{"id":537,"date":"2015-04-03T02:21:04","date_gmt":"2015-04-03T02:21:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=537"},"modified":"2015-04-03T02:21:04","modified_gmt":"2015-04-03T02:21:04","slug":"capitulo-8-diversas-circunstancias-pelas-quais-agripa-cognominado-o-grande-filho-de-aristobulo-e-neto-de-herodes-o-grande-e-de-mariana-foi-constituido-rei-dos-judeus-pelo-imperador-caio-cogn","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-8-diversas-circunstancias-pelas-quais-agripa-cognominado-o-grande-filho-de-aristobulo-e-neto-de-herodes-o-grande-e-de-mariana-foi-constituido-rei-dos-judeus-pelo-imperador-caio-cogn\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 8 &#8211; Diversas circunst\u00e2ncias, pelas quais Agripa, cognominado o Grande, filho de Aristobulo e neto de Herodes, o Grande, e de Mariana, foi constitu\u00eddo rei dos judeus pelo imperador Caio, cognominado Cal\u00edgula, logo depois que este sucedeu a Tib\u00e9rio."},"content":{"rendered":"<p>Pouco antes da morte de Herodes, o Grande, Agripa, seu neto e filho de Aristobulo, foi a Roma. Como ele freq\u00fcentemente estava \u00e0 mesa com Druso, filho do imperador Tib\u00e9rio, conquistou a sua amizade e caiu tamb\u00e9m no agrado de Ant\u00f4nia, mulher de Druso, irm\u00e3o de Tib\u00e9rio, e m\u00e3e de Germ\u00e2nico e de Cl\u00e1udio, que depois foi imperador, por meio de Berenice, sua m\u00e3e, pela qual tinha ela uma afei\u00e7\u00e3o muito particular. Embora Agripa fosse de natureza muito liberal, n\u00e3o ousava demonstr\u00e1-lo vivendo ainda a sua m\u00e3e, para n\u00e3o incorrer em sua indigna\u00e7\u00e3o. Logo ap\u00f3s a sua morte, por\u00e9m, quando nada mais havia que o detivesse, fez tantas despesas em banquetes e em liberalidade excessiva, principalmente com os libertos de C\u00e9sar, dos quais queria granjear a estima, que se sentiu esmagado pelas d\u00edvidas e importunado por credores, sem poder satisfaz\u00ea-los. O jovem Druso morreu nesse mesmo tempo, e Tib\u00e9rio proibiu a todos os que esse pr\u00edncipe havia amado de se apresentar diante dele, porque a presen\u00e7a deles renovava-lhe o sofrimento.<\/p>\n<p>Assim, Agripa foi obrigado a voltar \u00e0 Jud\u00e9ia, e a vergonha levou-o a se retirar para o castelo de Malata, na Idum\u00e9ia, decidido a ali passar miseravelmente a vida. Cipro, sua mulher, fez o que p\u00f4de para dissuadi-lo dessa id\u00e9ia e escreveu a Herodias, irm\u00e3 de Agripa, que desposara Herodes, o tetrarca, pedindo-lhe que a ajudasse, como ela fazia, por seu lado, embora tivesse menos bens. Herodes e Herodias mandaram logo chamar Agripa e deram-lhe uma certa soma, bem como a principal magistratura de Tiber\u00edades, de modo que pudesse manter-se com certa honra naquela cidade. Em\u00adbora isso n\u00e3o fosse o suficiente para contentar Agripa, Herodes arrefeceu-se tanto no desejo de ajud\u00e1-lo que perdeu a vontade de continuar a lhe prestar aux\u00edlio. E um dia, depois de ter bebido demais num banquete em que estavam juntos, em Tiro, lan\u00ad\u00e7ou-lhe em rosto a sua pobreza e o fato de que dependia dele para comer.<\/p>\n<p>Agripa, n\u00e3o podendo tolerar semelhante ultraje, foi procurar Flaco, gover\u00adnador da S\u00edria, que fora c\u00f4nsul e com o qual havia feito amizade em Roma. Ele o recebeu muito bem. Antes, por\u00e9m, j\u00e1 havia recebido Arist\u00f3bulo, irm\u00e3o de Agripa, do mesmo modo, sem que a inimizade que havia entre eles o impedis\u00adse de manifestar igualmente o seu afeto a um e a outro. Mas Arist\u00f3bulo persis\u00adtiu de tal modo em sua ira que n\u00e3o teve sossego enquanto n\u00e3o incutiu no esp\u00edrito de Flaco a avers\u00e3o para com Agripa, o que aconteceu pelo motivo que passo a expor.<\/p>\n<p>Os moradores de Damasco entraram em lit\u00edgio com os de Sidom, por causa de seus limites. A quest\u00e3o devia ser julgada por Flaco, e eles ofereceram a Agripa uma grande soma para que ele os ajudasse com o seu prest\u00edgio junto dele. Agripa prometeu fazer tudo o que pudesse em favor deles. Arist\u00f3bulo soube-o e avisou Flaco, o qual, depois de se informar, constatou que tudo era verdade. Assim, pela perda de sua amizade, Agripa recaiu numa extrema mis\u00e9ria e retirou-se a Ptolemaida, onde, n\u00e3o tendo com o que viver, resolveu voltar a It\u00e1lia. Mas como lhe faltava o dinheiro, disse a M\u00e1rcias, seu liberto, que fizesse todo o poss\u00edvel para consegui-lo em empr\u00e9stimo.<\/p>\n<p>Esse homem foi procurar Proto, liberto de Berenice, m\u00e3e de Agripa, que esta legara em seu testamento a Ant\u00f4nia, fazendo com que ela o recebesse ao seu servi\u00e7o, e rogou-lhe que lhe emprestasse dinheiro, sob sua palavra. Proto respondeu-lhe que Agripa j\u00e1 lhe devia e, tendo j\u00e1 obtido de M\u00e1rcias uma nota de compromisso de vinte mil dracmas \u00e1ticas, entregou-lhe somente dezessete mil e quinhentas, retendo consigo as outras duas mil e quinhentas, sem que Agripa se pudesse opor. Depois de apanhar essa soma, partiu para Antedom. Encontrando um navio, Agripa preparava-se para continuar a viagem, quando Her\u00eanio Capito, que tinha em Jamnia a superintend\u00eancia dos neg\u00f3cios, enviou soldados para faz\u00ea-lo pagar trezentas mil pe\u00e7as de prata, que lhe haviam sido emprestadas do tesouro do imperador quando ele estava em Roma.<\/p>\n<p>Agripa garantiu-lhes que n\u00e3o deixaria de pagar, mas logo que veio a noite mandou levantar \u00e2ncora e tomou o caminho de Alexandria. Ao chegar, pediu a Alexandre, que era alabarche,* que lhe emprestasse duzentas mil pe\u00e7as de prata. Ele respondeu que n\u00e3o lhe emprestaria, mas que n\u00e3o recusaria o empr\u00e9stimo a Cipro, sua mulher, porque admirava-lhe a virtude e o amor pelo marido. Assim, ela lhe foi a cau\u00e7\u00e3o, e Alexandre deu-lhe cinco talentos, com a promessa de lhe entreaar o resto em Put\u00e9oli. n\u00e3o iuloando conveniente confiar-lhe tudo na mesma hora, por causa de sua prodigalidade. Cipro, ent\u00e3o, vendo que nada mais impediria o marido de ir \u00e0 It\u00e1lia, voltou com os filhos, por terra, para a Jud\u00e9ia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>___________________________<\/p>\n<p>* O primeiro cargo da magistratura, em Alexandria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando Agripa chegou a Put\u00e9oli, escreveu ao imperador, que ent\u00e3o estava em Capr\u00e9ia,* dizendo que viera prestar-lhe as suas homenagens e rogando consentimento para que fosse encontr\u00e1-lo. Tib\u00e9rio respondeu logo e de maneira muito favor\u00e1vel, declarando estar alegre com a sua volta e que ele podia vir quando quisesse. E, se a carta era delicada, a maneira como o recebeu depois n\u00e3o foi menos gentil, pois o abra\u00e7ou e mandou-o hospedar-se em seu pal\u00e1cio. No dia seguinte, por\u00e9m, Tib\u00e9rio recebeu uma carta de Her\u00eanio, pela qual lhe comunicava que, havendo insistido com Agripa a fim de que fossem pagas as trezentas mil pe\u00e7as de prata que lhe havia emprestado do tesouro, pois o prazo para a restitui\u00e7\u00e3o j\u00e1 havia expirado, ele havia fugido, tirando assim a ele e aos que lhe sucederiam no cargo os meios de reaver aquela import\u00e2ncia. Essa carta irritou a Tib\u00e9rio contra Agripa, e ele deu ordem aos porteiros do quarto que n\u00e3o o deixassem vir \u00e0 sua presen\u00e7a at\u00e9 que pagasse o que devia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>__________________________<\/p>\n<p>* Ou Capri, ilha italiana do mar Tirreno. (N. do R.)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agripa, no entanto, sem se admirar da c\u00f3lera do imperador, rogou a Ant\u00f4nia que lhe emprestasse aquela import\u00e2ncia, a fim de que ele n\u00e3o perdesse as boas gra\u00e7as de Tib\u00e9rio. E a princesa, considerando o respeito \u00e0 mem\u00f3ria de Berenice e o afeto particular que a ela dedicara, bem como o fato de Agripa ter sido educado junto com Cl\u00e1udio, seu filho, concedeu-lhe aquele favor. Assim, ele pagou o que devia e firmou-se t\u00e3o bem no conceito do imperador Tib\u00e9rio que este o encarregou de cuidar de Tib\u00e9rio Nero, seu neto e filho do Druso, e de velar pelas suas a\u00e7\u00f5es. Mas o desejo de pagar os favores de que era devedor a Ant\u00f4nia fez com que Agripa, em vez de satisfazer o desejo do imperador, se deixasse prender pelo afeto a Caio, cognominado Cal\u00edgula, neto daquela prin\u00adcesa, que era amado e honrado por todos por causa da lembran\u00e7a de Germ\u00e2nico, seu pai. E, tomando emprestado um milh\u00e3o de pe\u00e7as de prata de um dos liber\u00adtos de Augusto, chamado Talo, de Samaria, restituiu \u00e0 Ant\u00f4nia o que ela lhe havia emprestado.<\/p>\n<p>A amizade entre Agripa e Caio tornou-se bem s\u00f3lida, e certo dia, quando esta\u00advam na carruagem de Caio, sucedeu que recordaram alguns coment\u00e1rios que ha\u00adviam feito acerca de Tib\u00e9rio. Agripa expressou o desejo de que o imperador logo sa\u00edsse de cena e deixasse o governo nas m\u00e3os de Caio, a quem considerava muito mais digno de reinar. \u00cautico, seu liberto, que guiava o carro, ouviu-o e no momen\u00adto nada disse. Algum tempo depois, no entanto, Agripa acusou-o de roubo, o que era verdade, e ele fugiu. Quando foi preso, levaram-no \u00e0 presen\u00e7a de Pis\u00e3o, prefei\u00adto de Roma. Em vez de responder \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o que lhe faziam, \u00cautico declarou que tinha um segredo a declarar ao imperador, relativo \u00e0 sua seguran\u00e7a e preserva\u00e7\u00e3o. Imediatamente, enviaram-no acorrentado a Capr\u00e9ia. Tib\u00e9rio mandou coloc\u00e1-lo na pris\u00e3o e l\u00e1 o deixou, sem se incomodar mais com o fato.<\/p>\n<p>Embora isso pare\u00e7a estranho, n\u00e3o h\u00e1 motivo para admira\u00e7\u00e3o, porque jamais pr\u00edncipe algum se apressou menos do que ele, em qualquer assunto. N\u00e3o dava audi\u00eancia aos embaixadores e nem preenchia os cargos de governadores e de intendente das prov\u00edncias sen\u00e3o ap\u00f3s a morte desses titulares. Quando os amigos perguntavam a raz\u00e3o disso, ele respondia que, quanto aos embaixadores, se os despachasse prontamente, logo lhe enviariam outros, e assim ele viveria enfadado com ininterruptas embaixadas. No que dizia respeito aos governadores e intendentes das prov\u00edncias, evitava mud\u00e1-los para aliviar o povo, porque os homens s\u00e3o natu\u00adralmente gananciosos, principalmente quando \u00e9 \u00e0 custa de estrangeiros que eles se enriquecem, e se atiram com mais avidez \u00e0s cobran\u00e7as ao perceber que lhes resta pouco tempo no cargo. Por\u00e9m, ao inv\u00e9s, se depois de haverem acumulado muitos bens n\u00e3o se sentirem amea\u00e7ados por um iminente sucessor, procedem com mais modera\u00e7\u00e3o. As riquezas todas das prov\u00edncias n\u00e3o seriam suficientes para contentar a cobi\u00e7a desses oficiais, caso eles fossem mudados freq\u00fcentemente.<\/p>\n<p>Como prova do que dizia, serviu-se desta compara\u00e7\u00e3o: &#8220;Um homem fora ferido com muitos golpes, e uma grande quantidade de moscas lan\u00e7ou-se \u00e0s suas chagas. Um viajante, vendo-o naquele estado, teve compaix\u00e3o dele. julgando que n\u00e3o lhe restaria mais for\u00e7as para enxot\u00e1-las, resolveu prestar-lhe aquele aux\u00edlio. Mas o ferido pediu-lhe que o deixasse como estava. O outro perguntou a raz\u00e3o disso, e ele res\u00adpondeu: Como essas moscas que vedes j\u00e1 est\u00e3o fartas do meu sangue, j\u00e1 n\u00e3o me causam tanto mal. Mas, se v\u00f3s as enxotardes, vir\u00e3o outras que, estando ainda com fome e me encontrando t\u00e3o fraco, acabar\u00e3o por me fazer morrer&#8221;. E a melhor prova do que acabo de dizer acerca do car\u00e1ter de Tib\u00e9rio \u00e9 que, durante os vinte e dois anos de seu reinado, ele enviou apenas dois governadores \u00e0 Jud\u00e9ia \u2014 Grato e Pilatos \u2014 e procedeu do mesmo modo com as outras prov\u00edncias sujeitas ao Imp\u00e9rio Roma\u00adno. Esse pr\u00edncipe dizia tamb\u00e9m que n\u00e3o julgava prontamente os prisioneiros &#8220;para castig\u00e1-los por seus crimes com um longo sofrimento&#8221;.<\/p>\n<p>Foi por isso que Tib\u00e9rio conservou \u00cautico por tanto tempo na pris\u00e3o sem ouvi-lo. Mas, quando ele veio de Capr\u00e9ia a Tusculano, que dista de Roma apenas uns vinte est\u00e1dios, Agripa rogou a Ant\u00f4nia que ela providenciasse uma audi\u00eancia para \u00cautico, a fim de que ele descobrisse de que crime o liberto o estava acusando. Tib\u00e9rio tinha muita considera\u00e7\u00e3o por ela, tanto porque era sua cunhada quanto porque era muito casta, pois, embora fosse ainda muito jovem ao ficar vi\u00fava, e Augusto insistisse em que ela se casasse de novo, jamais contraiu segundas n\u00fapcias, mas vivia em t\u00e3o grande virtude que a sua reputa\u00e7\u00e3o se conservou para sempre imaculada.<\/p>\n<p>Devemos acrescentar que ele lhe era particularmente devotado tamb\u00e9m por causa de um grande favor que ela lhe prestara. Sejano, comandante da guarda pretoriana, a quem ele estimava de modo especial e elevara a um alt\u00edssimo grau de poder, organizou contra ele uma grande conspira\u00e7\u00e3o, com a cumplicidade de senadores, oficiais do ex\u00e9rcito e at\u00e9 mesmo alguns libertos de Tib\u00e9rio. Estavam a ponto de a executar, mas ela, sozinha, foi causa de que n\u00e3o se realizasse, porque, tendo-a descoberto, escreveu-lhe imediatamente, descrevendo todos os particulares, por meio de Palas, o mais fiel de seus libertos, que de Capr\u00e9ia lhe levou a carta. Ap\u00f3s esse aviso, ele ordenou a morte de Sejano e seus c\u00famplices.<\/p>\n<p>Esse grande servi\u00e7o aumentou ainda a estima que ele dedicava a essa princesa, e por isso passou a depositar nela inteira confian\u00e7a. E assim, como nada havia de que ela n\u00e3o lhe pudesse falar, Ant\u00f4nia rogou-lhe que se dignasse escutar o que \u00cautico tinha a dizer. Ele respondeu que, se ele queria acusar falsamente o seu senhor, j\u00e1 fora bem castigado pelos sofrimentos na pris\u00e3o e que Agripa devia tomar cuidado em n\u00e3o se comprometer impensadamente em semelhante neg\u00f3cio, para que o mal que ele queria fazer ao seu liberto n\u00e3o se tornasse demasiado pesado e ca\u00edsse sobre ele mesmo.<\/p>\n<p>Essa resposta, em vez de acalmar Agripa em seu des\u00edgnio, levou-o a insistir ainda mais com Ant\u00f4nia, a fim de obter aquele esclarecimento do imperador. De sorte que, n\u00e3o podendo deixar de faz\u00ea-lo, ela aproveitou a ocasi\u00e3o em que Tib\u00e9rio, um dia, era levado em sua liteira para tomar um pouco de ar, estando Caio e Agripa caminhando adiante dele. Ela seguiu-o a p\u00e9 e renovou o pedido para que mandasse interrogar \u00cautico. Ele respondeu: &#8220;Tomo os deuses como testemunha de que \u00e9 contra os meus sentimentos e somente para n\u00e3o vos contrariar que farei o que desejais de mim&#8221;. Ent\u00e3o ordenou a Macrom, que sucedera a Sejano no cargo de comandante da guarda pretoriana, que mandasse vir \u00cautico.<\/p>\n<p>Sem demora, trouxeram-no, e Tib\u00e9rio perguntou-lhe o que tinha a dizer contra aquele ao qual era devedor de sua liberdade. Ele disse: &#8220;Um dia, meu senhor, quando Caio, que vejo aqui presente, e Agripa estavam juntos num carro e eu junto deles, para lev\u00e1-los, Agripa disse a Caio, al\u00e9m de outras coisas: Tomara que logo chegue o dia em que aquele velho v\u00e1 para o outro mundo e vos deixe senhor deste reino! Tib\u00e9rio, seu neto, n\u00e3o vos ser\u00e1 obst\u00e1culo, pois muito facilmente vos podereis desfazer dele. Como esta terra seria feliz! E como eu teria parte nessa felicidade!&#8221;<\/p>\n<p>Tib\u00e9rio deu cr\u00e9dito \u00e0s palavras de \u00cautico, sendo que tamb\u00e9m guardava ressentimentos pelo fato de Agripa haver recusado cuidar de Tib\u00e9rio Nero, seu neto, como ele lhe ordenara, para se dedicar inteiramente a Caio. Assim, ordenou a Macrom: &#8220;Acorrentai aquele homem!&#8221; Macrom, que n\u00e3o podia imaginar que o imperador falava de Agripa, esperou estar completamente inteirado de sua vontade para executar a ordem. Tib\u00e9rio, ap\u00f3s dar algumas voltas no hip\u00f3dromo, viu ainda Agripa e disse a Macrom: &#8220;N\u00e3o vos tinha eu ordenado que acorrent\u00e1sseis aquele homem?&#8221; Retrucou-lhe Macrom: &#8220;Que homem, senhor?&#8221; E Tib\u00e9rio respondeu: &#8220;Agripa&#8221;.<\/p>\n<p>Agripa ent\u00e3o, apelando para a mem\u00f3ria de seu filho, com o qual havia sido educado, e para os servi\u00e7os que prestara a Tib\u00e9rio, seu neto, suplicou-lhe clem\u00eancia. Os seus rogos, por\u00e9m, foram in\u00fateis, e os guardas do imperador levaram-no para a pris\u00e3o sem lhe tirar as vestes de p\u00farpura. Como o calor era muito forte e o vinho que bebera no jantar esquentara-o ainda mais, ele sentia tanta sede que procurou com os olhos alguma coisa que a mitigasse. Viu ent\u00e3o que um dos escravos de Caio, chamado Taumasto, levava um jarro cheio de \u00e1gua. Pediu-a, e o escravo o atendeu de boa vontade. Depois de beber, ele disse: &#8220;N\u00e3o vos arrependereis de me terdes prestado este favor, pois logo que ficar livre, obterei de Caio a vossa liberdade, como recompensa, pois, vendo-me prisioneiro, atendestes ao meu pedido como se eu estivesse livre&#8221;. Essa promessa foi cumprida, pois, quando mais tarde subiu ao trono, Agripa solicitou a Caio que lhe desse Taumasto e n\u00e3o somente o libertou como lhe deu a administra\u00e7\u00e3o de todos os seus bens. E, ao morrer, recomendou a Agripa, seu filho, e a Berenice, sua filha, que o conservassem naquele cargo. E assim, ele desempenhou a sua incumb\u00eancia com honra durante toda a sua vida.<\/p>\n<p>Um dia, quando Agripa estava com outros prisioneiros diante do pal\u00e1cio, a debilidade causada pela tristeza fez com que ele se apoiasse a uma \u00e1rvore, sobre a qual uma coruja veio pousar. Um alem\u00e3o, que estava entre os prisioneiros, tendo-o notado, perguntou ao soldado que o vigiava e que estava acorrentado com ele quem era aquele homem. Ao saber que era Agripa, o mais not\u00e1vel de todos os judeus pela gl\u00f3ria de sua origem, rogou ao soldado que lhe permitisse aproximar-se dele, a fim de que pudesse ouvir de sua boca alguma coisa sobre os costumes de seu pa\u00eds. O soldado consentiu.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, por meio de um int\u00e9rprete, o alem\u00e3o disse a Agripa: &#8220;Bem vejo que uma t\u00e3o grande e repentina mudan\u00e7a em vossa sorte vos aflige, e dificilmente acreditareis que a divina provid\u00eancia vos dar\u00e1 a liberdade muito em breve. Mas tomo os deuses como testemunhas, os deuses que adoro e s\u00e3o reverenciados neste pa\u00eds, os quais me puseram nestas cadeias, de que o que vos tenho a dizer n\u00e3o \u00e9 uma v\u00e3 consola\u00e7\u00e3o, sabendo, como sei, que predi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, quando n\u00e3o s\u00e3o seguidas de seus efeitos, s\u00f3 nos servem para aumentar a tristeza. Quero, pois, dizer-vos, embora com perigo, o que pressagia essa ave que acaba de voar sobre a vossa cabe\u00e7a. Estareis bem depressa em liberdade e elevado a t\u00e3o grande poder que sereis invejado por aqueles que agora t\u00eam compaix\u00e3o de vossa infelicidade. Sereis feliz durante o resto de vossa vida e deixareis filhos que suceder\u00e3o \u00e0 vossa felicidade. Mas quando virdes aparecer de novo essa mesma ave, sabei que somente vos restar\u00e3o cinco dias de vida. Eis como os deuses vos pressagiam, e, como tenho conhecimento disso, julguei oportuno dar-vos essa alegria, para amenizar os vossos males presentes com a esperan\u00e7a de tantos bens futuros. E, quando vos encontrardes em t\u00e3o grande prosperidade, pe\u00e7o-vos que n\u00e3o vos esque\u00e7ais da mis\u00e9ria em que me encontro e que me deis a liberdade&#8221;.<\/p>\n<p>O vatic\u00ednio do alem\u00e3o pareceu t\u00e3o rid\u00edculo a Agripa que provocou nele uma gargalhada, t\u00e3o forte que causou a ele mesmo espanto e admira\u00e7\u00e3o. No entanto a sua infelicidade causava muito pesar a Ant\u00f4nia, e, como julgava in\u00fatil falar em favor dele a Tib\u00e9rio, tudo o que ela podia fazer era rogar a Macrom que lhe desse por guardas soldados de car\u00e1ter soci\u00e1vel, que o fizesse tomar as refei\u00e7\u00f5es com os oficiais que o custodiavam, que lhe permitisse tomar banho todos os dias e que desse livre entrada aos seus amigos e libertos, a fim de que fosse mitigada a amargura de sua pris\u00e3o. Desse modo, Silas, seu amigo, M\u00e1rcias e Estico, seus libertos, levavam-lhe alimento e as iguarias de que mais ele gostava. Tinham tanto cuidado dele que, sob o pretexto de querer vender-lhe cobertas, davam-nas a ele, que delas se servia durante a noite, sem que os guardas o impedissem, pois tinham ordem de Macrom para n\u00e3o interferir.<\/p>\n<p>Assim, seis meses se passaram, e Tib\u00e9rio, depois de regressar a Capr\u00e9ia, caiu num langor que a princ\u00edpio n\u00e3o parecia perigoso. Por\u00e9m o mal cresceu, e ele, perdendo a esperan\u00e7a de viver, ordenou a Ev\u00f3dio, o liberto a quem mais estimava, que lhe trouxesse Tib\u00e9rio, cognominado Gemelo, seu neto, filho de Druso, seu filho, e Caio, seu sobrinho-neto, filho de Germ\u00e2nico, seu sobrinho, pois queria falar-lhes antes de morrer. Esse \u00faltimo era j\u00e1 grande, muito bem instru\u00eddo nas letras e bastante estimado pelo povo, por respeito \u00e0 mem\u00f3ria de Germ\u00e2nico, seu pai, valoroso e excelente pr\u00edncipe cuja do\u00e7ura, mod\u00e9stia e cortesia conquistara n\u00e3o somente o afeto do senado, mas o de todos os povos. A sua morte foi chorada com l\u00e1grimas t\u00e3o verdadeiras que parecia, em luto t\u00e3o geral e p\u00fablico, que cada qual lastimava uma perda particular. Isso porque durante toda a sua vida ele se esfor\u00e7ara em servir a todos o quanto poss\u00edvel e jamais fizera mal a quem quer que fosse. Esse amor que se tivera pelo pai era tamb\u00e9m vantajoso para o filho, pois os soldados estavam dispostos at\u00e9 a morrer por ele, se isso fosse necess\u00e1rio para elev\u00e1-lo ao trono.<\/p>\n<p>Depois que deu a Ev\u00f3dio a ordem para que lhe trouxesse no dia seguinte bem cedo o seu neto e o seu sobrinho-neto, Tib\u00e9rio rogou aos deuses que lhe manifestassem, por algum sinal, qual dos dois destinavam para seu sucessor, pois, ainda que desejasse que o trono ficasse nas m\u00e3os de Tib\u00e9rio, n\u00e3o ousava deliberar em assunto de tamanha import\u00e2ncia sem conhecer a vontade soberana deles. O sinal que ele escolheu foi este: aquele que chegasse primeiro no dia seguinte de manh\u00e3 para saud\u00e1-lo seria o imperador. Convicto de que os deuses se manifestariam em favor de seu neto, disse ao seu preceptor que o trouxesse bem cedo.<\/p>\n<p>Os fatos, no entanto, n\u00e3o corresponderam \u00e0s suas esperan\u00e7as, pois, tendo ordenado a Ev\u00f3dio desde madrugada que fizesse entrar o pr\u00edncipe que chegasse primeiro, n\u00e3o encontrou o jovem Tib\u00e9rio \u2014 este n\u00e3o fora avisado da ordem do imperador porque havia ido participar de um banquete. Caio, por\u00e9m, estava \u00e0 porta do quarto, e Ev\u00f3dio disse-lhe que o imperador o estava esperando e o mandou entrar. Quando Tib\u00e9rio o avistou, compreendeu que os deuses n\u00e3o lhe permitiam dispor do imp\u00e9rio como ele desejava e que os seus des\u00edgnios eram opostos aos dele.<\/p>\n<p>Por maior que fosse o seu pesar, todavia, ele estava ainda mais comovido por causa da infelicidade de seu neto, que n\u00e3o somente perdera a oportunidade de suced\u00ea-lo, mas corria agora risco de vida, pois era f\u00e1cil imaginar que o parentes\u00adco n\u00e3o seria suficiente para conserv\u00e1-la se Caio se tornasse o senhor. O soberano poder n\u00e3o admite divis\u00e3o, e assim esse novo imperador, n\u00e3o se podendo julgar seguro enquanto o jovem Tib\u00e9rio vivesse, com certeza procuraria um meio de se desfazer dele.<\/p>\n<p>Tib\u00e9rio dava muito cr\u00e9dito \u00e0 astrologia. Durante toda a sua vida, prestara tanta f\u00e9 aos hor\u00f3scopos que estes serviam de regra \u00e0 maior parte de suas a\u00e7\u00f5es. De modo que, vendo um dia Galba aproximar-se dele, disse a alguns de seus mais \u00edntimos amigos: &#8220;Aquele homem que vedes ser\u00e1 imperador&#8221;. E, como ele em v\u00e1rias ocasi\u00f5es testemunhara predi\u00e7\u00f5es seguidas de sua realiza\u00e7\u00e3o, nenhum outro dos c\u00e9sares nelas tanto acreditou como ele. Assim, o fato de Caio haver chegado primeiro afligiu-o tanto que ele j\u00e1 considerava morto o jovem Tib\u00e9rio e acusava a si mesmo de ter desejado conhecer a vontade dos deuses por aquela revela\u00e7\u00e3o, que o cumulava de dor, anunciando-lhe a perda da pessoa a quem mais ele estimava no mundo. Ele poderia ter morrido tranq\u00fcilo se a sua curiosidade n\u00e3o o tivesse levado a querer penetrar os segredos do futuro.<\/p>\n<p>No meio da grande perturba\u00e7\u00e3o em que se encontrava, por ver que contra a sua inten\u00e7\u00e3o o imp\u00e9rio cairia nas m\u00e3os daquele que n\u00e3o havia destinado para seu sucessor, ele n\u00e3o deixou, embora contra a vontade, de falar a Caio deste modo: &#8220;Meu filho, ainda que Tib\u00e9rio me seja mais pr\u00f3ximo que v\u00f3s, passo a vossas m\u00e3os, por minha pr\u00f3pria escolha e para me conformar \u00e0 vontade dos deuses, o imp\u00e9rio de Roma. Rogo-vos, por\u00e9m, que jamais vos esque\u00e7ais da obriga\u00e7\u00e3o que me deveis, por vos elevar a esse grau supremo de poder, e que me testemunheis isso pelo afeto que dedicareis a Tib\u00e9rio. \u00c9 a maior prova que poder\u00edeis me dar de vosso reconhecimento por um t\u00e3o grande benef\u00edcio, do qual, depois dos deuses, me sois devedor. Al\u00e9m disso, a natureza vos obriga a amar uma pessoa que vos \u00e9 t\u00e3o pr\u00f3xima. Deveis considerar a sua vida um dos sustent\u00e1culos de vosso imp\u00e9rio, ao passo que a sua morte seria para v\u00f3s um princ\u00edpio de infelicidade, pois \u00e9 perigoso aos pr\u00edncipes n\u00e3o ter parentes. E aqueles que n\u00e3o temem ofender os deuses, violando as leis da natureza, n\u00e3o podem evitar a sua justa vingan\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Tais foram as palavras de Tib\u00e9rio, e Caio demonstrou estar de acordo com tudo, embora sem a inten\u00e7\u00e3o de cumprir as suas promessas, pois, logo que foi elevado ao poder, mandou matar o jovem Tib\u00e9rio, como o av\u00f4 tinha previsto. E ele mesmo, alguns anos depois, foi assassinado.<\/p>\n<p>Voltando, por\u00e9m, a Tib\u00e9rio, ele viveu somente mais alguns dias ap\u00f3s nomear Caio para seu sucessor. Havia reinado vinte e dois anos, cinco meses e tr\u00eas dias. A not\u00edcia da morte desse pr\u00edncipe causou muita alegria em Roma, mas ningu\u00e9m ousava acreditar, por temer que n\u00e3o fosse verdade. Manifestar regozijo aberta\u00admente seria p\u00f4r-se em risco de perder a vida num reinado como o de Tib\u00e9rio, por causa dos delatores. Tib\u00e9rio, mais que qualquer outro antes dele, destru\u00edra diversas fam\u00edlias importantes de Roma. Ele era t\u00e3o col\u00e9rico, inexor\u00e1vel e cruel que odiava mesmo sem motivo e considerava a morte, ainda que injusta, um leve castigo.<\/p>\n<p>M\u00e1rcias, entretanto, foi apressadamente dar a not\u00edcia ao seu senhor. Encontrou-o saindo do banho e, aproximando-se dele, disse-lhe em hebraico: &#8220;O le\u00e3o est\u00e1 morto&#8221;. Agripa compreendeu logo o que ele queria dizer e respondeu, com trans\u00adportes de alegria: &#8220;Como poderei reconhecer os servi\u00e7os que me prestastes e parti\u00adcularmente este, de me trazerdes t\u00e3o auspiciosa not\u00edcia, se \u00e9 que \u00e9 verdadeira?&#8221; O oficial que guardava Agripa, tendo visto com que af\u00e3 M\u00e1rcias havia chegado e o contentamento que Agripa manifestara depois do que ele lhe dissera, n\u00e3o teve difi\u00adculdade em julgar que algo de importante acontecera e rogou-lhes que dissessem de que se tratava. De in\u00edcio, eles hesitaram, mas ele insistiu tanto que, por fim, Agripa, que j\u00e1 havia contra\u00eddo amizade com ele, contou-lhe o que acontecera.<\/p>\n<p>O oficial regozijou-se ent\u00e3o pela sua felicidade e, para manifestar a sua ale\u00adgria, ofereceu-lhe um banquete. Contudo, enquanto se divertiam e bebiam, ale\u00adgres, chegou a not\u00edcia de que Tib\u00e9rio n\u00e3o havia morrido e que em poucos dias ele retornaria a Roma. A surpreendente not\u00edcia deixou abalado o oficial, porque ele ent\u00e3o imaginou o risco que corria a sua vida por tratar de modo t\u00e3o benevolo um prisioneiro que estava sob a sua guarda, e isso por acreditar que o imperador havia morrido. Ent\u00e3o ele empurrou Agripa do assento onde este se colocara \u00e0 mesa do festim e disse-lhe: &#8220;Imaginais ent\u00e3o que, ap\u00f3s terdes me enganado com essa mentira sobre a morte do imperador, ficareis impune? Ou que essa falsa not\u00edcia n\u00e3o vos ir\u00e1 custar a cabe\u00e7a?&#8221; Ditas essas palavras, ordenou que o acorrentassem de novo e o vigiassem ainda com mais cuidado que antes.<\/p>\n<p>A noite passou-se em amargura para Agripa. Por\u00e9m, no dia seguinte n\u00e3o ha\u00advia mais d\u00favida quanto \u00e0 morte do imperador. Todos a comentavam abertamen\u00adte, e alguns chegaram a oferecer sacrif\u00edcios para testemunhar a pr\u00f3pria alegria. Chegaram nesse mesmo tempo duas cartas de Caio: uma endere\u00e7ada ao sena\u00addo, anunciando a morte de Tib\u00e9rio e dizendo que ele fora o escolhido para subs\u00adtitu\u00ed-lo, e a outra, a Pis\u00e3o, governador da cidade, que dizia a mesma coisa e ordenava que se tirasse Agripa da pris\u00e3o e lhe fosse permitido voltar \u00e0 sua casa. Assim, Agripa viu-se livre de todos os seus temores. E, embora estivesse ainda sob cust\u00f3dia, vivia no resto como desejava.<\/p>\n<p>Pouco depois, Caio veio a Roma, para onde fez trazer o corpo de Tib\u00e9rio, ordenando que lhe fizessem, segundo o costume dos romanos, soberbos funerais. Era seu desejo colocar Agripa em liberdade naquele mesmo dia, por\u00e9m Ant\u00f4nia o aconselhou a protelar a decis\u00e3o. Embora sentisse afeto por ele, julgava que aquela precipita\u00e7\u00e3o iria contra o decoro do imp\u00e9rio, porque n\u00e3o se devia apressar tanto a liberdade de algu\u00e9m que Tib\u00e9rio mantinha preso sem manifestar desrespeito \u00e0 sua mem\u00f3ria. No entanto, alguns dias depois, Caio mandou cham\u00e1-lo. Fez com que cortasse os cabelos e mudasse a roupa e depois colocou-lhe uma coroa na cabe\u00e7a, constituindo-o rei da tetrarquia que pertencera a Filipe. Deu-lhe ainda a tetraquia de Lis\u00e2nias. Como sinal de seu afeto, presenteou-o com uma cadeia de ouro que tinha o mesmo peso daquela, de ferro, que ele usara na pris\u00e3o. Em seguida, nomeou Marulo governador da Jud\u00e9ia.<\/p>\n<p>787.\u00a0 No segundo ano do reinado de Caio, Agripa rogou-lhe que lhe permitisse viajar ao seu reino, a fim de organizar todos os assuntos referentes ao governo, com a promessa de retornar logo depois. Ent\u00e3o, com a permiss\u00e3o do imperador, ele entrou no seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Vimos que foi contra toda esp\u00e9cie de probabilidade que esse pr\u00edncipe veio a ter a coroa sobre a cabe\u00e7a. Tal fato \u00e9 um ilustre exemplo do poder da fortuna, quando se comparam as mis\u00e9rias passadas com a felicidade presente. Alguns, por isso, admiravam a firmeza e a const\u00e2ncia que ele havia demonstrado para ver realizadas as suas esperan\u00e7as. Outros tinham dificuldade em acreditar no que viam com os pr\u00f3prios olhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pouco antes da morte de Herodes, o Grande, Agripa, seu neto e filho de Aristobulo, foi a Roma. 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