{"id":422,"date":"2015-04-03T01:21:46","date_gmt":"2015-04-03T01:21:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=422"},"modified":"2015-04-03T01:21:46","modified_gmt":"2015-04-03T01:21:46","slug":"capitulo-25-barzafarnes-conserva-presos-fazael-e-hircano-manda-soldados-a-jerusalem-para-prender-herodes-durante-a-noite-herodes-se-retira-com-todos-os-seus-soldados-e-parentes-e-atacado-no-cami","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-25-barzafarnes-conserva-presos-fazael-e-hircano-manda-soldados-a-jerusalem-para-prender-herodes-durante-a-noite-herodes-se-retira-com-todos-os-seus-soldados-e-parentes-e-atacado-no-cami\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 25 &#8211; Barzafarn\u00e9s conserva presos Fazael e Hircano. Manda soldados a Jerusal\u00e9m para prender Herodes. Durante a noite, Herodes se retira com todos os seus soldados e parentes. E atacado no caminho, mas leva vantagem. Fazael suicida-se. Ingratid\u00e3o do rei dos \u00e1rabes para com Herodes, que vai a Roma."},"content":{"rendered":"<p>Logo que Barzafarn\u00e9s partiu, prenderam Hircano e Fazael, que nada mais p\u00f4de fazer sen\u00e3o execrar tal perf\u00eddia. Aquele b\u00e1rbaro mandou ao mesmo tempo um eunuco a Jerusal\u00e9m, a Herodes, com ordem de atra\u00ed-lo para fora do pal\u00e1cio e prend\u00ea-lo. Mas este sabia que os partos haviam aprisionado os que Fazael lhe mandara para avis\u00e1-lo da trai\u00e7\u00e3o. Fez graves queixas a Pacoro e a todos os outros chefes, e eles, embora de tudo soubessem, fingiram completa ignor\u00e2ncia do que se passava e disseram-lhe que ele n\u00e3o devia criar dificuldades para sair do pal\u00e1cio a fim de receber as cartas que lhe queriam entregar, pois traziam somente boas not\u00edcias de seu irm\u00e3o. Herodes n\u00e3o prestou f\u00e9 a essas palavras porque j\u00e1 sabia da pris\u00e3o de Fazael, confirmada por Alexandra, filha de Hircano, cuja filha ele devia desposar. Embora os outros zombassem de seus avisos, ela n\u00e3o deixava de os con\u00adsiderar atentamente, porque era uma mulher muito h\u00e1bil.<\/p>\n<p>Os partos, embara\u00e7ados quanto ao que deviam fazer, porque n\u00e3o ousavam atacar abertamente um homem t\u00e3o destemido, deixaram para o dia seguinte a sua determina\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o Herodes, n\u00e3o podendo mais duvidar de sua perf\u00eddia e da pris\u00e3o de seu irm\u00e3o, embora outros afirmassem o contr\u00e1rio, resolveu aprovei\u00adtar para fugir naquela mesma tarde, evitando permanecer em tal risco no meio de seus inimigos. Para realizar essa resolu\u00e7\u00e3o, tomou tudo o que tinha de solda\u00addos, fez subir em carros puxados por cavalos sua m\u00e3e, sua irm\u00e3, sua noiva Mariana, Alexandra, m\u00e3e dela, seu irm\u00e3o, todos os criados e o resto dos servidores. Assim, tomou o caminho para a Idum\u00e9ia sem que os inimigos o soubessem.<\/p>\n<p>Teria sido imposs\u00edvel permanecer insens\u00edvel diante de t\u00e3o triste espet\u00e1culo. Mulheres banhadas em l\u00e1grimas e aflitas pela dor arrastavam os filhos, abandonavam o seu pa\u00eds e deixavam parentes na pris\u00e3o, n\u00e3o podendo esperar tamb\u00e9m para si mesmas uma sorte melhor. Nada, por\u00e9m, p\u00f4de abater a coragem de Herodes. Nessa conting\u00eancia, ele mostrou que o seu valor era maior que a sua infelicidade e durante toda a viagem n\u00e3o deixava de exort\u00e1-los a suportar corajo\u00adsamente a situa\u00e7\u00e3o a que se encontravam reduzidos, sem se deixar dominar pela tristeza ou por queixumes in\u00fateis, que s\u00f3 iriam retardar a fuga, sua \u00fanica espe\u00adran\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o. Mas aconteceu um acidente, e este o tocou de tal modo que pouco faltou para que n\u00e3o se suicidasse: o carro no qual estava a sua m\u00e3e tom\u00adbou, e ela ficou t\u00e3o ferida que se pensava que viesse a morrer.<\/p>\n<p>A grande dor que ele sentiu, unida ao temor de que seus inimigos chegassem de repente, aproveitando o atraso de sua retirada, deixou-o t\u00e3o fora de si que ele puxou a espada, e atravess\u00e1-la-ia no pr\u00f3prio corpo se alguns dos que estavam perto n\u00e3o tivessem impedido aquele gesto. Eles rogaram-lhe que n\u00e3o os abando\u00adnasse ao furor dos inimigos, mostrando que aquela n\u00e3o era uma a\u00e7\u00e3o digna de sua generosidade, isto \u00e9, pensar somente em se esquivar daqueles males, mais tem\u00ed\u00adveis que a pr\u00f3pria morte, sem se incomodar que pessoas que lhe eram t\u00e3o caras ficassem a eles expostas. Assim, em parte pela for\u00e7a e em parte pela vergonha de sucumbir ante a infelicidade, ele desistiu daquele f\u00fanebre des\u00edgnio, mandou medi\u00adcar a m\u00e3e como se poderia fazer naquela conting\u00eancia, e retomaram o caminho para a fortaleza de Massada.<\/p>\n<p>Os partos atacaram-no v\u00e1rias vezes durante o caminho, e ele os venceu em todas as ocasi\u00f5es. At\u00e9 mesmo alguns judeus o atacaram, quando ele ainda n\u00e3o estava afastado de Jerusal\u00e9m mais que uns sessenta est\u00e1dios, mas ele os venceu tamb\u00e9m num grande combate, porque n\u00e3o se defendia como um homem que foge e \u00e9 surpreendido, e sim como um grande general preparado para sustentar um ataque violento. E, quando ele foi elevado ao trono, mandou construir naquele mesmo lugar um soberbo pal\u00e1cio e uma cidade, a que chamou Herodiom.<\/p>\n<p>Quando chegou a Tressa, aldeia da Idum\u00e9ia, Jos\u00e9, seu irm\u00e3o, veio encontr\u00e1-lo, e juntos consideraram sobre o que fazer com o grande n\u00famero de soldados que Herodes trouxera, al\u00e9m dos que estavam sob pagamento, porque a fortaleza de Massada, onde ele queria abrigar-se, n\u00e3o era bastante grande para receb\u00ea-los todos. Resolveu ent\u00e3o mandar embora a maior parte deles, mais ou menos umas nove mil pessoas. Deu-lhes v\u00edveres e disse-lhes que poderiam se estabelecer do melhor modo poss\u00edvel nas diversas regi\u00f5es da Idum\u00e9ia. Ficou com os parentes e mais alguns valentes e peritos. Deixou as mulheres na fortaleza, bem como as pessoas para servi-las, em n\u00famero de oitocentos mais ou menos. Como a forta\u00adleza tinha bastante trigo e \u00e1gua e todas as outras coisas necess\u00e1rias para a sua subsist\u00eancia, ele tranq\u00fcilizou-se. Depois de tomar todas as provid\u00eancias, partiu para Petra, capital da Ar\u00e1bia.<\/p>\n<p>Despontando o dia, os partos saquearam e roubaram tudo o que Herodes havia deixado em Jerusal\u00e9m, at\u00e9 mesmo no pal\u00e1cio. N\u00e3o tocaram, por\u00e9m, em trezentos talentos que pertenciam a Hircano, e uma parte do que pertencia a Herodes tam\u00adb\u00e9m foi salva, com tudo o que a sua previd\u00eancia o fizera mandar para a Idum\u00e9ia. Os b\u00e1rbaros n\u00e3o se contentaram em saquear a cidade, devastaram tamb\u00e9m os campos e destru\u00edram inteiramente Maressa, cidade muito rica. Assim, Ant\u00edgono apoderou-se da Jud\u00e9ia, tomando-lhe o governo por interm\u00e9dio do rei dos partos. Entregaram-lhe tamb\u00e9m Hircano e Fazael como prisioneiros, mas ele ficou muito envergonhado, porque as mulheres que ele prometera dar ao pr\u00edncipe junto com os quinhentos talentos haviam escapado. E, com medo de que o povo restaurasse Hircano no trono, mandou cortar-lhe as orelhas, para torn\u00e1-lo inapto ao sumo sacerd\u00f3cio, porque a Lei pro\u00edbe que se conceda essa honra aos que t\u00eam qualquer defeito f\u00edsico.<\/p>\n<p>N\u00e3o poderemos deixar de admirar a grandeza da coragem de Fazael. Ele n\u00e3o temia tanto a morte, \u00e0 qual sabia estar destinado, quanto a vergonha de receb\u00ea-la das m\u00e3os do inimigo. N\u00e3o podendo matar-se, porque estava acorrentado, quebrou a cabe\u00e7a contra uma pedra. Diz-se que Ant\u00edgono lhe mandou alguns m\u00e9dicos, os quais, em vez de medic\u00e1-lo, envenenaram-lhe as feridas. Antes de morrer, ele teve a consola\u00e7\u00e3o de saber por uma mulher pobre que Herodes estava a salvo e suportou a morte alegremente, acreditando que deixava um irm\u00e3o que a vingaria e que seus inimigos receberiam dele o castigo pela sua perf\u00eddia.<\/p>\n<p>Herodes, cuja coragem n\u00e3o se abatia ante a fortuna adversa, tudo fazia para se p\u00f4r em condi\u00e7\u00f5es de super\u00e1-la. Foi procurar Malco, rei dos \u00e1rabes, que lhe devia grandes favores, para pedir-lhe que demonstrasse reconhecimento em t\u00e3o pungente necessidade e, principalmente, que o ajudasse com dinheiro, quer como donativo, quer como empr\u00e9stimo. Como ainda n\u00e3o sabia da morte do irm\u00e3o, estava resolvido a empregar at\u00e9 trezentos talentos para resgat\u00e1-lo. Havia at\u00e9 mesmo levado consigo, para esse fim, o filho de Fazael, de apenas sete anos de idade, para d\u00e1-lo como ref\u00e9m aos \u00e1rabes. Por\u00e9m, alguns homens enviados por esse pr\u00edncipe vieram ordenar-lhe, da parte dele, que sa\u00edsse de suas terras, porque os partos o haviam proibido de receb\u00ea-lo, dizendo-lhe que os grandes de seu reino tinham dado aquele covarde conselho para dele se isentarem, com o pretexto de entregar a Herodes o dinheiro que Ant\u00edpatro havia confiado em de\u00adp\u00f3sito. Herodes respondeu que n\u00e3o o queria atacar, mas desejava apenas falar-lhe de assuntos importantes.<\/p>\n<p>Depois de pensar, ele julgou que era melhor retirar-se e dirigiu-se para o Egito, t\u00e3o insatisfeito como se pode imaginar algu\u00e9m diante de uma a\u00e7\u00e3o t\u00e3o indigna de um rei. Deteve-se num Templo onde havia deixado v\u00e1rios dos que o acompanhavam, chegando no dia seguinte a Rinosura, e l\u00e1 soube da morte de Fazael. No entanto, o rei dos \u00e1rabes reconheceu o seu erro e, sentido, veio ao seu encal\u00e7o, mas n\u00e3o p\u00f4de alcan\u00e7\u00e1-lo, porque ele caminhava rapidamente, a fim de chegar logo a Pelusa. Alguns marinheiros que iam para Alexandria, por\u00e9m, recusaram-se a receb\u00ea-lo em seu navio, e Herodes dirigiu-se ent\u00e3o aos magistrados, que lhe prestaram grandes honras. A rai\u00adnha Cle\u00f3patra quis ret\u00ea-lo, mas n\u00e3o conseguiu persuadi-lo a ficar, tanto ele estava ansioso para ir a Roma, embora fosse pleno inverno e corresse a not\u00edcia de que as coisas na It\u00e1lia estavam muito dif\u00edceis, com grandes perturba\u00e7\u00f5es e motins.<\/p>\n<p>Assim, ele embarcou para a Panf\u00edlia, mas foram acossados por uma violenta tempestade, que os obrigou a lan\u00e7ar ao mar muitas das coisas que estavam no navio. Chegou por fim a Rodes. L\u00e1 encontrou dois amigos, Sapinas e Ptolomeu. Ficou t\u00e3o comovido ao ver a cidade destru\u00edda pela guerra contra C\u00e1ssio que nem a necessidade em que se encontrava o impediu de fazer-lhe grandes benef\u00edcios, muito acima de suas posses. Ali equipou uma galera, embarcou com os seus amigos, chegou a Brindisi e de l\u00e1 foi para Roma, onde primeiramente se dirigiu a Ant\u00f4nio. Contou-lhe tudo o que havia acontecido na Jud\u00e9ia: que seu irm\u00e3o Fazael fora aprisionado e morto pelos partos; que eles ainda retinham Hircano prisioneiro; que haviam constitu\u00eddo Ant\u00edgono rei porque ele lhes prometera mil talentos e quinhentas mulheres, as quais escolheu dentre as pessoas de maior destaque, particularmente da fam\u00edlia dele, de Herodes; que para salv\u00e1-las de suas m\u00e3os ele as levara \u00e0 noite, com muita dificuldade, deixando-as em grand\u00edssimo perigo; e que por fim enfrentara os risco do mar em pleno inverno para vir procur\u00e1-lo, como sendo o seu ref\u00fagio e o \u00fanico de quem esperava algum aux\u00edlio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Logo que Barzafarn\u00e9s partiu, prenderam Hircano e Fazael, que nada mais p\u00f4de fazer sen\u00e3o execrar tal perf\u00eddia. 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