{"id":48,"date":"2015-04-02T18:49:11","date_gmt":"2015-04-02T18:49:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=48"},"modified":"2015-04-02T18:49:11","modified_gmt":"2015-04-02T18:49:11","slug":"capitulo-18-visao-que-jaco-teve-na-terra-de-canaa-onde-deus-promete-toda-sorte-de-felicidade-a-ele-e-a-sua-descendencia-na-mesopotamia-desposa-leia-e-raquel-filhas-de-labao-retira-se-secretamen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-18-visao-que-jaco-teve-na-terra-de-canaa-onde-deus-promete-toda-sorte-de-felicidade-a-ele-e-a-sua-descendencia-na-mesopotamia-desposa-leia-e-raquel-filhas-de-labao-retira-se-secretamen\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 18 &#8211; Vis\u00e3o que jac\u00f3 teve na terra de Cana\u00e3, onde Deus promete toda sorte de felicidade a ele e \u00e0 sua descend\u00eancia. Na Mesopot\u00e2mia, desposa Leia e Raquel, filhas de Lab\u00e3o. Retira-se secretamente para voltar ao seu pa\u00eds. Lab\u00e3o persegue-o, mas Deus o protege. Luta com um anjo e reconcilia-se com o seu irm\u00e3o Esa\u00fa. O filho do rei de Siqu\u00e9m violenta Din\u00e1, filha de jac\u00f3. Sime\u00e3o e Levi, seus irm\u00e3os, passam afio de espada todos os habitantes da cidade de Siqu\u00e9m. Raquel d\u00e1 \u00e0 luz Benjamim e morre de parto. Filhos de jac\u00f3."},"content":{"rendered":"<p><em>G\u00eanesis 28. <\/em>Tendo sido Jac\u00f3, com o consentimento do pai, enviado por sua m\u00e3e \u00e0 Mesopot\u00e2mia, para desposar uma filha de Lab\u00e3o, seu tio, atravessou o pa\u00eds dos cananeus. Mas, por ser uma na\u00e7\u00e3o inimiga, n\u00e3o entrou em nenhuma de suas casas. Dormia no campo, utilizando-se das pedras como travesseiro. E, dormindo, teve uma vis\u00e3o. Parecia-lhe ver uma escada que ia da Terra at\u00e9 o c\u00e9u com pessoas \u2014 que pareciam ser mais que humanas \u2014 descendo por ela. Deus, que estava no alto, apareceu-lhe claramente, chamou-o pelo nome e disse-lhe: &#8220;Jac\u00f3, tendo como tendes por pai um homem de bem e tendo o vosso av\u00f4 se tornado t\u00e3o c\u00e9lebre pela virtude, por que vos deixais abater pela dor? Concebei melhores esperan\u00e7as. Grandes bens vos esperam, e eu jamais vos abandonarei. Quando Abra\u00e3o foi expulso da Mesopot\u00e2mia, eu o fiz vir aqui. Tornei feliz o vosso pai, e v\u00f3s n\u00e3o o sereis menos que ele. Coragem! Continuai o vosso cami\u00adnho, nada temais sob o meu governo. O vosso casamento ser\u00e1 como desejais: tereis muitos filhos, e vossos filhos ter\u00e3o ainda mais. Sujeitar-lhes-ei este pa\u00eds, e \u00e0 sua posteridade, que se multiplicar\u00e1 de tal modo que todas as terras e os mares que o Sol ilumina ser\u00e3o povoadas por eles. Nenhuma tribula\u00e7\u00e3o e ne\u00adnhum perigo ser\u00e3o capazes de vos assustar. Desde j\u00e1 tomo cuidado de v\u00f3s, e tomarei ainda mais para o futuro&#8221;.<\/p>\n<p>Uma t\u00e3o favor\u00e1vel vis\u00e3o encheu jac\u00f3 de consolo e de alegria. Lavou as pedras que lhe serviam de travesseiro, pois grande felicidade ali lhe se havia predito, e fez voto: se retornasse feliz, ofereceria naquele mesmo lugar um sacri\u00adf\u00edcio a Deus e a d\u00e9cima parte de todos os seus bens, o que cumpriu depois com fidelidade. Quis tamb\u00e9m, para tornar c\u00e9lebre o lugar, dar-lhe o nome de Betei, isto \u00e9, &#8220;perman\u00eancia de Deus&#8221;.<\/p>\n<p><em>G\u00eanesis 29. <\/em>Continuou depois a marcha para a Mesopot\u00e2mia e por fim che\u00adgou a Har\u00e3. Nos arredores, encontrou alguns pastores, mo\u00e7os e mo\u00e7as, que esta\u00advam sentados \u00e0 borda de um po\u00e7o. Rogou-lhes que lhe dessem de beber e, tendo entabulado conversa\u00e7\u00e3o com eles, perguntou-lhes se conheciam um ho\u00admem de nome Lab\u00e3o e se ele ainda vivia. Responderam-lhe que o conheciam: era um homem muito estimado para n\u00e3o ser conhecido; que ele tinha uma filha que habitualmente ia ao campo com eles (admiravam-se de ela n\u00e3o estar ali com o grupo); e que ele poderia saber dela tudo o que desejava.<\/p>\n<p>Conversavam assim quando Raquel chegou, acompanhada de seus pastores. Apontaram-lhe Jac\u00f3, dizendo que aquele estrangeiro perguntara pela sa\u00fade de seu pai. Como ela era muito jovem e muito simples, mostrou-se satisfeita em ver Jac\u00f3 e perguntou-lhe quem era e que motivo o trazia ao seu pa\u00eds, acrescentando o desejo de que seu pai e sua m\u00e3e lhe pudessem dar tudo o que ele queria deles. T\u00e3o grande bondade comoveu-o. Estando ela perto de jac\u00f3, este ficou bastante surpreendido com a sua beleza, que era extraordin\u00e1ria. &#8220;Pois que v\u00f3s sois filha de Lab\u00e3o&#8221;, disse-lhe ele, &#8220;posso dizer que a nossa aproxima\u00e7\u00e3o precedeu o nosso nascimento. Ter\u00e1 teve a Abra\u00e3o por filho, Naor e Ar\u00e3 tamb\u00e9m. Mas n\u00f3s somos ainda mais pr\u00f3ximos: pois Rebeca, minha m\u00e3e, \u00e9 irm\u00e3 de Lab\u00e3o, vosso pai. Assim, somos primos irm\u00e3os, e eu vos venho visitar para dar-vos o que vos devo e renovar t\u00e3o estreita alian\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p>Raquel, que ouvira o pai falar tantas vezes de Rebeca e do desejo que tinha de receber not\u00edcias dela, ficou t\u00e3o contente que, levada pela alegria, abra\u00e7ou Jac\u00f3 e, chorando, disse-lhe que seu pai e toda a sua fam\u00edlia guardavam cont\u00ednua recor\u00adda\u00e7\u00e3o de Rebeca e dela falavam a todo instante. E, como ele n\u00e3o lhes poderia dar maior prazer que as informa\u00e7\u00f5es sobre uma pessoa que lhes era t\u00e3o cara, rogou-lhe que a seguisse, para n\u00e3o retardar nem mais um momento t\u00e3o grande satisfa\u00ad\u00e7\u00e3o. Levou-o depois a Lab\u00e3o, cuja alegria, ao ver o sobrinho quando menos o esperava, n\u00e3o foi menor, e Jac\u00f3 sentiu-se em seguran\u00e7a junto dele.<\/p>\n<p>Alguns dias depois, Lab\u00e3o perguntou-lhe como tinha podido deixar seu pai e sua m\u00e3e numa idade em que eles necessitavam tanto de sua assist\u00eancia e ao mesmo tempo ofereceu-lhe tudo o que dele podia depender. Jac\u00f3, para satisfa\u00adzer o desejo do tio, contou-lhe o que se havia passado em fam\u00edlia. Disse-lhe que tinha um irm\u00e3o g\u00eameo e que Rebeca, sua m\u00e3e, querendo-o mais que a seu irm\u00e3o Esa\u00fa, havia conseguido, por um ato de ast\u00facia, que seu pai lhe desse, com todas as vantagens que a acompanhavam, a b\u00ean\u00e7\u00e3o que era do irm\u00e3o. Contou-lhe que Esa\u00fa, para vingar-se, procurava por todos os meios mat\u00e1-lo e que sua m\u00e3e lhe havia ordenado ent\u00e3o que viesse buscar asilo junto de Lab\u00e3o, pois n\u00e3o tinha nenhum outro parente mais pr\u00f3ximo ao seu lado. E assim, no estado a que se encontrava reduzido, tinha confian\u00e7a apenas em Deus e no tio.<\/p>\n<p>Lab\u00e3o, comovido com essas palavras, prometeu a jac\u00f3 toda a assist\u00eancia, fosse em considera\u00e7\u00e3o ao parentesco, fosse para testemunhar a amizade que conservava por sua irm\u00e3, embora ausente h\u00e1 tanto tempo e t\u00e3o longe dele. Prometeu tamb\u00e9m dar-lhe inteira autoridade sobre todos os que cuidavam de seus rebanhos, e, quando Jac\u00f3 voltasse ao seu pa\u00eds, saberia, pelos presen\u00adtes que lhe daria, qual era a sua gratid\u00e3o e amizade. E Jac\u00f3, como nutrisse j\u00e1 grande afeto por Raquel, respondeu-lhe que a nenhum trabalho consideraria pesado, em se tratando de servi-lo, e que tinha tanta estima pela virtude de Raquel e tanta gratid\u00e3o pela bondade com a qual ela o havia levado at\u00e9 ali que n\u00e3o pedia outra recompensa pelos seus servi\u00e7os sen\u00e3o receb\u00ea-la em ca\u00adsamento.<\/p>\n<p>Lab\u00e3o recebeu a proposta com satisfa\u00e7\u00e3o, respondendo que n\u00e3o poderia ter genro mais agrad\u00e1vel. Disse-lhe ent\u00e3o ser necess\u00e1rio que Jac\u00f3 ficasse algum tempo com eles, porque n\u00e3o podia resolver-se ainda a mandar a filha para Cana\u00e3, pois j\u00e1 havia sentido muito ter deixado a irm\u00e3 partir para um pa\u00eds t\u00e3o distante. Jac\u00f3 acei\u00adtou a condi\u00e7\u00e3o, prometeu servi-lo por sete anos e acrescentou que teria prazer em encontrar ocasi\u00e3o de lhe mostrar, por sua solicitude e seus servi\u00e7os, que n\u00e3o era indigno de sua alian\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando se passaram os sete anos, Lab\u00e3o viu-se na conting\u00eancia de cum\u00adprir a promessa e, no dia das n\u00fapcias, deu um grande banquete. Mas, em vez de colocar Raquel no leito, mandou secretamente que l\u00e1 pusessem Leia, irm\u00e3 mais velha, que nada tinha em si mesma que pudesse despertar o amor. As trevas e o vinho levaram Jac\u00f3 a perceber o engano somente no dia seguinte.* Ele queixou-se a Lab\u00e3o, que se desculpou de assim ter agido, dizendo ter sido obrigado pelo costume do pa\u00eds, que proibia casar a filha mais nova antes da mais velha, mas que isso n\u00e3o o impediria de esposar Raquel: estava disposto a entreg\u00e1-la a Jac\u00f3, com a condi\u00e7\u00e3o de que este o servisse por mais sete anos. Jac\u00f3 percebeu que o engano era um mal sem rem\u00e9dio, mas o seu amor por Raquel o fez aceitar a proposta, embora injusta. Assim, ele a desposou e serviu Lab\u00e3o durante outros sete anos.<\/p>\n<p>____________________<\/p>\n<p>* As Escrituras afirmam que Jac\u00f3 desposou Raquel ao fim de sete dias, com a condi\u00e7\u00e3o de que ele serviria Lab\u00e3o por mais sete anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As duas irm\u00e3s mantinham junto delas duas mo\u00e7as, Zilpa e Bila, que Lab\u00e3o lhes dera n\u00e3o como criadas, mas apenas para fazer companhia \u00e0s fi\u00adlhas, embora a estas devessem prestar obedi\u00eancia. Leia vivia triste, porque Jac\u00f3 s\u00f3 tinha amor por Raquel, mas julgou que ele tamb\u00e9m poderia am\u00e1-la, se Deus lhe desse filhos. Por isso rogava a Ele constantemente que lhe fizesse aquela gra\u00e7a e por fim a obteve. Deu \u00e0 luz uma crian\u00e7a, \u00e0 qual chamou R\u00faben, para mostrar que o obtivera unicamente dEle. Teve em seguida outros tr\u00eas: um de nome Sime\u00e3o, significando que Deus lhe havia sido favor\u00e1vel; outro a que chamou Levi, isto \u00e9, &#8220;sustent\u00e1culo da sociedade&#8221;; e outro ainda, Jud\u00e1, isto \u00e9, &#8220;a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as&#8221;.<\/p>\n<p><em>G\u00eanesis 30. <\/em>A fecundidade de Leia, com efeito, levou jac\u00f3 a am\u00e1-la mais. E Raquel, temendo que o afeto do marido pela irm\u00e3 diminu\u00edsse a parte que lhe tocava, resolveu dar Bila a Jac\u00f3, que dela teve dois filhos: o mais velho, de nome D\u00e3, isto \u00e9, &#8220;julgamento de Deus&#8221;, e o mais novo, Naftali, isto \u00e9, &#8220;engenhoso&#8221;, porque Raquel havia combatido por meio da ast\u00facia a fecundidade da irm\u00e3. Leia usou tamb\u00e9m do mesmo artif\u00edcio e p\u00f4s Zilpa em seu lugar, com a qual Jac\u00f3 teve dois filhos: um de nome Gade, isto \u00e9, &#8220;vindo por acaso&#8221;, e outro, Aser, isto \u00e9, &#8220;felicidade&#8221;, porque Leia da\u00ed tirava vantagem.<\/p>\n<p>Dessa maneira, viviam juntas as duas irm\u00e3s. R\u00faben, filho mais velho de Leia, trouxe um dia para sua m\u00e3e algumas mandr\u00e1goras. Raquel teve tamb\u00e9m dese\u00adjo de com\u00ea-las e rogou \u00e0 irm\u00e3 que as repartisse com ela. Leia recusou atender o pedido, dizendo que Raquel devia contentar-se com a vantagem do afeto de Jac\u00f3. Raquel, para acalm\u00e1-la, ofereceu-lhe Jac\u00f3 por aquela noite. Ela aceitou a proposta e ficou gr\u00e1vida de Issacar, isto \u00e9, &#8220;nascido como recompensa&#8221;. Em seguida, teve Zebulom, isto \u00e9, &#8220;recompensa da amizade&#8221;, e uma filha: Din\u00e1. Por fim, Raquel teve tamb\u00e9m a alegria de ser m\u00e3e \u2014 de Jos\u00e9, que quer dizer &#8220;aumento&#8221;.<\/p>\n<p><em>G\u00eanesis <\/em>3<em>1. <\/em>Vinte anos passaram-se dessa maneira, e ]ac\u00f3, durante todo esse tempo, teve sempre a guarda geral dos rebanhos de Lab\u00e3o. Ap\u00f3s tantos anos de servi\u00e7o, pediu para voltar ao seu pa\u00eds, com as duas esposas. Lab\u00e3o recusou-se a dar o consentimento, e ]ac\u00f3 ent\u00e3o resolveu retirar-se secretamente. Leia e Raquel estavam de acordo com ele. E assim, partiu com elas, levando tamb\u00e9m Zilpa e Bila, todos os seus filhos, os seus bens e metade dos rebanhos de Lab\u00e3o. Raquel tomou os \u00eddolos de seu pai, n\u00e3o para ador\u00e1-los, porque Jac\u00f3 n\u00e3o estava dominado por esse erro, mas para aplacar a c\u00f3lera de Lab\u00e3o, restituindo-os, caso ele os perseguisse.<\/p>\n<p>Lab\u00e3o soube da retirada de |ac\u00f3 apenas no dia seguinte e p\u00f4s-se a segui-lo com muita gente, alcan\u00e7ando-o no s\u00e9timo dia, pela tarde, numa colina onde os fugitivos descansavam. Quis deixar passar a noite sem os atacar. Mas, quando dormia, Deus apareceu-lhe em sonhos e proibiu-lhe de pela c\u00f3lera empreender algo contra Jac\u00f3 e suas filhas, ordenando-lhe que se reconciliasse com o genro e que n\u00e3o confiasse na desigualdade das for\u00e7as, pois se ousasse atac\u00e1-los, comba\u00adteria por Jac\u00f3, para proteg\u00ea-lo.<\/p>\n<p>O dia n\u00e3o havia raiado quando Lab\u00e3o, em obedi\u00eancia \u00e0 ordem divina, man\u00addou contar a Jac\u00f3 o sonho que tivera, pedindo que viesse ter com ele. E Jac\u00f3 foi, sem nada temer. Lab\u00e3o come\u00e7ou por fazer-lhe graves censuras: &#8220;N\u00e3o pod\u00edeis&#8221;, disse ele, &#8220;ter esquecido em que estado est\u00e1veis quando viestes \u00e0 minha casa, como eu vos recebi, com que liberalidade vos tornei participante de meus bens e com quanta bondade vos dei as minhas filhas em casamento? Quem n\u00e3o teria pensado que tantos favores vos teriam unido para sempre a mim, com um afeto inviol\u00e1vel? Mas nem a estreita parentela, que nos une, nem a considera\u00e7\u00e3o de que a vossa m\u00e3e \u00e9 minha irm\u00e3, que as vossas esposas me devem a vida e que os vossos filhos s\u00e3o meus impediram que me trat\u00e1sseis como se eu fosse vosso ini\u00admigo. Levais os meus bens, obrigastes as minhas filhas a me deixar para fugir convosco e sois a causa de elas me roubarem o que os meus antepassados e eu sempre tivemos em grande venera\u00e7\u00e3o, porque s\u00e3o coisas sagradas. Qual! Ser\u00e1 ent\u00e3o necess\u00e1rio que eu receba do filho de minha irm\u00e3, de meu genro, de meu h\u00f3spede e de um homem que me \u00e9 devedor de tantos benef\u00edcios todos os ultra\u00adjes que um inimigo irreconcili\u00e1vel me teria podido fazer?&#8221;<\/p>\n<p>Jac\u00f3, para justificar-se, respondeu que n\u00e3o era o \u00fanico a quem Deus havia imprimido no cora\u00e7\u00e3o o amor pelo pa\u00eds natal e o desejo de voltar ap\u00f3s longa aus\u00eancia. Quanto \u00e0 acusa\u00e7\u00e3o de t\u00ea-lo roubado, qualquer homem justo Julgaria que tal censura se ajustava ao pr\u00f3prio Lab\u00e3o, porque, em vez de lhe agradecer por ter n\u00e3o somente conservado, mas aumentado tanto os seus bens, vinha quei\u00adxar-se de que lhe havia sido levada uma pequena parte. E, quanto ao que se referia \u00e0s filhas, era estranho achar maldade no fato de as esposas seguirem o marido, bem como esperar que as m\u00e3es abandonassem os filhos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ter-se defendido dessa maneira, Jac\u00f3, para usar das mesmas raz\u00f5es que Lab\u00e3o apresentara contra ele, acrescentou que, sendo seu tio e sogro, n\u00e3o deve\u00adria t\u00ea-lo tratado t\u00e3o rudemente, como o fizera por vinte anos, sem falar no que sofrer\u00e1 para obter Raquel, suportado apenas por causa de sua afei\u00e7\u00e3o por ela, e ainda depois, quando continuou a agir contra ele de maneira que nem da parte de um inimigo teria esperado pior. Jac\u00f3 tinha sem d\u00favida grandes motivos para queixar-se das injusti\u00e7as de Lab\u00e3o, pois quando este viu que Deus favorecia jac\u00f3 em todas as coisas, ora prometia-lhe dar, na partilha do aumento do rebanho, os animais que nascessem brancos, ora os que fossem pretos. E, percebendo que a parte de Jac\u00f3 era a maior, faltava-lhe sempre \u00e0 palavra e adiava a partida para o ano seguinte, na esperan\u00e7a de que seria depois a mesma coisa. Como nisso era sempre enganado, continuava tamb\u00e9m a enganar Jac\u00f3.<\/p>\n<p>Quando Raquel soube que, ante a queixa do furto dos \u00eddolos, Jac\u00f3 dera a Lab\u00e3o permiss\u00e3o de os procurar, escondeu-os debaixo do camelo em que mon\u00adtava, sentou-se sobre ele e disse que n\u00e3o podia se levantar, pois estava sofrendo do inc\u00f4modo pr\u00f3prio das mulheres. Assim, Lab\u00e3o n\u00e3o os procurou mais, porque pensou que a filha n\u00e3o teria naquele estado se aproximado de coisas que no seu esp\u00edrito passavam por sagradas. Prometeu depois a Jac\u00f3, com juramento, n\u00e3o somente esquecer o passado, mas conservar por suas filhas o mesmo afeto que sempre lhes tivera. E, como sinal da renova\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a, ergueram sobre a montanha uma coluna em forma de altar, \u00e0 qual deram por esse motivo o nome de Galeede e que a regi\u00e3o vizinha, posteriormente, conservou. Fizeram depois um grande banquete, e Lab\u00e3o deixou-os para regressar \u00e0 sua casa.<\/p>\n<p><em>G\u00eanesis 32. <\/em>jac\u00f3, por seu lado, continuou a viagem para Cana\u00e3 e no cami\u00adnho teve vis\u00f5es, as quais o fizeram conceber t\u00e3o grandes esperan\u00e7as que cha\u00admou Campos de Deus o lugar onde as tivera. Mas, temendo sempre o ressenti\u00admento de Esa\u00fa, mandou alguns dos seus para levar-lhe not\u00edcias e ordenou-lhes que se expressassem nestes termos: &#8220;O respeito que Jac\u00f3, vosso irm\u00e3o, vos tem, f\u00e1-lo pensar que n\u00e3o deve se apresentar diante de v\u00f3s enquanto estiverdes irrita\u00addo contra ele, assim como o fez abandonar este pa\u00eds e retirar-se para uma terra long\u00ednqua. Mas agora ele espera que o tempo tenha apagado de vosso esp\u00edrito o descontentamento e volta com as suas esposas, os seus filhos e o que conquistou com o trabalho, a fim de p\u00f4r em vossas m\u00e3os tudo o que possui. Nada lhe daria mesmo mais alegria do que oferecer-vos os bens com que aprouve a Deus enriquec\u00ea-lo&#8221;.<\/p>\n<p>Esa\u00fa ficou t\u00e3o comovido com essas palavras que veio imediatamente encon\u00adtrar-se com o irm\u00e3o, acompanhado de quatrocentos homens. Esse grande n\u00fa\u00admero assustou jac\u00f3, mas ele colocou a sua confian\u00e7a em Deus e disp\u00f4s todas as coisas para se p\u00f4r em condi\u00e7\u00f5es de resistir-lhe, caso Esa\u00fa tivesse a inten\u00e7\u00e3o de usar de viol\u00eancia. Distribuiu para isso tudo o que trazia consigo em diversos grupos, que se seguiam a curtos espa\u00e7os um do outro, de modo que, se o que vinha \u00e0 frente fosse atacado, os demais pudessem retirar-se. Mandou depois avan\u00ad\u00e7ar alguns de seus homens e, para acalmar o esp\u00edrito do irm\u00e3o, se \u00e9 que este ainda estava irritado contra ele, ordenou-lhes que oferecessem, de sua parte, diversos animais de v\u00e1rias esp\u00e9cies que lhe poderiam ser agrad\u00e1veis pela sua raridade. Disse-lhes tamb\u00e9m que caminhassem separadamente, a fim de que, indo assim em fila, parecesse que eram em maior n\u00famero, e recomendou-lhes sobretudo que falassem a Esa\u00fa com o m\u00e1ximo respeito.<\/p>\n<p>Depois de ter assim empregado todo o dia em dispor essas coisas, foi cami\u00adnhar \u00e0 noite. E, ap\u00f3s ter atravessado as torrentes de Jaboque, estando muito afas\u00adtado de seus homens, um vulto apareceu e atracou-se com ele. jac\u00f3 foi o mais forte nessa luta, e o vulto disse-lhe: &#8220;Alegrai-vos )ac\u00f3, e que nada seja capaz de vos assustar. Pois n\u00e3o foi a um homem que vencestes, mas a um anjo de Deus&#8221;, jac\u00f3, tomado de admira\u00e7\u00e3o, pediu que o esp\u00edrito celeste informasse o que lhe devia acontecer, ao que este respondeu: &#8220;Considerai o que acaba de se passar como um press\u00e1gio, n\u00e3o somente de grandes bens que vos esperam, mas da dura\u00e7\u00e3o perp\u00e9\u00adtua de vossa descend\u00eancia e da confian\u00e7a que deveis ter de que ela ser\u00e1 invenc\u00edvel&#8221;. O anjo ordenou-lhe em seguida que tomasse o nome de Israel, que significa, em hebreu, &#8220;o que resistiu a um anjo&#8221;, e nesse mesmo instante desapareceu. Jac\u00f3, transbordando de alegria, chamou ao lugar Peniel, isto \u00e9, &#8220;a face de Deus&#8221;. E, como fora ferido naquela luta num lugar da coxa, jamais comeu daquela parte de animal algum. N\u00e3o nos \u00e9, do mesmo modo, permitido com\u00ea-la.<\/p>\n<p><em>G\u00eanesis 33. <\/em>Quando Jac\u00f3 soube que o irm\u00e3o se aproximava, mandou dizer \u00e0s suas mulheres que viessem separadas uma da outra, cada qual com as suas criadas, para ver de longe o combate, caso fossem obrigados a trav\u00e1-lo. Quando j\u00e1 estava pr\u00f3ximo do irm\u00e3o, todavia, reconheceu que ele vinha com esp\u00edrito de paz e apresentou-se diante dele. Esa\u00fa abra\u00e7ou-o e perguntou-lhe o que era aquela mul\u00adtid\u00e3o de mulheres e crian\u00e7as. Depois de ter sido informado de tudo, ofereceu-se para lev\u00e1-las todas a Isaque, seu pai. Jac\u00f3 agradeceu e rogou-lhe que o desculpas\u00adse, porque toda a comitiva estava muito cansada, por causa da longa viagem, e tinha necessidade de repouso. Assim, Esa\u00fa voltou a Seir, onde residia habitualmen\u00adte, tendo ele mesmo lhe dado esse nome, que significa &#8220;peludo&#8221;.<\/p>\n<p><em>G\u00eanesis 34. <\/em>jac\u00f3, por sua vez, dirigiu-se a um lugar denominado As Ten\u00addas, que ainda hoje conserva esse nome, e de l\u00e1 a Siquem, que \u00e9 uma cidade dos cananeus. Aconteceu ent\u00e3o que ali se realizava uma festa, e Din\u00e1, \u00fanica filha de Jac\u00f3, aproximou-se para ver de que maneira as mulheres daquele pa\u00eds se vesti\u00adam. Siquem, filho do rei Hamor, achou-a t\u00e3o bela que a carregou e abusou dela. Estando apaixonado por ela, pediu ao rei, seu pai, que a fizesse desposar. Ele consentiu e foi procurar Jac\u00f3 para pedi-la em casamento. Jac\u00f3 ficou muito emba\u00adra\u00e7ado, porque, de um lado, n\u00e3o sabia como recusar a filha ao filho de um rei e, de outro, julgava que em s\u00e3 consci\u00eancia n\u00e3o podia d\u00e1-la a um estrangeiro. As\u00adsim, pediu algum tempo a Hamor, para decidir, e o monarca regressou, na persu\u00adas\u00e3o de que o casamento se realizaria.<\/p>\n<p>Jac\u00f3 contou aos filhos tudo o que se havia passado, pedindo-lhes que deli\u00adberassem sobre o que deviam fazer. A maior parte n\u00e3o sabia que resolu\u00e7\u00e3o tomar. Mas Sime\u00e3o e Levi, irm\u00e3os de pai e m\u00e3e de Din\u00e1, tomaram juntos uma determina\u00e7\u00e3o e, sem nada dizer a Jac\u00f3, escolheram execut\u00e1-la no dia de uma grande festa que se realizava em Siquem e que se passava toda em banquetes e divertimentos. Foram de noite \u00e0s portas de Siquem, acharam os guardas ador\u00admecidos e os mataram. Da\u00ed foram \u00e0 cidade, passaram todos os homens a fio de espada, at\u00e9 mesmo o rei e seu filho, poupando somente as mulheres, e trouxe\u00adram de volta a sua irm\u00e3. Jac\u00f3 ficou fora de si por aquela a\u00e7\u00e3o sangrenta e muito irritado com os dois, mas Deus, numa vis\u00e3o, ordenou que se consolasse, que purificasse as suas tendas e pavilh\u00f5es e que oferecesse o sacrif\u00edcio ao qual se havia obrigado quando Ele lhe apareceu em sonho, na sua viagem \u00e0 Mesopot\u00e2mia.<\/p>\n<p>Enquanto executava essas ordens, jac\u00f3 encontrou os \u00eddolos de Lab\u00e3o, que Raquel havia furtado sem nada lhe dizer. Enterrou-os em Siquem, sob um carvalho, e foi sacrificar em Betei,* no mesmo lugar onde tivera a vis\u00e3o de que acabamos de falar. De l\u00e1 passou a Efrata, onde Raquel teve um filho e morreu de parto. Ela foi sepultada ali mesmo, sendo a \u00fanica de sua descen\u00add\u00eancia que n\u00e3o foi levada a Hebrom, ao sepulcro de seus antepassados. A morte dela causou grande afli\u00e7\u00e3o a ]ac\u00f3, e ele chamou ao filho Benjamim, porque havia sido causa de dor, ao custo da vida de sua m\u00e3e. Jac\u00f3 teve ape\u00adnas uma filha, Din\u00e1, e doze filhos, dos quais oito eram leg\u00edtimos, isto \u00e9, seis de Leia e dois de Raquel. Quanto aos outros quatro, dois eram de Zilpa e dois de Bila. Chegou finalmente a Hebrom, na terra de Cana\u00e3, onde morava Isaque, seu pai, mas o perdeu logo depois.<\/p>\n<p>___________<\/p>\n<p>* Bel\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>G\u00eanesis 28. Tendo sido Jac\u00f3, com o consentimento do pai, enviado por sua m\u00e3e \u00e0 Mesopot\u00e2mia, para desposar uma filha de Lab\u00e3o, seu tio, atravessou o pa\u00eds dos cananeus. Mas, por ser uma na\u00e7\u00e3o inimiga, n\u00e3o entrou em nenhuma de suas casas. Dormia no campo, utilizando-se das pedras como travesseiro. 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