{"id":434,"date":"2015-04-03T01:24:35","date_gmt":"2015-04-03T01:24:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=434"},"modified":"2015-04-03T01:24:35","modified_gmt":"2015-04-03T01:24:35","slug":"capitulo-3-herodes-tira-o-cargo-de-sumo-sacerdote-de-ananel-e-o-entrega-a-aristobulo-manda-prender-alexandra-e-aristobulo-quando-eles-tentam-procurar-cleopatra-para-se-salvar-finge-reconciliar-se","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-3-herodes-tira-o-cargo-de-sumo-sacerdote-de-ananel-e-o-entrega-a-aristobulo-manda-prender-alexandra-e-aristobulo-quando-eles-tentam-procurar-cleopatra-para-se-salvar-finge-reconciliar-se\/","title":{"rendered":"Capitulo 3 &#8211; Herodes tira o cargo de sumo sacerdote de Ananel e o entrega a Arist\u00f3bulo. Manda prender Alexandra e Arist\u00f3bulo quando eles tentam procurar Cle\u00f3patra para se salvar. Finge reconciliar-se com eles. Manda afogar Arist\u00f3bulo e ordena-lhe magn\u00edficos funerais."},"content":{"rendered":"<p>Logo depois, o rei Herodes tirou o sumo sacerd\u00f3cio de Ananel, o qual, embora fosse da fam\u00edlia dos sacerdotes, passava por estrangeiro porque era da ra\u00e7a dos judeus que moravam em grande n\u00famero al\u00e9m do Eufrates. Herodes honrara-o com aquela dignidade logo que subira ao trono, mas apenas porque era um grande amigo. E tirou-a somente porque julgou necess\u00e1rio, para acalmar as diverg\u00eancias em fam\u00edlia, pois aquele cargo era concedido n\u00e3o por algum tem\u00adpo, mas para sempre, e n\u00e3o se podia tir\u00e1-lo de algu\u00e9m sem cometer uma injusti\u00ad\u00e7a. Ant\u00edoco Epif\u00e2nio foi o primeiro a violar essa lei, quando dep\u00f4s Jesus para colocar Onias em seu lugar. Arist\u00f3bulo foi o segundo, quando tirou o cargo de Hircano, seu irm\u00e3o, a fim de tom\u00e1-lo para si mesmo. E Herodes foi o terceiro, quando, para ter paz em casa, o entregou a Arist\u00f3bulo, vivendo ainda Ananel.<\/p>\n<p>Essa reconcilia\u00e7\u00e3o, todavia, n\u00e3o impediu que Herodes continuasse com as suas desconfian\u00e7as. Julgou que Alexandra, depois do que ela havia feito, n\u00e3o deixaria de provocar uma rebeli\u00e3o, se ocasi\u00e3o para tal se apresentasse. Assim, proibiu-a de sair do pal\u00e1cio e de intrometer-se em qualquer coisa. Mandou vigi\u00e1-la com tanto cuidado que nada fazia ela que n\u00e3o lhe fosse logo relatado. Como era muito orgulhosa, coisa natural nas mulheres, ela suportava com grande revolta aquele indigno tratamento, pois preferia sofrer qualquer coisa a perder a liberdade. Sob pretexto de honra, faziam-na passar a vida numa verdadeira escravid\u00e3o e em cont\u00ednuo temor. Assim, ela resolveu escrever \u00e0 rainha Cle\u00f3patra, rogando-lhe que tivesse compaix\u00e3o dela e de sua infelicidade e a ajudasse. A princesa mandou dizer-lhe que tentasse fugir com o filho para o Egito.<\/p>\n<p>Alexandra aprovou o conselho e ordenou a dois de seus servidores de mais confian\u00e7a que fizessem duas caixas em forma de ata\u00fade, numa das quais ela se encerraria, e na outra estaria o seu filho, para de noite serem levados a bordo de um navio que j\u00e1 estava preparado para partir para o Egito. Esopo, um desses servidores, falou disso a Sabiom, julgando que ele sabia do caso, pois passava por muito amigo de sua senhora e grande inimigo de Herodes \u2014 at\u00e9 mesmo se suspeitava que ele fosse um dos c\u00famplices no envenenamento de Antipatro. Esse homem, por\u00e9m, feliz por haver encontrado t\u00e3o favor\u00e1vel ocasi\u00e3o para conquistar o afeto de Herodes, foi manifestar-lhe a inten\u00e7\u00e3o de Alexandra de fugir para o Egito. Herodes, que n\u00e3o era menos vingativo que inteligente, deixou-a executar livremente o seu intento com o filho, sem det\u00ea-los, sen\u00e3o quando j\u00e1 eram levados naquelas caixas em forma de ata\u00fade.<\/p>\n<p>Como ele n\u00e3o ousava causar mal a Alexandra, para que Cle\u00f3patra n\u00e3o ficasse ressentida, fingiu perdo\u00e1-la e mostrou-se clemente para com m\u00e3e e filho, num excesso de bondade. Mas no seu cora\u00e7\u00e3o resolveu eliminar Arist\u00f3bulo de qual\u00adquer maneira. Esperaria mais um pouco, no entanto, para melhor ocultar os seus intentos. A festa dos Tabern\u00e1culos, uma das que n\u00f3s celebramos com maior sole\u00adnidade, havia chegado, e ele a quis passar em banquetes com o povo. Mas um fato que aconteceu nessa ocasi\u00e3o aumentou de tal modo a sua inveja por Arist\u00f3bulo que ele n\u00e3o p\u00f4de esperar mais para executar o seu projeto. Eis como as coisas se passaram:<\/p>\n<p>Esse pr\u00edncipe, que ent\u00e3o contava dezessete anos, revestido com os ornamentos de sumo sacerdote, subiu ao altar para oferecer a Deus os sacrif\u00edcios ordenados na Lei. A sua extraordin\u00e1ria beleza e a figura esbelta, que sobrepujava em muito os de sua idade, fizeram brilhar de tal modo em sua pessoa a majestade de sua descend\u00eancia que ele atraiu sobre si os olhos e o afeto de toda aquela grande multid\u00e3o. Esse fato renovou no esp\u00edrito do povo a lembran\u00e7a dos grandes feitos de Aristobulo, seu av\u00f4. O povo n\u00e3o p\u00f4de esconder a sua alegria, e as aclama\u00e7\u00f5es e votos ao jovem pr\u00edncipe foram manifestados com excessiva liberdade, n\u00e3o recomend\u00e1vel sob o reinado de um soberano t\u00e3o invejoso e cioso de sua autoridade como Herodes.<\/p>\n<p>Essa demonstra\u00e7\u00e3o de sentimentos pela fam\u00edlia de Aristobulo e de gratid\u00e3o pelos favores dele recebidos irritaram-no tanto que ele n\u00e3o quis adiar mais a execu\u00e7\u00e3o do que tinha em mente. Assim, passada a festa, foi a um banquete que Alexandra oferecia em Jerico. Ali, como para homenagear Aristobulo, ele demonstrou prazer em assistir aos divertimentos dos mo\u00e7os. Com essa inten\u00e7\u00e3o, foi a um lugar ideal para o seu prop\u00f3sito. Sendo um dia de muito calor, os mo\u00e7os ficaram logo cansados de jogar e foram descansar e abrigar-se dos ardores do sol do meio-dia num jardim, onde se puseram a contemplar alguns dos companheiros e servidores que se banhavam. Herodes fez com que Aristobulo fosse banhar-se com eles, e ent\u00e3o aqueles que ele havia levado para esse fim atiraram-se tamb\u00e9m \u00e0 \u00e1gua e, como brincadeira, fizeram Aristobulo mergulhar, mas n\u00e3o o deixaram emergir, at\u00e9 que ele morreu afogado. Esse foi o triste fim de Aristobulo, que contava apenas dezoito anos e somente por um ano exercera o sumo sacerd\u00f3\u00adcio. Herodes logo o restituiu a Ananel.<\/p>\n<p>Quem poderia exprimir a dor da m\u00e3e e da irm\u00e3 desse infeliz pr\u00edncipe? Elas derramavam l\u00e1grimas junto ao seu corpo e estavam inconsol\u00e1veis. A not\u00edcia es\u00adpalhou-se logo por toda a Jerusal\u00e9m e encheu a cidade de luto. N\u00e3o havia uma casa ou fam\u00edlia que n\u00e3o considerasse aquela perda como pr\u00f3pria. Nenhuma outra dor, por\u00e9m, se igualava \u00e0 de Alexandra, e o conhecimento da trai\u00e7\u00e3o que t\u00e3o cruelmente lhe arrebatara o filho aumentava-a ainda mais. Era, no entanto, obrigada a dissimular, pelo temor de um mal maior. Veio-lhe muitas vezes \u00e0 mente a id\u00e9ia de matar-se, mas se conteve, na esperan\u00e7a de que, sobrevivendo ao filho sem mostrar o que sabia a respeito de sua morte, encontraria talvez ocasi\u00e3o para ving\u00e1-la. Herodes, por sua vez, usava de todos os meios para persuadir a todos de que n\u00e3o tivera naquilo a m\u00ednima participa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o somente com palavras procurava demonstrar a sua tristeza e pesar, mas a elas ajuntava l\u00e1grimas, as quais pareciam t\u00e3o espont\u00e2neas que poderiam passar por verdadeiras.<\/p>\n<p>A verdade, por\u00e9m, \u00e9 que ele julgava que a sua seguran\u00e7a dependia daquela morte. No entanto n\u00e3o podia deixar de se comover pela morte de um pr\u00edncipe de t\u00e3o rara beleza, tirado do mundo na flor da idade. Fosse como fosse, ele fazia todo o poss\u00edvel para dar a entender que n\u00e3o era culpado daquele crime, e n\u00e3o poupou despesas para lhe organizar um magn\u00edfico funeral. Se a dor das princesas pudesse ter sido mitigada por demonstra\u00e7\u00f5es exteriores de afeto, t\u00ea-lo-ia sido, sem d\u00favida, pela quantidade de preciosos perfumes que ele fez queimar sobre o t\u00famulo e pelos ornamentos de que o enriqueceu, com magnific\u00eancia mais que real.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Logo depois, o rei Herodes tirou o sumo sacerd\u00f3cio de Ananel, o qual, embora fosse da fam\u00edlia dos sacerdotes, passava por estrangeiro porque era da ra\u00e7a dos judeus que moravam em grande n\u00famero al\u00e9m do Eufrates. Herodes honrara-o com aquela dignidade logo que subira ao trono, mas apenas porque era um grande amigo. E tirou-a&#8230; <a href=\"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-3-herodes-tira-o-cargo-de-sumo-sacerdote-de-ananel-e-o-entrega-a-aristobulo-manda-prender-alexandra-e-aristobulo-quando-eles-tentam-procurar-cleopatra-para-se-salvar-finge-reconciliar-se\/\">ler mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[136,167,206,283,479,587,1079,1349,1414,1516,1834,1849,2124,2325,2376,2504,2701,2728,2914,2953,2992],"class_list":["post-434","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livro-decimo-quinto","tag-afogar","tag-alexandra","tag-ananel","tag-aristobulo","tag-cargo","tag-cleopatra","tag-entrega","tag-finge","tag-funerais","tag-herodes","tag-magnificos","tag-manda","tag-ordenalhe","tag-prender","tag-procurar","tag-reconciliarse","tag-sacerdote","tag-salvar","tag-sumo","tag-tentam","tag-tira"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/434","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=434"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/434\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=434"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=434"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=434"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}