{"id":405,"date":"2015-04-03T01:18:55","date_gmt":"2015-04-03T01:18:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=405"},"modified":"2015-04-03T01:18:55","modified_gmt":"2015-04-03T01:18:55","slug":"capitulo-17-antipatro-conquista-grande-prestigio-por-sua-virtude-fazael-seu-filho-mais-velho-efeito-governador-de-ferusalem-e-herodes-manda-matar-varios-ladroes-condenados-a-morte-inveja-de-alg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-17-antipatro-conquista-grande-prestigio-por-sua-virtude-fazael-seu-filho-mais-velho-efeito-governador-de-ferusalem-e-herodes-manda-matar-varios-ladroes-condenados-a-morte-inveja-de-alg\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 17 &#8211; Ant\u00edpatro conquista grande prest\u00edgio por sua virtude. Fazael, seu filho mais velho, efeito governador de ferusal\u00e9m, e Herodes manda matar v\u00e1rios ladr\u00f5es condenados \u00e0 morte. Inveja de alguns grandes contra Ant\u00edpatro e seus filhos. Eles obrigam Hircano a processar Herodes por causa daqueles homens que mandara matar. Herodes comparece perante o tribunal e depois retira-se. Vem sitiar Jerusal\u00e9m e a teria tomado se Ant\u00edpatro e Fazael n\u00e3o o tivessem feito desistir. Hircano renova a alian\u00e7a com os romanos. Demonstra\u00e7\u00f5es de estima e de afeto dos romanos por Hircano e pelos judeus. C\u00e9sar \u00e9 morto no Capit\u00f3lio por C\u00e1ssio e Bruto."},"content":{"rendered":"<p>A incapacidade e a indol\u00eancia de Hircano deram a Ant\u00edpatro motivo para lan\u00e7ar as bases da grandeza em que a sua fam\u00edlia mais tarde se viu eleva\u00adda. Ele constituiu Fazael, seu filho mais velho, governador de Jerusal\u00e9m e de toda a prov\u00edncia. Herodes, o segundo filho, foi feito governador da Galil\u00e9ia. Este, embora n\u00e3o tivesse ainda quinze anos, era t\u00e3o inteligente e corajoso que bem depressa mostrou uma virtude superior \u00e0 idade. De uma feita, prendeu Ezequias, chefe de uns ladr\u00f5es que assaltavam todo o pa\u00eds e mandou mat\u00e1-lo, havendo-o condenado \u00e0 morte com todos os seus companheiros. Esse ato t\u00e3o \u00fatil \u00e0 prov\u00edncia suscitou-lhe tanto afeto entre os s\u00edrios que estes proclamavam em todas as cidades e nos campos que lhes eram devedores da tranq\u00fcilidade e da posse pac\u00edfica de seus bens.<\/p>\n<p>Obteve ainda outra vantagem: travou conhecimento com Sexto C\u00e9sar, governa\u00addor da S\u00edria e parente do grande C\u00e9sar. Essa estima produziu grande emula\u00e7\u00e3o em Fazael, que, n\u00e3o querendo ser inferior ao irm\u00e3o em m\u00e9rito e em virtude, n\u00e3o media esfor\u00e7os para conquistar o afeto do povo de Jerusal\u00e9m. Ele desempenhava em pes\u00adsoa os cargos p\u00fablicos e com tanta justi\u00e7a e de maneira t\u00e3o agrad\u00e1vel que ningu\u00e9m tinha motivo de queixa nem podia acus\u00e1-lo de abuso de poder. Como a gl\u00f3ria dos filhos vem recair sobre o pai, a nossa na\u00e7\u00e3o concebeu tanto amor por Ant\u00edpatro que lhe prestava as mesmas honras, como se ele fosse rei. T\u00e3o s\u00e1bio ministro, em vez de se deixar dominar pelo brilho de t\u00e3o grande prosperidade, como a maior parte dos homens, conservou sempre o mesmo afeto e a mesma fidelidade para com Hircano.<\/p>\n<p>Mas os grandes dos judeus, vendo-o elevado \u2014 com os seus filhos \u2014 a t\u00e3o grande autoridade, t\u00e3o amado pelo povo e t\u00e3o rico com o que recebia das rendas da Jud\u00e9ia e das gratifica\u00e7\u00f5es de Hircano, deixaram-se dominar por uma extrema inveja, que aumentou quando souberam que ele havia conquistado tamb\u00e9m o afeto dos imperadores. Diziam que ele persuadira Hircano a enviar-lhes uma grande soma de dinheiro e, em lugar de apresent\u00e1-la em nome do rei, oferecera-a em seu pr\u00f3prio nome. Disseram o mesmo de Hircano, mas ele riu-se disso. O que os aborrecia acima de tudo era que Herodes lhes parecia t\u00e3o violento e ousado que n\u00e3o duvidavam de que ele aspirava a um governo tir\u00e2nico.<\/p>\n<p>Resolveram ent\u00e3o procurar Hircano para acusar abertamente Ant\u00edpatro e lhe falaram deste modo: &#8220;At\u00e9 quandoVossa Majestade permitir\u00e1 o que acontece de\u00adbaixo dos vossos olhos? N\u00e3o vedes que Ant\u00edpatro e seus filhos desfrutam todas as honras da soberania e deixam-vos somente o nome de rei? N\u00e3o vos importa ent\u00e3o saber disso? N\u00e3o vos importa dar a tudo um rem\u00e9dio? Julgais estar em seguran\u00e7a descuidando-vos da salva\u00e7\u00e3o do Estado e de vossa pr\u00f3pria vida? Esses indiv\u00edduos n\u00e3o agem mais por vossa ordem nem como vossos dependentes. Se\u00adria bajular a si mesmo acreditar neles, mas eles agem abertamente como sobera\u00adnos. QuerVossa Majestade prova melhor do que ver que, embora as nossas leis pro\u00edbam mandar matar um homem, por mais perverso que seja, antes de ele ser condenado juridicamente, Herodes n\u00e3o teve receio de violar essas leis, mandan\u00addo matar Ezequias e seus companheiros sem mesmo vos pedir licen\u00e7a para isso?&#8221;<\/p>\n<p>Essas palavras persuadiram Hircano. As m\u00e3es daqueles que Herodes con\u00addenara \u00e0 morte aumentaram ainda a sua c\u00f3lera, pois n\u00e3o se passava um dia sem que elas fossem ao Templo rogar a ele e a todo o povo que obrigasse Herodes a se justificar perante os judeus por uma a\u00e7\u00e3o t\u00e3o criminosa. Assim, ele intimou-o a comparecer perante o tribunal. Logo que Herodes recebeu a notifica\u00e7\u00e3o, p\u00f4s em ordem as coisas da Galil\u00e9ia e partiu para Jerusal\u00e9m. Mas, em vez de levar uma comitiva particular, se fez acompanhar, a conselho de seu pai, por tantas pessoas quantas julgou necess\u00e1rias, para n\u00e3o despertar suspeitas a Hircano e estar ao mesmo tempo em condi\u00e7\u00f5es de se defender, caso o atacassem.<\/p>\n<p>Sexto C\u00e9sar, governador da S\u00edria, n\u00e3o se contentou em escrever a Hircano em favor de Herodes, mas ordenou que ele fosse absolvido, empregando at\u00e9 mesmo amea\u00e7as, para o caso de n\u00e3o ser atendido. T\u00e3o forte recomenda\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o era necess\u00e1ria, pois Hircano amava Herodes como se fosse seu filho. Quando ele compareceu diante dos juizes com os que o acompanhavam, os seus acusadores ficaram t\u00e3o at\u00f4nitos que nem um sequer ousou abrir a boca e sustentar o que haviam dito contra ele na sua aus\u00eancia.<\/p>\n<p>Sam\u00e9ias, ent\u00e3o, que era homem de grande virtude e n\u00e3o tinha receio de se expressar com toda a liberdade, levantou-se e falou, dirigindo-se a Hircano e aos juizes: &#8220;Majestade e v\u00f3s, senhores, que aqui estais reunidos para julgar este acusado: quem j\u00e1 viu um homem obrigado a se justificar apresentar-se desta maneira? Creio que se teria dificuldade em citar exemplo semelhante. Todos os que at\u00e9 aqui compareceram a esta assembl\u00e9ia vieram com humildade e temor, vestidos de preto e com os cabelos em desalinho, em atitude de mover \u00e0 compaix\u00e3o. Este, ao contr\u00e1rio, acusado de haver cometido v\u00e1rios assass\u00ednios, quer evitar o castigo e comparece diante de n\u00f3s vestido de p\u00farpura, com os cabelos bem penteados e acompanhado por uma tropa de homens armados, a fim de que, se o condenarmos, segundo as leis, ele zombe delas e estrangule a todos n\u00f3s tamb\u00e9m. N\u00e3o o censuro, por\u00e9m, de agir assim, pois se trata de salvar a pr\u00f3pria vida, que lhe \u00e9 mais cara que a observ\u00e2ncia de nossas leis, mas censuro a todos v\u00f3s por toler\u00e1-lo, e particularmente ao rei&#8221;. E, voltando-se para os juizes, acrescentou: &#8220;Mas v\u00f3s sabeis, senhores, que Deus n\u00e3o \u00e9 menos justo que poderoso, e assim, Ele permitir\u00e1 que este mesmo Herodes, que quereis absolver para agradar a Hircano, nos\u00adso rei, vos castigue por isso um dia e castigar\u00e1 tamb\u00e9m a ele&#8221;.<\/p>\n<p>Essas palavras foram uma profecia, que mais tarde se verificou: Herodes, tendo sido constitu\u00eddo rei, mandou matar todos aqueles juizes, exceto Sam\u00e9ias, a quem sempre tratou com grande honra, tanto por sua virtude quanto porque, quando junto com S\u00f3sio sitiou Jerusal\u00e9m, ele exortou o povo a receb\u00ea-lo, dizen\u00addo que faltas passadas n\u00e3o deveriam impedir que se submetessem a Herodes, como diremos mais particularmente a seu tempo. Mas, voltando ao nosso assun\u00adto, Hircano, vendo que o sentimento dos juizes tendia a condenar Herodes, adiou o julgamento para o dia seguinte e mandou dizer-lhe secretamente que escapas\u00adse. Assim, com o pretexto de temer Hircano, ele retirou-se para Damasco e, quando se viu em seguran\u00e7a junto de Sexto C\u00e9sar, declarou em voz alta que, se o citassem uma segunda vez, estava resolvido a n\u00e3o comparecer.<\/p>\n<p>Os juizes, irritados com essa declara\u00e7\u00e3o, esfor\u00e7aram-se por demonstrar a Hircano que o prop\u00f3sito de Herodes era destru\u00ed-lo, o rei n\u00e3o podia mais ignor\u00e1-lo. Mas ele era t\u00e3o covarde e est\u00fapido que n\u00e3o sabia que delibera\u00e7\u00e3o tomar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto isso, Herodes obteve de Sexto C\u00e9sar, por meio de uma soma de di\u00adnheiro, a nomea\u00e7\u00e3o para governador da Baixa S\u00edria, e ent\u00e3o Hircano come\u00e7ou a temer que Herodes tomasse as armas contra ele. Seu temor n\u00e3o foi em v\u00e3o. Herodes, para vingar-se por o haverem citado em ju\u00edzo, p\u00f4s-se em campo com um ex\u00e9rcito, a fim de tomar Jerusal\u00e9m. E nada o impediria, n\u00e3o fossem os rogos de Ant\u00edpatro, seu pai, e de Fazael, seu irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Eles foram procur\u00e1-lo e lhe fizeram ver que j\u00e1 era suficiente fazer tremer os inimigos; que ele n\u00e3o devia tratar como inimigos os que n\u00e3o o haviam ofendido; que n\u00e3o poderia, sem ingratid\u00e3o, tomar as armas contra Hircano, a quem devia a sua eleva\u00e7\u00e3o e a sua grandeza; que n\u00e3o se devia lembrar de ter sido chamado a ju\u00edzo, e sim de n\u00e3o ter sido condenado; que a prud\u00eancia o obrigava a considerar que os eventos da guerra s\u00e3o duvidosos, pois somente Deus tinha a vit\u00f3ria nas m\u00e3os, para d\u00e1-la como lhe aprouvesse; e que ele n\u00e3o tinha motivos para esperar obt\u00ea-la combatendo contra o seu rei e benfeitor, que jamais lhe fizera mal algum, pois s\u00f3 fora levado \u00e0quele ato pelos maus conselhos que recebera. Herodes, persuadido por essas raz\u00f5es, contentou-se em haver mostrado a toda a na\u00e7\u00e3o at\u00e9 onde chegava o seu poder e adiou a execu\u00e7\u00e3o de seus grandes des\u00edgnios e o gozo do efeito de suas esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>As coisas na Jud\u00e9ia chegaram a esse estado. C\u00e9sar, que tinha voltado a Roma, preparou-se para passar \u00e0 \u00c1frica, a fim de combater Cipi\u00e3o e Cat\u00e3o. Hircano enviou-lhe embaixadores para rogar que renovasse a alian\u00e7a. Creio dever relatar, a esse respeito, as honras que a nossa na\u00e7\u00e3o recebeu dos imperadores romanos e os tratados de alian\u00e7a feitos entre eles, a fim de que todos saibam da estima e do afeto que os soberanos da \u00c1sia e da Europa tiveram por n\u00f3s em raz\u00e3o de nosso valor e de nossa fidelidade.<\/p>\n<p>Os historiadores persas e maced\u00f4nios escreveram muitas coisas que nos s\u00e3o muito honrosas \u2014 n\u00e3o somos os \u00fanicos a ter a pr\u00f3pria hist\u00f3ria: outros povos tamb\u00e9m as possuem. Por\u00e9m, como a maior parte daqueles que nos odeiam recusam-se a prestar-lhes f\u00e9, com o pretexto de que ningu\u00e9m a conhece, pelo menos n\u00e3o poder\u00e3o contradizer os documentos emanados dos romanos, publicados em todas as cidades e gravados em t\u00e1buas de cobre postas no Capit\u00f3lio. J\u00falio C\u00e9sar quis tamb\u00e9m, pela inscri\u00e7\u00e3o que mandou colocar sobre uma coluna de bronze, em Alexandria, dar testemunho do direito de burguesia que t\u00eam os judeus nessa poderosa cidade. E acrescentarei a essas provas determina\u00e7\u00f5es dos imperadores e decretos do senado concernentes a Hircano e a toda a nossa na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Caio J\u00falio C\u00e9sar, imperador, sumo sacerdote e ditador, pela segunda vez, aos governadores, ao senado e ao povo de Sidom, sauda\u00e7\u00e3o. Mandamo-vos a c\u00f3pia da carta que escrevemos a Hircano, filho de Alexandre, pr\u00edncipe e sumo sacerdo\u00adte dos judeus, a fim de que a fa\u00e7ais traduzir para o grego e para o latim nos vossos arquivos&#8221;. Eis o que dizia essa carta:<\/p>\n<p>&#8220;J\u00falio C\u00e9sar, imperador, ditador pela segunda vez e sumo sacerdote. Depois de reunidos em conselho, determinamos o que se segue. Como Hircano, filho de Ale\u00adxandre, judeu de nascimento, sempre nos deu provas de seu afeto, tanto na paz como na guerra, como v\u00e1rios generais do ex\u00e9rcito no-lo demonstraram, e por ter na \u00faltima guerra de Alexandria levado por nossa ordem a Mitridates mil e quinhentos soldados, n\u00e3o sendo em valor inferior aos outros, queremos que ele e os seus des\u00adcendentes sejam perpetuamente pr\u00edncipes e sumos sacerdotes dos judeus para exer\u00adcer esses cargos segundo as leis e os costumes de seu pa\u00eds, como tamb\u00e9m que sejam nossos aliados e amigos, e que desfrutem todos os direitos e privil\u00e9gios que perten\u00adcem ao sumo sacerd\u00f3cio. E, se alguma diverg\u00eancia surgir com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 disciplina que se deve observar entre os de sua na\u00e7\u00e3o, seja ele o juiz e n\u00e3o seja obrigado a dar quart\u00e9is de inverno aos soldados nem a pagar qualquer tributo&#8221;.<\/p>\n<p>[Seguem-se outras cartas.]<\/p>\n<p>&#8220;Caio C\u00e9sar, c\u00f4nsul, ordena que o principado dos judeus fique para os filhos de Hircano, com o usufruto das terras que eles possuem e que ele seja sempre pr\u00edncipe e sumo sacerdote de sua na\u00e7\u00e3o e administre a justi\u00e7a. Queremos tamb\u00e9m que lhes sejam enviados embaixadores para firmar amizade e alian\u00e7a e que sejam colocadas no Capit\u00f3lio e nos Templos de Tiro, de Sidom e de Asquelom t\u00e1buas de cobre, onde todas essas coisas dever\u00e3o ser gravadas em caracteres romanos e gregos, e que esse ato seja comunicado a todos os magistrados de todas as cidades, a fim de que todos saibam que consideramos os judeus nossos amigos e desejamos que os seus embaixadores sejam bem recebidos. A presente ata ser\u00e1 mandada a toda parte&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Caio C\u00e9sar, imperador, ditador e c\u00f4nsul. Determinamos, quer por motivo de honra, de virtude e de amizade, quer para o bem e benef\u00edcio do senado e do povo romano, que Hircano, filho de Alexandre e seus filhos sejam sumos sacer\u00addotes de Jerusal\u00e9m e da na\u00e7\u00e3o do judeus, usufruindo esse cargo com os mesmos direitos e privil\u00e9gios de que desfrutaram os seus predecessores&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Caio C\u00e9sar, c\u00f4nsul pela quinta vez. Ordenamos que seja fortificada a cidade de Jerusal\u00e9m; que Hircano, filho de Alexandre, sumo sacerdote e pr\u00edncipe dos judeus, governe segundo o que julgar mais conveniente; que coisa alguma se diminuir\u00e1 aos judeus no segundo ano da renda de seus tributos; e que eles n\u00e3o ser\u00e3o inquietados e ficar\u00e3o isentos dos impostos&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Caio C\u00e9sar, imperador pela segunda vez. Ordenamos que os habitantes de Jerusal\u00e9m paguem todos os anos um tributo, do qual a cidade de Jope estar\u00e1 isenta, mas que no s\u00e9timo ano, a que eles chamam ano do s\u00e1bado, nada pagar\u00e3o, porque nesses anos eles n\u00e3o semeiam nem cultivam a terra, nem recolhem os frutos das \u00e1rvores; que pagar\u00e3o de dois em dois anos, em Sidom, o tributo que consiste em um quarto das sementes e os d\u00edzimos a Hircano e seus filhos, como pagaram os seus predecessores. Determinamos tamb\u00e9m que nenhum governador, comandante de tropas ou embaixador poder\u00e1 recrutar soldados ou fazer imposi\u00e7\u00e3o alguma nas ter\u00adras dos judeus, quer quanto aos quart\u00e9is de inverno, quer por qualquer outro pretex\u00adto, mas que eles sejam isentos de todas as coisas e desfrutem pacificamente tudo o que conquistaram ou compraram. Queremos ainda que a cidade de Jope, que eles possu\u00edam ao fazer alian\u00e7a com o povo romano lhes perten\u00e7a, e que Hircano e seus filhos usufruam os rendimentos que dela provierem, tanto do que lhes pagam os lavradores quanto do direito de ancoragem ou da alf\u00e2ndega das mercadorias que se transportam a Sidom, que perfazem a cada ano vinte mil e seiscentos e setenta e cinco medidas, exceto no s\u00e9timo ano, a que os judeus chamam ano de descanso, no qual eles n\u00e3o cultivam nem colhem os frutos das \u00e1rvores. Quanto \u00e0s cidades que Hircano e seus predecessores possu\u00edam no Grande Campo, apraz ao senado que Hircano e os judeus delas desfrutem da mesma maneira que antes. Ele quer tamb\u00e9m que as conven\u00e7\u00f5es feitas em todos os tempos entre os judeus e os sacerdotes sejam observadas e que eles usufruam todos os favores que lhes foram concedidos pelo senado e pelo povo romano, o que ter\u00e1 lugar mesmo com rela\u00e7\u00e3o a Lida. Quanto \u00e0s terras e outras coisas que os romanos haviam cedido aos reis da S\u00edria e da Fen\u00edcia por causa da alian\u00e7a que havia entre eles, o senador ordena que Hircano, pr\u00edncipe dos judeus delas tamb\u00e9m desfrute e que, como ele, os seus filhos e os embaixadores tenham o direito de sentar-se com os senadores para assistir aos combates de gladiadores e outros espet\u00e1culos p\u00fablicos. E ainda, quando tiverem alguma coisa que pedir ao senado, o ditador ou o coronel da cavalaria os introduzir\u00e1 e lhes far\u00e1 saber dentro de dez dias a resposta que se lhes tiver de dar&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Caio C\u00e9sar, imperador, ditador pela quarta vez, c\u00f4nsul pela quinta vez e declarado ditador perp\u00e9tuo, falou deste modo quanto aos direitos que pertencem a Hircano, filho de Alexandre, sumo sacerdote e pr\u00edncipe dos judeus: Os que antes governaram as nossas prov\u00edncias, tendo prestado valiosos testemunhos a Hircano, sumo sacerdote dos judeus e aos de sua na\u00e7\u00e3o, de que o senado e o povo romano testemunharam o seu contentamento, \u00e9 bem razo\u00e1vel que disso conservemos a mem\u00f3ria e procuremos que o senado e o povo romano continuem a manifestar a Hircano, aos seus filhos e a toda a na\u00e7\u00e3o dos judeus todo o seu afeto&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Caio J\u00falio, ditador e c\u00f4nsul, aos magistrados, ao conselho e ao povo dos parianianos, sauda\u00e7\u00e3o. Os judeus vieram de diversos lugares procurar-nos em Delos e nos fizeram queixas, na presen\u00e7a de vossos embaixadores, da proibi\u00e7\u00e3o que lhes haveis feito de viver segundo as suas leis e de fazer sacrif\u00edcios. Isso \u00e9 exercer contra amigos e aliados nossos um rigor que n\u00e3o podemos permitir, n\u00e3o sendo justo obrig\u00e1-los no que se refere \u00e0 sua disciplina e impedir-lhes de entregar o seu dinhei\u00adro, segundo o costume de sua na\u00e7\u00e3o, em festins p\u00fablicos e em sacrif\u00edcios, pois isso lhes \u00e9 permitido na pr\u00f3pria cidade de Roma. E, pelo mesmo edito com que Caio C\u00e9sar, c\u00f4nsul, proibiu as assembl\u00e9ias p\u00fablicas nas cidades, ele excetuou os judeus. Assim, embora proibamos essas assembl\u00e9ias, como ele o fez, permitimos aos ju\u00addeus continuar as suas, como eles fazem e fizeram em todos os tempos. Assim, se ordenastes alguma coisa que fere os nossos amigos e aliados, \u00e9 bem razo\u00e1vel que a revogueis em considera\u00e7\u00e3o \u00e0 sua virtude e afei\u00e7\u00e3o por n\u00f3s&#8221;.<\/p>\n<p>Depois da morte de C\u00e9sar, Ant\u00f4nio e Dolabela, que ent\u00e3o eram c\u00f4nsules, reuniram o senado, fizeram l\u00e1 entrar os embaixadores dos judeus e apresentaram o que eles pediam. Foi-lhes concedido tudo, e renovou-se por um decreto o tratado de confede\u00adra\u00e7\u00e3o e de alian\u00e7a. O pr\u00f3prio Dolabela, tendo recebido cartas de Hircano, escreveu tamb\u00e9m para toda a \u00c1sia, particularmente \u00e0 cidade de \u00c9feso, que era a principal.<\/p>\n<p>Eis o que dizia a carta: &#8220;O imperador* Dolabela, aos magistrados, ao conselho e ao povo de \u00c9feso, sauda\u00e7\u00e3o. Alexandre, filho de Teodoro, embaixador de Hircano, sumo sacerdote, pr\u00edncipe dos judeus, nos disse que os de sua na\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem presentemente ir \u00e0 guerra porque nos dias de s\u00e1bado as leis de seu pa\u00eds lhes pro\u00ed\u00adbem usar armas, empreender viagem e at\u00e9 mesmo cuidar do alimento. Eis por que, tencionando agir do mesmo modo como agiram os nossos predecessores, em cuja dignidade estamos, n\u00f3s os isentamos de ir \u00e0 guerra e permitimo-lhes viver segundo as suas leis e reunir-se como est\u00e3o habituados a fazer, segundo a sua religi\u00e3o o determina, a fim de se entregarem \u00e0s coisas santas e oferecerem sacrif\u00ed\u00adcios. Entendemos que o comuniqueis a todas as cidades de vossa prov\u00edncia&#8221;.<\/p>\n<p>_____________________<\/p>\n<p>* A palavra &#8220;imperador&#8221; era ent\u00e3o um t\u00edtulo de honra que se dava aos generais que houvessem obtido alguma importante vit\u00f3ria sobre os inimigos.<\/p>\n<p>O c\u00f4nsul L\u00facio L\u00eantulo disse, opinando no senado, que os judeus eram cida\u00add\u00e3os romanos e viviam em \u00c9feso segundo as leis que a religi\u00e3o deles prescrevia e que l\u00e1 anunciara, do alto de seu tribunal, a dezoito de setembro, que eles esta\u00advam isentos de ir \u00e0 guerra.<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios decretos do senado e atos dos imperadores romanos em favor de Hircano e de nossa na\u00e7\u00e3o e cartas escritas \u00e0s cidades e aos governadores das prov\u00edncias relacionadas aos nossos privil\u00e9gios. Os que os lerem sem preven\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter\u00e3o dificuldade em lhes prestar f\u00e9. Assim, tendo mostrado com provas t\u00e3o claras e t\u00e3o constantes a nossa amizade com o povo romano, e sendo que as colunas e as t\u00e1buas de cobre que ainda hoje se v\u00eaem no Capit\u00f3lio s\u00e3o e ser\u00e3o sempre sinais indubit\u00e1veis disso, creio que nenhuma pessoa sensata delas ainda queira duvidar. Ao contr\u00e1rio, estou certo de que se julgar\u00e1, pelo que acabo de dizer, da verdade das outras provas que eu ainda poderia trazer, mas que suprimo como sup\u00e9rfluas, para n\u00e3o aborrecer o leitor.<\/p>\n<p>Sobreveio nesse mesmo tempo, pelo motivo que vou dizer, uma grande agita\u00e7\u00e3o na S\u00edria. Basso, que era do partido de Pompeu, mandou matar Sexto C\u00e9sar \u00e0 trai\u00e7\u00e3o e apoderou-se da prov\u00edncia com tropas que comandava. Os do partido de C\u00e9sar imediatamente marcharam contra Basso, com todas as suas for\u00e7as. Os arredores de Apam\u00e9ia foram teatro dessa guerra. Antipatro, para mostrar a sua gratid\u00e3o pelos favores que devia a C\u00e9sar e vingar a morte deste, prestou-lhes socorro, sob o comando de seu filho. Como essa guerra se prolongava, Marcos foi enviado para substituir Sexto. C\u00e9sar foi morto no senado por C\u00e1ssio, por Bruto e por outros conjurados ap\u00f3s reinar tr\u00eas anos e meio, como se poder\u00e1 ver mais particularmente em outras hist\u00f3rias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A incapacidade e a indol\u00eancia de Hircano deram a Ant\u00edpatro motivo para lan\u00e7ar as bases da grandeza em que a sua fam\u00edlia mais tarde se viu eleva\u00adda. Ele constituiu Fazael, seu filho mais velho, governador de Jerusal\u00e9m e de toda a prov\u00edncia. Herodes, o segundo filho, foi feito governador da Galil\u00e9ia. Este, embora n\u00e3o tivesse&#8230; <a href=\"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-17-antipatro-conquista-grande-prestigio-por-sua-virtude-fazael-seu-filho-mais-velho-efeito-governador-de-ferusalem-e-herodes-manda-matar-varios-ladroes-condenados-a-morte-inveja-de-alg\/\">ler mais &raquo;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[127,173,175,225,441,475,492,505,537,633,649,670,839,896,1016,1180,1289,1306,1319,1339,1340,1468,1476,1477,1516,1520,1526,1642,1693,1727,1753,1849,1859,1901,1971,1972,2061,2199,2344,2371,2564,2632,2679,2847,2959,3005,3017,3075,3118,3174],"class_list":["post-405","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livro-decimo-quarto","tag-afeto","tag-alguns","tag-alianca","tag-antipatro","tag-bruto","tag-capitolio","tag-cassio","tag-causa","tag-cesar","tag-comparece","tag-condenados","tag-conquista","tag-demonstracoes","tag-desistir","tag-efeito","tag-estima","tag-fazael","tag-feito","tag-ferusalem","tag-filho","tag-filhos","tag-governador","tag-grande","tag-grandes","tag-herodes","tag-hircano","tag-homens","tag-inveja","tag-jerusalem","tag-judeus","tag-ladroes","tag-manda","tag-mandara","tag-matar","tag-morte","tag-morto","tag-obrigam","tag-perante","tag-prestigio","tag-processar","tag-renova","tag-retirase","tag-romanos","tag-sitiar","tag-teria","tag-tivessem","tag-tomado","tag-tribunal","tag-velho","tag-virtude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/405","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=405"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/405\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=405"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}