperador ainda fez quest\u00e3o de ser um dos juizes do pr\u00f3prio tio, na esperan\u00e7a de faz\u00ea-lo morrer como criminoso \u2014 o que, todavia, n\u00e3o conseguiu.<\/p>\n<p>T\u00e3o odioso proceder encheu o imp\u00e9rio de caluniadores, elevou os escravos acima de seus amos e causou um n\u00famero infinito de males. Por isso, fizeram-se v\u00e1rias tentativas contra a sua vida, uns pelo desejo de vingan\u00e7a, devido ao que os havia feito sofrer, outros, para evitar o perigo que os amea\u00e7ava, pois de nenhuma outra forma, sen\u00e3o tirando-o do mundo, seria poss\u00edvel restabelecer a autoridade das leis, a seguran\u00e7a dos cidad\u00e3os e a felicidade p\u00fablica. E, nesse desejo comum a tantos povos, a nossa na\u00e7\u00e3o seria beneficiada mais que qualquer outra, pois n\u00e3o haveria como impedir a sua completa ru\u00edna se esse reinado infeliz continuasse. Isso me obriga a relatar de modo muito exato a maneira como esse miser\u00e1vel pr\u00edncipe terminou a sua vida, para manifestar como e com quanta bondade Deus alivia os aflitos e para ensinar \u00e0queles que est\u00e3o elevados ao mais alto grau de felicidade a se moderar na sua gl\u00f3ria e a n\u00e3o desonrar a pr\u00f3pria mem\u00f3ria com a\u00e7\u00f5es vergonhosas e cru\u00e9is, na ilus\u00e3o de que nada ser\u00e1 capaz de destruir a sua boa sorte.<\/p>\n<p>Fizeram-se tr\u00eas distintas conspira\u00e7\u00f5es para libertar o mundo do jugo insuport\u00e1vel desse tirano, e todas foram organizadas por homens de grande coragem. Em\u00edlio Rego, nascido em C\u00f3rdoba, na Espanha, foi o chefe da primeira. C\u00e1ssio Chereas, que era oficial de uma das companhias de guarda do imperador, liderou a segunda. Amnio Minuciano idealizou a terceira. E todos eles valeram-se de c\u00famplices.<\/p>\n<p>Caio era o objeto comum do \u00f3dio deles, por\u00e9m motivos diferentes os levaram a atentar contra a sua vida. Rego foi a isso motivado pela sua generosidade natural, que n\u00e3o podia tolerar a injusti\u00e7a. E, como era extremamente franco, n\u00e3o teve receio de comunicar o seu intento aos amigos e aos que ele julgou corajosos o bastante para aprov\u00e1-lo. Minuciano foi levado a conspirar em parte pelo desejo de vingar L\u00e9pido, seu \u00edntimo amigo e homem de grande m\u00e9rito que Caio condenara \u00e0 morte, e em parte pelo temor de ser tratado do mesmo modo por esse pr\u00edncipe cruel, pelo qual ningu\u00e9m podia ser odiado sem correr risco de vida. Chereas tomou a sua decis\u00e3o tanto porque n\u00e3o podia mais tolerar que Caio lhe censurasse a ingenuidade quanto pelo fato de que servir o imperador significava estar exposto a um perigo constante, sabendo-se como ele costumava recompensar as suas amizades. Nessa diversidade de movimentos, por\u00e9m, todos estavam de acordo no des\u00edgnio de libertar o mundo daquela soberba e cruel domina\u00e7\u00e3o e de merecer a gl\u00f3ria de ter arriscado a vida para proporcionar uma felicidade t\u00e3o geral e auspiciosa. Foi Chereas, entretanto, quem dentre eles se empenhou com mais ardor, quer pelo desejo de conquistar fama, quer porque o seu cargo lhe dava mais ocasi\u00e3o de se aproximar de Caio.<\/p>\n<p>Era o tempo das corridas de cavalos, que se realizam no hip\u00f3dromo, e dos jogos chamados circenses, t\u00e3o ao gosto dos romanos. Como o povo que l\u00e1 se encontrava, em grande n\u00famero, tinha o costume de pedir gra\u00e7as ao imperador com a certeza de as obter, toda aquela multid\u00e3o rogou a Caio, com grande insist\u00eancia, que os aliviasse de uma parte dos impostos. Mas ele, em vez de atend\u00ea-los, ficou t\u00e3o irritado que ordenou aos guardas que matassem os que se manifestavam mais ruidosamente. Eles assim fizeram no mesmo instante, e, como a vida \u00e9 mais preciosa que os bens, o povo ficou t\u00e3o espantado ao ver tanto sangue que n\u00e3o insistiu mais.<\/p>\n<p>Esse horr\u00edvel espet\u00e1culo animou Chereas ainda mais a executar o seu projeto de libertar os homens daquele animal feroz, que de homem tinha apenas o nome. Pensara muitas vezes em mat\u00e1-lo quando estava \u00e0 mesa e s\u00f3 n\u00e3o o fizera na expectativa de uma ocasi\u00e3o mais prop\u00edcia. Havia muito tempo que ele estava no cargo, e o imperador o encarregara de receber os tributos. Mas como muitos dos contribuintes eram t\u00e3o pobres que j\u00e1 deviam mais de um ano de impostos e a compaix\u00e3o que tinha deles n\u00e3o lhe permitia insistir, Caio se irritava e fazia-lhe constantes censuras, chamando-o de indolente e efeminado. Quando ele vinha perguntar ao imperador qual era a senha do dia, ele, por gracejo, escolhia uma palavra que s\u00f3 se poderia adaptar a uma mulher de natureza reprov\u00e1vel, embora o pr\u00f3prio Caio n\u00e3o tivesse vergonha de se vestir de mulher em algumas cerim\u00f4nias que havia institu\u00eddo ou de se pintar e adornar com os enfeites delas, de modo que podia mesmo se passar por uma mulher.<\/p>\n<p>O ressentimento de Chereas por esse ultraje aumentava ainda por causa das zombarias de seus companheiros, que n\u00e3o podiam deixar de rir quando ele lhes trazia a senha, j\u00e1 sabendo de antem\u00e3o que seria algo daquela qualidade. Assim, n\u00e3o podendo mais suportar semelhante opr\u00f3brio, ele atreveu-se a declarar o seu intento a alguns companheiros. A primeira pessoa a quem ele revelou as suas inten\u00e7\u00f5es foi um senador, de nome Pomp\u00e9dio, que j\u00e1 havia passado por todos os cargos de maior honra. Ele era da seita de Epicuro e por isso pensava apenas em viver com tranq\u00fcilidade.<\/p>\n<p>No entanto, um inimigo seu, de nome Tim\u00eddio, acusou-o de ultrajar com palavras o imperador, alegando como testemunha uma comediante muito famosa, de nome Quint\u00edlia, pela qual Pomp\u00e9dio estava apaixonado. Mas a acusa\u00e7\u00e3o era falsa, e a mulher recusou-se a mentir, pois estava em jogo a vida de um pessoa que a amava, isso obrigou Tim\u00eddio a pedir que ela fosse torturada. Caio, que jamais deixava de se enfurecer em tais circunst\u00e2ncias, ordenou a Chereas que o fizesse imediatamente. Ele costumava encarregar Chereas de semelhantes tare\u00adfas, convencido de que, em fun\u00e7\u00e3o das censuras que lhe movia por causa de sua frouxid\u00e3o, ele as executaria com mais rigor que qualquer outro.<\/p>\n<p>Quando levavam Quint\u00edlia para ser torturada, ela encontrou um daqueles que sabiam da conspira\u00e7\u00e3o e pisou-lhe no p\u00e9, para anim\u00e1-lo a ter coragem e o certificar de que nenhum tormento seria capaz de faz\u00ea-la confessar. Chereas, embora contra a vontade, porque era obrigado, torturou-a rudemente. A mulher sofreu com uma serenidade extraordin\u00e1ria, e ele depois levou-a at\u00e9 o imperador, num estado t\u00e3o deplor\u00e1vel que, embora Caio tivesse um cora\u00e7\u00e3o de bronze, n\u00e3o p\u00f4de deixar de ficar comovido. Assim, ele a declarou inocente \u2014 e tamb\u00e9m a Pomp\u00e9dio \u2014 e ainda mandou que lhe dessem dinheiro, para consol\u00e1-la pelo que havia sofrido, pois demonstrara n\u00e3o menos coragem nos tormentos que felicidade nos seus dias mais pr\u00f3speros. Essa atitude de Caio causou sens\u00edvel dor a Chereas, porque o fazia passar por cruel, obrigando-o a reduzir uma pessoa a tal estado que causara compaix\u00e3o ao mais desumano dos homens.<\/p>\n<p>Incapaz de conter-se, ele resolveu falar a Papiniano, que desempenhava um cargo semelhante ao seu, e a Clemente, que tamb\u00e9m tinha um cargo no ex\u00e9rcito. Disse ele, dirigindo-se a Clemente: &#8220;V\u00f3s sabeis com que afeto e fidelidade velamos pela conserva\u00e7\u00e3o do imperador e como, gra\u00e7as aos nossos cuidados e esfor\u00e7os tantas conspira\u00e7\u00f5es contra ele foram descobertas, as quais custaram a vida a uns e levaram outros a tormentos t\u00e3o cru\u00e9is que ele mesmo chegou a ficar compadecido. Mas seriam essas tarefas dignas de nossa profiss\u00e3o e de nossa coragem?&#8221; Clemente nada respondeu, mas o rubor que lhe apareceu no rosto demonstrava muito bem o quanto ele se sentia envergonhado por estar desempenhando semelhante mister e que somente o medo o impedia de condenar a loucura e o furor de Caio.<\/p>\n<p>Chereas retomou o seu discurso com mais veem\u00eancia e, depois de mencionar todos os males com que Roma e o imp\u00e9rio eram oprimidos, acrescentou: &#8220;Eu sei que a causa disso tudo \u00e9 atribu\u00edda ao imperador, mas na verdade \u00e9 a Papiniano, a mim e a v\u00f3s, Clemente, que Roma e toda a terra deveriam responsabilizar por tudo o que sofrem, pois somos os executores das cru\u00e9is determina\u00e7\u00f5es de Caio. E, podendo fazer cessar os efeitos de sua raiva contra os nossos concidad\u00e3os e contra todos aqueles que lhe s\u00e3o sujeitos, n\u00e3o temos vergonha de sermos n\u00f3s mesmos os seus ministros, agindo como carrascos, e n\u00e3o como soldados, e de usar armas n\u00e3o para a conserva\u00e7\u00e3o de Roma e do imp\u00e9rio, mas para a manuten\u00e7\u00e3o desse tirano que n\u00e3o se contenta em subjugar os corpos, mas quer tamb\u00e9m tirar aos homens a liberdade de pensamento, obrigando-nos a manchar continuamente as nossas m\u00e3os com sangue deles e a faz\u00ea-los sofrer tormentos nos quais n\u00e3o se pode pensar sem horror. Vamos esperar que ele exer\u00e7a sobre n\u00f3s a mesma crueldade com que nos faz tratar os outros? Ou julgamos que dela nos poderemos esquivar, pela obedi\u00eancia que lhe prestamos? Em vez de nos agradecer, ele suspeita de que fazemos tais coisas obrigados e est\u00e1 t\u00e3o acostumado aos assass\u00ednios que estes se tornaram o seu maior divertimento. Por que ent\u00e3o imaginar\u00edamos que, nessa multid\u00e3o de inocentes v\u00edtimas de sua crueldade, ser\u00edamos os \u00fanicos capazes de escapar ao seu furor? N\u00e3o nos enganemos: consideremo-nos j\u00e1 condenados, a menos que asseguremos a nossa vida com a morte dele e, salvando-nos, salvemos todo o imp\u00e9rio&#8221;.<\/p>\n<p>Clemente aprovou os des\u00edgnios de Chereas, mas o aconselhou a mant\u00ea-los em segredo, pois, se algu\u00e9m os descobrisse antes que fossem postos em pr\u00e1tica, a morte deles seria certa. Era de opini\u00e3o que aguardassem, at\u00e9 que o tempo fizesse aparecer uma oportunidade favor\u00e1vel. E, ainda que a velhice, que lhe come\u00e7ava a gelar o sangue nas veias, o fizesse abra\u00e7ar conselhos mais seguros, confessava que n\u00e3o podia haver argumentos mais honestos nem mais generosos que aqueles que acabavam de ser expostos. Depois dessa resposta, Clemente retirou-se para a sua casa, refletindo naquilo que lhe fora dito e tamb\u00e9m no que ele pr\u00f3prio dissera.<\/p>\n<p>Chereas, por\u00e9m, estava muito preocupado com a possibilidade de vazar o segredo, por isso foi naquele mesmo instante procurar Corn\u00e9lio Sabino, que tamb\u00e9m era comandante de uma companhia de guardas do imperador. Sabedor de que ele era um homem muito valente e apaixonado pelo bem p\u00fablico, e que sofria com impaci\u00eancia o estado deplor\u00e1vel a que estava reduzido o imp\u00e9rio, julgou conveniente contar-lhe o seu intento, para obter a sua opini\u00e3o em um assunto t\u00e3o importante. Ele n\u00e3o se enganou em seu julgamento, pois Sabino experimentava os mesmos sentimentos, por\u00e9m nada manifestava por n\u00e3o se atrever a confess\u00e1-los a ningu\u00e9m. Ele escutou as palavras de Chereas com prazer, prometendo guardar segredo e at\u00e9 mesmo ajud\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Estavam todos de acordo em que n\u00e3o havia tempo a perder e foram imediatamente procurar Minuciano, cuja virtude e generosidade era deles bem conhecida. Ciente de que era suspeito a Caio, por causa da morte de L\u00e9pido, seu amigo \u00edntimo, ele era muito sensato para n\u00e3o perceber que correriam grande perigo, ainda que n\u00e3o houvesse outro motivo sen\u00e3o o pr\u00f3prio m\u00e9rito deles, mas isso j\u00e1 era o suficiente para se temer o maligno pr\u00edncipe. Todavia, era seguro confiar em Minuciano, pois, ainda que a magnitude do perigo impedisse que qualquer um deles manifestasse abertamente o \u00f3dio sentido por Caio, todos eles j\u00e1 haviam, em outras circunst\u00e2ncias, dado a conhecer que a tirania do imperador lhes era insuport\u00e1vel, e essa conformidade de sentimentos j\u00e1 estabelecera entre eles uma certa amizade.<\/p>\n<p>O respeito de Chereas e de Sabino pela nobreza e pela extraordin\u00e1ria virtude de Minuciano os fez decidir que, em vez lhe falar diretamente sobre o assunto, iriam esperar que ele lhes desse oportunidade para isso. A id\u00e9ia deu resultado. Como todos sabiam que o imperador tinha o costume de dar como senha a Chereas uma palavra ultrajosa, Minuciano perguntou-lhe qual a palavra que lhe fora dada naquele dia. Chereas, alegre por aquela oportunidade t\u00e3o favor\u00e1vel e sem nada temer da probidade de um homem como Minuciano, respondeu-lhe: &#8220;Dai-me, por favor, a palavra liberdade!&#8221;<\/p>\n<p>Ele acrescentou: &#8220;Como sou feliz e como vos sou grato, pois me fazeis notar em vosso semblante que estais me exortando a empreender uma coisa pela qual estou inflamado de ardor. N\u00e3o \u00e9 preciso mais para me levar a execut\u00e1-la. E-me suficiente ver que a aprovais e que antes mesmo de falarmos j\u00e1 t\u00ednhamos o mesmo modo de pensar. Esta espada que vedes ser\u00e1 suficiente para v\u00f3s e para mim. N\u00e3o h\u00e1 tempo a perder, e estou pronto a empreender qualquer coisa sob o vosso comando. Ordenai, somente, e sereis obedecido. N\u00e3o importa que n\u00e3o tenhais espada, pois tendes aquela grandeza de alma de onde o ferro tira toda a sua for\u00e7a. Desejo entrar em a\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o me preocupo com o que me poder\u00e1 aconte\u00adcer. Poderia eu pensar, sem vexame, em minha seguran\u00e7a pessoal quando vejo a liberdade p\u00fablica oprimida, as leis violadas e todos os homens do imp\u00e9rio expostos ao furor desse tirano? Ouso mesmo crer que n\u00e3o sou indigno de ser o executor de um t\u00e3o grande miss\u00e3o, pois tenho os mesmos sentimentos que v\u00f3s&#8221;.<\/p>\n<p>Minuciano, ao ouvir Chereas falar desse modo, abra\u00e7ou-o, louvou a sua generosidade e exortou-o a perseverar, e ambos separaram-se, rogando aos deuses que lhes fossem favor\u00e1veis. Alguns afirmam que um outro fato animou Chereas ainda mais: quando ele entrava no pal\u00e1cio, ouviu uma voz que lhe dizia para n\u00e3o temer executar o que havia resolvido e tivesse a certeza da assist\u00eancia dos deu\u00adses. Essas palavras de in\u00edcio o assustaram, pois julgou que o plano fora descober\u00adto, mas depois n\u00e3o duvidou de que era algum dos conjurados que assim lhe falava para anim\u00e1-lo ainda mais ou uma voz do c\u00e9u a testemunhar que Deus n\u00e3o deixa de cuidar dos interesses dos homens.<\/p>\n<p>Nesse meio tempo, todavia, estavam todos convencidos de que da morte de Caio dependia a salva\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio, e cada qual, \u00e0 porfia, conspirava para dele livrar o mundo. O n\u00famero de conjurados ent\u00e3o j\u00e1 era grande, pois havia tamb\u00e9m senadores e cavaleiros envolvidos. Uniu-se tamb\u00e9m a eles Calixto, um liberto de Cal\u00edgula que, mais que qualquer outro, estava junto dele e que se tornara t\u00e3o tem\u00edvel que podia ser chamado companheiro de tirania do imperador. Ele n\u00e3o somente era muito poderoso pelo seu prest\u00edgio, mas tamb\u00e9m pelas grandes riquezas que havia adquirido, vendendo o seu favor aos que o corrompiam com presentes. E assim, ele usava de modo muito insolente o seu poder.<\/p>\n<p>Ele, por\u00e9m, conhecia o esp\u00edrito de Caio e sabia que quando o imperador come\u00e7ava a suspeitar de algu\u00e9m jamais o perdoava. E, mesmo que n\u00e3o houvesse outra raz\u00e3o para temer, os muitos bens que possu\u00eda eram suficientes para que esse tem\u00edvel senhor desejasse mat\u00e1-lo. Assim, trabalhava secretamente para se colocar nas boas gra\u00e7as de Cl\u00e1udio, que talvez sucedesse a Caio no imp\u00e9rio. Disse-lhe que o imperador lhe havia ordenado que o envenenasse, mas ele se havia servido de diversos pretextos para diferir a execu\u00e7\u00e3o daquela ordem t\u00e3o cruel. Para mim, creio que era inven\u00e7\u00e3o com o prop\u00f3sito de granjear m\u00e9rito perante Cl\u00e1udio, pois, se Caio tivesse dado essa ordem, n\u00e3o havia probabilidade de Calixto n\u00e3o ser castigado em seguida, por ter deixado de cumpri-la. Cl\u00e1udio, no entanto, ficou convencido de que os deuses usaram Calixto para salv\u00e1-lo do furor de Caio e agradeceu-lhe muito por se recusar a executar aquele servi\u00e7o.<\/p>\n<p>A realiza\u00e7\u00e3o dos des\u00edgnios de Chereas estava sendo adiada por causa da morosidade de alguns conjurados, embora ele afirmasse que todo tempo era pr\u00f3prio para levar a efeito o que pretendiam, quer enquanto Caio se dirigia ao Capit\u00f3lio para oferecer sacrif\u00edcios por sua filha, quer no momento em que do alto de seu pal\u00e1cio lan\u00e7ava ao povo, na pra\u00e7a, moedas de ouro e de prata, quer durante a celebra\u00e7\u00e3o de certas cerim\u00f4nias que ele mesmo havia institu\u00eddo. Embora estivesse sempre rodeado de pessoas prontas a defender a sua vida, o imperador de nada desconfiava e julgava-se em perfeita seguran\u00e7a. Desse modo, Chereas, aflito por t\u00e3o longa demora e com medo de que a ocasi\u00e3o viesse a faltar, perguntou aos parceiros se eles julgavam que os deuses haviam tornado o tirano invulner\u00e1vel. E dizia que, quanto a ele, n\u00e3o teria nenhuma dificuldade em mat\u00e1-lo, mesmo que n\u00e3o tivesse uma espada.<\/p>\n<p>Todos louvavam o seu amor pelo bem p\u00fablico, mas julgavam necess\u00e1rio protelar um pouco, de modo que, diziam eles, se a coisa n\u00e3o sa\u00edsse bem, a cidade n\u00e3o se pusesse em rebuli\u00e7o, e tamb\u00e9m por causa das investiga\u00e7\u00f5es que se fariam contra eles, tirando aos outros o meio de executar esse intento enquanto ainda tinham a coragem de tent\u00e1-lo. Eles achavam mais conveniente aproveitar a ocasi\u00e3o dos jogos institu\u00eddos em honra a C\u00e9sar* \u2014 o qual, para se elevar ao soberano poder, foi o primeiro a suprimir a liberdade dos romanos, mudando a rep\u00fablica em monarquia \u2014 porque, al\u00e9m da grande multid\u00e3o de povo que acorria ao teatro, que ent\u00e3o se situava em frente ao pal\u00e1cio, todas as pessoas pertencentes \u00e0 nobreza de Roma para l\u00e1 se dirigiam com as suas mulheres e filhos. O imperador l\u00e1 se encontraria tamb\u00e9m, e seria dif\u00edcil, em t\u00e3o grande aperto, que aqueles que velavam pela sua seguran\u00e7a pudessem ent\u00e3o proteg\u00ea-lo do ataque dos conspiradores.<\/p>\n<p>Chereas aceitou a sugest\u00e3o e adiou a execu\u00e7\u00e3o para o primeiro dia dos jogos, por\u00e9m o destino prevaleceu sobre essa delibera\u00e7\u00e3o e, com dificuldade, s\u00f3 o puderam fazer no terceiro dia, que era o \u00faltimo desses espet\u00e1culos. Antes, Chereas reuniu os conjurados e falou-lhes: &#8220;Que censuras n\u00e3o merecemos por esse tempo que passou sem que tent\u00e1ssemos executar o nosso plano! Pois temos motivos para temer que, se formos descobertos, Caio venha a redobrar o seu furor, e, em vez de darmos liberdade ao imp\u00e9rio pela sua morte, iremos apenas, com a nossa fraqueza, contribuir para lhe fortalecer a tirania. \u00c9 assim que devemos trabalhar pela nossa seguran\u00e7a e pela de tantos povos? Ser\u00e1 esse o meio de adquirirmos fama e gl\u00f3ria imortais?&#8221; Ningu\u00e9m ousou contradizer um discurso t\u00e3o corajoso: estavam todos t\u00e3o at\u00f4nitos que ficaram em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Ele acrescentou: &#8220;Acaso pretendeis adiar ainda mais? N\u00e3o sabeis que hoje \u00e9 o terceiro dia \u2014 o \u00faltimo \u2014 destes jogos e que Caio est\u00e1 prestes a embarcar para Alexandria, a fim de conhecer o Egito? julgais ent\u00e3o que devemos deixar escapar esse monstro, que causa horror \u00e0 natureza, ou permitir que ele triunfe tanto por mar quanto por terra, sobre a fraqueza dos romanos? Ou desejais que algum eg\u00edpcio mais corajoso que todos n\u00f3s tenha a honra de restaurar, pela morte desse tirano, a liberdade oprimida? Quanto a mim, estou resolvido a n\u00e3o perder mais tempo em v\u00e3s delibera\u00e7\u00f5es, e o dia n\u00e3o passar\u00e1 sem que eu me desobrigue do que devo \u00e0 minha p\u00e1tria. O que a sorte determinar, receberei com alegria. Prefiro isso a tolerar que um outro me arrebate a gl\u00f3ria de libertar o mundo de um homem que a todos aterroriza&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_________________________<\/p>\n<p>* A continua\u00e7\u00e3o nos d\u00e1 a entender que \u00e9 de Augusto que ele est\u00e1 falando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Chereas, assim falando, fortaleceu-se ainda mais em sua resolu\u00e7\u00e3o e entusias\u00admou de tal modo os outros que todos se sentiram arder no desejo de cumpri-la, sem mais adiamentos. Aconteceu que por acaso aquele era o dia em que Chereas devia pedir a senha ao imperador, e assim ele entrou no pal\u00e1cio com a espada erguida, segundo o costume, que obriga o comandante da guarda a assim fazer quando em cumprimento de um dever do cargo. Uma grande multid\u00e3o de povo j\u00e1 se encontrava no pal\u00e1cio, e todos procuravam obter um lugar, porque n\u00e3o havia reservas nem para os senadores nem para os cavaleiros: cada qual se punha onde queria, misturando-se homens com mulheres e senhores com escravos \u2014 o imperador sentia prazer em ver essa desordem. Em seguida, fez um sacrif\u00edcio a Augusto, em honra do qual os jogos eram celebrados;<\/p>\n<p>Aconteceu que uma gota de sangue da v\u00edtima caiu sobre as vestes de Asprenas, que era um dos senadores, o que lhe serviu de p\u00e9ssimo aug\u00fario, pois ele foi morto no tumulto que se levantou em seguida. Caio riu-se \u00e0 vontade, e notou-se, com espanto, como uma coisa extraordin\u00e1ria, que o imperador, contra a sua natureza, naquele dia demonstrava grande afabilidade e bom humor. Terminado o sacrif\u00edcio, Caio, acompanhado por aqueles a quem mais estimava, foi sentar-se no teatro, no lugar que lhe fora preparado. O teatro era de madeira e constru\u00eddo todos os anos. Tinha duas portas: uma no exterior, que dava para a grande pra\u00e7a, e outra em frente ao p\u00f3rtico, por onde os atores entravam e sa\u00edam sem incomodar os espectadores. Fizera-se tamb\u00e9m uma passagem dividida por uma cerca de madeira, onde os atores e os m\u00fasicos se colocavam.<\/p>\n<p>Depois que todos tomaram os seus lugares, Chereas e os demais comandantes da guarda ficaram bem pr\u00f3ximos do imperador, que se havia posto do lado direito do teatro. Bat\u00edvio, senador, que havia sido pretor, perguntou baixinho a Cl\u00edvio, que j\u00e1 fora c\u00f4nsul e que estava sentado perto dele, se n\u00e3o tinha ouvido falar de nada. Tendo este respondido que n\u00e3o, Bat\u00edvio acrescentou: &#8220;Vereis hoje representar-se uma pe\u00e7a que acabar\u00e1 com a tirania&#8221;. Cl\u00edvio retrucou: &#8220;Cale-se, para que algum grego n\u00e3o nos venha a escutar&#8221;. Com essas palavras, ele fazia alus\u00e3o a um verso de Homero. Em seguida, foi atirada ao p\u00fablico grande quantidade de frutas, e p\u00e1ssa\u00adros muito belos e raros tamb\u00e9m foram soltos. Caio sentia prazer em ver os p\u00e1ssaros disputando as frutas e o modo como o povo se esfor\u00e7ava para apanh\u00e1-los.<\/p>\n<p>Aconteceram em seguida duas coisas que poderiam passar por press\u00e1gios: a primeira, que no teatro se representava um juiz, o qual, tendo sido acusado de um crime, fora punido com a pena de morte; a outra, que se apresentava a trag\u00e9dia de Cinira, na qual ela e Mirra, sua filha, eram mortas. Ao redor dessas tr\u00eas pessoas, foi espalhada uma grande quantidade de sangue, que se havia tra\u00adzido para esse fim, ao se lhes representar a morte. Acrescente-se a isso que fora naquele mesmo dia que Filipe, filho de Amintas, rei da Maced\u00f4nia, tinha sido outrora morto por Paus\u00e2nias, um de seus amigos, quando ia para o teatro.<\/p>\n<p>Como aquele era o \u00faltimo dia da festa, Caio estava para resolver se ficaria at\u00e9 o fim ou se iria tomar o seu banho e cear, para regressar em seguida, como de costume. Minuciano, que estava sentado perto dele e tinha visto Chereas sair, temendo que viesse a faltar a oportunidade de se executar o plano, levantou-se para ir anim\u00e1-lo. Mas Caio o agarrou pelo manto e disse-lhe, de maneira obsequiosa: &#8220;Onde vais agora, homem de bem?&#8221; Essas palavras o detiveram, e ele tornou a sentar-se. Por\u00e9m, n\u00e3o podendo vencer aquele temor, levantou-se uma segunda vez, e Caio n\u00e3o tentou mais ret\u00ea-lo, pois imaginou que ele tivesse alguma necessidade urgente, que o obrigava a sair. Logo em seguida, Asprenas, que estava ciente de tudo, convenceu o imperador de que era melhor ir ao banho e cear, para depois voltar ao espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>Chereas, no entanto, havia colocado c\u00famplices nos lugares mais pr\u00f3prios para o seu intento e, ansioso por causa da demora, pois j\u00e1 era a nona hora do dia, resolveu voltar ao teatro e terminar logo o trabalho. E, ainda que soubesse que esse gesto poderia custar a vida de algum senador ou cavaleiro, considerou que a liberdade p\u00fablica era prefer\u00edvel \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o da vida de alguns cidad\u00e3os. Mas quando ele se dirigia para o teatro, um rumor que ouviu deu-lhe a entender que Caio havia sa\u00eddo para ir ao pal\u00e1cio. Os conspiradores, nesse momento, romperam a multid\u00e3o, como se fosse por ordem do imperador, mas na realidade era para mat\u00e1-lo mais facilmente, quando ningu\u00e9m mais estivesse entre eles e o soberano. Cl\u00e1udio, seu tio, Marcos Vin\u00edcio, que desposara a sua irm\u00e3, e Val\u00e9rio Asi\u00e1tico, proc\u00f4nsul, os quais, pela sua condi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o podiam ser impedidos de se retirar, caminhavam diante dele. Paulo Ar\u00fancio ia atr\u00e1s dele.<\/p>\n<p>Depois de entrar no pal\u00e1cio, Caio deixou o caminho comum, que Cl\u00e1udio e os que iam diante dele haviam tomado, onde os oficiais da casa esperavam para ir ao banho, e seguiu por um caminho escondido, a fim de ver a exibi\u00e7\u00e3o de uns mo\u00e7os que lhe haviam trazido da \u00c1sia para cantar hinos nas cerim\u00f4nias e nos sacrif\u00edcios que ele havia institu\u00eddo e para dan\u00e7ar no teatro as dan\u00e7as das quais Pirro \u00e9 o autor. Chereas ent\u00e3o aproximou-se para pedir-lhe a senha, e Caio n\u00e3o deixou de lhe dar, segundo o costume, uma palavra para ridiculariz\u00e1-lo. Chereas revidou a inj\u00faria com outra e com um golpe de espada, que no entanto n\u00e3o foi mortal.<\/p>\n<p>Alguns querem crer que ele o fez de prop\u00f3sito, a fim de que, antes de morrer, Caio pudesse receber ainda outros golpes e para que o castigo pelos seus crimes lhe fosse mais doloroso. Isso, todavia, me parece pouco prov\u00e1vel, pois n\u00e3o se costuma raciocinar em semelhantes a\u00e7\u00f5es. Se Chereas tinha mesmo essa inten\u00e7\u00e3o, estimo que ele tenha sido o mais tolo de todos os homens, deixando-se levar desse modo pelo \u00f3dio que nutria por Caio e preferindo essa v\u00e3 satisfa\u00e7\u00e3o a livrar a si mesmo e a todos os seus c\u00famplices do perigo em que se encontravam. Enquanto vivesse, Caio n\u00e3o ficaria sem defensores, ao passo que, estando morto, os conjurados poderiam escapar \u00e0 sua vingan\u00e7a antes que houvesse ocasi\u00e3o de serem descobertos. Deixo, por\u00e9m, a cada qual que fa\u00e7a o ju\u00edzo que bem quiser.<\/p>\n<p>O golpe que Caio recebeu atingiu-o entre o pesco\u00e7o e o ombro, e teria avan\u00e7ado mais se n\u00e3o tivesse encontrado o osso. Ele sentiu grande dor, mas n\u00e3o gritou nem chamou ningu\u00e9m em seu aux\u00edlio. Soltou apenas um suspiro, talvez porque o medo o tenha feito perder a fala, ou porque desconfiava de todos ou ainda por causa de sua natural altivez. Gemendo, ele tentava fugir, quando Corn\u00e9lio Sabino o segurou e o fez cair de joelhos. Os outros conspiradores ent\u00e3o rodearam-no gritando: &#8220;Mais um! Mais um!&#8221; E acabaram de mat\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Dentre os muitos golpes que recebeu, diz-se que \u00c1q\u00fcila desferiu o que livrou o imp\u00e9rio, por sua morte, daquela intoler\u00e1vel tirania. No entanto, cabe a Chereas a principal gl\u00f3ria, pois ainda que v\u00e1rios outros tivessem tomado parte na empresa, ele foi o primeiro a conceber a id\u00e9ia, a infundi-la nos outros e a propor os meios de execut\u00e1-la. E depois, vendo-os assustados com a grandeza do perigo, renovou-lhes a coragem. Por fim, logo que se apresentou a ocasi\u00e3o, atacou o tirano, deu-lhe o primeiro golpe e o deixou semimorto aos demais, para que lhe tirassem o que ainda restava de vida. Assim, podemos dizer com verdade que se deve atribuir \u00e0 sua coragem e \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o toda a honra que os seus c\u00famplices mereceram.<\/p>\n<p>Depois de t\u00e3o grande feito, por causa do perigo em que os punha a morte de um imperador loucamente querido pela popula\u00e7a e que mantinha muitos solda\u00addos, a dificuldade era retirar-se. Como lhes pareceu imposs\u00edvel voltar por onde haviam entrado, porque aquelas passagens eram muito estreitas e estavam chei\u00adas de oficiais e de guardas, que o dever do of\u00edcio reunira naquele dia de festa, sa\u00edram por outro caminho para o pal\u00e1cio de Germ\u00e2nico, cujo filho haviam acabado de matar. Esse pal\u00e1cio estava muito perto do pal\u00e1cio do imperador, ou melhor, fazia parte dele, tal como outros, constru\u00eddos pelos imperadores precedentes, sendo que cada qual traziam o nome de seu construtor. Assim, tendo escapado da multid\u00e3o, sa\u00edram com seguran\u00e7a, antes que a not\u00edcia da morte de Caio se houvesse divulgado.<\/p>\n<p>Os primeiros a perceber que Caio havia sido assassinado foram os alem\u00e3es da guarda \u2014 a chamada a legi\u00e3o c\u00e9ltica. Eram todos soldados que ele havia escolhido entre os daquela na\u00e7\u00e3o para estar perto de sua pessoa. Dentre os povos b\u00e1rbaros, eles s\u00e3o os mais col\u00e9ricos porque, na maioria das vezes, n\u00e3o compreendem o que se passa. S\u00e3o homens extremamente robustos e, como de ordin\u00e1rio enfrentam os maiores ataques dos inimigos, contribuem n\u00e3o pouco para fazer pender a vit\u00f3ria para o lado daquele por quem combatem. A morte do imperador lhes foi muito sentida. N\u00e3o porque lhe consideravam os m\u00e9ritos, mas pelo seu pr\u00f3prio interesse, pois ningu\u00e9m era mais bem tratado que eles. Caio, para lhes conquistar o afeto, usava para com eles de grande prodigalidade.<\/p>\n<p>Eram ent\u00e3o comandados por Sabino, que n\u00e3o fora elevado \u00e0quele cargo por sua virtude nem pela de seus antepassados, pois ele havia sido gladiador, mas por causa de sua for\u00e7a extraordin\u00e1ria. Tendo-o \u00e0 frente, os soldados correram para todos os lados, de espada na m\u00e3o, a fim de matar os que haviam assassinado o imperador. O primeiro que encontraram foi Asprenas, para o qual, como j\u00e1 dissemos, havia ocorrido um mau press\u00e1gio, aquela gota de sangue da v\u00edtima que ca\u00edra sobre a sua t\u00fanica, e o fizeram em peda\u00e7os.<\/p>\n<p>Em seguida encontraram Norbano, cuja origem era t\u00e3o ilustre que ele contava entre os seus antepassados v\u00e1rios generais. E, como n\u00e3o era menos forte que corajoso, quando viu que aqueles b\u00e1rbaros n\u00e3o respeitariam a sua condi\u00e7\u00e3o, arrancou a espada da m\u00e3o de um deles, decidido a n\u00e3o morrer sem vender muito caro a vida, pois eles o haviam rodeado de todos os lados. Por fim, vencido pelo n\u00famero, caiu varado de golpes.<\/p>\n<p>O terceiro dos senadores a experimentar a raiva dos alem\u00e3es foi Anteio, o qual pagou com a vida o desejo de ver o corpo de Caio. Como o \u00f3dio que lhe votava n\u00e3o podia ser maior nem mais justo, porque esse cruel pr\u00edncipe, n\u00e3o se contentando em lhe exilar o pai, mandara-o matar no seu desterro, ele saciava os olhos com aquele espet\u00e1culo, que lhe era assaz agrad\u00e1vel, quando v\u00e1rios soldados vieram em sua dire\u00e7\u00e3o. Fugiu para se esconder, mas n\u00e3o p\u00f4de evitar de cair nas m\u00e3os daqueles homens furiosos, que n\u00e3o poupavam nem os inocentes nem os culpados.<\/p>\n<p>Quando se espalhou a not\u00edcia de que o imperador acabara de ser morto, havia em todos os esp\u00edritos mais espanto que cr\u00e9dito. Os que havia muito tempo desejavam ardentemente a sua morte tinham dificuldade em acreditar, pois desconfiavam que a informa\u00e7\u00e3o partira do pr\u00f3prio Caio. Outros n\u00e3o queriam crer porque n\u00e3o desejavam que fosse verdade e nem podiam imaginar que algu\u00e9m tivesse pensado e muito menos executado t\u00e3o temer\u00e1rio empreendimento.<\/p>\n<p>O n\u00famero desses \u00faltimos era composto de soldados, mulheres, mo\u00e7os e es\u00adcravos. De soldados porque, al\u00e9m do soldo, eles tinham parte na tirania e nos roubos do detest\u00e1vel imperador, que lhes permitia ofender impune e insolente-mente os mais ilustres cidad\u00e3os; de mulheres e mo\u00e7os porque eles se divertiam com os espet\u00e1culos, os combates de gladiadores e outros divertimentos em que Caio era pr\u00f3digo, sob pretexto de querer contentar o povo, mas na verdade o fazia para satisfazer \u00e0 pr\u00f3pria crueldade e loucura; de escravos porque ele lhes dava liberdade n\u00e3o somente para desprezar, mas tamb\u00e9m para acusar falsamen\u00adte os seus senhores, sem temor de qualquer castigo, pois nada era mais f\u00e1cil que obter desse pr\u00edncipe o perd\u00e3o pelas cal\u00fanias \u2014 e eles sabiam que, dando not\u00edcia do dinheiro que os seus senhores possu\u00edam, obteriam a liberdade e a oitava parte do confisco, destinada aos denunciadores.<\/p>\n<p>As pessoas da nobreza \u2014 embora algumas, ou porque desejavam a morte do imperador ou porque tinham algum conhecimento da conspira\u00e7\u00e3o, acreditassem que a not\u00edcia era verdadeira \u2014 n\u00e3o ousavam manifestar a sua ale\u00adgria nem mesmo demonstrar que escutavam o que se dizia, de modo que, se fossem enganados em suas esperan\u00e7as, n\u00e3o pagassem caro pela exposi\u00e7\u00e3o de seus sentimentos. Os mais bem informados sobre a conspira\u00e7\u00e3o eram os mais reservados, porque n\u00e3o se queriam tornar suspeitos \u00e0queles que desejavam que Caio ainda vivesse, os quais n\u00e3o os deixariam viver se a not\u00edcia fosse falsa. Correu tamb\u00e9m insistentemente o boato de que o imperador havia sido ferido, mas n\u00e3o estava morto.<\/p>\n<p>N\u00e3o se sabia, portanto, em que acreditar, pois os que davam as not\u00edcias ou eram suspeitos de favorecer a tirania ou a odiavam tanto que n\u00e3o se podia prestar f\u00e9 ao que eles diziam, pois estes eram movidos, mais que qualquer outra coisa, pelo desejo de que fosse verdade. Aquele boato sucedeu outra not\u00edcia, que perturbou ainda mais a nobreza, pois dizia que Caio, sem permitir que lhe tratassem as feridas, se dirigia ensang\u00fcentado \u00e0 pra\u00e7a, para falar ao povo. Essas not\u00edcias suscitaram movimentos diferentes, segundo as disposi\u00e7\u00f5es de cada esp\u00edrito, e ningu\u00e9m ousava sair do lugar com medo de ser caluniado, porque todos sabiam que n\u00e3o se julgavam as a\u00e7\u00f5es conforme os pensamentos que se tinham verdadeiramente, mas pela maneira como os delatores e os juizes as interpretavam.<\/p>\n<p>Estando as coisas nesse p\u00e9, vieram os alem\u00e3es e cercaram o teatro. Todos ent\u00e3o imaginaram-se perdidos, acreditando que seriam degolados em seguida e julgando que corriam o mesmo perigo, tanto se permanecessem onde estavam quanto se optassem pela fuga. Assim, n\u00e3o sabiam o que fazer. Quando os alem\u00e3es venceram a massa e chegaram ao teatro, ouviram-se os rumores confusos de mil vozes de pessoas, as quais rogavam que n\u00e3o lhes fizessem mal, pois, n\u00e3o importando de que modo acontecera a morte do imperador, eles n\u00e3o haviam absolutamente tomado parte nela. As l\u00e1grimas e os gemidos acompanhavam as palavras do povo, e eles tomavam os deuses como testemunhas de sua inoc\u00eancia. Nada esqueciam diante do temor que aquele iminente perigo lhes inspirava.<\/p>\n<p>Por maior que fosse o furor dos alem\u00e3es, eles n\u00e3o conseguiram permanecer insens\u00edveis a tantos gritos e l\u00e1grimas. Comoveram-se tamb\u00e9m ao ver a cabe\u00e7a de Asprenas e as dos outros que eles haviam matado colocadas sobre um altar \u2014 por eles mesmos, porque as haviam trazido de onde se encontravam. O horr\u00edvel espet\u00e1culo da infelicidade de tantas pessoas de classe n\u00e3o somente causava compaix\u00e3o \u00e0s pessoas da nobreza e ao povo como os fazia tremer, porque n\u00e3o tinham a certeza de que sairiam ilesos de t\u00e3o grande perigo, enquanto a alegria daqueles que tinham motivo para odiar Caio era perturbada pelo temor de n\u00e3o saberem se continuariam vivos.<\/p>\n<p>Nesse mesmo tempo, um pregoeiro p\u00fablico, de nome Ar\u00fancio, que tinha uma voz muito forte e era muito rico e querido pelo povo, apareceu no teatro em vestes de luto e com todas as demonstra\u00e7\u00f5es de grande dor. Embora ele odiasse Caio, dissimulava a alegria que estava sentindo. E, juigando que importava dar a conhecer a todos que o pr\u00edncipe realmente havia morrido, fez o an\u00fancio em alta voz, a fim de que ningu\u00e9m mais pudesse duvidar. Dessa maneira, ele conseguiu deter os alem\u00e3es, e os oficiais ordenaram-lhes que recolocassem a espada na bainha.<\/p>\n<p>Essa declara\u00e7\u00e3o p\u00fablica da morte do imperador foi a salva\u00e7\u00e3o de um grande n\u00famero de pessoas. At\u00e9 ali havia o risco de morrerem, pois a f\u00faria dos alem\u00e3es e a sua dedica\u00e7\u00e3o a Caio eram t\u00e3o grandes que enquanto lhes restasse alguma esperan\u00e7a de lhe salvar a vida n\u00e3o haveria viol\u00eancia ou crueldade que n\u00e3o estivessem dispostos a praticar para vingar a conspira\u00e7\u00e3o. Mas a certeza de sua morte desarmou-lhes a c\u00f3lera, porque n\u00e3o podiam mais lhe dar provas de seu afeto nem receber dele os costumeiros favores. Al\u00e9m disso, tinham agora motivo para temer um castigo da parte do senado, caso este viesse a governar.<\/p>\n<p>Nesse \u00ednterim, Chereas, temendo que Minuciano sofresse alguma viol\u00eancia dos alem\u00e3es, rogou com tanta insist\u00eancia aos soldados que tivessem cuidado pela conserva\u00e7\u00e3o de sua vida que eles o trouxeram at\u00e9 ele, vindo tamb\u00e9m Clemente. Ent\u00e3o essa grande personagem e tamb\u00e9m outros senadores disseram a Chereas que a a\u00e7\u00e3o que ele acabava de praticar n\u00e3o podia ser mais justa; que n\u00e3o se podia louvar o suficiente o fato de ele haver organizado com tanta coragem aquele grande empreendimento e t\u00ea-lo t\u00e3o valorosamente executado; que a tirania tem de pr\u00f3prio crescer em pouco tempo pelo prazer que sente em poder impunemente fazer mal a todos; que o \u00f3dio dos homens de bem que se insurgem contra ela, todavia, faz com que os tiranos percam repentina e miseravelmente a vida; que bem se via um exemplo disso na pessoa de Caio, pois n\u00e3o tinha receio de violar as leis nem de ofender os amigos, tornando-os inimigos; e que, assim, ainda que ele tivesse recebido a morte de suas m\u00e3os, na verdade ele pr\u00f3prio provocara o seu fim.<\/p>\n<p>Os guardas se retiraram do teatro, e os que se haviam reunido em grande n\u00famero para assistir aos jogos, ap\u00f3s t\u00e3o grande tribula\u00e7\u00e3o, come\u00e7aram a se levantar, a fim de se colocarem em seguran\u00e7a. Tiveram essa oportunidade quando um m\u00e9dico, de nome Arciom, ao qual haviam obrigado a curar alguns dos feridos, fez sair os seus amigos, sob o pretexto de que iriam buscar medicamentos, mas na realidade os estava afastando do perigo.<\/p>\n<p>O senado reuniu-se em seguida no pal\u00e1cio. O povo acorreu em massa e com tumulto para a grande pra\u00e7a do mercado. Um e outro pediam castigo para os que haviam matado o imperador \u2014 o povo com ardor, e o senado, apenas na apar\u00eancia. Uma t\u00e3o grande como\u00e7\u00e3o obrigou o senado a mandar buscar Val\u00e9rio Asi\u00e1tico, que fora c\u00f4nsul. O povo lhe dizia, com impaci\u00eancia, que n\u00e3o compreendiam como ainda n\u00e3o estavam presos os conspiradores. E, perguntando-lhe quem havia sido o autor do assassinato, ele respondeu: \u201cDesejaria ter sido eu\u201d.<\/p>\n<p>O senado publicou em seguida um decreto, pelo qual condenava a mem\u00f3ria de Caio e ordenava a todos que se retirassem: os cidad\u00e3os romanos para as suas casas e os soldados para os seus quart\u00e9is. Prometiam aos primeiros uma grande diminui\u00e7\u00e3o de impostos, e aos \u00faltimos, recompensas, se eles permanecessem em seu dever. Isso porque havia o temor de que eles, caso se sentissem desgostosos, praticassem em Roma toda esp\u00e9cie de viol\u00eancia e, n\u00e3o se contentando em saquear as casas particulares, fossem levados a cometer sacril\u00e9gios, n\u00e3o poupando nem mesmo os Templos. Os senadores assistiram todos a essas delibera\u00e7\u00f5es, e os que haviam feito parte da conspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente foram os primeiros a chegar como tamb\u00e9m tinham esperan\u00e7as de que o senado retomasse a sua antiga autoridade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O furor do imperador Caio n\u00e3o se estendia ent\u00e3o somente aos judeus de Jerusal\u00e9m e das regi\u00f5es vizinhas, como acabamos de ver. As terras e os mares gemiam sob a sua tir\u00e2nica domina\u00e7\u00e3o, e, dentre as muitas prov\u00edncias sujeitas ao Imp\u00e9rio Romano, n\u00e3o havia uma sequer que deixasse de lhe sentir os funestos efeitos. Os&#8230; <a href=\"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-1-crueldade-e-loucuras-do-imperador-caio-caligula-diversas-conspiracoes-feitas-contra-ele-chereas-ajudado-por-varios-outros-mata-o-os-alemaes-da-guarda-desse-principe-matam-em-seguida\/\">ler mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[154,165,173,454,461,560,647,698,772,980,1305,1490,1560,1811,1894,1899,1919,2362,2764,2781,2782],"class_list":["post-547","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livro-decimo-nono","tag-ajudado","tag-alemaes","tag-alguns","tag-caio","tag-caligula","tag-chereas","tag-condena","tag-conspiracoes","tag-crueldade","tag-diversas","tag-feitas","tag-guarda","tag-imperador","tag-loucuras","tag-matam","tag-matao","tag-memoria","tag-principe","tag-seguida","tag-senado","tag-senadores"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/547","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=547"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/547\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=547"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=547"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=547"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}