{"id":452,"date":"2015-04-03T01:28:00","date_gmt":"2015-04-03T01:28:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=452"},"modified":"2015-04-03T01:28:00","modified_gmt":"2015-04-03T01:28:00","slug":"capitulo-12-a-judeia-e-amargurada-por-enormes-males-particularmente-por-uma-violenta-peste-e-uma-grande-carestia-cuidados-e-liberalidades-incriveis-de-herodes-para-remediar-os-graves-inconveniente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-12-a-judeia-e-amargurada-por-enormes-males-particularmente-por-uma-violenta-peste-e-uma-grande-carestia-cuidados-e-liberalidades-incriveis-de-herodes-para-remediar-os-graves-inconveniente\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 12 &#8211; A Jud\u00e9ia \u00e9 amargurada por enormes males, particularmente por uma violenta peste e uma grande carestia. Cuidados e liberalidades incr\u00edveis de Herodes para remediar os graves inconvenientes. Reconquista desse modo \u00e2 afeto do povo e restaura a abund\u00e2ncia. Soberbo pal\u00e1cio que ele constr\u00f3i em Jerusal\u00e9m. Desposa afilha de Sim\u00e3o, que ele constitui sumo sacerdote. Outro soberbo castelo que ele constr\u00f3i no lugar onde outrora vencera os judeus."},"content":{"rendered":"<p>Naquele mesmo ano, que era o d\u00e9cimo terceiro do reinado de Herodes, a Jud\u00e9ia foi torturada por grand\u00edssimos males, por uma vingan\u00e7a de Deus ou por algum dos funestos acidentes que de tempos em tempos sucedem no mundo. Come\u00e7ou por uma prolongada seca, e a terra n\u00e3o dava mais os frutos que pro\u00adduz naturalmente, sem que se cultive. A necessidade obrigou o povo a sustentar a vida com um alimento que antes lhes era desconhecido, e contra\u00edram assim graves doen\u00e7as. E ainda, por uma concatena\u00e7\u00e3o de males que se sucediam uns aos outros, sobreveio uma violenta peste.<\/p>\n<p>Esse terr\u00edvel flagelo aumentava, porque os que eram por ela atacados n\u00e3o ti\u00adnham assist\u00eancia nem alimento. Muitos morriam logo, e o desespero por n\u00e3o te\u00adrem recursos e n\u00e3o poderem auxiliar os enfermos tirava aos que n\u00e3o haviam sido contaminados a coragem de prestar aos seus semelhantes cuidados que lhes seri\u00adam in\u00fateis. Todos os frutos dos anos precedentes haviam sido consumidos. Na\u00adquele ano, nada se colhera, e inutilmente se teria semeado a terra, porque estava t\u00e3o \u00e1rida e seca que deixava morrer em seu seio as sementes lan\u00e7adas. Como aquilo continuasse por mais de um ano, o mal crescia sempre, em vez de diminuir.<\/p>\n<p>Em tal desola\u00e7\u00e3o, a riqueza de Herodes, por maior que fosse, n\u00e3o seria bas\u00adtante, pois a esterilidade da terra lhe impedia de receber os tributos, e ele havia empregado enormes somas na constru\u00e7\u00e3o de cidades e fortalezas. Sem esperan\u00e7a de socorro, ele via unir-se a tantos males o \u00f3dio de seus s\u00faditos contra ele, porque \u00e9 costume dos povos lan\u00e7ar sobre os governantes a culpa dos ma\u00adles que sofrem. Ele procurava sem cessar o rem\u00e9dio para alivi\u00e1-los, mas inutil\u00admente, pois os vizinhos tamb\u00e9m estavam angustiados pela fome e n\u00e3o lhe podiam vender trigo. Ele tampouco tinha dinheiro suficiente para repartir com uma multid\u00e3o t\u00e3o grande e t\u00e3o necessitada de aux\u00edlio. Por fim, convencido de que tinha de fazer algo em tal conjuntura, mandou fundir tudo o que havia de ouro e prata, sem mesmo poupar as obras dos mais c\u00e9lebres artistas. Com isso, reuniu uma grande soma e enviou-a ao Egito, onde Petr\u00f4nio governava, no lugar de Augusto.<\/p>\n<p>O governador era solicitado com insist\u00eancia por muitos outros, atingidos tam\u00adb\u00e9m por semelhante desgra\u00e7a, que a ele recorriam. Mas, como era muito amigo de Herodes, concedeu-lhe, em considera\u00e7\u00e3o aos seus s\u00faditos, uma partida de trigo, dando-lhe prefer\u00eancia a todos os outros. Ele pr\u00f3prio ajudou-os a realizar a compra e o transporte e assim contribuiu mais do que ningu\u00e9m para a salva\u00e7\u00e3o de nossa gente. A gratid\u00e3o por se ver aliviado e socorrido em sua mis\u00e9ria pelos extremos cuidados do rei n\u00e3o somente fez o povo esquecer o \u00f3dio que lhe tinha, mas o levou a tecer os elogios que a sua bondade merecia. Ele distribuiu o trigo primeiro aos que podiam fazer o p\u00e3o e enviou padeiros \u00e0queles que, pela velhice ou pela doen\u00e7a, n\u00e3o o podiam fazer. Ajudou-os tamb\u00e9m contra o rigor do inver\u00adno, dando-lhes vestes, de que tinham tamb\u00e9m grande necessidade, pois o gado morrera quase todo, e eles n\u00e3o tinham l\u00e3 nem outras coisas de que se servir.<\/p>\n<p>Depois de atender \u00e0s necessidades de seus s\u00faditos, Herodes levou os seus cuida\u00addos \u00e0s cidades da S\u00edria, vizinhas da Jud\u00e9ia. Deu-lhes trigo para semear e n\u00e3o obteve para si menor vantagem que eles, pois a terra produziu em tal abund\u00e2ncia o trigo semeado que a fartura voltou. E, quando veio o tempo da messe, ele enviou cinq\u00fcenta mil homens, aos quais salvara a vida, para fazer a ceifa. Assim, ele foi n\u00e3o s\u00f3 benfeitor de seu reino, pela sua vigil\u00e2ncia e proceder, mas tamb\u00e9m de seus vizinhos, que n\u00e3o recorreram a ele inutilmente, mas receberam o que precisavam. Ele calculou haver fornecido aos estrangeiros dez mil coros de trigo, contendo cada coro dez medidas \u00e1ticas. O que ele distribuiu no seu reino montava a oitenta mil coros.<\/p>\n<p>Tantos cuidados e favores realizados em favor do povo numa t\u00e3o premente necessidade fizeram-no admirado por todo o mundo. Ele ganhou de tal modo o cora\u00e7\u00e3o de todos que a gratid\u00e3o pelos favores recentes os fez esquecer o \u00f3dio causado pelas modifica\u00e7\u00f5es qtie ele havia introduzido no reino e na observ\u00e2ncia dos antigos costumes. Julgaram que aquele mal fora compensado pelos grandes bens que haviam recebido de sua maravilhosa liberalidade, no tempo em que ela lhes foi t\u00e3o necess\u00e1ria. N\u00e3o foi menor a gl\u00f3ria que ele conquistou tamb\u00e9m perante os estrangeiros. Assim, tantos males s\u00f3 serviram para tornar o seu nome ainda mais ilustre. Os sofrimentos do povo aumentaram, em seu reino, a sua fama. A gratid\u00e3o pelos benef\u00edcios e a extraordin\u00e1ria bondade que ele demonstrou em t\u00e3o dura prova\u00e7\u00e3o, mesmo para com os que n\u00e3o eram seus s\u00faditos, fizeram-no ser considerado no exterior n\u00e3o como antes, mas tal como o haviam conhecido naquela extrema necessidade.<\/p>\n<p>O generoso soberano, ainda para demonstrar o seu afeto por Augusto, mandou ao mesmo tempo quinhentos dos mais valentes de seus guardas a H\u00e9lio Galo, ao qual prestaram grandes servi\u00e7os na guerra que ele fazia na Ar\u00e1bia, perto do mar Vermelho. E, depois de haver restaurado a prosperidade em seu territ\u00f3rio, man\u00addou construir no lugar mais elevado da cidade de Jerusal\u00e9m um grande e soberbo pal\u00e1cio, resplandecente de ouro e de m\u00e1rmore, onde, entre os magn\u00edficos aposen\u00adtos que l\u00e1 se viam, havia um com o nome de Augusto e outro com o de Agripa.<\/p>\n<p>Ele pensou ent\u00e3o em casar-se novamente e, como n\u00e3o procurava prazer nesse ato, quis escolher uma pessoa em quem pudesse depositar todo o seu afeto. Assim, recebeu uma jovem apenas por amor, do modo que vou narrar. Sim\u00e3o, filho de Boeto, Alexandrino de fam\u00edlia nobre e que era sacerdote, tinha uma filha de t\u00e3o extraordin\u00e1ria beleza que s\u00f3 se falava disso em Jerusal\u00e9m. A not\u00edcia chegou at\u00e9 Herodes, e ele quis v\u00ea-la. Jamais houve amor maior \u00e0 primeira vista que o que ele sentiu por ela. Mas julgou que n\u00e3o devia usar de seu poder, tomando-a, como teria podido fazer, para n\u00e3o passar por tirano. Pensou que devia despos\u00e1-la. E, como Sim\u00e3o n\u00e3o era de posi\u00e7\u00e3o bastante nobre para tal alian\u00e7a e nem tampouco de con\u00addi\u00e7\u00e3o desprez\u00edvel, elevou-o ent\u00e3o, para torn\u00e1-lo mais ilustre: tirou o sumo sacerd\u00f3cio de Jesus, filho de Fabete, e entregou-a a ele, desposando-lhe depois a filha.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s as n\u00fapcias, ele construiu, a sessenta est\u00e1dios de Jerusal\u00e9m, um magn\u00edfico castelo, no lugar onde outrora tinha vencido os judeus, quando Ant\u00edgono lhe fazia guerra. A localiza\u00e7\u00e3o era muito vantajosa, pois trata-se de um pequeno monte arredondado, muito forte e agrad\u00e1vel. Ele embelezou-o e o fortificou ainda mais. O castelo era rodeado de torres \u00e0s quais se subia por duzentos degraus de pedra. Havia no interior soberbos aposentos, porque Herodes n\u00e3o media despesas para unir a beleza \u00e0 for\u00e7a. A seus p\u00e9s, havia diver\u00adsos e vistosos edif\u00edcios, particularmente ricos pela quantidade de lagos e de tanques, cujas \u00e1guas eram trazidas de longe por aquedutos. Os campos das redondezas estavam t\u00e3o cheios de casas que poderiam formar uma boa cidade, da qual aquele magn\u00edfico castelo constru\u00eddo sobre o monte seria a fortaleza, dominando tudo o mais.<\/p>\n<p>Quando deu por terminadas todas essas obras, Herodes n\u00e3o teve mais receios de revoltas em seu territ\u00f3rio. O temor do castigo, do qual n\u00e3o excetuava ningu\u00e9m, mantinha os s\u00faditos no cumprimento do dever. A liberalidade com que cuidava das necessidades p\u00fablicas granjeava-lhe o afeto e a solicitude, os quais empregava para se fortificar cada vez mais. E, como a sua conserva\u00e7\u00e3o particular fosse a mesma do reino, ela o punha em absoluta seguran\u00e7a. Ele tor\u00adnou-se popular em todas as cidades, mostrando-lhes muita bondade. E, como era de alma elevada, sabia tamb\u00e9m ganhar-lhes a estima nas adversidades com a magnific\u00eancia e o cora\u00e7\u00e3o dos grandes. Assim, ele tornou-se querido a todos, e a sua prosperidade crescia cada vez mais.<\/p>\n<p>A paix\u00e3o de tornar c\u00e9lebre o seu nome e de cultivar a amizade de Augusto e dos romanos mais poderosos, por\u00e9m, levou-o a se descuidar da observ\u00e2ncia dos nossos costumes e a violar em muitos pontos as nossas santas leis. Ele cons\u00adtruiu em sua pr\u00f3pria honra cidades e Templos, mas n\u00e3o na jud\u00e9ia, porque a nossa na\u00e7\u00e3o jamais o teria permitido, sendo coisa abomin\u00e1vel entre n\u00f3s reveren\u00adciar imagens e est\u00e1tuas, como fazem os gregos. Ele alegava, como desculpa para essas obras sacr\u00edlegas, que n\u00e3o o fazia voluntariamente, mas para homenagear \u00e0queles aos quais n\u00e3o podia desobedecer. Herodes ganhava por esse meio o afeto de Augusto e dos romanos, os quais viam que, para agrad\u00e1-los, ele n\u00e3o temia contrariar os costumes de seu pa\u00eds. O benef\u00edcio particular e o ardente de\u00adsejo de eternizar a sua mem\u00f3ria eram, contudo, o principal motivo de ele gastar t\u00e3o prodigiosas somas na constru\u00e7\u00e3o e embelezamento dessas cidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naquele mesmo ano, que era o d\u00e9cimo terceiro do reinado de Herodes, a Jud\u00e9ia foi torturada por grand\u00edssimos males, por uma vingan\u00e7a de Deus ou por algum dos funestos acidentes que de tempos em tempos sucedem no mundo. 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