{"id":472,"date":"2015-04-03T02:07:20","date_gmt":"2015-04-03T02:07:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=472"},"modified":"2015-04-03T02:07:20","modified_gmt":"2015-04-03T02:07:20","slug":"capitulo-8-alexandre-justifica-se-de-tal-modo-que-augusto-os-julga-inocentes-e-reconcilia-os-com-o-pai-herodes-volta-a-judeia-com-os-tres-filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-8-alexandre-justifica-se-de-tal-modo-que-augusto-os-julga-inocentes-e-reconcilia-os-com-o-pai-herodes-volta-a-judeia-com-os-tres-filhos\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 8 Alexandre justifica-se de tal modo que Augusto os julga inocentes e reconcilia-os com o pai. Herodes volta \u00e0 jud\u00e9ia com os tr\u00eas filhos."},"content":{"rendered":"<p>Quando os dois irm\u00e3os perceberam que Augusto, os presentes e mesmo o seu pai tinham o cora\u00e7\u00e3o enternecido pela compaix\u00e3o de sua infelicidade e que alguns n\u00e3o podiam reter as l\u00e1grimas, Alexandre, o mais velho, tomou a palavra para se justificar dos crimes de que seu pai os acusava e disse, dirigindo-se a ele: &#8220;N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, senhor, outra prova de vossa bondade por n\u00f3s sen\u00e3o o lugar em que nos encontramos, porque, se tivesseis querido destruir-nos, n\u00e3o nos ter\u00edeis trazido \u00e0 presen\u00e7a deste grande pr\u00edncipe, que deseja unicamente merecer o glori\u00adoso t\u00edtulo de salvador, fazendo bem a todos. Poder\u00edeis servir-vos contra n\u00f3s do poder que vos d\u00e1 a qualidade de rei e pai, mas, se a nossa vida n\u00e3o vos fosse cara, n\u00e3o nos ter\u00edeis feito vir a Roma, a fim de termos o imperador como juiz e testemu\u00adnha de nossa morte. Pois n\u00e3o se levam aos lugares sagrados e aos Templos aqueles a quem se deliberou tirar a vida. Essa mesma bondade, de que temos motivos para nos gloriar, aumentaria ainda o nosso crime, se f\u00f4ssemos culpados, pois ela nos obriga a reconhecer que n\u00e3o podemos, sem nos tornamos indignos de ver a luz do dia, faltar ao amor e ao respeito por t\u00e3o bom pai. Ser-nos-ia muito mais vantajoso morrer inocentes que viver torturados pelas suspeitas de t\u00e3o negra ingratid\u00e3o. Se Deus nos ajudar em nossa defesa, de modo que vos possamos persuadir da verda\u00adde, n\u00e3o nos regozijaremos tanto por escapar de t\u00e3o grande perigo quanto por sermos tidos como inocentes no vosso julgamento. Mas se as cal\u00fanias de que se servem para vos incitar contra n\u00f3s prevalecerem no vosso esp\u00edrito, inutilmente nos conservar\u00edeis a vida, pois nos seria insuport\u00e1vel. Confessamos que a nossa idade, unida \u00e0 infelicidade da rainha nossa m\u00e3e, pode tornar-nos suspeitos de aspirar ao trono. Considerai, por\u00e9m, eu vos suplico, se n\u00e3o se poderia fazer a mesma acusa\u00ad\u00e7\u00e3o a todos os filhos de rei que j\u00e1 n\u00e3o tivessem m\u00e3e e se uma simples suspeita \u00e9 bastante para convencer as pessoas de um crime t\u00e3o detest\u00e1vel como o de atentar contra a vida do pr\u00f3prio pai a fim de reinar em seu lugar. Como a simples suspeita n\u00e3o basta, n\u00e3o temos raz\u00e3o em pedir que se apresentem provas dessa horr\u00edvel acusa\u00e7\u00e3o? Nada h\u00e1 que a cal\u00fania n\u00e3o invente na corte dos reis. Poder\u00e1 algu\u00e9m dizer que preparamos veneno ou fizemos conjura\u00e7\u00e3o ou subornamos servidores dom\u00e9sticos ou escrevemos cartas contra o vosso governo? A esperan\u00e7a de reinar, que apresentastes como a recompensa pelo respeito e piedade dos filhos para com os pais, \u00e9 muitas vezes causa de que maus esp\u00edritos cometam p\u00e9ssimas a\u00e7\u00f5es. E estamos certos de que n\u00e3o h\u00e1 absolutamente nenhuma de que nos possam culpar. Quanto \u00e0s cal\u00fanias que vos incitaram contra n\u00f3s, como poder\u00edamos vos fazer co\u00adnhecer a falsidade delas, se n\u00e3o nos quisestes escutar? Confessamos que fizemos queixas abertamente. N\u00e3o de v\u00f3s, o que nos teria feito culpados, mas daqueles que vos relatavam tais coisas. Reconhecemos tamb\u00e9m que choramos nossa m\u00e3e, mas as nossas l\u00e1grimas n\u00e3o procediam tanto de sua morte quanto da dor de ver que ainda h\u00e1 pessoas que procuram desonrar a sua mem\u00f3ria. Dizem mesmo que n\u00f3s, durante a vossa vida, aspiramos \u00e0 coroa. Que probabilidade pode ter tal acu\u00adsa\u00e7\u00e3o? Se desfrutamos todas as honras que os vossos sucessores podem pretender, como de fato desfrutamos, que mais podemos desejar? E, se n\u00e3o as desfrutamos, n\u00e3o nos seria l\u00edcito esper\u00e1-lo? Ao passo que, cometendo um crime t\u00e3o detest\u00e1vel como o de manchar as m\u00e3os no sangue daquele que nos deu a vida, n\u00e3o poder\u00ed\u00adamos esperar outra coisa sen\u00e3o que a terra se abrisse para nos tragar ou que o mar nos sepultasse em seus abismos. Poderia a santidade de nossa religi\u00e3o e a fidelida\u00adde de vossos s\u00faditos tolerar que reis parricidas entrassem no santo Templo, que constru\u00edstes para honra de Deus? Ainda que n\u00e3o tem\u00eassemos tais castigos, acaso ficar\u00edamos impunes enquanto vivesse um monarca t\u00e3o justo quanto C\u00e9sar? Se ten\u00addes em n\u00f3s, senhor, os filhos mais indesej\u00e1veis no que conv\u00e9m \u00e0 vossa tranq\u00fcilidade, sabei pelo menos que n\u00e3o somos \u00edmpios nem desprovidos de ju\u00edzo, como vos querem fazer crer. Estamos certos de que nada se encontrar\u00e1 de verdade em tudo quanto nos acusam. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 morte de nossa m\u00e3e, a sua desgra\u00e7a nos deve tornar mais sensatos, em vez de nos incitar contra v\u00f3s. Eu poderia apresentar v\u00e1rias outras raz\u00f5es para a nossa defesa, se fosse necess\u00e1rio justificar aquilo que jamais foi cogitado. A \u00fanica coisa que pedimos ao imperador, nosso soberano \u00e1rbitro, se vos persuadirdes da verdade de nossa inoc\u00eancia e deixardes de suspeitar de n\u00f3s, \u00e9 que vivamos, ainda que infelizes, pois haveria maior desgra\u00e7a que ser acusado falsa\u00admente do mais horr\u00edvel de todos os crimes? Mas se continuais a desconfiar de n\u00f3s, morramos ent\u00e3o, pelo julgamento que trouxemos contra n\u00f3s mesmos, sem que sejais acusado pela nossa condena\u00e7\u00e3o. A vida n\u00e3o nos \u00e9 t\u00e3o cara que a queiramos conservar \u00e0 custa da reputa\u00e7\u00e3o daquele de quem a recebemos&#8221;.<\/p>\n<p>Augusto, que desde o come\u00e7o n\u00e3o pudera acreditar em t\u00e3o estranhas acusa\u00e7\u00f5es e que enquanto Alexandre falava e mantinha os olhos sobre Herodes percebeu que este ficava comovido com as palavras do filho, convenceu-se ainda mais da inoc\u00eancia dos dois irm\u00e3os. Al\u00e9m disso, os presentes sentiram t\u00e3o grande compaix\u00e3o e estavam t\u00e3o ansiosos pelo final do julgamento, para ver o que aconteceria aos mo\u00e7os, que n\u00e3o podiam deixar de desejar mal a Herodes. Aquelas acusa\u00e7\u00f5es pareciam-lhes incr\u00edveis, e a mocidade dos pr\u00edncipes, unida \u00e0 sua beleza, tornava-os t\u00e3o sens\u00edveis \u00e0 sua infelicidade que estavam dispostos a prestar-lhes qualquer aux\u00edlio. Essa afei\u00e7\u00e3o aumentou quando eles viram Alexandre responder t\u00e3o sabiamente \u00e0s palavras do pai e com tanta modera\u00e7\u00e3o e mod\u00e9stia. Depois de concluir a sua defesa, ele e o irm\u00e3o continuaram com os olhos baixos, banhados em l\u00e1grimas. Surgiu ent\u00e3o um vislumbre de esperan\u00e7a, pois se notava no rosto de Herodes que ele julgava ter agido erradamente e se desculpava pela maneira leviana como acreditara naquelas acusa\u00e7\u00f5es sem provas.<\/p>\n<p>Augusto, depois de refletir por uns instantes, disse que julgava os pr\u00edncipes inocentes dos crimes de que os acusavam, embora n\u00e3o se pudesse eximi-los de terem dado ao pai, com o seu proceder, motivo para que se aborrecesse. Em seguida, pediu a Herodes que os recebesse em suas boas gra\u00e7as e n\u00e3o alimentasse mais contra eles suspeita alguma, pois n\u00e3o era justo acatar semelhantes acusa\u00e7\u00f5es contra os pr\u00f3prios filhos. Assim, tinha certeza de que eles lhe prestariam ainda bons servi\u00e7os, que ele esqueceria o descontentamento que lhe haviam causado e retomaria para com eles a antiga afei\u00e7\u00e3o e que cada qual trabalharia para restabelecer a amizade e a confian\u00e7a que deve existir entre parentes, e a uni\u00e3o entre eles seria ainda maior que antes.<\/p>\n<p>Depois de assim falar, Augusto fez sinal aos pr\u00edncipes, para que se caminhassem at\u00e9 o pai, ainda cheios de l\u00e1grimas, a fim de pedir-lhe perd\u00e3o. Mas Herodes antecipou-se e os abra\u00e7ou com tantas demonstra\u00e7\u00f5es de afeto e de ternura que todos ficaram comovidos. O pai e os filhos agradeceram efusivamente ao imperador, e Ant\u00edpatro mostrou tamb\u00e9m estar satisfeito com a reconcilia\u00e7\u00e3o de seus irm\u00e3os com o pai.<\/p>\n<p>Alguns dias depois, Herodes presenteou Augusto com trezentos talentos, pois nessa \u00e9poca davam-se espet\u00e1culos e se faziam donativos ao povo romano. C\u00e9sar, por sua vez, deu-lhe metade das rendas das minas da ilha de Chipre e a dire\u00e7\u00e3o da outra metade, acrescentando, com grandes demonstra\u00e7\u00f5es de afeto, diversos outros presentes. Permitiu-lhe escolher para sucessor o filho que ele desejasse e at\u00e9 mesmo dividir o reino entre eles, embora n\u00e3o para desfrutarem isso enquanto ele vivesse, porque era justo que permanecesse como senhor de seu territ\u00f3rio e de seus filhos.<\/p>\n<p>Herodes partiu depois com os tr\u00eas filhos para regressar \u00e0 Jud\u00e9ia. E, du\u00adrante a sua aus\u00eancia, Traconites, que representava uma parte consider\u00e1vel de seus dom\u00ednios, havia se revoltado, mas os comandantes das tropas a obrigaram a capitular. Quando ele passou por Eleusem, na Cil\u00edcia, que agora se chama Sebaste, Arquelau, rei da Capad\u00f3cia, recebeu-o com grandes honras, bem como aos seus filhos, demonstrando alegria por terem os dois mais novos reconquista\u00addo as suas boas gra\u00e7as e porque Alexandre, seu genro, se havia justificado t\u00e3o bem das acusa\u00e7\u00f5es feitas contra eles.<\/p>\n<p>Os dois reis separaram-se depois de trocar magn\u00edficos presentes. Herodes, quando chegou a Jerusal\u00e9m, mandou reunir o povo no Templo, falou-lhe de sua viagem, das honras que recebera de Augusto e de todas as outras coisas que julgou conveniente inform\u00e1-los. No fim de seu discurso, para dar a seus filhos uma solene li\u00e7\u00e3o, exortou todos os de sua corte e da assembl\u00e9ia a viver unidos, declarando-Ihes que os filhos reinariam depois dele, a come\u00e7ar por Ant\u00edpatro, continuando com Alexandre e Arist\u00f3bulo. Enquanto ele vivesse, por\u00e9m, queria ser reconhecido como o \u00fanico rei e senhor, porque, embora a idade fosse um impedimento para bem governar, ela o tornava ainda mais capacitado, quer pela longa experi\u00eancia adquirida, quer pelas outras vantagens que ele tinha sobre os filhos, e assim eles e os soldados viveriam felizes enquanto obedecessem somente a ele.<\/p>\n<p>A assembl\u00e9ia, depois disso, dissolveu-se. A maior parte achou que ele havia falado bem. Alguns, por\u00e9m, julgaram diferente, porque a esperan\u00e7a de reinar que ele dera aos filhos poderia causar entre estes muitas diverg\u00eancias e contesta\u00e7\u00f5es, as quais seriam causa de grandes turbul\u00eancias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando os dois irm\u00e3os perceberam que Augusto, os presentes e mesmo o seu pai tinham o cora\u00e7\u00e3o enternecido pela compaix\u00e3o de sua infelicidade e que alguns n\u00e3o podiam reter as l\u00e1grimas, Alexandre, o mais velho, tomou a palavra para se justificar dos crimes de que seu pai os acusava e disse, dirigindo-se a ele: &#8220;N\u00e3o&#8230; <a href=\"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-8-alexandre-justifica-se-de-tal-modo-que-augusto-os-julga-inocentes-e-reconcilia-os-com-o-pai-herodes-volta-a-judeia-com-os-tres-filhos\/\">ler mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[168,366,1340,1516,1618,1730,1747,2148,2503,3071,3192],"class_list":["post-472","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livro-decimo-sexto","tag-alexandre","tag-augusto","tag-filhos","tag-herodes","tag-inocentes","tag-julga","tag-justificase","tag-pai","tag-reconciliaos","tag-tres","tag-volta"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/472","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=472"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/472\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=472"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=472"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=472"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}