{"id":432,"date":"2015-04-03T01:23:44","date_gmt":"2015-04-03T01:23:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=432"},"modified":"2015-04-03T01:23:44","modified_gmt":"2015-04-03T01:23:44","slug":"capitulo-2-fraate-rei-dos-partos-permite-a-hircano-seu-prisioneiro-voltar-a-judeia-herodes-outorga-o-sumo-sacerdocio-a-um-homem-sem-merito-alexandra-sogra-de-herodes-e-mae-de-aristobulo-diri","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-2-fraate-rei-dos-partos-permite-a-hircano-seu-prisioneiro-voltar-a-judeia-herodes-outorga-o-sumo-sacerdocio-a-um-homem-sem-merito-alexandra-sogra-de-herodes-e-mae-de-aristobulo-diri\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 2 &#8211; Fraate, rei dos partos, permite a Hircano, seu prisioneiro, voltar \u00e0 Jud\u00e9ia. Herodes outorga o sumo sacerd\u00f3cio a um homem sem m\u00e9rito. Alexandra, sogra de Herodes e m\u00e3e de Arist\u00f3bulo, dirige-se a Cle\u00f3patra para obter esse cargo para o filho por meio de Ant\u00f4nio. Herodes descobre e concede o cargo a Arist\u00f3bulo. Finge reconciliar-se com Alexandra."},"content":{"rendered":"<p>Hircano foi levado a Fraate, rei dos partos, e esse pr\u00edncipe tratou-o muito bem por causa da nobreza de sua fam\u00edlia. Tirou-lhe as cadeias e permitiu que morasse na Babil\u00f4nia, onde havia um grande n\u00famero de judeus. Ele era honrado como sumo sacerdote e rei n\u00e3o somente pelos que se haviam estabelecido naquela poderosa cida\u00adde, mas tamb\u00e9m por todos os outros judeus que moravam al\u00e9m do Eufrates, e ele sentia-se feliz em sua desdita. E, quando soube que Herodes subira ao trono, concebeu as maiores esperan\u00e7as, tanto porque o rei naturalmente amava os seus parentes e aliados quanto por julgar que, tendo lhe salvado a vida quando ele corria o risco de ser condenado, nada mais esperava dele sen\u00e3o reconhecimento. Assim, desejou ardentemente ir procur\u00e1-lo e falou de seus planos \u00e0queles em quem mais confiava.<\/p>\n<p>Aconselharam-no, por\u00e9m, a ficar, dizendo-lhe, para convenc\u00ea-lo disso, que todos os seus compatriotas naquele pa\u00eds j\u00e1 estavam prestando a ele todas as honras que podiam prestar a seu sumo sacerdote e rei; que ele n\u00e3o podia esperar a mesma coisa da Jud\u00e9ia, por causa da maneira ultrajosa como Ant\u00edgono o havia tratado; que a mudan\u00e7a de sorte muda tamb\u00e9m os sentimentos dos homens, e jamais os reis se lembram dos favores recebidos enquanto simples cidad\u00e3os; e que ele n\u00e3o devia esperar tanto afeto da parte de Herodes. Essas opini\u00f5es, embora t\u00e3o sensatas, n\u00e3o fizeram impress\u00e3o no esp\u00edrito de Hircano, tanto ele estava ansioso para voltar. E Herodes escreveu-lhe tamb\u00e9m, rogando que pedisse ao rei e aos judeus para n\u00e3o lhe invejarem o contentamento de compartilhar o poder da realeza, pois chegara o tempo de agradecer os favores que lhe devia, tanto por Hircano hav\u00ea-lo elevado como por lhe salvar a vida.<\/p>\n<p>Esse fingido soberano n\u00e3o se contentou em escrever-lhe nesses termos, mas tamb\u00e9m enviou Saramala como embaixador a Fraate, com muitos presentes, para obter deste a liberdade de seu benfeitor e a oportunidade para recompens\u00e1-lo pelos favores que recebera. Todas essas demonstra\u00e7\u00f5es de amizade, no entanto, eram pura mentira e hipocrisia. A \u00fanica coisa verdadeira nisso tudo era que ele havia usurpado a coroa e temia uma reviravolta. Por isso desejava com ardor ter Hircano ao seu alcance, para poder mat\u00e1-lo, caso julgasse tal coisa conveniente para a sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a, como nos faz ver a continua\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Hircano foi posto em liberdade pelo rei dos partos, e os judeus que estavam na Babil\u00f4nia forneceram-lhe o dinheiro necess\u00e1rio para a viagem. Herodes tratou-o com muita defer\u00eancia. Dava-lhe sempre o primeiro lugar nas assembl\u00e9ias e nos banquetes, chamava-o de pai e tudo fazia para que ele n\u00e3o suspeitasse de sua trai\u00e7\u00e3o, porque desejava a todo custo conservar a posse da coroa e refor\u00e7ar a sua recente autoridade. Isso causou dissens\u00f5es dom\u00e9sticas que excitaram grande perturba\u00e7\u00e3o, por motivo que vou relatar.<\/p>\n<p>O temor de que uma pessoa de origem ilustre fosse constitu\u00edda no sumo sacer\u00add\u00f3cio levou Herodes a mandar vir da Babil\u00f4nia um sacerdote chamado Ananel, oriundo de uma das mais obscuras fam\u00edlias, e investiu-o nesse cargo. Alexandra, m\u00e3e de Hircano e vi\u00fava de Alexandre, filho do rei Aristobulo, de quem ela tivera um filho de nome Aristobulo, como o av\u00f4, e uma filha de nome Mariana, mulher de Herodes, ficou muito sentida com a injusti\u00e7a que este fez ao filho, preterindo-o para honrar com t\u00e3o excelsa dignidade um homem de nenhum m\u00e9rito.<\/p>\n<p>Ela ent\u00e3o escreveu a Cle\u00f3patra, por meio de um m\u00fasico, rogando-lhe que pedisse a Ant\u00f4nio o cargo para o filho. A rainha prestou-lhe de boa mente aquele favor, mas nada p\u00f4de obter. Ao mesmo tempo, C\u00e9lio, que era muito amigo de Ant\u00f4nio, veio \u00e0 Jud\u00e9ia para alguns neg\u00f3cios e admirou-se da beleza extraordin\u00e1ria de Aristobulo e de Mariana, e da felicidade de Alexandra, por ter posto no mundo tais filhos. Aconselhou-a a mandar retratos deles a Ant\u00f4nio, n\u00e3o duvidando que ele, depois de os ter visto, faria tudo o que ela desejava. Ela acreditou, e G\u00e9lio, ao regressar para junto dele, exagerou a beleza deles, afir\u00admando que mais pareciam divindades que criaturas humanas, e tudo fez para suscitar nele o amor por Mariana. Ant\u00f4nio, por\u00e9m, julgou que n\u00e3o seria justo obrigar um rei seu amigo a enviar-lhe a pr\u00f3pria mulher. Al\u00e9m disso, temia a inveja e o ci\u00fame de Cle\u00f3patra. Assim, contentou-se em escrever a Herodes, pedindo que lhe enviasse Aristobulo por algum pretexto honesto, se isso n\u00e3o lhe viesse a causar nenhuma afli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Herodes julgou arriscado enviar uma pessoa da origem, beleza e idade de Aristobulo, que ent\u00e3o contava apenas dezesseis anos, a um homem de posi\u00e7\u00e3o t\u00e3o elevada como Ant\u00f4nio, que era tamb\u00e9m o mais voluptuoso dos romanos, pois podia ocultar a sua vol\u00fapia pela confian\u00e7a que tinha em seu poder. Assim, respondeu-lhe que Aristobulo n\u00e3o poderia sair da Jud\u00e9ia sem perigo de uma guerra, pela esperan\u00e7a que tinham os judeus de ser beneficiados por uma troca de rei.<\/p>\n<p>Herodes, depois de se desculpar perante Ant\u00f4nio, julgou conveniente dar aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m a Aristobulo e a Alexandra e n\u00e3o descontentar Mariana, que insistentemente pedia o sumo sacerd\u00f3cio para o irm\u00e3o. Ele julgou tamb\u00e9m vanta\u00adjoso tirar a Aristobulo qualquer ocasi\u00e3o de sair do pa\u00eds sob pretexto de viagem. Reuniu em seguida os seus amigos mais \u00edntimos e queixou-se muito de Alexandra, dizendo que ela trabalhava secretamente para tirar-lhe a coroa e para fazer com que Ant\u00f4nio, por meio de Cle\u00f3patra, a entregasse ao filho, e que nisso ela era ainda mais culpada, pois n\u00e3o poderia obt\u00ea-lo sem fazer a filha descer do trono e sem tirar ao genro uma honra que ele conquistara com muitos sofrimentos e perigos, mas que ele desejava, no entanto, esquecer essa injusti\u00e7a e demonstrar em atos o seu afeto por ela e pelos seus, outorgando ao filho dela o sumo sacerd\u00f3cio que Ananel exercera at\u00e9 ent\u00e3o por causa da pouca idade de Arist\u00f3bulo.<\/p>\n<p>Essas palavras, que Herodes premeditara para enganar as princesas e os amigos, comoveram Alexandra, tanto pela alegria de obter o que t\u00e3o ardentemente desejava quanto pelo temor de ver que Herodes havia descoberto os seus des\u00edgnios, e de tal modo que, banhada em l\u00e1grimas, ela lhe confessou que tudo o que tentara referente ao sumo sacerd\u00f3cio fora na persuas\u00e3o de que seria ver\u00adgonhoso para o filho ver outro homem no cargo. Quanto ao que se referia ao reino, por\u00e9m, n\u00e3o tivera a menor id\u00e9ia de pretend\u00ea-lo para o filho, e, ainda que o oferecessem, ela n\u00e3o aceitaria, pois era uma grande honra ver a filha reinar com ele e sua fam\u00edlia, e nada tinha a temer. Por isso, vencida pelos benef\u00edcios, ela recebia com gratid\u00e3o a honra que ele fazia ao filho, e Herodes podia ter a certeza de que ele lhe seria submisso. Rogou-lhe ainda que perdoasse tudo o que os sentimentos de sua origem e a injusti\u00e7a que julgava se fazia a Arist\u00f3bulo a tinham levado a empreender. Em seguida, depois dessas palavras, apertaram-se as m\u00e3os, para mostrar que a reconcilia\u00e7\u00e3o era verdadeira. E todos julgaram que, de fato, n\u00e3o havia mais entre eles nenhum motivo de desconfian\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hircano foi levado a Fraate, rei dos partos, e esse pr\u00edncipe tratou-o muito bem por causa da nobreza de sua fam\u00edlia. 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