{"id":464,"date":"2015-04-03T02:05:56","date_gmt":"2015-04-03T02:05:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=464"},"modified":"2015-04-03T02:05:56","modified_gmt":"2015-04-03T02:05:56","slug":"capitulo-4-os-judeus-da-jonia-queixam-se-a-agripa-na-presenca-de-herodes-de-que-os-gregos-os-estao-prejudicando-em-seus-privilegios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-4-os-judeus-da-jonia-queixam-se-a-agripa-na-presenca-de-herodes-de-que-os-gregos-os-estao-prejudicando-em-seus-privilegios\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 4 &#8211; Os judeus da J\u00f4nia queixam-se a Agripa, na presen\u00e7a de Herodes, de que os gregos os est\u00e3o prejudicando em seus privil\u00e9gios."},"content":{"rendered":"<p>Apenas Agripa e Herodes chegaram \u00e0 J\u00f4nia, um grande n\u00famero de ju\u00addeus moradores daquela prov\u00edncia vieram queixar-se de que, com preju\u00edzo dos privil\u00e9gios a eles conferidos pelos romanos e da liberdade que estes lhes haviam concedido para viver segundo as suas pr\u00f3prias leis, estavam sendo obrigados a comparecer nos dias de festas diante dos juizes. Eram tamb\u00e9m obrigados a ir \u00e0 guerra e for\u00e7ados a contribuir para as despesas p\u00fablicas. Isso os impedia de enviar a Jerusal\u00e9m o dinheiro destinado \u00e0s cerim\u00f4nias sagradas. Herodes n\u00e3o quis perder essa ocasi\u00e3o de ajudar os judeus. E escolheu um amigo, de nome Nicolau, para defender a causa. Agripa ent\u00e3o reuniu os principais romanos que estavam com ele, alguns reis e v\u00e1rios pr\u00edncipes.<\/p>\n<p>Esse amigo de Herodes assim falou: &#8220;Grande e generoso Agripa. N\u00e3o \u00e9 de se admirar que pessoas oprimidas recorram \u00e0queles cuja autoridade possa alivi\u00e1-los dos males que sofrem. E n\u00e3o duvidamos de que obteremos o que vos iremos pedir, pois n\u00e3o desejamos outra coisa sen\u00e3o sermos man\u00adtidos na mesma condi\u00e7\u00e3o em que vos dignastes permitir-nos viver, mas da qual os nossos inimigos se esfor\u00e7am por nos privar, embora n\u00e3o se possam opor \u00e0 vossa vontade, sendo-vos t\u00e3o sujeitos quanto n\u00f3s. Que motivos eles podem ter? Se \u00e9 grande a gra\u00e7a que nos fizestes, \u00e9 porque nos julgastes dignos de receb\u00ea-la. E, se \u00e9 pequena, ser-vos-ia vergonhoso n\u00e3o permitir que as desfrutem os que a receberam de vossa liberalidade. Assim, \u00e9 evi\u00addente que a inj\u00faria que eles nos fazem recai sobre v\u00f3s, pois desprezam o vosso desejo e tornam in\u00fateis os vossos benef\u00edcios. Se lhes for perguntado o que preferem: perder a vida ou ser impedidos de observar as leis de seu pa\u00eds e as suas festas, cerim\u00f4nias e sacrif\u00edcios, acaso n\u00e3o responder\u00e3o que \u00e9 prefer\u00edvel sofrer qualquer castigo a privar-se de todas essas coisas? Que guerras n\u00e3o empreender\u00e3o para se manter na posse de um bem t\u00e3o preci\u00adoso e t\u00e3o caro a todas as na\u00e7\u00f5es? E, que h\u00e1 de mais doce, na paz que se desfruta sob o Imp\u00e9rio Romano, sen\u00e3o a liberdade de viver segundo as leis do pr\u00f3prio pa\u00eds? Mas esses b\u00e1rbaros querem impor aos outros um jugo que n\u00e3o podem suportar, como se houvesse menos impiedade em nos impedir prestarmos a Deus o culto ao qual a nossa religi\u00e3o nos obriga que em faltarem eles mesmos aos deveres aos quais a sua os mant\u00e9m sujeitos. E outra raz\u00e3o torna-os ainda mais inexcus\u00e1veis. Existe cidade ou povo, que, a menos que tenha perdido o ju\u00edzo, n\u00e3o considere uma grande felici\u00addade viver sob a domina\u00e7\u00e3o de t\u00e3o poderoso imp\u00e9rio como o romano e queira dele ser privado? Pois \u00e9 isso o que fazem os nossos inimigos quan\u00addo se esfor\u00e7am por nos privar do bem que recebemos de vossa bondade. Eles est\u00e3o tamb\u00e9m renunciando ao direito de usufruir os benef\u00edcios de que vos s\u00e3o devedores e de que n\u00e3o podem assaz estimar. Pois, se considerar\u00admos as outras na\u00e7\u00f5es, quase todas obedecem a reis e vivem numa feliz tranq\u00fcilidade, sob a prote\u00e7\u00e3o dos imperadores, n\u00e3o se julgando s\u00faditos, mas pessoas livres. E, por maior que seja a nossa felicidade em desfrutar a tranq\u00fcilidade que encontramos sob o vosso dom\u00ednio, eles n\u00e3o t\u00eam o direi\u00adto de a invejar, quando a \u00fanica coisa que pedimos \u00e9 n\u00e3o sermos perturba\u00addos no exerc\u00edcio de nossa religi\u00e3o. Pode-se com justi\u00e7a no-lo recusar quando h\u00e1 vantagem em no-lo conceder? Porque Deus n\u00e3o somente honra aque\u00adles que lhe prestam honra, mas tamb\u00e9m aqueles que permitem que elas sejam prestadas. Porventura existe em todas as nossas leis e costumes algo que se possa com raz\u00e3o criticar ou que n\u00e3o seja, ao contr\u00e1rio, pleno de justi\u00e7a e de piedade? As nossas leis s\u00e3o t\u00e3o puras e santas que n\u00e3o teme\u00admos que sejam conhecidas em todo o mundo. Empregamos o s\u00e9timo dia, que para n\u00f3s \u00e9 dia de descanso, em estud\u00e1-las e em aprend\u00ea-las e experi\u00admentamos o quanto s\u00e3o \u00fateis para corrigir defeitos e nos levar \u00e0 virtude. E, ainda que n\u00e3o fossem t\u00e3o louv\u00e1veis em si mesmas, n\u00e3o deveria a sua antig\u00fcidade, que alguns ousam v\u00e3mente contestar, torn\u00e1-las ainda mais vener\u00e1veis, j\u00e1 que n\u00e3o se poderia sem impiedade abandonar leis consagra\u00addas pela aprova\u00e7\u00e3o de tantos s\u00e9culos? Muitos motivos temos n\u00f3s, portan\u00adto, de nos queixarmos daqueles que praticam contra n\u00f3s t\u00e3o grande injus\u00adti\u00e7a, pois roubam, por um horr\u00edvel sacril\u00e9gio, o dinheiro que ofertamos para ser empregado no servi\u00e7o de Deus, fazem sobre n\u00f3s imposi\u00e7\u00f5es de que estamos isentos e nos obrigam, nos dias de nossas festas, a compare\u00adcer perante os juizes para tratar de neg\u00f3cios temporais, e isso somente para nos impedir o exerc\u00edcio de nossa religi\u00e3o. E nisso s\u00e3o t\u00e3o injustos quanto conscientes de que n\u00e3o lhes damos nenhum motivo para que nos odeiem e n\u00e3o podem ignorar que a eq\u00fcidade de vosso governo tem por \u00fanico objetivo unir os vossos s\u00faditos e impedir tudo o que possa vir a alterar-lhes a uni\u00e3o. Livrai-nos, pois, senhor, de tal opress\u00e3o, por vossa autoridade, fazendo com que n\u00e3o nos impe\u00e7am mais a observ\u00e2ncia de nossas leis e que aqueles que nos odeiam n\u00e3o tenham mais poder sobre n\u00f3s, assim como n\u00e3o pretendemos dominar sobre eles. O que pedimos \u00e9 justo, pois se trata da execu\u00e7\u00e3o d\u00f3 que j\u00e1 nos foi concedido, como se pode ver ainda hoje nos muitos decretos do senado, gravados sobre as t\u00e1buas de cobre do Capit\u00f3lio. N\u00e3o se pode tamb\u00e9m duvidar de que a nos\u00adsa afei\u00e7\u00e3o e fidelidade ao povo romano n\u00e3o tenham sido causa de tantas demonstra\u00e7\u00f5es que ele nos deu de sua amizade. E, mesmo que n\u00e3o tiv\u00e9s\u00adsemos merecido esses privil\u00e9gios, seria suficiente dizer que eles nos foram concedidos uma vez a fim de serem para sempre inviol\u00e1veis, pois a vossa maneira de agir para com todas as outras na\u00e7\u00f5es \u00e9 t\u00e3o generosa que, em vez de diminuir os vossos benef\u00edcios, sentis prazer em aument\u00e1-los al\u00e9m das esperan\u00e7as dos que j\u00e1 vos s\u00e3o reconhecidos. Os favores que recebemos do Imp\u00e9rio Romano s\u00e3o t\u00e3o numerosos que eu seria demasiado prolixo se os fosse enumerar. Para que n\u00e3o pare\u00e7a que o meu testemunho acerca do nosso acatamento ao povo romano e de nossas benemer\u00eancias seja pura vaidade e sem fundamento, n\u00e3o citarei os s\u00e9culos passados. Contentar-me-ei em falar-vos\u00ab,do rei que agora nos governa e que vejo sentado junto de v\u00f3s. Que demonstra\u00e7\u00f5es n\u00e3o vos deu ele de sua grande afei\u00e7\u00e3o? Que provas n\u00e3o recebestes de sua fidelidade? Que honras n\u00e3o vos prestou? Tivestes necessidade de algum aux\u00edlio que ele n\u00e3o tenha sido o primeiro a vo-lo conceder? Poderieis ent\u00e3o recusar, diante de tantos m\u00e9ritos, o favor que vos pedimos? E, poderia eu passar em sil\u00eancio os grandes servi\u00e7os de Ant\u00edpatro, seu pai? Quem n\u00e3o sabe que ele, quando C\u00e9sar estava empenha\u00addo na guerra contra o Egito, levou a esse rei dois mil homens e que nenhum outro obteve maior gl\u00f3ria que ele pelo seu valor em todos os combates de terra e mar ou serviu mais proveitosamente ao imp\u00e9rio? N\u00e3o precisamos de outra prova. Bastam os presentes que C\u00e9sar lhe fez e as cartas que escreveu ao senado, plenas da estima e do afeto que lhe devotava, obtendo assim para ele grandes honras e a qualidade de cidad\u00e3o romano. Seja essa \u00fanica prova suficiente para mostrar que merecemos essas gra\u00e7as e que assim n\u00e3o temos raz\u00e3o para temer que recuseis confirm\u00e1-las. Esperamos mesmo que as aumenteis, pois vemos a amizade que dedicais ao nosso rei e sabemos das honras que prestastes a Deus em Jerusal\u00e9m com os vossos sacrif\u00edcios e com os banquetes que oferecestes ao povo, da bondade com a qual recebestes deles presentes e do prazer que demonstrastes pela maneira como o nosso rei vos recebeu em seu reino e na sua capital. Que mais se poderia desejar, pois, para n\u00e3o haver d\u00favida de que sereis levados a reverenciar a nossa na\u00e7\u00e3o? Depois de tantas considera\u00e7\u00f5es, n\u00e3o temos como recear que venhais a permitir que a mal\u00edcia de nossos inimigos nos impe\u00e7a fruir os favores que recebemos de vossa generosidade&#8221;.<\/p>\n<p>Nicolau assim falou pelos judeus, e nenhum dos gregos o contradisse, por\u00adque n\u00e3o era um assunto tratado diante dos juizes, mas uma intercess\u00e3o que pretendia fazer cessar uma injusti\u00e7a que sofriam. Os inimigos de nossa na\u00e7\u00e3o outra coisa n\u00e3o puderam alegar contra n\u00f3s sen\u00e3o que \u00e9ramos estrangeiros e que est\u00e1vamos sob os seus cuidados. A isso os judeus responderam que n\u00e3o deviam passar por estrangeiros, pois eram cidad\u00e3os que viviam segundo as leis de seu pa\u00eds, sem fazer injusti\u00e7a a ningu\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apenas Agripa e Herodes chegaram \u00e0 J\u00f4nia, um grande n\u00famero de ju\u00addeus moradores daquela prov\u00edncia vieram queixar-se de que, com preju\u00edzo dos privil\u00e9gios a eles conferidos pelos romanos e da liberdade que estes lhes haviam concedido para viver segundo as suas pr\u00f3prias leis, estavam sendo obrigados a comparecer nos dias de festas diante dos juizes&#8230;. <a href=\"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-4-os-judeus-da-jonia-queixam-se-a-agripa-na-presenca-de-herodes-de-que-os-gregos-os-estao-prejudicando-em-seus-privilegios\/\">ler mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[146,1173,1488,1516,1708,1727,2322,2331,2368,2445],"class_list":["post-464","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livro-decimo-sexto","tag-agripa","tag-estao","tag-gregos","tag-herodes","tag-jonia","tag-judeus","tag-prejudicando","tag-presenca","tag-privilegios","tag-queixamse"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/464","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=464"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/464\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=464"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=464"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=464"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}