{"id":371,"date":"2015-04-03T01:09:15","date_gmt":"2015-04-03T01:09:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.umsocorpo.com.br\/site\/historia-dos-hebreus\/?p=371"},"modified":"2015-04-03T01:09:15","modified_gmt":"2015-04-03T01:09:15","slug":"capitulo-24-o-rei-alexandre-deixa-dois-filhos-hircano-que-foi-sumo-sacerdote-e-aristobulo-a-rainha-alexandra-sua-mae-conquista-o-povo-por-meio-dos-fariseus-dando-lhes-grande-autoridade-faz-m","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/umsocorpo.com.br\/historia-dos-hebreus\/capitulo-24-o-rei-alexandre-deixa-dois-filhos-hircano-que-foi-sumo-sacerdote-e-aristobulo-a-rainha-alexandra-sua-mae-conquista-o-povo-por-meio-dos-fariseus-dando-lhes-grande-autoridade-faz-m\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 24 &#8211; O rei Alexandre deixa dois filhos: Hircano, que foi sumo sacerdote, e Arist\u00f3bulo. A rainha Alexandra, sua m\u00e3e, conquista o povo por meio dos fariseus, dando-lhes grande autoridade. Faz morrer, a conselho deles, os mais fi\u00e9is servidores do rei seu marido e d\u00e1 aos outros, para acalm\u00e1-los, a guarda das pra\u00e7as mais fortes. Incurs\u00e3o de Tigrano, rei da Arm\u00eania, na S\u00edria. Arist\u00f3bulo quer fazer-se rei. Morte da rainha Alexandra."},"content":{"rendered":"<p>A rainha Alexandra, depois de se apoderar da fortaleza de Ragaba e de voltar a Jerusal\u00e9m, falou aos fariseus como lhe dissera o rei seu marido, declaran-do-lhes que nada queria fazer sem a opini\u00e3o deles, com rela\u00e7\u00e3o ao seu corpo e ao governo do reino. Assim, eles mudaram em afeto por ela o \u00f3dio que concebi\u00adam por ambos e falaram ao povo dos grandes feitos do soberano, dizendo que haviam perdido um \u00f3timo rei. Instigaram em seu Esp\u00edrito tal tristeza pela sua morte que lhe fizeram funerais como a nenhum outro soberano.<\/p>\n<p>Esse pr\u00edncipe deixou dois filhos, Hircano e Arist\u00f3bulo, e determinou em seu testamento que a rainha sua esposa seria a regente. Hircano, o mais velho, era pouco capaz de governar e s\u00f3 cuidava em viver na ociosidade. Arist\u00f3bulo, ao contr\u00e1rio, tinha muita intelig\u00eancia, era ousado e empreendedor. A rainha, que havia conquistado o cora\u00e7\u00e3o do povo, pois sempre demonstrara tristeza pelas faltas do rei seu marido, criou Hircano para sumo sacerdote, n\u00e3o tanto por ele ser o mais velho quanto por sua incapacidade. Ela deixava os fariseus disporem de tudo e at\u00e9 ordenava ao povo que lhes obedecesse, porque, se Hircano, seu so\u00adgro, abolira algo de suas tradi\u00e7\u00f5es, ela queria que fossem restauradas. Assim, tinha ela de rainha apenas o nome, e os fariseus desfrutavam todo o poder que lhes dava a realeza: faziam voltar os exilados, libertavam prisioneiros e em nada se diferenciavam dos soberanos.<\/p>\n<p>Havia somente algumas coisas de que a princesa dispunha. Mantinha ela um grande n\u00famero de tropas estrangeiras e parecia muito poderosa, para cau\u00adsar temor aos pr\u00edncipes vizinhos. Obrigou-os at\u00e9 mesmo a lhe mandarem re\u00adf\u00e9ns. Assim, reinava pacificamente, mas os fariseus perturbavam a tranq\u00fcilidade, insistindo em que ela mandasse matar os que haviam aconselhado o rei seu marido a crucificar aqueles oitocentos homens de que falamos h\u00e1 pouco. Co\u00adme\u00e7aram por Di\u00f3genes e continuaram pelos outros, fazendo-os morrer, at\u00e9 que alguns dentre os mais ilustres vieram procurar a rainha em seu pal\u00e1cio, tendo \u00e0 frente Arist\u00f3bulo, que demonstrava, pela sua atitude, n\u00e3o aprovar o que estava acontecendo e que se tivesse oportunidade diria \u00e0 rainha sua m\u00e3e que ela n\u00e3o devia abusar assim do poder.<\/p>\n<p>Apresentaram-se \u00e0 princesa falando dos assinalados benef\u00edcios que haviam prestado ao falecido rei seu marido e dos favores com que ele os honrara, como recompensa pelo seu valor e por sua fidelidade. Pediam-lhe que n\u00e3o permitisse, depois de correrem tantos riscos na guerra, que os seus inimigos os fizessem morrer em plena paz, como v\u00edtimas, sem receber por isso o devido castigo. Acrescentaram que, se aqueles injustos perseguidores se contentassem com o sangue que j\u00e1 haviam derramado, o respeito deles pela autoridade real, sob cujo nome se acobertavam, os faria suportar com paci\u00eancia o que haviam sofrido at\u00e9 ent\u00e3o. Mas se eles quisessem continuar a exercer t\u00e3o horr\u00edvel cruel\u00addade, suplicavam ent\u00e3o, se ela julgasse bem, que eles pudessem procurar se\u00adguran\u00e7a fora de seus estados, porque n\u00e3o o queriam fazer sem licen\u00e7a dela. Ou, se ela lhes recusasse t\u00e3o justo pedido, eles preferiam que ela os massacras\u00adse ali no pal\u00e1cio, pois nada poderia ser mais vergonhoso que permitir serem eles tratados daquele modo por inimigos jurados do rei seu marido, dando a Aretas, rei dos \u00e1rabes, e aos outros pr\u00edncipes o prazer de verem como ela se privava de tantos homens valorosos, cujo nome somente fazia tremer. Por fim, eles conclu\u00edram, se ela lhes recusasse essa gra\u00e7a e resolvesse abandon\u00e1-los \u00e0 paix\u00e3o dos fariseus, que ao menos os espalhasse pelas fortalezas, para l\u00e1 termi\u00adnarem miseravelmente a vida, pois a sorte perseguia cruelmente os servidores de Alexandre.<\/p>\n<p>Depois dessas palavras e de outras semelhantes, eles invocaram os manes do rei seu senhor, como para induzi-los a ter compaix\u00e3o daqueles que j\u00e1 havi\u00adam sido mortos e dos que corriam ainda o mesmo risco. Os presentes ficaram todos comovidos e n\u00e3o puderam reter as l\u00e1grimas. Arist\u00f3bulo manifestou mais que todos os outros os seus sentimentos, pelas censuras que fez \u00e0 rainha sua m\u00e3e. Mas disse tamb\u00e9m que eles deviam recriminar a si mesmos pela sua infe\u00adlicidade, pois eles pr\u00f3prios a causaram ao escolher uma mulher t\u00e3o ambiciosa para entregar o reino, como se o falecido rei n\u00e3o tivesse deixado filhos var\u00f5es para substitu\u00ed-lo.<\/p>\n<p>A princesa ficou bastante embara\u00e7ada nessa circunst\u00e2ncia e julgou que nada melhor poderia fazer al\u00e9m de confiar aos descontentes a guarda das fortale\u00adzas e das pra\u00e7as-fortes, exceto Hirc\u00e2nia, Alexandriom e Macherom, onde havia colocado tudo o que possu\u00eda de mais precioso. Pouco tempo depois, ela mandou Arist\u00f3bulo, seu sobrinho, com um ex\u00e9rcito a Damasco contra Ptolomeu Meneu, que oprimia esses vizinhos, mas ele voltou sem nada ter feito de memor\u00e1vel.<\/p>\n<p>Por esse mesmo tempo, soube-se que Tigrano, rei da Arm\u00eania, entrara na S\u00edria com um ex\u00e9rcito de quinhentos mil homens e vinha rapidamente para a Jud\u00e9ia. T\u00e3o grande e t\u00e3o imprevisto perigo assustou a rainha Alexandra e todo o reino. Ela ent\u00e3o mandou a esse pr\u00edncipe ricos presentes, por meio de embai\u00adxadores, que o encontraram ocupado no cerco de Ptolemaida. A rainha Selene, outrora chamada Cleopatra, que ent\u00e3o reinava na S\u00edria, exortou todos os seus s\u00faditos a se defenderem generosamente contra o usurpador. Os embaixadores de Alexandre tudo fizeram para induzir Tigrano a sentimentos favor\u00e1veis para com a sua rainha e a sua na\u00e7\u00e3o. Ele os recebeu muito bem e despediu-os com muitas esperan\u00e7as. Tendo tomado Ptolemaida, soube que L\u00faculo, que perse\u00adguira o rei Mitr\u00eddates sem poder alcan\u00e7\u00e1-lo, porque este j\u00e1 se havia posto a salvo na Lib\u00e9ria, entrara na Arm\u00eania e saqueava e devastava todo o pa\u00eds. Tal not\u00edcia o fez regressar.<\/p>\n<p>A rainha Alexandra ficou ent\u00e3o gravemente enferma, e Arist\u00f3bulo julgou ter encontrado o momento mais prop\u00edcio para os seus des\u00edgnios. Saiu \u00e0 noite, acompanhado de um \u00fanico servo, para ir \u00e0s pra\u00e7as-fortes, que eram guardadas, como acabamos de dizer, pelos servidores de maior confian\u00e7a do falecido rei seu pai. Estando havia muito tempo insatisfeito com o proceder de sua m\u00e3e e temen\u00addo mais do que nunca que a sua fam\u00edlia viesse a cair sob o dom\u00ednio poderoso dos fariseus, caso ela morresse, via, por outro lado, que seu irm\u00e3o Hircano era inteira\u00admente incapaz de governar. Ele confiou o seu segredo somente \u00e0 esposa, que deixou em Jerusal\u00e9m com os filhos.<\/p>\n<p>Foi primeiro a \u00c1gaba, onde Galesto, que era um de seus fi\u00e9is servidores e do falecido rei, o recebeu com grande alegria. No dia seguinte, a rainha percebeu que Arist\u00f3bulo estava ausente, mas n\u00e3o suspeitou de que ele se havia afastado para organizar uma rebeli\u00e3o. Quando soube, por\u00e9m, que ele se apoderara de uma for\u00adtaleza e depois de mais outra, compreendeu que assim, uma ap\u00f3s outra, todas ficariam em seu poder. Ela e os seus ca\u00edram em grande consterna\u00e7\u00e3o, pois conclu\u00edram que j\u00e1 bem pouco faltava para que Arist\u00f3bulo usurpasse o poder. Eles temiam que ele se vingasse terrivelmente pela maneira como haviam tratado os seus mais afei\u00e7oados servidores.<\/p>\n<p>Em t\u00e3o grande afli\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tiveram outra delibera\u00e7\u00e3o a tomar sen\u00e3o prender na fortaleza pr\u00f3xima do Templo a mulher e os filhos de Arist\u00f3bulo. Enquanto isso os judeus acorriam de todas as partes para junto desse pr\u00edncipe, e em quinze dias ele conseguiu apoderar-se de vinte e duas pra\u00e7as. Tomou ent\u00e3o as ins\u00edgnias da realeza e da dignidade real e n\u00e3o perdeu tempo em reunir tropas. Recrutou-as no monte L\u00edbano e na Tracon\u00edtida e com os pr\u00edncipes vizinhos, que o ajudaram de boa vontade, na esperan\u00e7a de que ele reconhecesse o benef\u00edcio que lhe pres\u00adtavam, ajudando-o a subir ao trono quando at\u00e9 ent\u00e3o ele n\u00e3o ousara faz\u00ea-lo, por mais desejo que tivesse de ocup\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Hircano, acompanhado pelo judeus mais ilustres, foi procurar a rainha para que ela se dignasse dizer-lhes o que julgava conveniente fazer em tal conting\u00eancia, pois Arist\u00f3bulo j\u00e1 era senhor de quase todo o territ\u00f3rio, pela rendi\u00e7\u00e3o de tantas pra\u00e7as, e, ainda que ela se encontrasse t\u00e3o enferma, era dever dele nada empreender, estando ela ainda viva, sem consult\u00e1-la, visto que o perigo estava muito pr\u00f3ximo. Ela respon\u00addeu que deixava a eles a escolha e que fizessem o que pensassem ser mais vantajoso para o reino, pois eles tinham soldados, homens competentes e grande soma de dinheiro no tesouro p\u00fablico. Quanto a ela, n\u00e3o estava mais em condi\u00e7\u00f5es de cuidar de assuntos do governo, porque se sentia inteiramente esgotada e no fim da vida. E, dizendo essas palavras, morreu, ap\u00f3s reinar nove anos e viver setenta e tr\u00eas.<\/p>\n<p>Essa rainha nada tinha da fraqueza de seu sexo, pois mostrou, pelas suas a\u00e7\u00f5es, que era capaz de governar e de envergonhar os pr\u00edncipes que se mostram indignos da posi\u00e7\u00e3o que ocupam no mundo. Cuidou unicamente da utilidade do reino, sem se afastar de uma ocupa\u00e7\u00e3o t\u00e3o importante por causa de v\u00e3os pensamentos ou preocupa\u00e7\u00f5es com o futuro. Ela afirmava que a modera\u00e7\u00e3o no governo \u00e9 prefer\u00edvel a tudo, e que jamais se deve fazer algo que n\u00e3o seja justo e honesto. Mas todas essas boas qualidades n\u00e3o impediram que os seus descen\u00addentes perdessem, depois de sua morte, o poder que a sua ambi\u00e7\u00e3o lhes havia conquistado por meio de in\u00fameras dificuldades e perigos, t\u00e3o grande a falta que ela cometeu: seguir o pernicioso conselho dos inimigos de sua fam\u00edlia, privando o Estado da coopera\u00e7\u00e3o daqueles que muito poderiam ter feito. Assim, a sua morte foi seguida de perturba\u00e7\u00f5es e de infelicidade, mas todo o seu reinado passou-se em paz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rainha Alexandra, depois de se apoderar da fortaleza de Ragaba e de voltar a Jerusal\u00e9m, falou aos fariseus como lhe dissera o rei seu marido, declaran-do-lhes que nada queria fazer sem a opini\u00e3o deles, com rela\u00e7\u00e3o ao seu corpo e ao governo do reino. 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