{"id":488,"date":"2015-04-03T02:10:26","date_gmt":"2015-04-03T02:10:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=488"},"modified":"2015-04-03T02:10:26","modified_gmt":"2015-04-03T02:10:26","slug":"capitulo-16-herodes-mais-irritado-do-que-nunca-contra-alexandre-e-aristobulo-por-causa-de-suas-calunias-manda-os-para-a-prisao-augusto-reconhece-a-maldade-de-sileu-e-o-condena-a-morte-confirma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-16-herodes-mais-irritado-do-que-nunca-contra-alexandre-e-aristobulo-por-causa-de-suas-calunias-manda-os-para-a-prisao-augusto-reconhece-a-maldade-de-sileu-e-o-condena-a-morte-confirma\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 16 &#8211; Herodes, mais irritado do que nunca contra Alexandre e Aristobulo, por causa de suas cal\u00fanias, manda-os para a pris\u00e3o. Augusto reconhece a maldade de Sileu e o condena \u00e0 morte. Confirma Aretas no reino da Ar\u00e1bia e lastima ter se irritado contra Herodes. Aconselha-o a reunir uma grande assembl\u00e9ia em Berito e l\u00e1 julgar os filhos."},"content":{"rendered":"<p>A agita\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia de Herodes aumentava, pelo crescente \u00f3dio deste contra Alexandre e Aristobulo, seus filhos. A desconfian\u00e7a, que \u00e9 um mal muito perigoso para os reis, n\u00e3o tinha fim e fortaleceu-se ainda mais por este fato: um certo Euricl\u00e9s, lacedem\u00f4nio, nobre de nascimento, muito perverso, grande bajulador e extremamente astucioso, que usava de todos os meios para parecer o que de fato n\u00e3o era, veio procurar Herodes com presentes, recebendo tamb\u00e9m outros maiores. Ele se insinuou de tal modo nas boas gra\u00e7as do rei que este o recebeu no n\u00famero dos seus principais amigos. Indo morar em casa de Ant\u00edpatro, introduziu-se tamb\u00e9m na vida \u00edntima de Alexandre e lhe fez crer que o rei Arqueriau, seu sogro, tinha um afeto particular por ele e lhe faria qualquer favor em considera\u00e7\u00e3o \u00e0 princesa Glafira, sua filha.<\/p>\n<p>Como ele era bem recebido por toda parte e n\u00e3o demonstrava tend\u00eancia a nenhum partido, era f\u00e1cil para ele observar o que se dizia e disso se servir para caluniar quem quisesse, pois havia conquistado a todos de tal modo que cada qual julgava t\u00ea-lo por \u00fanico amigo e que era apenas para servi-lo em seus interes\u00adses que mantinha relacionamento com os outros. Alexandre, que tinha pouca experi\u00eancia, facilmente deixou-se envolver, a ponto n\u00e3o confiar em mais nin\u00adgu\u00e9m sen\u00e3o nele. Assim, o jovem pr\u00edncipe abriu-lhe o cora\u00e7\u00e3o e manifestou a sua dor pela dist\u00e2ncia que o rei seu pai mantinha dele e pela morte da rainha sua m\u00e3e. Queixou-se tamb\u00e9m de que Antipatro sozinho desfrutava todas as honras que o irm\u00e3o e ele podiam pleitear e tinha poder sobre todas as coisas. Por fim, confessou que n\u00e3o podia mais suportar o excessivo \u00f3dio do pai contra ele e Aristobulo, que por isso n\u00e3o mais se dignava convid\u00e1-los para os banquetes e nem mesmo lhes dirigia a palavra.<\/p>\n<p>Esse traidor referiu tudo a Antipatro, dizendo que os favores que lhe devia o levavam a avis\u00e1-lo do perigo que o amea\u00e7ava, a fim de que ele ficasse alerta, pois Alexandre n\u00e3o dissimulava que podia passar das palavras aos fatos. Antipatro recebeu esse aviso com grandes demonstra\u00e7\u00f5es de gratid\u00e3o para com Euricl\u00e9s, deu-lhe ricos presentes e o incitou a dizer a mesma coisa ao rei. Ele o fez, e Herodes facilmente acreditou nas palavras amb\u00edguas de que esse infeliz se servia para fazer aumentar as suspeitas e desconfian\u00e7as. O \u00f3dio do rei por Alexandre tornou-se irreconcili\u00e1vel, e ele deu cinq\u00fcenta talentos a Euricl\u00e9s. O traidor foi imediatamente procurar o rei Arquelau para elogiar o pr\u00edncipe seu genro, dizendo que ele fora muito feliz em contribuir para a concilia\u00e7\u00e3o entre pai e filho. Deu ainda grandes presentes a Arquelau e voltou \u00e0 Lacedem\u00f4nia antes que pudessem descobrir as suas intrigas. Por\u00e9m, como em seu pa\u00eds n\u00e3o vivia com mais probidade que entre os estrangeiros, foi expulso e mandado para o ex\u00edlio.<\/p>\n<p>Herodes j\u00e1 n\u00e3o se contentava, como antes, em prestar f\u00e9 \u00e0s cal\u00fanias que levantavam contra Alexandre e Aristobulo. O seu \u00f3dio por eles era t\u00e3o grande que, ainda que pessoalmente n\u00e3o os acusasse, n\u00e3o deixava de os fazer vigiar e dava inteira liberdade para que falassem contra eles. E, como n\u00e3o escutava outra coisa com melhor disposi\u00e7\u00e3o, contaram-lhe, entre outras hist\u00f3rias, que um certo Varate, de C\u00f3s, havia elaborado um plano de comum acordo com Alexandre.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessas cont\u00ednuas cal\u00fanias, que tantos levantavam t\u00e3o obstinadamente contra os dois pr\u00edncipes perante o rei, sob pretexto de cuidado pela sua conserva\u00e7\u00e3o, aconteceu ainda um outro fato, que o prejudicou mais que todas as outras coisas. Entre os guardas de Herodes havia dois, chamados Jucundo e Tirano, aos quais ele muito estimava, por causa de sua estatura e for\u00e7a extraordin\u00e1rias. Mas, por algum desprazer que lhe causaram, acabou afastando-os. Alexandre os recebeu em sua companhia de guardas e, como eram homens de muita habilidade nos exerc\u00edcios, ele os agraciava com ouro e muitos presentes.<\/p>\n<p>O rei, logo que o soube, passou a suspeitar deles e mandou tortur\u00e1-los. Eles suportaram o castigo durante longo tempo, mas por fim, n\u00e3o podendo resistir a tantas dores, confessaram que Alexandre os havia solicitado para matar o rei quando ele fosse a ca\u00e7a e lhes havia dito que seria f\u00e1cil fazer acreditar que ele morrera v\u00edtima de suas pr\u00f3prias armas, caindo do cavalo, pois, algum tempo antes, pouco havia faltado para que aquilo lhe acontecesse de verdade. Acrescentaram que encontrariam dinheiro escondido na estrebaria do pr\u00edncipe e acusaram o monteiro-mor de lhes ter dado, por ordem de Alexandre e de alguns que estavam sob o comando do pr\u00edncipe, os dardos de que o rei se servia nas ca\u00e7adas.<\/p>\n<p>Herodes mandou tamb\u00e9m prender e torturar o governador de Alexandriom, porque o acusavam de haver prometido aos dois pr\u00edncipes que os receberia e lhes entregaria o dinheiro que Herodes l\u00e1 fazia conservar. Ele nada confessou, mas o seu filho disse que era verdade e trouxe algumas cartas, que pareciam escritas por Alexandre e diziam: &#8220;Logo que tivermos feito, com a ajuda de Deus, o que deliberamos, iremos procur\u00e1-lo e n\u00e3o duvidamos de que nos recebereis em vossa fortaleza, como me prometestes&#8221;. Herodes, depois de ler as cartas, n\u00e3o duvidou mais de que seus filhos atentariam contra a sua vida. Mas Alexandre afirmou que o secret\u00e1rio Diofante havia falsificado a sua assinatura por ordem de Antipatro, que era o autor de toda a maldade. Diofante era deveras um grande falsificador e j\u00e1 havia sido castigado por um crime semelhante.<\/p>\n<p>Herodes, que ent\u00e3o estava em Jerico, mandou apresentar em p\u00fablico os que haviam sido torturados e tinham acusado os seus filhos. O povo os matou a pedradas e queria tamb\u00e9m apedrejar Alexandre. Mas Herodes destacou Ptolomeu e Feroras para impedi-lo e depois mandou-o para a pris\u00e3o, juntamente com Arist\u00f3bulo. Eles eram rigorosamente vigiados, tanto que ningu\u00e9m podia aproximar-se deles, e n\u00e3o somente se observavam as suas a\u00e7\u00f5es, mas at\u00e9 as m\u00ednimas palavras. Assim, j\u00e1 eram considerados mortos. Eles mesmos tamb\u00e9m assim pensavam.<\/p>\n<p>Arist\u00f3bulo, para induzir Salom\u00e9, que era ao mesmo tempo sua tia e sua sogra, a ter compaix\u00e3o de sua infelicidade e a conceber \u00f3dio pelo seu verdadeiro autor, disse-lhe: &#8220;Julgais v\u00f3s mesma que estais em seguran\u00e7a depois de terem dito ao rei que \u00e9 a esperan\u00e7a de desposar Sileu que vos faz avis\u00e1-lo de tudo o que se passa no reino?&#8221; Ela repetiu imediatamente essas palavras a Herodes. Ele ficou t\u00e3o furioso que, n\u00e3o se podendo mais se conter, ordenou que atassem os dois irm\u00e3os em separado e os obrigassem a declarar por escrito tudo o que se havia passado naquele empreendimento contra ele. Em obedi\u00eancia \u00e0 ordem, eles fizeram a declara\u00e7\u00e3o. Diziam que jamais haviam pensado em trair ou conspirar contra o rei, mas que pretendiam fugir, e que por causa do sofrimento que experimentavam a vida se lhes tornara incerta e tediosa.<\/p>\n<p>Nesse mesmo tempo, Arquelau enviou como embaixador \u00e0 Jud\u00e9ia um dos maiorais de sua corte, de nome Mela. Herodes, para mostrar que tinha grandes motivos de queixa contra Arquelau, mandou buscar Alexandre na pris\u00e3o e perguntou-lhe na sua presen\u00e7a como e para que lugar ele havia deliberado fugir. Ele respondeu que iria procurar o rei seu sogro, o qual havia prometido mand\u00e1-lo a Roma, mas que n\u00e3o tivera a menor inten\u00e7\u00e3o de empreender algo contra o rei seu pai, que n\u00e3o havia uma s\u00f3 palavra verdadeira em tudo o que fora dito contra ele, que desejara que Tirano e seus companheiros tivessem sido mais particularmente interrogados e que, para impedir, pela morte deles, que se pudesse conhecer a verdade, Ant\u00edpatro havia ordenado a alguns dos seus partid\u00e1rios que incitassem o povo a apedrej\u00e1-los.<\/p>\n<p>Em seguida, Herodes mandou que levassem no mesmo instante Alexandre e Mela \u00e0 princesa Glafira e perguntassem diante deles se ela n\u00e3o sabia da conspira\u00e7\u00e3o contra ele. Quando a princesa viu o pr\u00edncipe seu marido em cadeias, foi tomada de t\u00e3o viva dor que dava pancadas na cabe\u00e7a e fazia retinir o ar com os seus gemidos e solu\u00e7os. Alexandre, por seu lado, derramava l\u00e1grimas. Esse triste espet\u00e1culo causou compaix\u00e3o a todos os presentes, que ficaram muito tempo sem proferir uma s\u00f3 palavra e sem um \u00fanico movimento. Por fim, Ptolomeu, a quem fora entregue a guarda do pr\u00edncipe, ordenou a Alexandre que declarasse se a princesa sua esposa tinha ou n\u00e3o conhecimento dos seus atos.<\/p>\n<p>Ele respondeu: &#8220;Como n\u00e3o o saberia, se a amo mais que a minha vida e se ela me deu filhos que me s\u00e3o t\u00e3o caros?&#8221; Ela ent\u00e3o tomou a palavra e disse que estava inocente, mas que, se uma confiss\u00e3o de culpa pudesse contribuir para a salva\u00e7\u00e3o do marido, estava disposta a declarar-se culpada, por maiores que fossem os males que lhe pudessem acontecer. Alexandre disse-lhe em seguida: &#8220;\u00c9 verdade que nem v\u00f3s nem eu fizemos qualquer coisa de tudo o que nos acusam. Mas n\u00e3o ignorais que hav\u00edamos resolvido nos retirar para junto do rei vosso pai, para de l\u00e1 irmos a Roma&#8221;. Ela disse que sim, e Herodes julgou n\u00e3o ter mais necessidade de outra prova da m\u00e1 vontade de Arquelau.<\/p>\n<p>Enviou imediatamente Ol\u00edmpio e Vol\u00famnio at\u00e9 ele a fim de se queixarem de sua participa\u00e7\u00e3o no mau des\u00edgnio dos filhos. Ordenou a esses enviados que desembarcassem em Eluza, que \u00e9 uma cidade da Cil\u00edcia, e, depois de entregar as cartas, passassem al\u00e9m, para ir a Roma. Ou, caso soubessem que Nicolau fora bem-sucedido na sua embaixada, apresentassem a Augusto as cartas que ent\u00e3o lhe escrevia e as mem\u00f3rias, para mostrar que seus filhos eram culpados.<\/p>\n<p>Arquelau respondeu que verdadeiramente prometera a Alexandre e a Arist\u00f3bulo receb\u00ea-los, porque julgava que aquilo lhes seria vantajoso, bem como ao rei seu pai, que teria podido com simples suspeitas deixar-se levar pela c\u00f3lera, mas que n\u00e3o tinha nenhuma inten\u00e7\u00e3o de envi\u00e1-los a Roma nem de os conservar indispostos contra ele.<\/p>\n<p>Ol\u00edmpio e Vol\u00famnio, chegando a Roma, n\u00e3o encontraram dificuldade para entregar as cartas a Augusto, porque Nicolau conseguira, pela maneira como vou dizer, tudo o que Herodes desejava. Sabedor de que havia divis\u00e3o entre os \u00e1rabes e informado por alguns deles dos crimes cometidos por Sileu e que os mesmos \u00e1rabes estavam dispostos a ajud\u00e1-lo nas acusa\u00e7\u00f5es e podiam provar, por meio de algumas cartas que haviam sido interceptadas, que Sileu mandara matar v\u00e1rios parentes do rei Obodas, Nicolau julgou ser aquela a ocasi\u00e3o mais prop\u00edcia para reconduzir o seu senhor \u00e0s boas gra\u00e7as de Augusto. Era muito melhor que combater com argumentos a grande avers\u00e3o que o imperador demonstrava estar sentindo por aquele soberano, pois, se come\u00e7asse por acusar Sileu, poderia encontrar uma oportunidade favor\u00e1vel para justificar Herodes.<\/p>\n<p>Quando chegou o dia de pleitear a causa diante de Augusto, Nicolau, ajudado pelos embaixadores do rei Aretas, acusou fortemente Sileu de haver matado o rei Obodas, seu senhor, e v\u00e1rios \u00e1rabes, de pedir dinheiro emprestado para empreg\u00e1-lo em perturbar a ordem do Estado e de cometer diversos adult\u00e9rios, n\u00e3o somente na Ar\u00e1bia, mas tamb\u00e9m em Roma. E acrescentou que, al\u00e9m de todos esses crimes, ele ousara enganar o imperador com mentiras e falsidades, acusando Herodes de diversas coisas, das quais nem sequer uma era verdadeira. A essas palavras, Augusto o interrompeu. Ordenou que esquecesse o resto e declarasse se era verdade que Herodes havia entrado com um ex\u00e9rcito na Ar\u00e1bia, matado dois mil e quinhentos homens, levado um grande n\u00famero de prisioneiros e saqueado o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Nicolau garantiu-lhe que todas aquelas coisas eram pura inven\u00e7\u00e3o e que Herodes nada fizera que pudesse desagrad\u00e1-lo. Augusto, surpreendido com essa resposta, continuou a escut\u00e1-lo, com maior aten\u00e7\u00e3o ainda, e ele disse que Herodes havia emprestado quinhentos talentos* e que o termo do empr\u00e9stimo dizia expressamente que, se o tempo marcado para a restitui\u00e7\u00e3o fosse ultrapassado, ele poderia reaver o dinheiro confiscando parte do pa\u00eds. E assim, n\u00e3o se podia dar o nome de ex\u00e9rcito aos soldados de que ele fora obrigado a se servir para esse fim. Eram apenas tropas executando uma a\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria. Disse tamb\u00e9m que a modera\u00e7\u00e3o de Herodes fora tamanha que, embora pudesse agir por si mesmo, pois estava fundado em seu direito, ele preferiu falar antes com Saturnino e Vol\u00famnio, governadores da S\u00edria; que Sileu, depois disso, jurara na presen\u00e7a deles, na cidade de Berito, pela sa\u00fade de C\u00e9sar, pagar aquela soma em trinta dias e restituir os tr\u00e2nsfugas; que, tendo Sileu faltado \u00e0 palavra, Herodes voltou a procurar esses mesmos governadores; que eles lhe permitiram usar do direito que lhe cabia, ou seja, de receber aquele pagamento pelas armas; e que fora esse o motivo de sua incurs\u00e3o na Ar\u00e1bia.<\/p>\n<p>Ele acrescentou: &#8220;Foi isso, \u00f3 poderoso pr\u00edncipe, que eles chamaram guerra, e da qual se fala com tanto exagero. Mas como dar o nome de guerra ao que se fez com a permiss\u00e3o de vossos governadores, em virtude de uma obriga\u00e7\u00e3o e ap\u00f3s t\u00e3o grande perj\u00fario, pelo qual n\u00e3o se teve receio de violar o respeito devido aos deuses e ao vosso nome? Devo agora justificar o que se refere aos prisioneiros que Herodes levou consigo, e n\u00e3o me ser\u00e1 dif\u00edcil faz\u00ea-lo. Os ladr\u00f5es que moravam em Traconites, que eram menos de quarenta no in\u00edcio, mas que depois tiveram o seu n\u00famero aumentado, temendo que Herodes os castigasse, fugiram para a Ar\u00e1bia, onde Sileu n\u00e3o somente os recebeu como tamb\u00e9m, para praticar maldades por meio deles, lhes deu terras e compartilhava com eles o produto dos roubos, sem temor de violar o juramento que fizera de entregar esses criminosos a Herodes com o dinheiro que lhe era devido. Assim, como poderia ele provar que Herodes fizera outros prisioneiros al\u00e9m dos da Ar\u00e1bia, dos quais uma parte ainda escapou? J\u00e1 houve, acaso, maior impostura? Mas esta n\u00e3o \u00e9 menor, se n\u00e3o a sobrepujar ainda. Disseram-vos que Herodes havia matado dois mil e quinhentos homens, mas vos afirmo que nenhum de seus homens p\u00f4s m\u00e3o \u00e0 espada a n\u00e3o ser depois que Nacebe, com as for\u00e7as que comandava, os atacou e matou alguns. Mas ele pr\u00f3prio depois foi morto, com vinte e cinco outros \u00e1rabes. Vedes assim, \u00f3 poderoso pr\u00edncipe, que esse n\u00famero foi, por um estranho c\u00e1lculo, multiplicado at\u00e9 dois mil e quinhentos&#8221;.<\/p>\n<p>Essas palavras comoveram Augusto t\u00e3o fortemente que ele, encolerizado, voltando-se para Sileu, perguntou-lhe quantos \u00e1rabes haviam sido mortos naquele combate. Ele disse, n\u00e3o sabendo o que responder, que se enganara no n\u00famero. Leram-se em seguida as cl\u00e1usulas da obriga\u00e7\u00e3o do empr\u00e9stimo, as ordens do governador e as cartas das cidades que se queixavam daqueles ladr\u00f5es. Ent\u00e3o Augusto, plenamente informado do assunto, ficou sentido por se haver deixado levar pelas mentiras daquele impostor e por escrever t\u00e3o rudemente a Herodes. Ent\u00e3o condenou Sileu \u00e0 morte, censurando-o por suas cal\u00fanias, pois haviam sido a causa daquela indisposi\u00e7\u00e3o contra o seu amigo. Ordenou depois que ele fosse reconduzido \u00e0 Ar\u00e1bia, para acertar-se com os credores antes de ser executado.<\/p>\n<p>Quanto a Aretas, n\u00e3o conseguia perdo\u00e1-lo pelo fato de ele haver se apoderado do reino sem a sua licen\u00e7a. Ele desejava entregar a Ar\u00e1bia a Herodes, mas as cartas deste o fizeram mudar de id\u00e9ia, porque, n\u00e3o contendo elas outra coisa sen\u00e3o acusa\u00e7\u00f5es contra os pr\u00f3prios filhos, julgou n\u00e3o ser conveniente acrescentar os cuidados de um outro reino a um velho afligido por tantas amarguras dom\u00e9sticas. Assim, permitiu aos embaixadores de Aretas que viessem saud\u00e1-lo e, depois de repreender severamente aquele rei pelo atrevimento de colocar a coroa na pr\u00f3pria cabe\u00e7a sem a ter recebido de suas m\u00e3os, aceitou os presentes e confirmou-o no reino.<\/p>\n<p>Escreveu depois a Herodes, lastimando que os filhos lhe causassem tanta dor. E, se eles eram t\u00e3o desnaturados a ponto de tramar contra a sua vida, era justo trat\u00e1-los como parricidas, e assim, sobre esse assunto, dava-lhe plena liberdade. Todavia, se o \u00fanico des\u00edgnio deles era fugir, a piedade paterna o obrigava a se contentar com um ligeiro castigo. Por fim, aconselhava-o a reunir uma assembl\u00e9ia em Berito, onde havia um grande n\u00famero de romanos, a fim de que l\u00e1, com os governadores das prov\u00edncias vizinhas, Arquelau, rei da Capadocia, e outras pessoas de sua confian\u00e7a, tanto por sua posi\u00e7\u00e3o quanto pelo afeto que lhe dedicavam, decidisse esse assunto.<\/p>\n<p>________________________<\/p>\n<p>* N\u00e3o parece, pelo que precede, que Herodes tenha emprestado t\u00e3o grande soma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A agita\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia de Herodes aumentava, pelo crescente \u00f3dio deste contra Alexandre e Aristobulo, seus filhos. 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