{"id":545,"date":"2015-04-03T02:24:09","date_gmt":"2015-04-03T02:24:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=545"},"modified":"2015-04-03T02:24:09","modified_gmt":"2015-04-03T02:24:09","slug":"capitulo-12-dois-judeus-asineu-e-anileu-que-eram-irmaos-de-simples-cidadaos-tornam-se-tao-poderosos-na-babilonia-que-causam-trabalho-aos-partos-seus-feitos-sua-morte-os-gregos-e-os-sirios-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-12-dois-judeus-asineu-e-anileu-que-eram-irmaos-de-simples-cidadaos-tornam-se-tao-poderosos-na-babilonia-que-causam-trabalho-aos-partos-seus-feitos-sua-morte-os-gregos-e-os-sirios-que\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 12 &#8211; Dois judeus, Asineu e Anileu, que eram irm\u00e3os, de simples cidad\u00e3os tornam-se t\u00e3o poderosos na Babil\u00f4nia, que causam trabalho aos partos. Seus feitos. Sua morte. Os gregos e os s\u00edrios que moravam em Sel\u00eaucia re\u00fanem-se contra os judeus e estrangulam cinq\u00fcenta mil deles."},"content":{"rendered":"<p>Os judeus que habitavam a Mesopot\u00e2mia, particularmente os da Babil\u00f4nia, padeceram naquele tempo males que jamais haviam sofrido em s\u00e9\u00adculos precedentes. E, como pretendo tratar com muita exatid\u00e3o esse assunto, sou obrigado a remontar \u00e0 origem deles. Existe na prov\u00edncia da Babil\u00f4nia uma cidade de nome Neerda, cujo territ\u00f3rio \u00e9 t\u00e3o f\u00e9rtil que, embora seja muito povoada, produz o suficiente para alimentar todos os seus habitantes. Tem ela ainda a vantagem de n\u00e3o estar exposta aos ataques dos inimigos porque, al\u00e9m de suas grandes fortifica\u00e7\u00f5es, \u00e9 rodeada pelo Eufrates, a cuja margem est\u00e1 ain\u00adda situada outra cidade, de nome Nisibe. Como os judeus confiavam na for\u00e7a dessas duas pra\u00e7as, ali punham em dep\u00f3sito o dinheiro que consagravam a Deus, segundo o costume de nossos antepassados, e depois o mandavam a Jerusal\u00e9m com uma grande escolta, para que n\u00e3o fosse roubado pelos partos, que ent\u00e3o reinavam na Babil\u00f4nia.<\/p>\n<p>Entre os judeus de Neerda, havia dois irm\u00e3os, Asineu e Anileu, cujo pai morrera, e a m\u00e3e os fez aprender o of\u00edcio de tecel\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 uma profiss\u00e3o vergonhosa para os homens. Mas um dia eles chegaram muito tarde ao trabalho e foram espancados pelo seu senhor. N\u00e3o podendo suportar aquela afronta, apanharam todas as armas que puderam encontrar em casa e retiraram-se a um lugar onde o rio se divide em dois e \u00e9 muito rico, n\u00e3o somente em pastagens, mas em toda esp\u00e9cie de frutos, particularmente daqueles que se conservam durante o inverno.<\/p>\n<p>Alguns mo\u00e7os, que n\u00e3o tinham com que viver, juntaram-se a eles, e todos armaram-se o mais poss\u00edvel. Os dois irm\u00e3os ficaram sendo os seus comandantes, sem que nenhum deles se opusesse. Constru\u00edram depois um forte, de onde mandavam pedir aos habitantes dos pa\u00edses vizinhos uma contribui\u00e7\u00e3o, tanto em gado como quanto em outras coisas necess\u00e1rias para a sua subsist\u00eancia, com a promessa de defend\u00ea-los contra os que os quisessem atacar, se os atendessem, e com amea\u00e7a de matar os seus rebanhos, caso n\u00e3o o fizessem.<\/p>\n<p>Assim, todos eram obrigados a fazer o que eles queriam, e o seu n\u00famero aumentava sempre, a ponto de eles se tornarem tem\u00edveis a todo o pa\u00eds. A not\u00edcia desse fato chegou at\u00e9 Artabano, rei dos partos. O pr\u00edncipe da Babil\u00f4nia, para afogar o mal em sua origem, reuniu tropas o quanto p\u00f4de, tanto de partos como de babil\u00f4nios, e marchou rapidamente contra eles, com a inten\u00e7\u00e3o de surpreend\u00ea-los. Come\u00e7ou por rodear o p\u00e2ntano e proibiu os homens de passar al\u00e9m, porque julgava que, sendo s\u00e1bado o dia seguinte, os judeus n\u00e3o se defenderiam e deixar-se-iam aprisionar sem combater. Asineu, que de nada desconfiava, descansava com alguns de seus homens e tinha as armas perto de si. Ent\u00e3o ele disse: &#8220;Meus companheiros, estou ouvindo um relincho. N\u00e3o de cavalos que pastam, mas daqueles que transportam soldados, porque ou\u00e7o tamb\u00e9m o barulho dos arrei-os. Por isso, julgo que s\u00e3o inimigos que v\u00eam para nos surpreender e n\u00e3o desejo enganar-me&#8221;.<\/p>\n<p>Depois de lhes falar, enviou alguns homens para descobrir o que estava acontecendo, e um deles veio dizer-lhe que aquela suposi\u00e7\u00e3o era verdadeira: os inimigos avan\u00e7avam, em n\u00famero elevad\u00edssimo, e diziam que n\u00e3o lhes seria dif\u00edcil derrot\u00e1-los se os atacassem no dia de descanso, quando as leis do pa\u00eds impediam aos judeus a defesa. Asineu, em vez de se admirar com essa comunica\u00e7\u00e3o, disse que era necess\u00e1rio n\u00e3o lhes permitir a vantagem, para impedir que o inimigo os atacasse e matasse sem encontrar resist\u00eancia. Ao contr\u00e1rio, em t\u00e3o premente perigo, deviam demonstrar a sua coragem e virtude, para pelo menos vender bem caro a pr\u00f3pria vida. Dizendo essas palavras, tomou as armas, e o exemplo de sua coragem fez que todos os outros tamb\u00e9m as empunhassem com intrepidez. Eles ent\u00e3o ca\u00edram sobre os inimigos, que agiam de modo descuidado, como se j\u00e1 estivessem com a vit\u00f3ria garantida, matando muitos deles, desbaratando-os e pondo-os em fuga.<\/p>\n<p>A not\u00edcia dessa derrota chegou ao rei dos partos, e ele concebeu tanta estima pela coragem dos dois irm\u00e3os que desejou conhec\u00ea-los. Mandou dizer-lhes, por meio de um de seus guardas em quem mais ele confiava, que, embora tivesse motivo de se ofender, pelas viol\u00eancias que haviam cometido contra o seu reino, estava mais admirado com a coragem deles e por isso prometia, em seu nome, n\u00e3o somente perdo\u00e1-los de boa f\u00e9, mas fazer com que sentissem os efeitos de sua liberalidade, desde que, dali por diante, eles empregassem a sua bravura apenas no seu servi\u00e7o. Embora promessas t\u00e3o vantajosas pudessem inspirar confian\u00e7a a Anileu, ele achou por bem n\u00e3o se apressar em partir, mas enviou Asineu, seu irm\u00e3o, para encontrar-se com o rei, junto com presentes adequados ao seu poder.<\/p>\n<p>O pr\u00edncipe recebeu-o muito bem e perguntou por que o irm\u00e3o n\u00e3o viera com ele. Ao entender, pela resposta, que o temor o havia impedido de abandonar os p\u00e2ntanos, jurou pelos seus deuses que ambos podiam vir em seguran\u00e7a. E, para dar-lhes inteira prova disso, tocou-lhe a m\u00e3o direita (entre os b\u00e1rbaros, essa \u00e9 uma prova e o maior sinal de uma palavra inviol\u00e1vel). Despediu-o em seguida, para que fosse encontrar-se com o irm\u00e3o, a fim de persuadi-lo a vir tamb\u00e9m. Nisso o pr\u00edncipe agia com muita prud\u00eancia, pois tinha um duplo objetivo: ganhar os dois irm\u00e3os e servir-se deles para dominar os grandes de seu pa\u00eds, que pareciam inclinados a se revoltar quando o viam ocupado em outros lugares. Al\u00e9m do mais, enquanto estivessem empenhados em reprimir a rebeli\u00e3o, os irm\u00e3os n\u00e3o teriam tempo de fortificar o lado da Babil\u00f4nia, fosse pelo crescimento do partido de Asineu, fosse pelo desejo de fazer-lhe guerra.<\/p>\n<p>Asineu, ap\u00f3s saber pelo irm\u00e3o tudo o que se havia passado, n\u00e3o teve dificul\u00addade em se decidir a ir com ele para encontrar-se com o rei. Foram recebidos amavelmente, e o pr\u00edncipe, vendo que Asineu era franzino e de apar\u00eancia in\u00adsignificante, dizia aos amigos que muito lhe admirava que em um corpo t\u00e3o pequeno houvesse uma alma t\u00e3o grande. Um dia, quando estavam \u00e0 mesa, ele apresentou Asineu a Abdegaze, general de seu ex\u00e9rcito, e falou a este, em termos muito elogiosos, do valor demonstrado por aquele na guerra. Rogou-lhe ent\u00e3o o b\u00e1rbaro que o rei lhe permitisse mat\u00e1-lo, para o castigar pelos muitos males que havia causado aos seus s\u00faditos. Artabano, surpreendido por essa proposta, respondeu que jamais permitiria que se causasse qualquer mal a um homem que havia confiado em sua palavra, a qual ele lhe dera com jura\u00admento, tocando a sua m\u00e3o.<\/p>\n<p>O rei acrescentou: &#8220;Se quereis, todavia, agir como homem de coragem, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que eu viole o meu juramento para que vingueis os partos da vergonha que ele os fez passar. Devereis ent\u00e3o atac\u00e1-lo em campo aberto, quando ele tiver regressado, sem que eu me meta nisso&#8221;. Mas esse generoso pr\u00edncipe mandou bem cedo chamar Asineu e disse-lhe: &#8220;Deveis regressar agora, para que a vossa perman\u00eancia aqui n\u00e3o atraia sobre v\u00f3s a ira de meus generais e eles n\u00e3o venham, sem o meu consentimento, atentar contra a vossa vida. Recomendo-vos \u00e0 pro\u00adv\u00edncia da Babil\u00f4nia. Defendei-a com a vossa solicitude, evitando-lhe os saques e os males que lhe possam advir. \u00c9 uma gratid\u00e3o que me deveis pela fidelidade com que eu inviolavelmente vos guardei, sem escutar os que conspiravam con\u00adtra a vossa ru\u00edna, permanecendo firme na resolu\u00e7\u00e3o de vos proteger&#8221;.<\/p>\n<p>Artabano, depois dessas palavras, despediu-o com presentes. Imediatamente ap\u00f3s o seu regresso, Asineu construiu novos fortes, refor\u00e7ou os que j\u00e1 havia constru\u00eddo e tornou-se tem\u00edvel em pouco tempo. Nenhum outro antes dele, vindo de ber\u00e7o t\u00e3o humilde, conquistou t\u00e3o elevado grau de poder. Ele n\u00e3o era somente reverenciado pelos babil\u00f4nios. Tamb\u00e9m os partos enviados como governadores \u00e0s prov\u00edncias prestavam-lhe a mesma honra, e todas as quest\u00f5es na Mesopot\u00e2mia estavam submissas ao seu conselho.<\/p>\n<p>Os dois irm\u00e3os passaram quinze anos nessa grande prosperidade, que s\u00f3 veio a diminuir quando eles, vencidos pela voluptuosidade, abandonaram as leis de seus antepassados. Tudo come\u00e7ou quando um general dos partos foi enviado como governador \u00e0quelas prov\u00edncias. Ele tinha uma mulher que, al\u00e9m de possuir v\u00e1rias e excelentes qualidades, era de extraordin\u00e1ria beleza, admirada por todos. Anileu, quer porque a tenha visto, quer porque apenas ouvira falar dela, ficou perdidamente enamorado. E, como n\u00e3o podia dominar a sua paix\u00e3o nem obter o que desejava por outros meios, declarou guerra ao seu marido e matou-o num combate. A mulher ent\u00e3o ficou em seu poder, e depois ele a desposou.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed sobrevieram todas as desgra\u00e7as que afligiram a ele e ao irm\u00e3o, pois aquela senhora levou consigo os \u00eddolos de seus falsos deuses, aos quais adorava secretamente enquanto ainda era cativa. Depois que Anileu a desposou, por\u00e9m, j\u00e1 n\u00e3o os ocultava tanto. Ent\u00e3o os principais amigos dele fizeram-lhe ver que nada era mais contr\u00e1rio \u00e0s suas leis que desposar uma estrangeira dada \u00e0 observ\u00e2ncia dos sacrif\u00edcios e supersti\u00e7\u00f5es de seu pa\u00eds de origem. Alertaram-no tamb\u00e9m a n\u00e3o se deixar levar pelas paix\u00f5es, para que n\u00e3o viesse a perder aquela grande prosperidade de que era devedor ao aux\u00edlio de Deus. Tais considera\u00e7\u00f5es, todavia, em vez de impression\u00e1-lo, deixaram-no enfurecido, tanto que, incapaz de tolerar t\u00e3o louv\u00e1vel liberdade, matou os principais dentre os que lhes falavam com tanta sabedoria. Estes, ao morrer, pediram a Deus que vingasse a sua morte e o ultraje feito \u00e0s suas santas leis e permitisse que Asineu e Anileu fossem tratados pelos seus inimigos da mesma forma como eles estavam sendo tratados. Rogaram tamb\u00e9m que castigasse aqueles outros que n\u00e3o se moviam para socorr\u00ea-los, pois, embora aquelas pessoas condenassem em seu cora\u00e7\u00e3o a atitude dos dois irm\u00e3os, a recorda\u00e7\u00e3o de sua antiga virtude e a lembran\u00e7a de que deviam a eles a felicidade que desfrutavam prevaleciam em seu esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Essas pessoas, no entanto, quando viram que aquela estrangeira n\u00e3o se cons\u00adtrangia mais em adorar publicamente os deuses dos partos, julgaram que n\u00e3o deviam mais tolerar que Anileu calcasse daquele modo aos p\u00e9s a religi\u00e3o de seus pais. V\u00e1rios deles ent\u00e3o foram procurar Asineu para queixar-se de seu irm\u00e3o. Disseram-lhe que, se de in\u00edcio ele n\u00e3o havia percebido a sua falta, agora j\u00e1 era tempo de reconhec\u00ea-la e arrepender-se dela, antes que o castigo por t\u00e3o grande crime ca\u00edsse sobre todos eles; que nenhum deles aprovava aquele casamento; que todos tinham horror \u00e0s adora\u00e7\u00f5es \u00edmpias; e que aquela mulher prestava culto a falsas divindades, com desprezo \u00e0 honra que era devida somente a Deus.<\/p>\n<p>Asineu n\u00e3o ignorava que o pecado de seu irm\u00e3o poderia causar muitos males. No entanto, vendo que ele n\u00e3o era senhor de sua paix\u00e3o por aquela mulher, o afeto que tinha por ele fazia-o sofrer o que n\u00e3o podia absolutamente condenar. Por fim, achando-se acabrunhado e oprimido pelas cont\u00ednuas queixas que lhe faziam e que aumentavam sempre, resolveu falar-lhe. Censurou-o pelas faltas que havia cometido e ordenou-lhe que se corrigisse, mas inutilmente. A mulher, percebendo que era a causa daquele tumulto e temendo que o amor de Anileu por ela sofresse algum retrocesso, colocou veneno na comida de Asineu. N\u00e3o teve medo de ser castigada, pois teria por juiz apenas o marido, que era arrebatado de amor por ela.<\/p>\n<p>Assim, Anileu acumulou sozinho toda a autoridade e entrou com todas as suas for\u00e7as nas terras de Mitridates, que era uma das principais autoridades entre os partos e genro do rei Artabano. Saqueou o seu territ\u00f3rio, tomando um grande n\u00famero de despojos, tanto em dinheiro quanto em escravos, animais e outras coisas de valor. Mitridates, que ent\u00e3o n\u00e3o estava afastado dali, ao ser informado de que Anileu tomara as suas vilas sem motivo, ficou enfurecido com aquela inj\u00faria e reuniu o maior n\u00famero poss\u00edvel de soldados, em particular uma numerosa cavala\u00adria, e p\u00f4s-se imediatamente em campo para o combate. Mas, em vez de continuar a marcha, deteve-se numa aldeia a fim de esperar o dia seguinte para atacar, por\u00adque era s\u00e1bado e por conseguinte dia de descanso para os judeus.<\/p>\n<p>Um s\u00edrio, que morava num lugar pr\u00f3ximo, avisou Anileu e disse-lhe tamb\u00e9m que Mitridates ofereceria naquela mesma noite um grande banquete. Sem perder tempo, ele serviu a refei\u00e7\u00e3o aos seus homens e caminhou durante toda a noite para surpreender os inimigos. Chegou ao acampamento perto da quarta vig\u00edlia e encontrou-os adormecidos, matando v\u00e1rios deles e pondo em fuga os demais. Prendeu Mitridates e obrigou-o a montar nu sobre um burro, o que entre os partos \u00e9 a maior das ignom\u00ednias. Depois de lev\u00e1-lo dessa maneira at\u00e9 a floresta mais pr\u00f3xima, os amigos aconselharam-no a mat\u00e1-lo, mas ele foi de opini\u00e3o contr\u00e1ria, dizendo n\u00e3o ser necess\u00e1ria tanta crueldade para com um dos maiorais dos partos, que tinha a honra de ser genro do rei. Al\u00e9m do mais, poupando-lhe a vida, poderia faz\u00ea-lo esquecer aquela inj\u00faria. Se o mandasse matar, por\u00e9m, o rei iria se vingar matando os judeus que moravam na Babil\u00f4nia, cuja conserva\u00e7\u00e3o lhe era muito cara, pois era o seu povo. E, sendo os acontecimentos da guerra t\u00e3o incertos, seria entre os partos que eles procurariam ref\u00fagio, caso lhes acontecesse alguma desgra\u00e7a. Todos aprovaram essa proposta, e assim ele mandou Mitridates embora.<\/p>\n<p>A esposa de Mitridates, por\u00e9m, fez-lhe mil censuras porque, sendo genro do rei, ele devia envergonhar-se de dever a vida a um povo do qual recebera tantas inj\u00farias. Disse-lhe ela: &#8220;Retomai agora os sentimentos de vossa antiga virtude ou, em nome dos deuses, que s\u00e3o os conservadores da dignidade dos reis, n\u00e3o mais ficarei em vossa companhia&#8221;. As cr\u00edticas que a esposa lhe movia continuamente, o conhecimento que ele tinha da extraordin\u00e1ria insol\u00eancia da princesa, que bem poderia lev\u00e1-la a divorciar-se dele, e a considera\u00e7\u00e3o de que, tendo nascido parto, ele seria indigno de viver se fraquejasse diante dos judeus fizeram-no reunir, embora contra a vontade, o maior n\u00famero poss\u00edvel de tropas para guerre\u00e1-los.<\/p>\n<p>Anileu soube disso e julgou que seria vergonhoso ficar detido em seus pantanais, em vez de ir ao encontro do inimigo. Tinha esperan\u00e7as de que a sorte lhe fosse t\u00e3o prop\u00edcia quanto das outras vezes e acreditava que a sua coragem influenciaria os seus soldados, como sempre acontecia. Assim, p\u00f4s-se em campo para a peleja. Al\u00e9m das tropas ordin\u00e1rias, v\u00e1rias outras reuniram-se a ele, na esperan\u00e7a de que os inimigos fugissem deles t\u00e3o logo percebessem o seu grande n\u00famero, permitindo que eles, sem perigo, tomassem os seus ricos despojos. Mas, ap\u00f3s terem feito noventa est\u00e1dios de caminho no calor do dia, por uma regi\u00e3o em que n\u00e3o havia \u00e1gua, Mitridates, cujas tropas estavam descansadas e em ordem, surgiu de repente e caiu sobre eles, que de t\u00e3o abatidos pelo cansa\u00e7o e pela sede, mal podiam sustentar as armas. Por isso tomaram vergonhosamente o caminho da fuga, depois que muitos perderam a vida. Anileu e v\u00e1rios outros esconderam-se num bosque, e Mitridates teve a alegria de conseguir t\u00e3o facilmente uma vit\u00f3ria completa.<\/p>\n<p>Depois que Anileu se viu reduzido a esse estado, reuniram-se a ele todos aqueles que nada tinham a perder e que preferiam a liberdade de fazer mal \u00e0 pr\u00f3pria vida. E as suas tropas aumentaram de tal modo que igualaram em n\u00famero as anteriores, n\u00e3o em for\u00e7a, porque os velhos soldados haviam morrido, enquanto o novo grupo n\u00e3o tinha experi\u00eancia na guerra. Ainda assim, eles investiam contra alguns castelos e devastavam toda a regi\u00e3o ao redor. Os babil\u00f4nios, vendo-se tratados daquela manei\u00adra, solicitaram aos judeus de Neerda que lhes entregassem Anileu. Estes, por\u00e9m, responderam que isso n\u00e3o estava em seu poder, e os babil\u00f4nios insistiram em que pelo menos tratassem com ele algumas condi\u00e7\u00f5es de paz. Os judeus o prometeram e enviaram imediatamente a ele alguns deputados, acompanhados por representan\u00adtes dos babil\u00f4nios. Estes, ap\u00f3s observar o lugar para onde Anileu se retirava, mata\u00adram-no durante a noite, bem como aos que estavam com ele. Nisso n\u00e3o correram risco algum, porque aqueles homens estavam todos embriagados.<\/p>\n<p>Como a diversidade de costumes e de leis \u00e9 uma fonte de inimizade, os babil\u00f4nios viviam em diverg\u00eancias cont\u00ednuas com os judeus. Enquanto Anileu vi\u00advia, por\u00e9m, o temor de um chefe t\u00e3o tem\u00edvel e que comandava tantos homens impedia que eles manifestassem toda a sua c\u00f3lera contra a nossa na\u00e7\u00e3o. Depois da morte de Anileu, todavia, esse temor cessou, e os babil\u00f4nios causaram tantos ma\u00adles aos judeus que estes foram obrigados a ir para Sel\u00eaucia, capital do pa\u00eds, constru\u00edda por Seleuco Nicanor, onde havia tamb\u00e9m uma grande quantidade de maced\u00f4nios, gregos e s\u00edrios. Ali viveram tranq\u00fcilos durante cinco anos, mas no ano seguinte uma horr\u00edvel peste assolou a Babil\u00f4nia, e os seus habitantes fugiram tamb\u00e9m para Sel\u00eaucia, o que foi causa de uma grande desgra\u00e7a para os judeus, pelo motivo que passo a expor.<\/p>\n<p>Os gregos e os s\u00edrios eram advers\u00e1rios, mas o partido dos s\u00edrios era mais fraco. Por\u00e9m os judeus, que eram homens valentes e desprezavam o perigo, uniram-se aos s\u00edrios, e assim os tornaram mais fortes. Os gregos, n\u00e3o vendo outro meio de quebrar essa uni\u00e3o e de elevar o seu partido sen\u00e3o pela reconcilia\u00e7\u00e3o com os s\u00edrios, negociaram com eles pela media\u00e7\u00e3o de amigos, e todos tomaram a resolu\u00e7\u00e3o de se unir para exterminar os judeus. Assim, atacaram-nos quando eles de nada suspeitavam e mataram mais de cinq\u00fcenta mil, sem que um s\u00f3 tivesse podido escapar \u00e0quela cruel mortandade, a n\u00e3o ser os que foram salvos por amigos.<\/p>\n<p>Esse pequeno n\u00famero retirou-se para Ctesifon, cidade grega pr\u00f3xima de Sel\u00eaucia, onde o rei passa ordinariamente o inverno e onde est\u00e1 guardada a maior parte de suas riquezas. Mas os judeus n\u00e3o estavam t\u00e3o convictos de que o respeito dos seleucianos pelo rei fosse suficiente para proteg\u00ea-los. A conspira\u00e7\u00e3o dos babil\u00f4nios, seleucianos e s\u00edrios contra os judeus que moravam naquelas pro\u00adv\u00edncias continuava, e os judeus foram obrigados a se retirar para Neerda e Nisibe, onde esperavam encontrar seguran\u00e7a, por causa da for\u00e7a de suas pra\u00e7as e do valor de seus habitantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os judeus que habitavam a Mesopot\u00e2mia, particularmente os da Babil\u00f4nia, padeceram naquele tempo males que jamais haviam sofrido em s\u00e9\u00adculos precedentes. E, como pretendo tratar com muita exatid\u00e3o esse assunto, sou obrigado a remontar \u00e0 origem deles. Existe na prov\u00edncia da Babil\u00f4nia uma cidade de nome Neerda, cujo territ\u00f3rio \u00e9 t\u00e3o f\u00e9rtil que, embora seja&#8230; <a href=\"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-12-dois-judeus-asineu-e-anileu-que-eram-irmaos-de-simples-cidadaos-tornam-se-tao-poderosos-na-babilonia-que-causam-trabalho-aos-partos-seus-feitos-sua-morte-os-gregos-e-os-sirios-que\/\">ler mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[210,317,389,510,565,572,997,1185,1307,1488,1653,1727,1938,1963,1971,2166,2268,2645,2776,2830,2841,3030,3042],"class_list":["post-545","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livro-decimo-oitavo","tag-anileu","tag-asineu","tag-babilonia","tag-causam","tag-cidadaos","tag-cinquenta","tag-dois","tag-estrangulam","tag-feitos","tag-gregos","tag-irmaos","tag-judeus","tag-mil","tag-moravam","tag-morte","tag-partos","tag-poderosos","tag-reunemse","tag-seleucia","tag-simples","tag-sirios","tag-tornamse","tag-trabalho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/545","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=545"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/545\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=545"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=545"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=545"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}