{"id":515,"date":"2015-04-03T02:15:49","date_gmt":"2015-04-03T02:15:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=515"},"modified":"2015-04-03T02:15:49","modified_gmt":"2015-04-03T02:15:49","slug":"capitulo-12-grande-revolta-na-judeia-enquanto-arqueiau-estava-em-roma-varo-governador-da-siria-reprime-a-filipe-irmao-de-arqueiau-vai-tambem-a-roma-na-esperanca-de-obter-uma-parte-do-reino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-12-grande-revolta-na-judeia-enquanto-arqueiau-estava-em-roma-varo-governador-da-siria-reprime-a-filipe-irmao-de-arqueiau-vai-tambem-a-roma-na-esperanca-de-obter-uma-parte-do-reino\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 12 &#8211; Grande revolta na jud\u00e9ia, enquanto Arqueiau estava em Roma. Varo, governador da S\u00edria, reprime-a. Filipe, irm\u00e3o de Arqueiau, vai tamb\u00e9m a Roma, na esperan\u00e7a de obter uma parte do reino. Os judeus mandam embaixadores a Augusto para pedir-lhe que os dispense de obedecer aos reis e que os re\u00fana \u00e0 S\u00edria. Falam-lhe contra Arquelau e contra a mem\u00f3ria de Herodes."},"content":{"rendered":"<p>Antes de Augusto dar por terminado este assunto, Maltac\u00e9, m\u00e3e de Arqueiau, caiu doente e morreu. Augusto soube por cartas de Varo, governador da S\u00edria, que depois da partida de Arqueiau haviam surgido grandes perturba\u00e7\u00f5es na jud\u00e9ia; que ele para l\u00e1 tinha ido logo, com suas tropas, que tinha feito castigar todos usar autores, e depois de ter dominado quase totalmente a sedi\u00e7\u00e3o, tinha voltado a Antioquia. Essas cartas acrescentaram que ele tinha deixado uma legi\u00e3o em Jerusal\u00e9m, para impedir que ainda se pudessem revoltar.<\/p>\n<p>Assim, parecia que nada mais havia a temer, mas aconteceu justamente o contr\u00e1rio. Sabino, vendo-se fortalecido com tropas enviadas por Varo, procu\u00adrou tornar-se senhor das fortalezas; n\u00e3o houve que sua incr\u00edvel avareza o n\u00e3o fizesse empreender, para encontrar o dinheiro deixado por Herodes. Os judeus ficaram muito irritados; a festa de Pentecostes aproximava-se e eles vieram em grande n\u00famero, de todos os lugares, n\u00e3o somente da Jud\u00e9ia, mas da Galil\u00e9ia, da Idum\u00e9ia, de Jerico e de al\u00e9m do Jord\u00e3o, pelo desejo de se vingar Sabino, bem como por seu sentimento de piedade. Dividiram-se em tr\u00eas corpos, um dos quais ocupou o hip\u00f3dromo, outro sitiou o Templo, dos lados do norte e do oriente; e o terceiro sitiou-o, do lado do ocidente, onde estava o pal\u00e1cio real. Rodearam assim os romanos de todos os lados e se preparavam para atac\u00e1-los. Sabino, at\u00f4nito por v\u00ea-los t\u00e3o animados e resolvidos a morrer ou a executar o seu empre\u00adendimento, escreveu a Varo pedido-lhe que viesse com urg\u00eancia, para socorrer a legi\u00e3o que ele l\u00e1 havia deixado, que, de outro modo, corria risco de ser inteira\u00admente dizimada. Ele subiu depois \u00e0 torre mais alta do castelo que Herodes tinha constru\u00eddo e \u00e0 qual tinha dado o nome de Fazaela, em nome de Fazael, seu irm\u00e3o, morto pelos partos, de onde fez sinal com a m\u00e3o aos romanos, que des\u00adsem um ataque contra os judeus, querendo assim que, ao mesmo tempo em que ele n\u00e3o ousava confiar nos amigos, os outros se expusessem ao perigo em que sua avareza os havia lan\u00e7ado. Os romanos atacaram; o combate foi acirrado e v\u00e1rios judeus foram mortos. Mas essa perda n\u00e3o enfraqueceu o seu ardor. Uma parte subiu sobre os p\u00f3rticos da \u00faltima muralha do Templo, de onde lan\u00e7aram uma grande quantidade de pedras sobre os romanos, uns com a m\u00e3o, outros com fundas, outros atiraram tamb\u00e9m contra eles uma chuva de flechas e dardos; os que os romanos lhes lan\u00e7avam de baixo, n\u00e3o chegavam a atingi-los. O com\u00adbate durou assim, por muito tempo; por fim os romanos, n\u00e3o podendo mais tolerar que seus inimigos tivessem tal vantagem sobre eles, puseram fogo ao p\u00f3rtico, sem que eles o percebessem e lan\u00e7aram-lhe ainda grande quantidade de madeira. As chamas subiram logo at\u00e9 o telhado e como l\u00e1 havia grande quan\u00adtidade de piche, e de cera, com que se haviam fixado os ornamentos e as douraduras, ele incendiou-se facilmente. Aquelas soberbas cornijas ficaram logo reduzidas a cinzas e os que estavam em cima, surpreendidos pelo fogo, perece\u00adram todos. Uns ca\u00edram de cima do teto, outros foram mortos pelos dardos que os romanos lhes lan\u00e7avam, alguns, assustados pelo perigo e levados pelo desespero mataram-se ou se precipitaram nas chamas, e os que para se salvar queriam descer por onde haviam subido ca\u00edram nas m\u00e3os dos romanos que os mataram com grande facilidade, porque, n\u00e3o estando armados, sua coragem, por maior que fosse, tornava-lhe a resist\u00eancia de todo in\u00fatil. Assim, nem um s\u00f3 conseguiu escapar, de todos quantos haviam subido ao teto do Templo. Os romanos ent\u00e3o, apertando-se, passaram pelas chamas, para ir at\u00e9 onde o dinheiro consagrado por Deus estava guardado. Os soldados levaram-lhe uma parte e sabino parece ter recebido apenas quatrocentos talentos. Esse roubo do tesouro sagrado e a morte de v\u00e1rios dos mais ilustres judeus que pereceram naquele combate, deixa\u00adram os outros muito aflitos, mas n\u00e3o os fizeram perder a coragem. Um corpo dos mais valentes cercou o pal\u00e1cio real, amea\u00e7ou incendi\u00e1-lo e matar todos os que l\u00e1 estavam, se n\u00e3o sa\u00edssem imediatamente; prometeu-lhes, se se retirassem, n\u00e3o lhes fazer mal algum, nem a Sabino, nem aos que estavam com ele, entre os quais, a maior parte dos gentis-homens da corte e Rufo e Grato que comanda\u00advam tr\u00eas mil homens dos mais valorosos soldados do ex\u00e9rcito de Herodes, cuja cavalaria obedecia a Rufo, que tinha tamb\u00e9m abra\u00e7ado e fortificado de muito, o partido dos romanos. Os judeus prosseguindo sua empresa com grande ardor solaparam os muros e exortaram ao mesmo tempo os romanos a n\u00e3o se expor mais em seu intento de recobrar a liberdade. Sabino ter-se-ia retirado de boa vontade com os soldados que tinha consigo, mas, o mal que ele tinha feito aos judeus, impedia-lhe confiar em sua palavra; condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o vantajosas eram-lhe suspeitas e ele esperava o socorro de Varo.<\/p>\n<p>Estando as coisas neste p\u00e9, em Jerusal\u00e9m, houve ainda diversos movi\u00admentos de agita\u00e7\u00e3o, em v\u00e1rios outros lugares da Jud\u00e9ia; uns a isso eram levados pela esperan\u00e7a do lucro, outros, pelo desejo de vingan\u00e7a.<\/p>\n<p>Dois mil dos melhores homens que Herodes tivera, e que foram licenciados, reuniram-se e foram atacar as tropas do rei, comandadas por Aquiabe, sobrinho de Herodes; mas como eram todos velhos soldados e muito experimentados Aquiabe n\u00e3o ousou enfrent\u00e1-los no campo e retirou-se com os seus a dois lugares fortes e de dif\u00edcil acesso.<\/p>\n<p>Por outro lado judas, filho de Ezequias, chefe dos ladr\u00f5es que Herodes outro-ra tinha trucidado com grande dificuldade, reuniu perto da cidade de S\u00e9foris, na Calil\u00e9ia, um numeroso grupo de homens e entrou nas terras do rei, apoderou-se do arsenal, armou os seus, apanhou todo o dinheiro desse pr\u00edncipe, que encon\u00adtrou nos lugares vizinhos, saqueou tudo o que encontrou, tornou-se tem\u00edvel a todo o pa\u00eds; sua aud\u00e1cia o levava mesmo a aspirar \u00e0 coroa, n\u00e3o que ele julgasse ter as qualidades que o poderiam elevar ao supremo cargo de honra, mas por\u00adque a licen\u00e7a de fazer o mal, dava-lhe a liberdade de tudo empreender.<\/p>\n<p>Um certo Sim\u00e3o, de que Herodes outrora tinham usado para assuntos impor\u00adtantes e cuja for\u00e7a, tamanho e boa apar\u00eancia faziam sobressair entre os outros, teve a coragem de p\u00f4r a coroa na pr\u00f3pria cabe\u00e7a. N\u00e3o somente um grande n\u00famero de gente seguiu-o, mas a loucura do povo, levou-o a saud\u00e1-lo como rei e ele tinha t\u00e3o boa opini\u00e3o de si mesmo, que se persuadiu de que nenhum outro melhor do que ele merecia mesmo s\u00ea-lo. A primeira coisa que fez foi p\u00f4r fogo no pal\u00e1cio real de Jerico. Queimou depois v\u00e1rios outros, cujas riquezas deu aos seus, e estava para empreender coisas importantes, quando apareceram os obst\u00e1cu\u00adlos. Grato, que comandava as tropas do rei e que, como vimos, se havia juntado aos romanos, veio contra ele e depois de um grande combate onde os de Sim\u00e3o mostraram muito mais coragem do que ordem e ci\u00eancia na guerra, foram derro\u00adtados e ele mesmo, foi aprisionado num lugar estreito, por onde pensava poder salvar-se e Grato fez cortar-lhe a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Um grupo de outros homens, semelhante a este, que tinha seguido a Sim\u00e3o, queimou tamb\u00e9m nesse mesmo tempo o pal\u00e1cio real de Amata, situado nas margens do Jord\u00e3o e via-se reinar ent\u00e3o tal furor em toda a Jud\u00e9ia, quer pela falta do rei, cuja virtude mantivesse o povo dentro do seu dever, quer porque os romanos, em vez de apaziguar e acalmar o mal, reprimindo os sediciosos, os irritavam ainda mais, com sua maneira insolente de agir e por sua insaci\u00e1vel ambi\u00e7\u00e3o e avareza.<\/p>\n<p>Um certo Atronjo, cuja origem era t\u00e3o baixa, que ele tinha sido antes um simples pastor e tinha por \u00fanico m\u00e9rito ser muito forte e muito grande de corpo, chegou ao c\u00famulo do atrevimento, de querer tamb\u00e9m fazer-se rei e comprar com pre\u00e7o da pr\u00f3pria vida, o poder de fazer mal a todos. Ele tinha quatro irm\u00e3os, grandes e valentes como ele, que comandavam tamb\u00e9m um grupo de soldados e se persuadiam de que, para se chegar ao poder, era suficiente ter a coragem de tudo empreender. Uma grande multid\u00e3o de gente se uniu a esses cinco irm\u00e3os e Atronjo servia-se de seus irm\u00e3os como de seus lugar-tenentes para fazer incurs\u00f5es de todos os lados enquanto ele com a coroa na cabe\u00e7a orientava os neg\u00f3cios e dava as ordens com soberana autoridade. Assim, ficou por muito tempo nessa condi\u00e7\u00e3o e podia-se dizer de algum modo que ele n\u00e3o tinha em v\u00e3o o nome de rei, pois tudo o que ele ordenava era feito e executado. Seus maiores esfor\u00e7os foram contra os romanos e contra as tropas do rei, que igualmente ele odiava, uns por causa dos males que faziam, outros por causa do que haviam feito, sob o reinado de Herodes. Matou a muitos e fazia-lhes dia a dia uma guerra mais cruel, quer pela esperan\u00e7a de enriquecer, quer porque as vantagens que obtinha sobre eles inflamava-lhe a coragem. Um grupo de romanos que levavam trigos e armas ao campo, tendo ca\u00eddo numa emboscada que ele lhes armara perto de Ema\u00fas, aquele que os comandava e quarenta dos mais valentes, foram mortos a flechadas e o resto, julgava-se perdido, quando Grato sobreveio com tropas do rei e os salvou; mas os mortos ficaram em poder dos revoltosos. Os cinco irm\u00e3os continuaram por muito tempo a incomodar, desse modo, aos romanos, em diversos combates e a aumentar os males de sua pr\u00f3pria na\u00e7\u00e3o. Mas, por fim, um deles foi vencido e preso por Grato e um outro foi preso por Ptolomeu. Atronjo caiu tamb\u00e9m depois em poder de Arquelau e algum tempo depois, o \u00faltimo de todos, assustado com a desgra\u00e7a de seus irm\u00e3os, n\u00e3o tendo mais esperan\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o porque o cansa\u00e7o e as doen\u00e7as tinham arruinado seus soldados, entregou-se, sob palavra, ao tio de Arquelau.<\/p>\n<p>Em t\u00e3o estranha confus\u00e3o, que enchia toda a Jud\u00e9ia de latroc\u00ednio, apenas algu\u00e9m podia ajuntar um grupo de sediciosos, tomava logo o nome de rei. O pa\u00eds estava estra\u00e7alhado, e a menor parte do mal caiu sobre os romanos, porque os judeus, em vez de se reunir, para juntos voltarem contra eles suas armas, dividiam-se entre esses sediciosos e matavam-se uns aos outros.<\/p>\n<p>Varo, apenas soube pelas cartas de Sabino o que se passava e o perigo que corria a legi\u00e3o sitiada em Jerusal\u00e9m, tomou as outras que estavam na S\u00edria, com quatro companhias de cavalaria e as tropas auxiliares que ele tirou dos reis e tetrarcas, para ir urgentemente em socorro dos seus e marcou o encontro de todas as suas tropas em Tolemaida. Os de Berita aumentaram-nas com mil e quinhentos ho\u00admens, quando passaram pela sua cidade; Aretas, rei de Petra, que pelo \u00f3dio que tinha a Herodes, tinha feito alian\u00e7a com os romanos, mandou-lhe tamb\u00e9m um corpo consider\u00e1vel de cavalaria e de infantaria. Depois que Varo reuniu assim em Tolemaida, todo o seu ex\u00e9rcito, deu uma parte dele ao seu filho, ajudado por um de seus amigos, com ordem de entrar na Galil\u00e9ia, que est\u00e1 perto de Tolemaida. Ele cumpriu essa ordem, p\u00f4s em fuga todos os que quiseram oferecer resist\u00eancia, tomou a cidade de S\u00e9foris, vendeu em leil\u00e3o todos os seus habitantes, incendiou-a e a reduziu a cinzas. Varo, por outro lado marchou em pessoa para Samaria com o resto do ex\u00e9rcito, sem nada empreender contra aquela cidade, porque ela n\u00e3o tomara parte na revolta e acampou numa aldeia chamada Aro, que pertencia a Ptolomeu. Os \u00e1rabes incendiaram-na, porque seu \u00f3dio por Herodes era t\u00e3o grande que se estendia at\u00e9 aos seus amigos. O ex\u00e9rcito avan\u00e7ou depois para Safo e embo\u00adra a pra\u00e7a fosse forte, os \u00e1rabes a tomaram, saquearam-na e a incendiaram como as outras. N\u00e3o perdoaram a nada do que encontraram no seu caminho e passaram tudo a ferro e fogo. Quanto \u00e0 cidade de Ema\u00fas que os habitantes tinham abando\u00adnado, foi por ordem de Varo incendiada, como vingan\u00e7a, porque v\u00e1rios romanos l\u00e1 haviam sido mortos. Logo que os judeus que cercavam a legi\u00e3o romana soube\u00adram que Varo se aproximava com seu ex\u00e9rcito, levantaram o cerco e ent\u00e3o os sitiados, os maiorais da cidade e Jos\u00e9, neto do rei Herodes, compareceram \u00e0 sua presen\u00e7a; mas Sabino retirou-se secretamente para o mar. Varo repreendeu severa\u00admente os habitantes de Jerusal\u00e9m e eles desculparam-se, protestando que de ne\u00adnhum modo haviam participado do empreendimento, mas que tudo fora feito pelo povo que tinha vindo de todas as partes para a solenidade da festa; e muito ao contr\u00e1rio, em vez de terem eles sitiado os romanos, eles mesmos haviam sido cercados por esse grande n\u00famero de estrangeiros.<\/p>\n<p>Varo mandou em seguida uma parte de seu ex\u00e9rcito para uma cuidadosa indaga\u00e7\u00e3o em todo o reino procurando os autores da revolta; dois mil foram crucificados e aos demais ele deixou livres. Como ele julgava n\u00e3o haver mais necessidade de tropas e estava desgostoso com os males, que o desejo de enriquecer tinha levado as suas a proceder contra suas ordens, ele as queria mandar de volta, quando soube que dez mil judeus se haviam reunido. Marchou rapidamente para dar-lhes combate, mas eles n\u00e3o ousaram esperar e se entregaram a Aquiabe. Varo contentou-se de mandar os chefes a Augusto que perdoou a maior parte deles e mandou castigar somente alguns dos parentes de Herodes, que ele julgou merecer, porque nem a considera\u00e7\u00e3o do sangue, nem da justi\u00e7a n\u00e3o os havia podido manter no cumprimento do dever. Depois que Varo apaziguou todas essas desordens, e restabeleceu a calma na Jud\u00e9ia, deixou como guarni\u00e7\u00e3o na fortaleza de Jerusal\u00e9m a mesma legi\u00e3o que j\u00e1 l\u00e1 estava antes e retirou-se para Antioquia.<\/p>\n<p>Enquanto as coisas deste modo se passavam na (ud\u00e9ia, Arquelau encontrou um novo obst\u00e1culo \u00e0s suas pretens\u00f5es, pelo motivo que passo a dizer. Cinq\u00fcenta embaixadores dos judeus vieram com permiss\u00e3o de Varo procurar Augusto, para pedir-lhe que lhes permitisse viver segundo suas leis; e mais de oito mil judeus, que moravam em Roma, uniram-se a eles nessa peti\u00e7\u00e3o. O imperador, para esse fim, reuniu uma grande assembl\u00e9ia de seus amigos dos mais ilustres romanos no tem\u00adplo de Apoio, que tinha feito construir com ingentes despesas. Esses embaixado\u00adres, seguidos pelos outros judeus, l\u00e1 se apresentaram e Arquelau tamb\u00e9m compa\u00adreceu com seus amigos; mas seus parentes n\u00e3o sabiam que partido tomar, porque de um lado eles se odiavam, e por outro, tinham vergonha de parecer favorecer, na presen\u00e7a do imperador, aos inimigos de um pr\u00edncipe de seu sangue. Filipe, irm\u00e3o de Arquelau, que Varo muito estimava, veio tamb\u00e9m da S\u00edria a seu conselho, com o pretexto de ajudar seu irm\u00e3o, mas na verdade com a esperan\u00e7a de que se esses embaixadores obtivessem o que desejavam e o reino fosse dividido entre os filhos de Herodes, ele lhe pudesse tamb\u00e9m obter uma parte.<\/p>\n<p>Os embaixadores falaram primeiro e disseram que n\u00e3o havia leis que Herodes n\u00e3o tivesse violado, com sua conduta injusta e criminosa; que ele fora rei s\u00f3 de nome, pois jamais tirano algum havia sido t\u00e3o cruel, n\u00e3o se contentando de empregar todos os meios de que os outros se serviam para a desgra\u00e7a de seus s\u00faditos, ele tinha inventado outros novos, que seria in\u00fatil falar-se do grande n\u00famero de judeus que ele tinha feito morrer, pois a condi\u00e7\u00e3o daqueles aos quais n\u00e3o tinham tirado \u00e0 vida, era pior do que a dos mortos, quer pelo temor cont\u00ednuo que sua desumanidade lhes causava, quer porque ele os despojava de todos os seus bens. Que ele tinha constru\u00eddo e embelezado as cidades fora de seu territ\u00f3rio, apenas para arruinar as do seu reino com horr\u00edveis impostos e exa\u00e7\u00f5es. Que tendo encontrado a Jud\u00e9ia florescente e na abund\u00e2ncia, ele a havia reduzido \u00e0 sua mis\u00e9ria anterior. Que ele tinha feito morrer sem motivo, v\u00e1rias pessoas de posi\u00e7\u00e3o, a fim de se apoderar de seus bens e que os havia arrebatado tamb\u00e9m \u00e0queles aos quais n\u00e3o tinha tirado a vida. Que al\u00e9m de todos os impostos comuns, de que ningu\u00e9m estava isento, era-se ainda obriga\u00addo a dar grandes somas, para satisfazer \u00e0 ambi\u00e7\u00e3o de seus amigos e dos seus cortes\u00e3os e para se livrar das injustas vexa\u00e7\u00f5es de seus oficiais. Que eles n\u00e3o falavam das mo\u00e7as que ele havia violado e das mulheres de condi\u00e7\u00e3o, \u00e0s quais ele havia feito o mesmo ultraje, porque o \u00fanico al\u00edvio que elas poderiam ter em sua extrema dor era que tudo cairia logo no esquecimento. Que enfim, se fora poss\u00edvel que um animal feroz, como ele, tivesse o governo de um reino, n\u00e3o haveria quem tratasse os homens com mais crueldade, do que esse pr\u00edncipe os havia tratado, pois n\u00e3o se via em hist\u00f3ria alguma, algo compar\u00e1vel aos males que ele lhes havia causado; e assim, na suposi\u00e7\u00e3o que faziam, de que aquele que o substitu\u00edsse n\u00e3o usasse de um proceder diferente, n\u00e3o faria dificuldade em reconhecer a Arquelau como rei, que tinham em considera\u00e7\u00e3o a ele honra\u00addo a mem\u00f3ria de seu pai, com um luto p\u00fablico e que n\u00e3o havia servi\u00e7os que n\u00e3o estivessem dispostos a lhe prestar para ganhar-lhe a afei\u00e7\u00e3o; mas que ele, ao contr\u00e1rio, como se temesse que se duvidasse de que era filho de Herodes, tinha logo manifestado que opini\u00e3o se devia ter dele, pois, sem esperar que o imperador o tivesse confirmado no reino e quando toda sua fortuna dependia ainda de sua vontade, ele tinha dado aos seus novos s\u00faditos uma t\u00e3o bela prova de sua virtude, de sua modera\u00e7\u00e3o e de sua justi\u00e7a, come\u00e7ando por fazer degolar no Templo em vez de v\u00edtimas, tr\u00eas mil homens da mesma na\u00e7\u00e3o; que se podia julgar por essa a\u00e7\u00e3o t\u00e3o detest\u00e1vel se eles faziam mal em odiar um homem, que depois de tal crime, os acusava de sedi\u00e7\u00e3o e de crimes de lesa-majestade. Os embaixadores terminaram suplicando a Augusto que mudasse a forma de seu governo, n\u00e3o os sujeitando mais a reis, mas anexando-os \u00e0 S\u00edria para dependerem somente daqueles aos quais ele desse o governo e que ent\u00e3o veriam se eles eram mesmo sediciosos e se n\u00e3o saberiam obedecer aos que tinham o leg\u00edtimo poder de governar.<\/p>\n<p>Depois que os embaixadores assim falaram, Nicolau tomou a defesa de Herodes e de Arquelau. Disse que, quanto ao primeiro, era estranho que ningu\u00e9m o tivesse acusado durante a vida \u2014 quando se podia esperar da justi\u00e7a do imperador o castigo de seus crimes, se fossem verdadeiros \u2014 e se tentasse, depois de sua mor\u00adte, desonr\u00e1-lo \u00e0 sua mem\u00f3ria. Quanto a Arquelau, dever-se-ia considerar que a a\u00e7\u00e3o de que o censuravam, era somente devida \u00e0 insol\u00eancia e \u00e0 revolta dos que o haviam obrigado a castig\u00e1-los, quando calcando aos p\u00e9s todas as leis e o respeito que lhe deviam, tinham matado a golpes de espada e a pedradas os que ele havia mandado para impedir que continuassem a promover a agita\u00e7\u00e3o. Nicolau termi\u00adnou seu discurso acusando-os de serem facciosos, sempre prontos a se revoltar, porque n\u00e3o se podiam decidir a obedecer \u00e0s leis e \u00e0 justi\u00e7a, mas queriam ser se\u00adnhores e dominar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de Augusto dar por terminado este assunto, Maltac\u00e9, m\u00e3e de Arqueiau, caiu doente e morreu. Augusto soube por cartas de Varo, governador da S\u00edria, que depois da partida de Arqueiau haviam surgido grandes perturba\u00e7\u00f5es na jud\u00e9ia; que ele para l\u00e1 tinha ido logo, com suas tropas, que tinha feito castigar todos usar autores, e&#8230; <a href=\"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-12-grande-revolta-na-judeia-enquanto-arqueiau-estava-em-roma-varo-governador-da-siria-reprime-a-filipe-irmao-de-arqueiau-vai-tambem-a-roma-na-esperanca-de-obter-uma-parte-do-reino\/\">ler mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[289,290,366,962,1040,1072,1153,1177,1262,1341,1468,1476,1516,1652,1725,1727,1853,1919,2049,2077,2157,2188,2552,2553,2580,2643,2653,2675,2838,3107,3112],"class_list":["post-515","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livro-decimo-setimo","tag-arqueiau","tag-arquelau","tag-augusto","tag-dispense","tag-embaixadores","tag-enquanto","tag-esperanca","tag-estava","tag-falamlhe","tag-filipe","tag-governador","tag-grande","tag-herodes","tag-irmao","tag-judeia","tag-judeus","tag-mandam","tag-memoria","tag-obedecer","tag-obter","tag-parte","tag-pedirlhe","tag-reino","tag-reis","tag-reprimea","tag-reuna","tag-revolta","tag-roma","tag-siria","tag-vai","tag-varo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/515","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=515"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/515\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=515"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=515"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=515"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}